Especialista em intercorrências e pioneira na técnica de Microtox no Brasil, Dra. Gabriela Silveira explica os riscos e os cuidados após procedimentos estéticos
Preenchimentos, aplicação de toxina botulínica, bioestimuladores
de colágeno e outros procedimentos estéticos se tornaram cada vez mais
presentes na rotina de quem busca melhorar a aparência e suavizar os sinais do
envelhecimento. Com o avanço das técnicas e a popularização dos tratamentos,
também cresce a importância de uma discussão que nem sempre recebe a mesma
atenção: o que acontece quando um procedimento não evolui como esperado?
Inchaço, vermelhidão e sensibilidade podem fazer parte da
recuperação de determinados tratamentos. No entanto, dor intensa, alterações
importantes na coloração da pele, mudanças na visão e outros sintomas incomuns
podem indicar complicações que exigem avaliação imediata.
Essas situações são conhecidas como intercorrências estéticas e
podem variar desde reações leves e transitórias até complicações graves, como
infecções, alterações vasculares e danos aos tecidos.
Para a Dra. Gabriela Silveira, biomédica esteta, especialista em
intercorrências e CEO da Clínica Slim Santé, em São Paulo, um dos principais
desafios está justamente em diferenciar uma reação esperada de um sinal de
alerta.
“É importante entender que nem toda reação após um procedimento
significa que houve uma complicação. Mas também não podemos normalizar qualquer
sintoma. Dor intensa, alterações na coloração da pele ou uma evolução diferente
do esperado precisam ser avaliadas rapidamente. Em determinadas situações, o
tempo de resposta pode fazer diferença”, explica.
Quando
uma reação deixa de ser considerada normal?
Após determinados procedimentos injetáveis, é possível apresentar
pequenos hematomas, edema e sensibilidade na região tratada. Essas
manifestações costumam ser temporárias e variam conforme a técnica utilizada, a
região e as características de cada paciente.
O problema começa quando sintomas mais intensos ou persistentes
são confundidos com parte natural da recuperação.
As intercorrências também variam de acordo com o procedimento
realizado. Nos preenchimentos, por exemplo, podem ocorrer nódulos, infecções e,
em casos mais graves, oclusões vasculares, quando há comprometimento da
circulação sanguínea, com risco de danos aos tecidos e, raramente, alterações
visuais.
Já a aplicação de toxina botulínica pode apresentar complicações
como assimetrias, queda temporária da pálpebra e alterações indesejadas na
movimentação muscular. Nos bioestimuladores de colágeno, podem surgir nódulos,
reações inflamatórias e outras alterações que exigem avaliação profissional.
“Um dos maiores riscos é o paciente acreditar que qualquer
alteração faz parte do processo e esperar vários dias para procurar ajuda.
Algumas intercorrências precisam ser identificadas e conduzidas com rapidez
para reduzir o risco de consequências mais graves”, alerta a Dra. Gabriela.
A
naturalidade dos resultados não pode vir antes da segurança
A busca por resultados naturais tem influenciado a estética
facial, com maior atenção à individualidade do rosto e à escolha de técnicas
mais delicadas.
Pioneira na aplicação da técnica de Microtox no Brasil, a Dra.
Gabriela acompanha essa evolução e destaca que a escolha do procedimento
precisa considerar muito mais do que o resultado desejado.
Seja na aplicação de toxina botulínica, preenchimentos ou bioestimuladores
de colágeno, avaliação prévia, conhecimento anatômico, histórico de saúde, indicação
adequada e compreensão dos possíveis riscos são etapas fundamentais para a
segurança.
Além disso, mesmo procedimentos considerados minimamente invasivos
não estão completamente livres de complicações.
“Existe uma percepção de que, por ser um procedimento rápido ou
realizado em consultório, ele é necessariamente simples. Mas estamos falando de
intervenções que exigem conhecimento técnico, avaliação individualizada e
preparo para reconhecer e conduzir possíveis intercorrências”, afirma.
Saber
lidar com complicações também faz parte do tratamento
A prevenção começa antes da realização do procedimento, mas o
acompanhamento após a aplicação também é importante. Orientar o paciente sobre
os cuidados necessários, explicar quais reações são esperadas e informar os
sinais que exigem atenção fazem parte de uma assistência responsável.
Para a Dra. Gabriela, a discussão sobre intercorrências precisa
ganhar mais espaço tanto entre os profissionais quanto entre os pacientes.
“Quando falamos em segurança, não estamos falando apenas de evitar
complicações, mas também de saber identificá-las e agir de maneira adequada
quando acontecem. O paciente precisa receber informações claras sobre o
procedimento, os riscos envolvidos e os sinais que merecem atenção”, explica.
A especialista também chama atenção para a influência das redes
sociais, onde resultados imediatos e transformações estéticas muitas vezes
recebem mais destaque do que as etapas de avaliação, planejamento e
acompanhamento.
“É importante que as pessoas entendam que um procedimento estético
não deve ser escolhido apenas porque está em alta ou porque apresentou um bom
resultado em outra pessoa. Cada paciente possui características diferentes, e a
segurança precisa ser prioridade em todas as etapas”, conclui.
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