Dados do INCA mostram que volume de
exames corresponde a cerca de 21% da necessidade anual; barreiras de acesso e
adiamento do cuidado ainda dificultam a detecção precoce
O câncer de mama continua entre os principais desafios de saúde para as mulheres brasileiras. A cada ano do triênio 2026-2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos da doença no país, o equivalente a 30% dos cânceres que devem acometer a população feminina, com exceção dos tumores de pele não melanoma.
Nesse cenário, a mamografia tem papel central na detecção precoce. O exame é utilizado para identificar alterações suspeitas em mulheres sem sinais ou sintomas e, quando realizado dentro da estratégia de rastreamento indicada para a população, está associado à redução da mortalidade por câncer de mama.
No entanto, os dados mais recentes consolidados pelo INCA sobre a produção de mamografias mostram um descompasso entre o volume realizado e a necessidade estimada. Em 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 2,65 milhões de mamografias de rastreamento em mulheres de 50 a 69 anos, diante de uma necessidade anual estimada de aproximadamente 12,5 milhões de exames, uma relação equivalente a cerca de 21%. No Sudeste, o índice chegou a 24% da necessidade estimada para a região.
A comparação é baseada no parâmetro utilizado para o rastreamento da população de 50 a 69 anos à época da produção dos dados. Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde passou a recomendar a mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos, ampliando a faixa etária prioritária.
“É importante ressaltar que os números são uma estimativa didática, e não representam a taxa oficial de cobertura do rastreamento nem o número de mulheres únicas examinadas, já que uma mesma mulher pode realizar exames em anos diferentes. Ainda assim, ajudam a dimensionar o desafio de ampliar a realização periódica da mamografia”, explica o mastologista do Hcor, Dr. Afonso Nazário.
Por que a mamografia fica para depois?
A realização da mamografia é influenciada por fatores como acesso
aos serviços, condições socioeconômicas, escolaridade e informação. Segundo o
INCA, também pesam dificuldades para conseguir atendimento e dar continuidade à
investigação quando há alguma alteração.
“Medo, desconhecimento e adiamento do próprio cuidado podem contribuir para postergar o exame, mas ampliar a detecção precoce depende de uma combinação de informação, acesso e continuidade da assistência, e não apenas da decisão individual”, destaca.
Diagnóstico precoce faz diferença
Quanto mais cedo o câncer de mama é identificado, maiores podem ser as possibilidades de tratamento, com abordagens potencialmente menos agressivas e mais efetivas. Segundo o INCA, cerca de 40% dos casos diagnosticados no Brasil ainda estão em estágios avançados.
“A mamografia de rastreamento permite identificar alterações antes do surgimento de sintomas. Por isso, além de manter o acompanhamento indicado, é importante procurar avaliação médica diante de sinais como nódulo persistente, secreção sanguinolenta pelo mamilo, retração da pele ou do mamilo e alterações no formato da mama”, recomenda.
Novo tratamento por crioablação
O diagnóstico em estágio inicial pode ampliar as alternativas de tratamento, entre elas técnicas minimamente invasivas como a crioablação, que utiliza ciclos controlados de congelamento e descongelamento para destruir o tumor.
No Hcor, o Estudo SIX, realizado em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), avalia se a técnica é não inferior à cirurgia convencional no tratamento do câncer de mama. O ensaio clínico prevê 330 participantes até fevereiro de 2027 e inclui pacientes maiores de 18 anos com carcinoma invasivo de mama em estágio inicial, conforme os critérios definidos pelo protocolo.
Dados preliminares de um protocolo anterior, chamado estudo FIRST, realizado com 60 pacientes por meio de uma parceria entre Hcor, UNIFESP e Einstein, mostraram que a técnica alcançou a eliminação completa do tumor em 97,9% dos casos iniciais, chegando a 100% de sucesso em tumores de até 2 centímetros.
Pacientes que atendam aos critérios podem consultar as condições de participação no site do Hcor Clinical Research.
Hcor
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