Pesquisar no Blog

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Osteoporose avança sem sintomas: por que a prevenção precisa começar antes da primeira fratura

A queda do estrogênio acelera a perda de massa óssea; avaliação individualizada ajuda a identificar riscos e proteger ossos e músculos após os 40 anos.


Ela avança sem dor, sem inchaço, sem qualquer aviso que justifique uma ida ao médico. É por isso que a osteoporose costuma ser descoberta tarde: na maioria das vezes, o diagnóstico só aparece depois que um osso já cedeu a um esforço banal, como uma escorregada dentro de casa ou um movimento brusco ao levantar da cama. Enquanto isso, o processo de enfraquecimento ósseo pode estar em curso havia anos, avançando de forma silenciosa justamente na fase em que a maioria das pessoas menos pensa em cuidar dos ossos.

Ginecologista, pós-doutora e sócia da Clarizia Saúde da Mulher, a Dra. Alessandra Clarizia dedica boa parte de sua atuação a essa fase de transição do corpo feminino. Segundo ela, existe uma explicação hormonal clara para essa aceleração. "O estrogênio funciona como uma espécie de freio na reabsorção óssea. Quando os níveis caem, esse freio afrouxa, e o organismo passa a perder osso num ritmo bem mais rápido do que consegue repor", explica.

A médica destaca que o impacto dessa queda hormonal não se limita ao esqueleto. Os músculos também sofrem, e essa combinação é o que costuma abrir caminho para as fraturas. "Não é só o osso que fragiliza. A massa muscular também diminui, e isso afeta equilíbrio, postura e a capacidade de reagir a um tropeço. A fratura quase sempre é a soma desses dois fatores, não um problema isolado", pondera.

Por isso, na visão da especialista, esperar por algum sintoma para procurar avaliação é abrir mão da fase em que mais se pode intervir. "Quando a pessoa sente dor ou percebe alguma mudança visível, o quadro já estava se formando havia tempo. O ideal é agir antes disso, e não depois", afirma.

Ela defende que a investigação óssea entre os 40 e os 50 anos leve em conta o histórico familiar, a rotina alimentar, o nível de atividade física e o momento hormonal de cada paciente, associados a exames como a densitometria. A partir desse conjunto de informações, é possível construir uma estratégia que una, quando necessário, ajuste hormonal, fortalecimento muscular e orientação nutricional. "A velocidade da perda óssea varia muito de pessoa para pessoa. Por isso o acompanhamento precisa ser individual, não existe fórmula pronta que sirva pra todo mundo", pontua.

Para a especialista, tratar a saúde dos ossos como prioridade desde cedo, e não como resposta a uma fratura já ocorrida, é o que realmente faz diferença no futuro. "Cuidar do osso antes que ele quebre é cuidar da liberdade dessa mulher daqui a alguns anos. É poder caminhar, carregar as compras, brincar com um neto no colo sem medo de cair", conclui.



Fonte: Dra. Alessandra Clarizia | Ginecologista e pós-doutora, com atuação em ginecologia regenerativa e sócia da Clarizia Saúde da Mulher.
instagram: @clarizia.saudedamulher


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados