A queda do estrogênio acelera a perda de massa óssea; avaliação individualizada ajuda a identificar riscos e proteger ossos e músculos após os 40 anos.
Ela avança sem dor, sem inchaço, sem
qualquer aviso que justifique uma ida ao médico. É por isso que a osteoporose
costuma ser descoberta tarde: na maioria das vezes, o diagnóstico só aparece
depois que um osso já cedeu a um esforço banal, como uma escorregada dentro de
casa ou um movimento brusco ao levantar da cama. Enquanto isso, o processo de
enfraquecimento ósseo pode estar em curso havia anos, avançando de forma
silenciosa justamente na fase em que a maioria das pessoas menos pensa em
cuidar dos ossos.
Ginecologista, pós-doutora e sócia da
Clarizia Saúde da Mulher, a Dra. Alessandra Clarizia dedica boa parte de sua
atuação a essa fase de transição do corpo feminino. Segundo ela, existe uma
explicação hormonal clara para essa aceleração. "O estrogênio funciona
como uma espécie de freio na reabsorção óssea. Quando os níveis caem, esse
freio afrouxa, e o organismo passa a perder osso num ritmo bem mais rápido do
que consegue repor", explica.
A médica destaca que o impacto dessa
queda hormonal não se limita ao esqueleto. Os músculos também sofrem, e essa
combinação é o que costuma abrir caminho para as fraturas. "Não é só o
osso que fragiliza. A massa muscular também diminui, e isso afeta equilíbrio,
postura e a capacidade de reagir a um tropeço. A fratura quase sempre é a soma
desses dois fatores, não um problema isolado", pondera.
Por isso, na visão da especialista,
esperar por algum sintoma para procurar avaliação é abrir mão da fase em que
mais se pode intervir. "Quando a pessoa sente dor ou percebe alguma
mudança visível, o quadro já estava se formando havia tempo. O ideal é agir
antes disso, e não depois", afirma.
Ela defende que a investigação óssea
entre os 40 e os 50 anos leve em conta o histórico familiar, a rotina
alimentar, o nível de atividade física e o momento hormonal de cada paciente,
associados a exames como a densitometria. A partir desse conjunto de
informações, é possível construir uma estratégia que una, quando necessário,
ajuste hormonal, fortalecimento muscular e orientação nutricional. "A
velocidade da perda óssea varia muito de pessoa para pessoa. Por isso o
acompanhamento precisa ser individual, não existe fórmula pronta que sirva pra
todo mundo", pontua.
Para a especialista, tratar a saúde dos ossos como prioridade desde cedo, e não como resposta a uma fratura já ocorrida, é o que realmente faz diferença no futuro. "Cuidar do osso antes que ele quebre é cuidar da liberdade dessa mulher daqui a alguns anos. É poder caminhar, carregar as compras, brincar com um neto no colo sem medo de cair", conclui.
Fonte: Dra. Alessandra Clarizia | Ginecologista e pós-doutora, com atuação em ginecologia regenerativa e sócia da Clarizia Saúde da Mulher.
instagram: @clarizia.saudedamulher
Nenhum comentário:
Postar um comentário