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sábado, 10 de outubro de 2026

Alta na procura por cosméticos infantis para Dia das Crianças acende alerta entre dermatologistas

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Impulsionado pelas redes sociais, interesse por cuidados com a pele chega cada vez mais cedo; especialistas alertam para os riscos da cosmeticorexia e reforçam a importância de uma rotina adequada a cada faixa etária


O skincare deixou de ser um hábito associado exclusivamente à vida adulta e passou a fazer parte do universo de crianças e pré-adolescentes, impulsionado por vídeos de rotinas de beleza, resenhas de produtos e tendências nas redes sociais. O movimento acompanha uma geração cada vez mais conectada: segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br e do NIC.br, 83% das crianças e adolescentes brasileiros de 9 a 17 anos possuem perfil em pelo menos uma rede social, percentual que chega a 99% entre jovens de 15 a 17 anos. Nesse contexto, o interesse por cosméticos e cuidados pessoais ganha espaço, mas também levanta discussões sobre o uso precoce de produtos desenvolvidos para a pele adulta.

O fenômeno, conhecido como cosmeticorexia, está relacionado à busca excessiva por uma pele considerada perfeita e ao uso indiscriminado de cosméticos. Embora o autocuidado possa contribuir para a construção de hábitos saudáveis, a reprodução de rotinas vistas na internet pode levar crianças e adolescentes a utilizar produtos e ativos incompatíveis com as necessidades da própria pele.

“A pele infantil apresenta particularidades fisiológicas e não possui as mesmas necessidades da pele adulta. O uso indiscriminado de ativos como retinoides, alfa-hidroxiácidos (AHAs), beta-hidroxiácidos (BHAs) e antioxidantes em altas concentrações pode comprometer a barreira cutânea, aumentar a perda transepidérmica de água e favorecer dermatites irritativas, sensibilização e hiperpigmentação pós-inflamatória”, explica a dermatologista Dra. Isabela Bastos, convidada pela Drogaria Iguatemi. Segundo a especialista, a rotina nessa fase deve priorizar higienização suave, hidratação e fotoproteção, evitando ativos antienvelhecimento e esfoliantes sem indicação médica.

Entre os possíveis efeitos do uso inadequado de cosméticos estão dermatite de contato, eczema, queimaduras, manchas e acne provocada pelos próprios produtos. A dermatologista Dra. Paola Yastrebov Pomerantzeff, convidada pela Drogaria Iguatemi, também destaca a importância da supervisão dos responsáveis e de uma rotina minimalista. “Os pais devem controlar a compra de skincare das crianças, que deve ser extremamente minimalista e focada em hidratação, quando necessária, e proteção solar. Os sabonetes devem ser suaves, de preferência syndets ou líquidos neutros, e a face deve ser lavada apenas duas vezes ao dia”, orienta.

A proteção solar também deve ocupar um lugar central nos cuidados desde cedo. Para crianças menores, a Dra. Paola recomenda priorizar protetores solares físicos, minerais, à base de óxido de zinco e dióxido de titânio. A escolha dos produtos deve considerar a idade e as necessidades individuais, com orientação profissional quando necessário. Na adolescência, quando as alterações hormonais podem aumentar a oleosidade e favorecer o surgimento de acne, a avaliação dermatológica ajuda a identificar necessidades específicas e evitar tratamentos desnecessários. Para a Dra. Isabela, não existe idade mínima para uma consulta, e o acompanhamento anual é especialmente importante com o início da puberdade.

A mudança de comportamento também se reflete no varejo de beleza e cuidados pessoais. No Grupo DI (Drogaria Iguatemi e Discover), a curadoria reúne marcas que dialogam com diferentes momentos da infância e adolescência, acompanhando o interesse por produtos de autocuidado sem deixar de considerar as particularidades de cada público. Entre as opções estão a Good Mood by Alva, voltada ao universo adolescente, a Piny e a Booma, criada para cuidados infantis.

“O que vemos no varejo é que o autocuidado está chegando mais cedo e de uma maneira muito mais relacionada à descoberta e à expressão pessoal. Existe uma diferença importante entre oferecer um produto para uma criança e entender o que faz sentido para um adolescente que está começando a construir seus próprios hábitos. Por isso, nosso papel na Curadoria DI é olhar para esse movimento com atenção e selecionar marcas que tenham propostas coerentes com cada momento. A Good Mood by Alva, por exemplo, conversa diretamente com esse adolescente que está começando a cuidar da pele, enquanto marcas como Booma entram no dia a dia das crianças”, afirma Karina Diniz, Global Brand Curator do Grupo DI.

Mais do que acompanhar tendências, o desafio está em incentivar uma relação equilibrada com a beleza desde cedo. Para as especialistas, uma rotina eficaz não precisa de muitas etapas ou de uma grande variedade de produtos: deve respeitar a idade, as características da pele e suas necessidades reais. Nesse cenário, a informação e a orientação dos responsáveis são fundamentais para que o skincare seja uma prática de cuidado e bem-estar, e não uma fonte de pressão estética ou exposição desnecessária a cosméticos.


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