![]() |
| Canva |
Impulsionado pelas redes sociais, interesse por cuidados com a pele chega cada vez mais cedo; especialistas alertam para os riscos da cosmeticorexia e reforçam a importância de uma rotina adequada a cada faixa etária
O skincare deixou de ser um hábito associado exclusivamente à vida
adulta e passou a fazer parte do universo de crianças e pré-adolescentes,
impulsionado por vídeos de rotinas de beleza, resenhas de produtos e tendências
nas redes sociais. O movimento acompanha uma geração cada vez mais conectada:
segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br e do NIC.br, 83%
das crianças e adolescentes brasileiros de 9 a 17 anos possuem perfil em pelo
menos uma rede social, percentual que chega a 99% entre jovens de 15 a 17 anos.
Nesse contexto, o interesse por cosméticos e cuidados pessoais ganha espaço,
mas também levanta discussões sobre o uso precoce de produtos desenvolvidos
para a pele adulta.
O fenômeno, conhecido como cosmeticorexia, está relacionado
à busca excessiva por uma pele considerada perfeita e ao uso indiscriminado de
cosméticos. Embora o autocuidado possa contribuir para a construção de hábitos
saudáveis, a reprodução de rotinas vistas na internet pode levar crianças e
adolescentes a utilizar produtos e ativos incompatíveis com as necessidades da
própria pele.
“A pele infantil apresenta particularidades fisiológicas e não
possui as mesmas necessidades da pele adulta. O uso indiscriminado de ativos
como retinoides, alfa-hidroxiácidos (AHAs), beta-hidroxiácidos (BHAs) e
antioxidantes em altas concentrações pode comprometer a barreira cutânea,
aumentar a perda transepidérmica de água e favorecer dermatites irritativas,
sensibilização e hiperpigmentação pós-inflamatória”, explica a dermatologista
Dra. Isabela Bastos, convidada pela Drogaria Iguatemi. Segundo a especialista,
a rotina nessa fase deve priorizar higienização suave, hidratação e
fotoproteção, evitando ativos antienvelhecimento e esfoliantes sem indicação
médica.
Entre os possíveis efeitos do uso inadequado de cosméticos estão
dermatite de contato, eczema, queimaduras, manchas e acne provocada pelos
próprios produtos. A dermatologista Dra. Paola Yastrebov Pomerantzeff,
convidada pela Drogaria Iguatemi, também destaca a importância da supervisão
dos responsáveis e de uma rotina minimalista. “Os pais devem controlar a compra
de skincare das crianças, que deve ser extremamente minimalista e focada em
hidratação, quando necessária, e proteção solar. Os sabonetes devem ser suaves,
de preferência syndets ou líquidos neutros, e a face deve ser lavada apenas
duas vezes ao dia”, orienta.
A proteção solar também deve ocupar um lugar central nos cuidados
desde cedo. Para crianças menores, a Dra. Paola recomenda priorizar protetores
solares físicos, minerais, à base de óxido de zinco e dióxido de titânio. A
escolha dos produtos deve considerar a idade e as necessidades individuais, com
orientação profissional quando necessário. Na adolescência, quando as
alterações hormonais podem aumentar a oleosidade e favorecer o surgimento de
acne, a avaliação dermatológica ajuda a identificar necessidades específicas e
evitar tratamentos desnecessários. Para a Dra. Isabela, não existe idade mínima
para uma consulta, e o acompanhamento anual é especialmente importante com o
início da puberdade.
A mudança de comportamento também se reflete no varejo de beleza e
cuidados pessoais. No Grupo DI (Drogaria Iguatemi e Discover), a curadoria
reúne marcas que dialogam com diferentes momentos da infância e adolescência,
acompanhando o interesse por produtos de autocuidado sem deixar de considerar
as particularidades de cada público. Entre as opções estão a Good Mood by Alva,
voltada ao universo adolescente, a Piny e a Booma, criada para cuidados
infantis.
“O que vemos no varejo é que o autocuidado está chegando mais cedo
e de uma maneira muito mais relacionada à descoberta e à expressão pessoal.
Existe uma diferença importante entre oferecer um produto para uma criança e
entender o que faz sentido para um adolescente que está começando a construir
seus próprios hábitos. Por isso, nosso papel na Curadoria DI é olhar para esse
movimento com atenção e selecionar marcas que tenham propostas coerentes com
cada momento. A Good Mood by Alva, por exemplo, conversa diretamente com esse
adolescente que está começando a cuidar da pele, enquanto marcas como Booma
entram no dia a dia das crianças”, afirma Karina Diniz, Global Brand Curator do
Grupo DI.
Mais do que acompanhar tendências, o desafio está em incentivar
uma relação equilibrada com a beleza desde cedo. Para as especialistas, uma
rotina eficaz não precisa de muitas etapas ou de uma grande variedade de
produtos: deve respeitar a idade, as características da pele e suas
necessidades reais. Nesse cenário, a informação e a orientação dos responsáveis
são fundamentais para que o skincare seja uma prática de cuidado e bem-estar, e
não uma fonte de pressão estética ou exposição desnecessária a cosméticos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário