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terça-feira, 21 de julho de 2026

Liderança de negócios sem romantização

 

Apesar do crescimento do empreendedorismo feminino, muitas empresárias ainda assumem todas as funções da empresa por dificuldade em delegar e liderar estrategicamente. Especialista explica por que o excesso de controle impede o crescimento do negócio e como mudar essa dinâmica.

 

 

O empreendedorismo feminino segue em expansão no Brasil, mas ainda carrega uma armadilha silenciosa: a ideia de que uma boa empresária precisa dar conta de tudo sozinha. Enquanto as redes sociais costumam exaltar mulheres que acumulam múltiplas funções, na prática, essa sobrecarga tem impedido muitas empresas de crescerem de forma sustentável. Quando a fundadora concentra todas as decisões e tarefas, o negócio passa a depender exclusivamente dela para funcionar.

Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), cerca de 67% das mulheres empreendedoras também são mães e dedicam, em média, 10,5 horas semanais a mais que os homens aos cuidados com a casa e a família. Essa realidade faz com que muitas empresárias levem para dentro da empresa a mesma lógica de assumir todas as responsabilidades, acreditando que precisam controlar cada detalhe para que tudo aconteça da maneira correta.

Para Alê Freitas, mentora em Liderança Feminina Aplicada ao Negócio Real e CEO da Anima Impacto Consultoria, existe uma cobrança cultural que faz muitas mulheres acreditarem que competência é sinônimo de dar conta de mil tarefas ao mesmo tempo.

"Desde muito cedo, muitas mulheres aprendem que precisam ser excelentes em tudo: na carreira, na maternidade, na casa e nos relacionamentos. Quando empreendem, levam essa mesma mentalidade para o negócio e passam a acreditar que precisam resolver absolutamente tudo sozinhas. Só que isso não é liderança, é sobrecarga."

Segundo a especialista, o excesso de controle normalmente nasce do perfeccionismo, da dificuldade em confiar na equipe e do medo de que a empresa perca qualidade caso outras pessoas assumam responsabilidades. O problema é que essa centralização limita o crescimento do negócio e impede que a empresária ocupe o papel que realmente deveria exercer.

"Enquanto a dona está ocupada apagando incêndios, respondendo mensagens, aprovando cada detalhe e resolvendo problemas operacionais, sobra pouco tempo para pensar estrategicamente. E uma empresa só cresce quando a líder consegue olhar para o futuro, desenvolver pessoas e criar novas oportunidades."

Alê explica que liderar não significa estar presente em todas as etapas do processo. Pelo contrário. Empresas sólidas são construídas com processos bem definidos, equipes preparadas e autonomia para que as decisões não dependam exclusivamente da fundadora. Delegar, nesse contexto, deixa de representar perda de controle e passa a ser uma estratégia de crescimento.

"Existe uma romantização da empresária que faz tudo sozinha, como se isso fosse motivo de orgulho. Mas uma liderança madura não é aquela que trabalha mais do que todos. É aquela que constrói uma empresa capaz de funcionar, crescer e gerar resultados sem depender exclusivamente dela."

Para a especialista, abandonar a necessidade de controlar cada detalhe também representa uma mudança na forma como as mulheres enxergam o próprio sucesso. Empreender não deveria significar abrir mão da saúde, da família ou da qualidade de vida para manter o negócio funcionando.

"O sucesso não está em provar que você consegue fazer tudo. Está em construir uma empresa sustentável, onde as pessoas crescem junto com você e o negócio continua evoluindo mesmo quando você não está presente o tempo todo. Essa é a liderança que realmente transforma empresas e vidas", conclui.




Fonte: Alê Freitas — Mentora em liderança para mulheres aplicada ao negócio real e CEO da Anima Impacto Consultoria.


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