Dificuldade de concentração, atraso na fala, irritabilidade,
hiperatividade, sensibilidade sensorial e dificuldades de interação social são
alguns dos sinais que costumam aparecer ainda na infância em crianças com
Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção e
Hiperatividade (TDAH). Apesar disso, especialistas alertam que o diagnóstico
dessas condições ainda pode levar anos no Brasil, atrasando intervenções
importantes para o desenvolvimento infantil.
Dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos
Estados Unidos, apontam que o autismo afeta atualmente 1 em cada 36 crianças.
Já o TDAH é considerado um dos transtornos do neurodesenvolvimento mais comuns
da infância, com prevalência estimada entre 5% e 8% em crianças e adolescentes,
segundo estudos internacionais.
No Brasil, especialistas observam aumento na busca por avaliação
diagnóstica, mas destacam que muitos pacientes ainda enfrentam demora para
chegar a uma conclusão clínica adequada, especialmente pela semelhança dos
sintomas com outras condições médicas, neurológicas, metabólicas e
comportamentais.
Segundo Carlos Aschoff, médico
geneticista do Grupo DB, o diagnóstico do TEA e do TDAH é clínico e deve
ser realizado por equipe especializada, mas os exames laboratoriais têm papel
importante no processo de investigação.
“Os exames não diagnosticam autismo ou TDAH isoladamente, mas
ajudam a descartar outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes,
como alterações metabólicas, deficiências vitamínicas, distúrbios hormonais,
condições genéticas e alterações neurológicas”, explica.
Entre os exames frequentemente utilizados no apoio à investigação
estão avaliações genéticas, testes metabólicos, dosagens hormonais, exames
toxicológicos, avaliações nutricionais e exames laboratoriais voltados à
investigação de alterações neurológicas e inflamatórias.
O médico destaca que o atraso no diagnóstico pode impactar
diretamente o desenvolvimento social, emocional e educacional da criança.
“Quanto mais precoce acontece a identificação dos sinais e o
início das intervenções, maiores são as chances de desenvolvimento e qualidade
de vida. Muitas famílias passam anos buscando respostas sem compreender que
outros fatores clínicos também precisam ser avaliados durante a investigação”,
afirma.
Além da avaliação médica multidisciplinar, o apoio diagnóstico
laboratorial contribui para uma investigação mais ampla e segura, especialmente
em casos complexos ou quando há sintomas associados.
A recomendação é que pais, responsáveis e educadores busquem
avaliação especializada sempre que observarem sinais persistentes relacionados
ao desenvolvimento, comportamento, aprendizagem e interação social das
crianças.
Grupo DB
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