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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Entenda o que torna o Ebola uma das doenças mais temidas do mundo

Infectologista explica os riscos, sintomas e o comportamento de uma das doenças mais letais já conhecidas

 

O avanço de novos casos de Ebola em países africanos voltou a colocar o mundo em estado de atenção para uma das doenças mais letais já registradas. Conhecido pela rápida evolução clínica e pelo alto risco de morte, o vírus provoca temor internacional há décadas e segue mobilizando autoridades de saúde sempre que novos surtos são identificados. 

De acordo com a infectologista Polyana Gitirana, do Hospital Vitória Apart, o Ebola é uma doença viral que provoca febre hemorrágica severa, semelhante ao que ocorre em formas graves da dengue e da febre amarela — porém com potencial de letalidade muito maior. 

“O Ebola é conhecido como uma das doenças de maior letalidade já descritas. Dependendo do surto e da variante do vírus, a taxa de mortalidade pode variar de 70% a 90%”, explica a médica. 

A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, como sangue, vômito e secreções. Os sintomas iniciais podem se confundir com outras infecções virais: febre, dor de cabeça, mal-estar, vômitos e diarreia estão entre os mais frequentes. O maior temor, no entanto, está na evolução para a febre hemorrágica, quadro grave que pode levar rapidamente à morte. 

“O paciente pode começar com manifestações gastrointestinais, mas evoluir para um quadro sistêmico grave. Diferentemente da dengue, em que os casos hemorrágicos são mais raros, no Ebola essa evolução acontece com muito mais frequência”, destaca Polyana.
 

O risco da contaminação

Além da agressividade da doença, outro fator que contribui para o medo em torno do Ebola é a limitação das vacinas disponíveis atualmente. Existem imunizantes para algumas variantes específicas do vírus, mas a aplicação costuma ocorrer apenas em regiões afetadas pelos surtos, e ainda não há cobertura ampla para todas as cepas. 

Segundo Polyana, a principal forma de prevenção continua sendo evitar viagens para áreas de risco e buscar atendimento imediato diante de sintomas após exposição. O período de incubação pode chegar a 21 dias. 

“Uma pessoa pode sair da região afetada sem sintomas e desenvolver a doença semanas depois. Por isso, qualquer febre ou mal-estar após viagem para áreas de risco deve ser investigado imediatamente”, alerta. 

Apesar da preocupação internacional, a especialista explica que o risco de uma disseminação global nos moldes da Covid-19 é considerado baixo. Isso porque o Ebola não costuma ser transmitido antes do aparecimento dos sintomas, e os pacientes rapidamente evoluem para um estado debilitado, o que reduz significativamente a circulação do vírus. 

“O Ebola não apresenta o mesmo comportamento epidemiológico da Covid. O paciente só transmite quando já está doente e, geralmente, bastante debilitado. Isso dificulta a propagação em larga escala. Não é comum que a gente tenha pandemias associadas a esse perfil de vírus”, tranquiliza a infectologista do Hospital Vitória Apart.



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