quinta-feira, 28 de maio de 2026

Autismo e TDAH ainda levam anos para serem diagnosticados no Brasil; exames ajudam a descartar outras condições, alertam especialistas

 

 Atraso na investigação pode impactar desenvolvimento infantil e qualidade de vida; avaliação multidisciplinar e apoio laboratorial auxiliam no diagnóstico diferencial

 

Dificuldade de concentração, atraso na fala, irritabilidade, hiperatividade, sensibilidade sensorial e dificuldades de interação social são alguns dos sinais que costumam aparecer ainda na infância em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Apesar disso, especialistas alertam que o diagnóstico dessas condições ainda pode levar anos no Brasil, atrasando intervenções importantes para o desenvolvimento infantil. 

Dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, apontam que o autismo afeta atualmente 1 em cada 36 crianças. Já o TDAH é considerado um dos transtornos do neurodesenvolvimento mais comuns da infância, com prevalência estimada entre 5% e 8% em crianças e adolescentes, segundo estudos internacionais. 

No Brasil, especialistas observam aumento na busca por avaliação diagnóstica, mas destacam que muitos pacientes ainda enfrentam demora para chegar a uma conclusão clínica adequada, especialmente pela semelhança dos sintomas com outras condições médicas, neurológicas, metabólicas e comportamentais.

Segundo Carlos Aschoff, médico geneticista do Grupo DB, o diagnóstico do TEA e do TDAH é clínico e deve ser realizado por equipe especializada, mas os exames laboratoriais têm papel importante no processo de investigação. 

“Os exames não diagnosticam autismo ou TDAH isoladamente, mas ajudam a descartar outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes, como alterações metabólicas, deficiências vitamínicas, distúrbios hormonais, condições genéticas e alterações neurológicas”, explica. 

Entre os exames frequentemente utilizados no apoio à investigação estão avaliações genéticas, testes metabólicos, dosagens hormonais, exames toxicológicos, avaliações nutricionais e exames laboratoriais voltados à investigação de alterações neurológicas e inflamatórias. 

O médico destaca que o atraso no diagnóstico pode impactar diretamente o desenvolvimento social, emocional e educacional da criança. 

“Quanto mais precoce acontece a identificação dos sinais e o início das intervenções, maiores são as chances de desenvolvimento e qualidade de vida. Muitas famílias passam anos buscando respostas sem compreender que outros fatores clínicos também precisam ser avaliados durante a investigação”, afirma. 

Além da avaliação médica multidisciplinar, o apoio diagnóstico laboratorial contribui para uma investigação mais ampla e segura, especialmente em casos complexos ou quando há sintomas associados. 

A recomendação é que pais, responsáveis e educadores busquem avaliação especializada sempre que observarem sinais persistentes relacionados ao desenvolvimento, comportamento, aprendizagem e interação social das crianças.

 

Grupo DB

 

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