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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Câncer cerebral: sintomas silenciosos podem atrasar o diagnóstico

Especialista alerta que sintomas neurológicos persistentes, progressivos ou fora do habitual não devem ser ignorados, principalmente por pacientes com histórico de câncer 

 

Apesar de representar uma parcela menor dos tumores malignos, o câncer cerebral segue como uma das doenças mais complexas da Oncologia. De acordo com o neurocirurgião do IBCC Oncologia, Ricardo Ono Maruyama, um dos principais desafios está justamente na identificação inicial dos sintomas, que muitas vezes podem ser confundidos com condições comuns do dia a dia.

 

“Os tumores cerebrais e, principalmente, as metástases cerebrais podem se desenvolver em áreas ‘silenciosas’, ou seja, regiões do cérebro que inicialmente não provocam sintomas evidentes. Muitas vezes, o paciente só percebe alterações quando a lesão já atingiu tamanho maior”, explica.

 

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), os tumores do sistema nervoso central, que incluem cérebro e medula espinhal, correspondem entre 1,4% e 4% dos cânceres malignos registrados no País. Ainda assim, o impacto pode ser devastador, especialmente quando o diagnóstico acontece em fases mais avançadas.

 

“O mais importante é não normalizar sintomas neurológicos novos ou persistentes. Muitas vezes, o próprio paciente percebe que existe algo diferente acontecendo. Investigar precocemente pode mudar completamente a história da doença”, alerta o especialista.

 

Todos os anos, mais de 12 mil novos casos são diagnosticados no Brasil. Entre crianças e adolescentes, o câncer cerebral é a segunda principal causa de morte por câncer, atrás apenas das leucemias. Nesse cenário, o Maio Cinza surge como importante movimento de conscientização sobre os sinais de alerta, a necessidade de diagnóstico precoce e os avanços no tratamento da doença.


 

Sintomas podem surgir de forma silenciosa

 

Segundo o neurocirurgião do IBCC Oncologia, reconhecer precocemente mudanças pode impactar diretamente as chances de sucesso no tratamento e na preservação da qualidade de vida do paciente. Entre os sinais que merecem atenção estão:

 

•         dores de cabeça persistentes e progressivas;


•         náuseas sem causa aparente;


•         alterações visuais;


•         tonturas;


•         convulsões;


•         perda de força muscular;


•         dificuldades na fala;


•         lapsos de memória e


•         alterações no equilíbrio.

 

“Sintomas persistente por mais de duas semanas devem ser investigados com avaliação clínica e exames de imagem”, alerta o especialista.


 

Exames de imagem mudam o prognóstico do câncer cerebral


Segundo o médico, o avanço tecnológico tem transformado significativamente o diagnóstico e o tratamento dos tumores cerebrais. Exames como ressonância magnética e PET Scan permitem identificar lesões de forma cada vez mais precoce, aumentando as chances de sucesso terapêutico.

 

“A boa notícia é que já conseguimos diagnosticar tumores cerebrais em estágios muito mais iniciais graças à evolução dos métodos de imagem. Isso muda completamente o prognóstico do paciente, porque quanto mais cedo temos acesso à doença, maiores são as possibilidades de controle e preservação da qualidade de vida”, afirma o médico.

 

Os avanços nos exames de imagem e nas abordagens terapêuticas também têm mudado o perfil dos pacientes diagnosticados com tumores cerebrais. Segundo o especialista, já é possível identificar lesões em fases mais iniciais, inclusive em pessoas mais jovens, muitas vezes antes do surgimento de sintomas neurológicos graves.

 

Ao mesmo tempo, o aumento da expectativa de vida da população brasileira fez crescer o número de idosos em tratamento oncológico, incluindo pacientes com câncer cerebral. “Hoje, avaliamos muito mais o perfil clínico e funcional do paciente do que a idade em si”, afirma o neurocirurgião.


 

“GPS cirúrgico” aumenta precisão e reduz sequelas em cirurgias cerebrais

 

Além do diagnóstico precoce, a neurocirurgia também passou por importantes inovações. Entre os recursos mais modernos está a Neuronavegação, tecnologia que auxilia o cirurgião na localização exata da lesão cerebral durante o procedimento.

 

“A Neuronavegação funciona como um ‘GPS cirúrgico’. Ela permite definir uma via de acesso mais segura e realizar uma ressecção tumoral mais precisa, reduzindo danos aos tecidos cerebrais adjacentes e diminuindo o risco de sequelas”, detalha o especialista.

 

Outro avanço importante é o uso do Potencial Evocado Intraoperatório, técnica de monitorização eletrofisiológica realizada durante a cirurgia. “Essa tecnologia permite monitorar funções motoras, visuais e de linguagem em tempo real, enquanto o tumor é retirado. Isso aumenta significativamente a segurança cirúrgica e ajuda a preservar funções neurológicas essenciais”, explica.

 

No tratamento do câncer cerebral, a atuação multidisciplinar também faz diferença nos resultados clínicos e na qualidade de vida dos pacientes. “No IBCC Oncologia, o paciente tem acesso integrado ao oncologista, neurocirurgião, radioterapeuta, fisioterapeuta, psicólogo e outras especialidades no mesmo ambiente. Essa abordagem multidisciplinar traz mais agilidade, experiência e segurança ao longo de todo o tratamento”, conclui o especialista.


 

Metástase cerebral ainda é um dos maiores desafios da oncologia

 

Mesmo com todos esses avanços, o neurocirurgião reforça que os casos de metástase cerebral ainda representam um dos maiores desafios da Oncologia neurológica. “O grande objetivo da neurocirurgia oncológica não é apenas tratar a doença, mas devolver qualidade de vida ao paciente. Em muitos casos de metástase cerebral, esse continua sendo um dos maiores desafios da especialidade”, pontua.

 

Para o médico, um dos principais alertas do Maio Cinza é incentivar a população a não ignorar sintomas neurológicos aparentemente simples, especialmente pacientes com histórico oncológico. “Quando os sinais surgem de forma persistente, progressiva ou diferente do habitual, é fundamental procurar avaliação médica, principalmente em pacientes com histórico de câncer, que possuem mais risco de desenvolver metástases cerebrais”, oriente o neurocirurgião do IBCC Oncologia.

 

O médico alerta que, muitas vezes, o próprio paciente percebe que existe algo diferente acontecendo. O mais importante é procurar avaliação médica especializada e questionar a necessidade de uma investigação neurológica. “Comunicar ao médico sintomas como dores de cabeça novas, tonturas, desequilíbrio, falhas de memória ou dificuldades na fala, além de questioná-lo e propor uma investigação mais detalhada, pode mudar completamente a história da doença”, reforça o neurocirurgião.

 

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