Estima-se que o tabaco cause mais de 8 milhões de
mortes ao ano no mundo, sendo uma das principais causas evitáveis de morte
prematura
Celebrado em 31 de maio, o Dia Mundial de Combate ao Tabagismo faz um alerta importante sobre uma das principais causas evitáveis de morte prematura. Estima-se que o tabaco seja responsável por mais de 8 milhões de mortes ao ano no mundo, além de estar associado a diversos tipos de câncer, doenças respiratórias crônicas e comprometimento do sistema imunológico, impactando diretamente a qualidade e a longevidade da vida.
Além disso, fumar é um dos maiores fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares1. “A dependência da nicotina causa alterações na circulação sanguínea, favorecendo a formação de placas de gordura nas artérias e aumentando o risco de infarto e AVC”, explica o cardiologista Jairo Lins Borges, médio consultor da Libbs.
O cigarro é
composto por mais de 7 mil substâncias químicas, incluindo nicotina, monóxido
de carbono e agentes tóxicos que provocam alterações no organismo. Essas
substâncias contribuem para o estreitamento dos vasos sanguíneos, aumentam a
inflamação e favorecem o surgimento de placas de gordura nas artérias, processo
conhecido como aterosclerose1.
Relação entre tabagismo e infarto
O infarto ocorre quando o fluxo de sangue para o coração é interrompido, geralmente devido à obstrução súbita de uma artéria coronária. O tabagismo é um dos principais fatores de risco para esse problema, estando associado a cerca de 25% dos casos de infarto agudo do miocárdio2.
A nicotina presente no cigarro provoca aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, além de estimular a liberação de substâncias que causam vasoconstrição, ou seja, o estreitamento dos vasos sanguíneos. Esse processo dificulta a circulação e aumenta o esforço do coração para bombear o sangue1.
“O risco de
infarto não está relacionado apenas à quantidade de cigarros fumados por dia,
mas também ao tempo de exposição ao tabaco. Quanto mais cedo ocorre a
interrupção do hábito, maiores são os benefícios para o coração”, afirma
Borges.
Fumar também aumenta o risco de AVC
O AVC ocorre quando há interrupção do fluxo de sangue para o cérebro, podendo causar sequelas permanentes e até levar à morte. O tabagismo pode aumentar de duas a quatro vezes a probabilidade de ocorrência do problema em comparação a pessoas não fumantes4.
Estudos indicam
que o risco de recorrência de AVC também é maior em indivíduos que continuam
fumando após o primeiro episódio. Além disso, existe uma relação entre a
quantidade de cigarros consumidos e o aumento do risco, que pode ser até duas
vezes maior em pessoas que fumam a partir de 20 cigarros por dia4.
Cigarro eletrônico também traz riscos ao coração
Apesar de muitas vezes serem vistos como alternativas supostamente menos prejudiciais, os cigarros eletrônicos também apresentam impactos negativos sobre o sistema cardiovascular. Pesquisas apontam que a presença de nicotina nesses dispositivos está associada ao aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca e do estresse oxidativo5.
O uso regular de
dispositivos eletrônicos para fumar também está relacionado à inflamação dos
vasos sanguíneos e desenvolvimento de aterosclerose. Para se ter uma ideia,
usuários desses dispositivos têm uma probabilidade quase duas vezes maior de
sofrer infarto em comparação com quem não fuma5.
Parar de fumar reduz os riscos para o coração
Diante dos riscos, fica claro que interromper o tabagismo traz impactos importantes para a saúde cardiovascular. Poucos minutos após o último cigarro, já ocorre redução da frequência cardíaca e melhora da circulação sanguínea3.
Com o passar do tempo, o risco de doenças cardiovasculares diminui progressivamente. Após um ano sem fumar, o risco pode cair pela metade; após cerca de 10 a 15 anos, torna-se similar ao de pessoas que nunca fumaram2.
De acordo com Borges, parar de fumar é uma das medidas mais eficazes para proteger o coração. “Mesmo quem fumou por muitos anos pode obter benefícios significativos ao abandonar o hábito”, finalizou.
Referências
1. Silva MCC, Bedas MEGSM, Kellermann MCP, Azevedo VF, Araújo RO de. As repercussões do tabagismo no sistema cardiorrespiratório-uma revisão integrativa. Observatório de la Economia Latinoamericana. 2025;23(3):e9310.
2. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Health Effects of Cigarettes: Cardiovascular Disease. [Internet]; Atlanta, 2024. [Acesso em 31 mar 2026] Disponível em: https://www.cdc.gov/tobacco/about/cigarettes-andcardiovascular-disease.html.
3. Brasil. Ministério da Saúde. A relação entre o tabagismo e as doenças cardiovasculares [Internet]. [Acesso em 31 Mar 2026]. Disponível em: Link
4. Aguiar V de Q, Souza FV de C, Camargo RR de, Meyer JC. O tabagismo e o risco de recorrência de acidente vascular cerebral. Interfaces em Ciências da Saúde. 2023;23(2):e9310.
5. Scholz JR, Malta DC, Fagundes Júnior AAP, Pavanello R, Bredt Júnior GL, Rocha MS. Posicionamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre o Uso de Dispositivos Eletrônicos para Fumar – 2024. Arq Bras Cardiol. 2024;121(2):e20240063
6. Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, Armstrong AC, Mulinari RA, Feitosa ADM, et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial - 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250624.
Informações não referenciadas correspondem à opinião e/ou
prática clínica do especialista.
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