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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Cirurgia bariátrica não vai acabar, garante Sociedade Brasileira

Famosos que passaram pela cirurgia bariátrica e antes tentaramn
tratamento com medicamento, sem sucesso.
 divulgação


A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) informa que, ao contrário do que tem sido veiculado nas redes sociais, a cirurgia bariátrica não vai acabar por conta dos novos medicamentos e continua sendo indicada para pacientes com obesidade grave que não obtêm resultados com tratamento clínico. 

“Existe uma narrativa errada que se instalou nos consultórios e nas redes sociais de que, com a chegada dos análogos de GLP-1 e outros medicamentos, a cirurgia bariátrica perdeu sua vez. Isso não é verdade. Existe um tratamento para cada tipo de paciente e os medicamentos e a cirurgia, em muitos casos, devem ser complementares", afirma o presidente da SBCBM, Dr Juliano Canavarros. 

Ele explica que os novos medicamentos são extraordinários mas ainda não são democráticos e que funcionam enquanto a pessoa está utilizando. 

“A cirurgia bariátrica não é a última alternativa. Ela deve ser considerada nos consultórios antes que o paciente acumule comorbidades aguardando pelo procedimento", reitera.


 

Brasil perde o controle no tratamento da obesidade

Ele reforça que o uso desenfreado de canetas emagrecedoras - sem acompanhamento médico, muitas vezes vindas de outros países sem regulamentação e comercializadas por pessoas que não são médicas -, traz um alerta: o Brasil está perdendo o controle no tratamento da obesidade.

“Não temos dados precisos sobre a fila para cirurgia no país, a doença avança e há um descontrole no que se refere ao uso de medicamentos clandestinos e sem acompanhamento médico", reforça Juliano.



Queda nas cirurgias bariátricas

Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar de 2025 ainda não foram divulgados, mas no ano de 2024 houve uma queda de 18% - se comparado a 2023 - no número de cirurgias bariátricas realizadas. Já no ano passado, a SBCBM acredita que a queda chegou a 20%. 

“Embora não tenhamos estudado a causalidade, a preocupação é que muitos pacientes estejam optando por terapias não cirúrgicas para obesidade sem compreender totalmente todas as opções disponíveis. Além disso, milhares de pessoas com indicação para a cirurgia aguardam na fila do SUS, acabam perdendo todos os exames realizados, devido ao tempo de espera pelo procedimento, vivendo com obesidade e não recebem nenhum tratamento”, disse o presidente da SBCBM. 

Outro grande problema, segundo a SBCBM, são as pessoas que deixaram de ter convênios médicos devido à situação econômica atual. 

Nos Estados Unidos o número de cirurgias caiu para menos de 200 mil procedimentos pela primeira vez desde a pandemia. A redução, superior a 20%, integra um estudo - que também traz resultados de pacientes submetidos à gastrectomia vertical ou bypass gástrico : eles perderam aproximadamente cinco vezes mais peso ao longo de dois anos do que aqueles que tomaram medicamentos GLP-1. Os resultados foram apresentados, neste mês de maio, durante a reunião científica anual da Sociedade Americana de Cirurgia Metabólica e Bariátrica (ASMBS). 

Segundo levantamento da SBCBM, entre 2020 e 2024, o Brasil realizou 391.731 mil cirurgias bariátricas, sendo 260.380 cirurgias, segundo dados da Agência Nacional de Saúde (ANS - até 2024), através dos planos de saúde; e 31.351 procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O número de cirurgias particulares gira em torno de 10 mil procedimentos. 

Mas, apesar de o SUS ter ultrapassado a marca de 5 mil cirurgias bariátricas realizadas em 2024, um crescimento de 25% nos últimos dois anos, os números voltaram a cair em 2025. Entre janeiro e setembro, houve retração de 14,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior, justamente durante o auge da popularização dos medicamentos para perda de peso. 

Para especialistas, a preocupação vai além da queda nos procedimentos. Hoje, menos de 1% dos brasileiros com indicação para cirurgia conseguem acesso ao tratamento. A SBCBM alerta que o sistema público opera sem transparência sobre a capacidade real de atendimento em cada estado, criando uma “fila invisível” que impede planejamento, prolonga o sofrimento dos pacientes e agrava uma crise de saúde pública que já é considerada uma das maiores do século. 

A Sociedade Americana de Cirurgia Metabólica e Bariátrica mantém um posicionamento alinhado ao defendido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Para ambas as entidades, o avanço das discussões em torno da obesidade, reconhecida mundialmente como uma doença crônica e progressiva, representa uma oportunidade histórica para ampliar a conscientização sobre todas as formas de tratamento com comprovação científica, e não apenas sobre o uso de medicamentos para perda de peso. 

“A cirurgia bariátrica é hoje o único tratamento efetivamente disponível para obesidade dentro da rede pública de saúde e também o único capaz de apresentar resultados consistentes a longo prazo. Os benefícios vão muito além da perda de peso, incluindo impacto direto na redução de doenças associadas e até nos custos do sistema de saúde”, afirma o presidente da SBCBM, Dr. Juliano Canavarros. 

Diante do avanço da obesidade no país e das dificuldades de acesso ao tratamento especializado, a SBCBM tem intensificado sua atuação em defesa da ampliação do atendimento no SUS. Na última semana, a entidade apresentou ao Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), em Brasília, um projeto para criação dos Centros de Tratamento da Obesidade (CTOs). A proposta prevê a estruturação de unidades especializadas e integradas para acompanhamento contínuo dos pacientes, desde o diagnóstico até o tratamento clínico e cirúrgico.
 

Obesidade no Brasil

O número de adultos brasileiros com obesidade cresceu 118% entre 2006 e 2024, segundo dados da pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) 2025, divulgados pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (28).

No mesmo período, também houve crescimento significativo de outras condições crônicas, como diabetes (135%), excesso de peso (47%) e hipertensão (31%). A pesquisa apresenta um retrato da população brasileira sobre fatores de proteção e de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, com hábitos alimentares e prática de atividades físicas.
 

Para mais informações, acesse: Link 

 

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