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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Repelentes sob alerta: o que avaliar antes de comprar para garantir a proteção

Infectologistas explicam como identificar produtos regularizados, entender os diferentes princípios ativos e evitar falhas na proteção contra mosquitos transmissores de doenças como dengue, zika e chikungunya



Casos recentes de interdição e suspensão de repelentes pela Anvisa acendem o alerta sobre a importância de escolher corretamente produtos de proteção contra mosquitos. Especialistas da Rede Américas, segunda maior rede de hospitais privados do Brasil, reforçam que, para evitar falhas na prevenção é fundamental observar o rótulo, o princípio ativo e a regularização do produto junto à agência sanitária.

“Casos assim podem gerar uma falsa sensação de segurança. Ao acreditar que está protegido, o consumidor se expõe mais a ambientes com mosquitos e até relaxa outras medidas preventivas, o que aumenta o risco de infecção”, afirma o infectologista Thiago Vitoriano, do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, em São Paulo.

Entre os ativos mais utilizados nos repelentes estão o IR3535, a icaridina e o DEET. A principal diferença entre eles está no tempo de proteção, na concentração e nas indicações para diferentes públicos. A icaridina costuma oferecer proteção prolongada, podendo chegar a até 10 horas dependendo da formulação.

Já o IR3535 é frequentemente utilizado em produtos infantis por apresentar perfil de baixa toxicidade e boa tolerabilidade cutânea.O DEET, um dos princípios ativos mais tradicionais e estudados, é amplamente utilizado em regiões de alta circulação de mosquitos e costuma estar presente em formulações para adultos. Apesar da eficácia consolidada, o uso exige atenção às concentrações e às restrições etárias descritas no rótulo, especialmente em crianças.

“O consumidor não deve escolher o repelente apenas pelo cheiro, textura ou marca. Perfume suave e sensação agradável na pele não significam maior proteção. O mais importante é verificar se o produto possui eficácia comprovada e princípio ativo adequado para cada situação”, explica o médico.

Na prática, especialistas orientam que o consumidor observe quatro pontos principais antes da compra: se o produto possui registro ou regularização na Anvisa, qual é o princípio ativo, para qual faixa etária ele é indicado e quanto tempo dura a proteção informada pelo fabricante. A regularização pode ser conferida diretamente no rótulo e na base de consultas da Anvisa.

“Nenhum repelente garante proteção total sozinho. O ideal é combinar o uso com outras estratégias de prevenção, como telas em portas e janelas, roupas que cubram mais o corpo e eliminação de focos de água parada”, completa o infectologista. 



Itens para levar em conta na hora da compra

Registro da Anvisa: sem o registro do órgão regulador não há garantia de que o produto foi testado e é comprovadamente seguro.

Princípio ativo: apenas DEET, Icaridina e IR3535 têm eficácia científica validada; extratos naturais como citronela não protegem contra o Aedes aegypti.

Concentração: a porcentagem do ativo define quanto tempo dura a proteção. Icaridina 20% ou DEET 30–50% oferecem proteção de longa duração.

Faixa etária: crianças pequenas exigem fórmulas e concentrações específicas; alguns ativos têm restrições para menores de 2 anos. Consulte sempre a indicação do fabricante.

Forma de aplicação: sprays, loções e aerossóis têm diferenças na cobertura e praticidade; aplicação irregular reduz a eficácia da proteção.

Tempo de reaplicação: informações claras sobre intervalos entre aplicações evitam falsa sensação de segurança e garantem proteção contínua contra picadas.

Embalagem: frascos violados, sem rótulo ou com informações apagadas podem indicar armazenamento inadequado ou risco de falsificação.

Validade: repelentes vencidos perdem eficácia química e podem não proteger mais, deixando o usuário exposto a doenças transmitidas por mosquitos.


Rede Américas

 

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