Infectologistas explicam como identificar produtos regularizados, entender os diferentes princípios ativos e evitar falhas na proteção contra mosquitos transmissores de doenças como dengue, zika e chikungunya
Casos recentes de interdição e suspensão de repelentes pela Anvisa acendem o
alerta sobre a importância de escolher corretamente produtos de proteção contra
mosquitos. Especialistas da Rede Américas, segunda maior rede de hospitais
privados do Brasil, reforçam que, para evitar falhas na prevenção é fundamental
observar o rótulo, o princípio ativo e a regularização do produto junto à
agência sanitária.
“Casos assim podem gerar uma falsa sensação de segurança. Ao acreditar que está
protegido, o consumidor se expõe mais a ambientes com mosquitos e até relaxa
outras medidas preventivas, o que aumenta o risco de infecção”, afirma o
infectologista Thiago Vitoriano, do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede
Américas, em São Paulo.
Entre os ativos mais utilizados nos repelentes estão o IR3535, a icaridina e o
DEET. A principal diferença entre eles está no tempo de proteção, na
concentração e nas indicações para diferentes públicos. A icaridina costuma
oferecer proteção prolongada, podendo chegar a até 10 horas dependendo da formulação.
Já o IR3535 é frequentemente utilizado em produtos infantis por apresentar
perfil de baixa toxicidade e boa tolerabilidade cutânea.O DEET, um dos
princípios ativos mais tradicionais e estudados, é amplamente utilizado em
regiões de alta circulação de mosquitos e costuma estar presente em formulações
para adultos. Apesar da eficácia consolidada, o uso exige atenção às
concentrações e às restrições etárias descritas no rótulo, especialmente em
crianças.
“O consumidor não deve escolher o repelente apenas pelo cheiro, textura ou
marca. Perfume suave e sensação agradável na pele não significam maior
proteção. O mais importante é verificar se o produto possui eficácia comprovada
e princípio ativo adequado para cada situação”, explica o médico.
Na prática, especialistas orientam que o consumidor observe quatro pontos
principais antes da compra: se o produto possui registro ou regularização na
Anvisa, qual é o princípio ativo, para qual faixa etária ele é indicado e
quanto tempo dura a proteção informada pelo fabricante. A regularização pode
ser conferida diretamente no rótulo e na base de consultas da Anvisa.
“Nenhum repelente garante proteção total sozinho. O ideal é combinar o uso com
outras estratégias de prevenção, como telas em portas e janelas, roupas que
cubram mais o corpo e eliminação de focos de água parada”, completa o
infectologista.
Itens para levar em conta na hora da compra
Registro da Anvisa: sem o registro do órgão regulador
não há garantia de que o produto foi testado e é comprovadamente seguro.
Princípio ativo: apenas DEET, Icaridina e IR3535 têm eficácia científica validada; extratos naturais como citronela não protegem contra o Aedes aegypti.
Concentração: a porcentagem do ativo define quanto tempo dura a proteção. Icaridina 20% ou DEET 30–50% oferecem proteção de longa duração.
Faixa etária: crianças pequenas exigem fórmulas e concentrações específicas; alguns ativos têm restrições para menores de 2 anos. Consulte sempre a indicação do fabricante.
Forma de aplicação: sprays, loções e aerossóis têm diferenças na cobertura e praticidade; aplicação irregular reduz a eficácia da proteção.
Tempo de reaplicação: informações claras sobre intervalos entre aplicações evitam falsa sensação de segurança e garantem proteção contínua contra picadas.
Embalagem: frascos violados, sem rótulo ou com informações apagadas podem indicar armazenamento inadequado ou risco de falsificação.
Validade: repelentes vencidos perdem eficácia
química e podem não proteger mais, deixando o usuário exposto a doenças transmitidas
por mosquitos.
Rede Américas
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