Especialistas do CEJAM destacam que atividades
podem reduzir a ansiedade, fortalecer o vínculo com a equipe de saúde e apoiar
o desenvolvimento emocional 
Brinquedoteca Hospital Geral de Itapevi
A
hospitalização pode ser uma experiência desafiadora para crianças, que se veem
afastadas da rotina, da escola e do convívio familiar. O ambiente desconhecido,
os sons e os procedimentos médicos tendem a despertar medo e ansiedade. Nesse
contexto, o brincar surge como um recurso importante para aproximar o universo
infantil da realidade hospitalar e tornar essa experiência mais acolhedora.
Segundo
Cristina Salamão, psicóloga infantil do CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas
“Dr. João Amorim”, o lúdico tem papel terapêutico no enfrentamento da hospitalização.
“Não se trata apenas de uma distração, mas de uma ferramenta que ajuda a
ressignificar a dor, permitindo que o paciente processe o que está vivendo.”
De
acordo com a especialista, a ação também ajuda
a preservar aspectos fundamentais da infância, mesmo durante o tratamento. “A
brincadeira lembra à criança que ela continua sendo criança, apesar da doença,
transformando o ambiente em um espaço mais seguro e confortável”, explica. Esse
processo contribui para reduzir o estranhamento diante da internação e facilita
a adaptação à rotina hospitalar.
As
atividades também colaboram para diminuir a ansiedade. Cristina observa que, se
envolver em uma dinâmica criativa ajuda a deslocar, momentaneamente, a atenção
da dor e das preocupações. O brincar ainda fortalece a relação com a equipe de
saúde. “O lúdico humaniza e aproxima o contato profissional - paciente, gerando
confiança”, enfatiza Cristina. Segundo ela, quando a criança se sente acolhida
e compreendida, tende a colaborar mais com o tratamento e a lidar melhor com os
procedimentos.
Os
efeitos também aparecem no campo emocional e social. A psicóloga pontua que a
redução do estresse favorece o enfrentamento da doença e contribui para o
bem-estar durante a internação. O convívio com outras pessoas amplia esses
benefícios, estimulando a troca de experiências e o apoio mútuo. “No espaço
lúdico, a interação social atua como um laboratório da vida, onde a criança
testa limites, cura feridas emocionais e aprende a se relacionar com o mundo de
forma segura”, conclui.
Brinquedoteca sustentável transforma o cuidado no Hospital Geral de
Itapevi
No
Hospital Geral de Itapevi (HGI), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de
São Paulo (SES-SP) e gerida pelo CEJAM, o cuidado com a criança hospitalizada ganhou
uma brinquedoteca sustentável. Thais Sturari, supervisora de enfermagem da
unidade e coordenadora das ações na brinquedoteca, conta que o objetivo foi
criar um espaço que contribuísse diretamente para o bem-estar dos pacientes. “A
ideia surgiu ao percebermos que poderíamos transformar um local subutilizado em
um ambiente acolhedor e terapêutico.”
O
local reúne brinquedos, atividades recreativas e uma horta. “As mudas são
plantadas pelas próprias crianças e esse processo estimula o protagonismo infantil
e contribui para o bem-estar emocional”, explica Thais. Além disso, o contato
com o plantio também gera uma conexão
positiva com o ambiente hospitalar.
Já o uso de materiais reutilizados reforça o
compromisso com a sustentabilidade. “Utilizamos móveis confeccionados com pneus
e garrafas descartáveis para a confecção de mudas, o que fortalece a educação
ambiental e o reaproveitamento consciente”, afirma. A
iniciativa também apoia o trabalho das equipes assistenciais. “O espaço
favorece a expressão de sentimentos, reduz o estresse e facilita o
vínculo.”
As
atividades são planejadas para estimular o aprendizado e o acolhimento.
“Realizamos ações como o cuidado com as plantas, rodas de
conversa e orientações sobre autocuidado, sempre respeitando a faixa etária e a
condição clínica de cada um.”
Conforme a especialista, os efeitos positivos são percebidos no cotidiano pelos pacientes e acompanhantes. “Recebemos diversos relatos de familiares que destacam a brinquedoteca como um diferencial no cuidado oferecido, evidenciando a redução da ansiedade durante a internação e o aumento do conforto emocional”, diz.
CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
cejamoficial
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