Cirurgião plástico explica como fatores anatômicos, estilo de vida e objetivo estético influenciam a posição do implante mamário
Uma das dúvidas mais comuns entre mulheres que pensam em colocar próteses de silicone é aparentemente simples, mas envolve decisões cirúrgicas complexas: afinal, é melhor colocar o implante na frente ou atrás do músculo?
A resposta, segundo especialistas, não é única. A escolha da posição da prótese depende de diversos fatores individuais, como a quantidade de tecido mamário da paciente, qualidade da pele, prática de atividade física e o resultado estético desejado.
Para o cirurgião plástico Dr. Luiz Anizio Wanna, entender essa diferença é fundamental para alinhar expectativas e garantir segurança.
“Não existe uma posição universalmente melhor. Existe a
posição mais adequada para cada paciente. O planejamento da cirurgia precisa
respeitar a anatomia, o biotipo e o estilo de vida de quem vai receber a
prótese”, explica.
Quando a prótese
fica na frente do músculo
A colocação do implante na frente do músculo peitoral, conhecida tecnicamente como plano subglandular, foi durante muitos anos a técnica mais utilizada.
Nesse método, a prótese é posicionada logo abaixo da glândula mamária e acima do músculo peitoral.
Entre as principais características dessa abordagem estão:
- recuperação
geralmente mais rápida
- menor
dor no pós-operatório
- ausência de movimento da prótese durante a contração muscular
Essa técnica costuma ser indicada para pacientes que já possuem boa quantidade de tecido mamário e pele mais espessa, o que ajuda a cobrir melhor o implante.
“Quando a paciente tem uma boa cobertura de tecido natural, a prótese na frente do músculo pode oferecer um resultado muito bonito e natural”, explica o Dr. Wanna.
Por outro lado, em pacientes muito magras ou com pouca glândula mamária, a prótese pode ficar mais aparente, aumentando o risco de visibilidade das bordas do implante.
Quando a prótese é
colocada atrás do músculo
Outra possibilidade é posicionar o implante atrás do músculo peitoral, técnica chamada de plano submuscular. Nesse caso, parte da prótese fica protegida pelo músculo, criando uma camada adicional de cobertura.
Essa abordagem costuma ser indicada principalmente para
pacientes que:
- possuem
pouca glândula mamária
- têm
pele mais fina
- são
muito magras
- desejam um contorno mais discreto
“O músculo funciona como uma camada extra de proteção para o
implante. Isso pode melhorar o acabamento em pacientes com pouco tecido
mamário”, explica o especialista. Além disso, alguns estudos indicam que essa
posição pode reduzir a incidência de contratura capsular em determinados casos.
A técnica mais usada
hoje: o plano híbrido
Nos últimos anos, uma terceira abordagem passou a ser
amplamente utilizada: o chamado dual plane ou plano híbrido.
Nesse método, a prótese fica parcialmente atrás do músculo e parcialmente atrás da glândula mamária. Essa combinação permite unir vantagens das duas técnicas, oferecendo maior naturalidade no colo e melhor posicionamento do implante.
O dual plane é hoje uma das técnicas mais utilizadas porque
permite adaptar a cirurgia à anatomia da paciente. Ele oferece um equilíbrio
entre cobertura, naturalidade e estabilidade da prótese.
Estilo de vida
também influencia na escolha
Além da anatomia, o estilo de vida da paciente também pode influenciar a decisão.
Mulheres que praticam atividades físicas intensas, especialmente musculação ou esportes que exigem grande uso do peitoral, podem perceber movimento da prótese quando ela está posicionada atrás do músculo.
Por outro lado, em pacientes com pouco tecido mamário,
colocar a prótese apenas na frente pode comprometer o resultado estético.
Por isso, a decisão final deve sempre ser tomada após avaliação médica detalhada. “Cada paciente tem uma estrutura corporal única. A cirurgia plástica moderna não trabalha mais com receitas prontas, mas com planejamento individualizado”, afirma o cirurgião.
Embora a escolha do plano seja relevante, especialistas ressaltam que o sucesso da cirurgia depende de um conjunto de fatores.
Entre eles estão:
- avaliação
pré-operatória cuidadosa
- escolha
adequada do tamanho da prótese
- técnica
cirúrgica precisa
- acompanhamento pós-operatório
Quando esses elementos são bem conduzidos, as chances de um
resultado natural e duradouro aumentam significativamente.
“O mais importante não é apenas onde a prótese é colocada, mas como toda a cirurgia é planejada. A escolha do plano é apenas uma das decisões dentro de um processo maior”, conclui o Dr. Luiz Wanna.
Dr. Luiz Anizio Wanna - CRM - 74.219 - Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, sócio fundador do Instituto Wanna, formado na Faculdade de Medicina de Vassouras (RJ). Possui Curso de Emergência Cirúrgica e de Médico Perito Examinador de Trânsito. Atuação em hospitais como: Stella Maris de Guarulhos (SP), Instituto de Pesquisa Médico Científica de São Bernardo do Campo (SP), Hospital Regional Dr. Vivaldo Martins Simões – Osasco (SP) e outros, além de participar de cursos e simpósios nacionais e internacionais.


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