Pesquisa indica maior
incidência de foliculite em pacientes que utilizam reposição hormonal à base de
testosterona
Um estudo brasileiro que analisou os efeitos da
terapia de reposição hormonal com testosterona em pacientes submetidos ao
transplante capilar pela técnica Follicular Unit Extraction (FUE), indica uma
associação significativa entre o uso do hormônio e o aumento de complicações
inflamatórias no pós-operatório.
Conduzido pelo médico cirurgião Thiago Bianco Leal
e pelo tricologista Hudson Dutra Rezende, do Instituto Thiago Bianco, o estudo
avaliou 143 pacientes do sexo masculino que passaram por transplante capilar
FUE e apresentaram ao menos uma complicação pós-operatória precoce. O principal
foco da análise foi a relação entre foliculite pós-transplante e o uso de
testosterona administrada por via intramuscular.
Os resultados demonstraram que o uso de testosterona
esteve fortemente associado ao aumento da incidência de foliculite, uma
inflamação ao redor dos folículos pilosos que pode comprometer a cicatrização e
a sobrevida dos enxertos. Dos 143 pacientes analisados, 90 (62,9%) faziam uso
de terapia hormonal, e 90% deles desenvolveram foliculite após o procedimento.
Entre os pacientes que não utilizavam testosterona, a taxa foi
significativamente menor, 56,6%.
“O transplante capilar não depende apenas da
técnica cirúrgica. O organismo do paciente, especialmente o equilíbrio
hormonal, influencia diretamente a resposta inflamatória do couro cabeludo e o
processo de cicatrização”, afirma Thiago Bianco Leal, cirurgião responsável
pelo estudo.
De acordo com a pesquisa, a testosterona pode
alterar o microambiente do couro cabeludo, favorecendo maior produção de
oleosidade, obstrução dos poros e alterações na resposta imunológica
local.
“A testosterona pode modificar o funcionamento
normal do folículo piloso, influenciando inflamação, produção sebácea e
resposta imunológica. Quando associada ao trauma cirúrgico do transplante
capilar, esse cenário favorece o desenvolvimento de foliculite”, explica Hudson
Dutra Rezende, tricologista do Instituto Thiago Bianco.
A pesquisa reforça a necessidade de avaliação
hormonal criteriosa, protocolos individualizados e discussão pré-operatória
aprofundada com pacientes que fazem uso de testosterona.
“Esta pesquisa ganhou em primeiro lugar no
congresso da Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração Capilar
(ISHRS), em Berlim, na Alemanha. O reconhecimento da ISHRS demonstra que
compreender a interação entre hormônios, técnica cirúrgica e resposta biológica
do folículo é essencial para a evolução e segurança do transplante capilar
moderno”, conclui Thiago Bianco Leal.
Os pesquisadores ressaltam que novos estudos
prospectivos são necessários para aprofundar a compreensão da relação entre
terapia hormonal e complicações pós-transplante capilar, contribuindo para
resultados mais previsíveis e seguros.
Thiago Bianco Leal - Médico cirurgião com mais de 17 anos de atuação, Thiago Bianco Leal é graduado em Medicina pela Universidade de Marília e atua exclusivamente na área de transplante capilar. Com experiência em técnicas modernas, já realizou mais de 10 mil procedimentos. Ao longo de sua carreira, foi responsável por diversos procedimentos realizados em figuras públicas como Tom Cavalcante, Roberto Carlos, Lucas Lucco, o empresário Kaká Diniz e Xuxa Meneghel.
Hudson Dutra Rezende - Dermatologista pela Comissão Nacional de Residências Médicas e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Mestre em dermatologia pelo Hospital das Clínicas da USP de São Paulo.
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