Segundo o
levantamento da plataforma Conexa saúde feito no Google, o Brasil é o segundo
país que mais pesquisa por Ozempic e Mounjaro no mundo
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O uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro,
indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 e amplamente utilizados no
controle da obesidade, tem crescido de forma significativa nos últimos anos. O
Brasil é o segundo país que mais pesquisa por Ozempic e Mounjaro no mundo, de
acordo com levantamento da plataforma Conexa Saúde feito no Google. Ao mesmo
tempo em que promovem perda de peso eficaz, esses fármacos também têm levantado
uma preocupação estética e funcional: o impacto do emagrecimento rápido na
qualidade da pele.
Ao atuarem em hormônios relacionados à saciedade e
ao controle glicêmico, esses medicamentos reduzem o apetite e retardam o
esvaziamento gástrico, favorecendo uma diminuição significativa da ingestão
calórica. Como consequência, muitos pacientes apresentam perda acelerada de
gordura corporal. Essa redução abrupta do volume pode comprometer a sustentação
da pele, resultando em flacidez, perda de viço e alterações no contorno facial
e corporal.
De acordo com a dermatologista Fátima Tubini, a
pele acompanha o ritmo do emagrecimento, mas nem sempre consegue se adaptar com
a mesma velocidade. “Quando o paciente emagrece de forma rápida e expressiva,
há uma redução do tecido adiposo que sustentava a pele. Se não houver tempo ou
estímulo adequado para a reorganização das fibras de colágeno e elastina, a
flacidez tende a se tornar mais evidente”, explica Tubini.
Além da flacidez corporal, muitos pacientes relatam
mudanças faciais, como aspecto encovado, linhas de marionete e perda de
definição do contorno. Esse fenômeno, popularmente chamado de “face do
emagrecimento”, está relacionado à diminuição do volume de gordura subcutânea
na face.
“A gordura facial tem papel estrutural importante.
Quando ela diminui rapidamente, pode haver acentuação de linhas e uma aparência
mais envelhecida. Isso não é causado diretamente pelo medicamento, mas pela
velocidade da perda de peso”, ressalta a dermatologista Fátima.
Outro ponto de atenção é a possível deficiência
nutricional decorrente de dietas muito restritivas associadas ao uso dos
medicamentos. A ingestão insuficiente de proteínas, vitaminas e minerais pode
impactar a síntese de colágeno e comprometer ainda mais a firmeza e a qualidade
da pele.
Como parte das orientações para reduzir possíveis
efeitos adversos, recomenda-se acompanhamento multidisciplinar ao longo do
tratamento. O paciente deve ser assistido por endocrinologista, nutricionista e
dermatologista, assegurando uma abordagem integrada e preventiva. A perda de
peso precisa ocorrer de forma monitorada, com acompanhamento clínico regular, e
o plano alimentar deve garantir ingestão adequada de proteínas e micronutrientes
essenciais para a manutenção da saúde cutânea.
Do ponto de vista dermatológico, Fátima Tubini
explica: “É fundamental ter estratégias como o uso de bioestimuladores de
colágeno, tecnologias de radiofrequência, ultrassom microfocado e protocolos personalizados
de cuidados tópicos, pois eles podem auxiliar na prevenção e no tratamento da
flacidez”, que ressalta, “a prática regular de atividade física, especialmente
exercícios de força, também contribui para a manutenção da massa muscular e
melhora do contorno corporal”.
“O emagrecimento é um ganho importante para a saúde metabólica e qualidade de vida, mas é fundamental cuidar da pele durante esse processo. Com planejamento e intervenções adequadas, é possível reduzir os impactos estéticos e preservar a autoestima”, conclui a especialista Fátima Tubini.
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