A
descoberta de uma gravidez nem sempre ocorre nas primeiras semanas,
especialmente quando não há planejamento reprodutivo ou quando a mulher
apresenta ciclos menstruais irregulares. Nas fases iniciais, os sintomas podem
ser sutis e facilmente atribuídos ao estresse, alterações hormonais ou cansaço
acumulado, o que torna o atraso menstrual o sinal mais evidente, ainda que
muitas vezes percebido tardiamente.
A
ginecologista Dra. Karina Belickas, do Hospital e Maternidade Santa Joana,
explica que além da ausência da menstruação, é comum que a paciente observe
mamas mais sensíveis, aumento do sono, fadiga persistente, maior frequência
urinária e cólicas leves. Um sintoma relatado por muitas mulheres é a
ocorrência dos sentidos mais aguçados, como a alteração do paladar, com
sensação de maior intensidade de sabor dos alimentos, e maior sensibilidade a
cheiros que antes seriam habituais. Os conhecidos enjoos e vômitos podem
surgir, mas não são obrigatórios.
O
diagnóstico tardio é mais comum do que se imagina. Um estudo publicado no
Journal of the Royal Society of Medicine (JRSM) mostra que cerca de 1 em cada
475 mulheres não percebe a gestação até a 20ª semana. Já a não percepção até o
momento do parto ocorre em aproximadamente 1 a cada 2.500 gestantes, taxa
comparável à incidência de eclâmpsia.
“Algumas
pacientes não identificam a gravidez porque já convivem com ciclos muito
irregulares ou tiveram falhas no anticoncepcional sem perceber a ovulação”,
explica a especialista. Segundo Dra. Karina, mulheres com sobrepeso podem
demorar mais a notar mudanças físicas, e aquelas em fase de transição para o
climatério também enfrentam dúvidas, já que ambas as situações envolvem irregularidade
menstrual e fadiga. “Apesar do climatério ter mais de 30 sintomas relacionados,
as náuseas e enjoos não fazem parte deles. Esse pode ser um sinal mais claro
que ajude a levantar a suspeita”, completa.
A
principal preocupação diante de uma detecção tardia é o impacto no pré-natal,
que deve começar idealmente ainda dentro do primeiro trimestre (até a 12a- 13a
semana). A ausência de acompanhamento precoce impossibilita a realização de
exames essenciais, a suplementação adequada (como ácido fólico, ferro e
ômega-3) e o diagnóstico antecipado de condições silenciosas, como hipertensão
gestacional e diabetes melito. O estudo do JRSM reforça que gestações não
percebidas mais cedo apresentam maior risco de parto prematuro,
bebês pequenos para a idade gestacional (PIG) e maior mortalidade infantil.
“Tanto
o exame de urina de farmácia quanto o exame de sangue conseguem confirmar a
gestação através da dosagem do beta HCG”, orienta a médica. Ela reforça que a
interpretação de sinais sutis depende também da relação de cada mulher com o
próprio corpo.
Para
evitar atrasos no diagnóstico, a recomendação é que a mulher observe alterações
físicas mesmo quando discretas. “Qualquer mudança deve ser investigada,
especialmente para quem tem vida sexual ativa, nenhum método contraceptivo é
100% infalível”, afirma a médica.
Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br
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