Em um mercado que, por anos, privilegiou peças prontas e tendências massificadas, cresce novamente o desejo por vestidos sob medida, capazes de traduzir identidade e história em cada detalhe. Esse movimento reflete uma mudança clara no comportamento das consumidoras, que passaram a valorizar não apenas o produto final, mas todo o processo criativo e o significado por trás de cada peça.
No mercado das noivas, a grande maioria dá
preferência aos vestidos feitos sob medida ou altamente personalizados, um
percentual que destaca a tendência de afastamento do “pronto para vestir” em
favor de peças únicas. Entre debutantes, a tendência segue a mesma lógica, com
famílias buscando criações únicas que expressam personalidade e se destacam em
celebrações cada vez mais autorais.
Para a estilista Nathalia Marques, fundadora do
Atelier Nathalia Marques e referência no design de vestidos de noiva e moda
festa, esse retorno da alta-costura é uma resposta direta à saturação do
consumo padronizado. “As clientes chegam ao ateliê querendo algo que represente
quem elas são. O vestido sob medida permite contar histórias, resgatar memórias
familiares e transformar sentimentos em forma, tecido e movimento”, afirma.
O crescimento da alta-costura também está ligado à
valorização da experiência. Diferentemente da compra de um vestido pronto, a
estilista destaca que o processo sob medida envolve escuta ativa, para entender
o estilo de vida, as referências, as inseguranças e os sonhos da noiva ou
debutante, múltiplas provas, ajustes minuciosos e decisões
compartilhadas.
Nathalia Marques explica que a busca pelo sob
medida vai além da exclusividade visual. A preocupação crescente por conforto,
mobilidade e adequação ao corpo da cliente são fatores constantemente
considerados. Assim como o desejo por peças atemporais, que resistam ao tempo
tanto em qualidade quanto em significado. “Há noivas e debutantes que desejam
guardar a peça para futuras gerações ou transformá-la depois. E isso só é
possível quando o vestido é bem construído”, pontua.
O retorno da alta-costura é mais um indício de que,
mesmo em um mundo marcado pela velocidade e pela produção em escala, o feito à
mão, personalizado e exclusivo, ainda tem força como símbolo de autenticidade,
cuidado e identidade. Para noivas e debutantes, o vestido consolida-se
novamente como objeto de desejo e expressão pessoal.
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