Especialista
em comportamento canino explica por que entender a linguagem do cão é a chave
para uma convivência mais equilibrada
Latidos excessivos, ansiedade, destruição de objetos e dificuldade em obedecer a comandos costumam ser interpretados como “desobediência”. Mas, na maioria das vezes, esses comportamentos são sinais claros de falha na comunicação entre tutor e pet. Diferente dos humanos, os cães não se comunicam por palavras, e sim por energia, gestos, rotina e emoção.
Segundo André Cavalieri, especialista em comportamento canino e sócio-fundador da Dog Corner, quando o tutor aprende a se comunicar na “língua do cão”, a relação se transforma. “Antes de ensinar comandos, é preciso alinhar intenção, emoção e ação. O cão lê o mundo pelo comportamento do tutor, não pelo que ele fala”, explica.
A seguir, o especialista lista dicas práticas para melhorar a comunicação entre tutor e pet no dia a dia:
1. A
comunicação começa antes da palavra
“Os cães não
entendem discurso, mas entendem energia, postura e emoção. Um tutor ansioso
tende a gerar um cão ansioso. Um tutor agressivo pode gerar um cão agressivo ou
extremamente medroso. Tom de voz, gestos, postura corporal e até o estado
emocional do tutor impactam diretamente o comportamento do animal. Antes de
pedir qualquer comando, o tutor precisa observar como está se sentindo e o que
está transmitindo", comenta André.
2.
Seja coerente: previsibilidade gera segurança
“Amar um cão não é
permitir tudo, mas oferecer regras claras e consistentes. Se hoje subir no sofá
é permitido e amanhã não é, o cão não está ‘testando limites’, ele apenas tenta
entender um sistema que muda o tempo todo. Comunicação eficiente exige regras
simples, repetição e constância. A previsibilidade reduz a ansiedade e melhora
o comportamento", diz.
3. O
silêncio também comunica
“Falar demais gera
ruído, não clareza. Muitos tutores repetem ‘não, não, não’ esperando que o cão
entenda, mas o excesso de fala confunde. Um olhar firme, uma pausa consciente
ou um redirecionamento corporal bem feito comunicam muito mais. Serenidade é
uma das mensagens mais importantes que o tutor pode transmitir", explica o
especialista.
4.
Rotina é uma forma de amor e comunicação emocional
“Para o cão,
rotina é linguagem emocional. Horários definidos para passeio, alimentação,
descanso e interação ajudam o animal a entender que o mundo é previsível. Isso
reduz ansiedade, frustração e comportamentos destrutivos. Um cão relaxado
aprende melhor e tem mais qualidade de vida", complementa.
5.
Gasto de energia também é comunicação
“Nenhuma
comunicação funciona se o cão está com excesso de energia física ou mental
acumulada. Passeio não é luxo, enriquecimento ambiental não é mimo e atividades
estruturadas não são extras. São necessidades básicas. Um cão que não explora o
mundo tende a ficar ansioso, estressado e até deprimido, o que bloqueia
qualquer tentativa de aprendizado", analisa.
Ouça mais, fale menos
Por fim, André reforça que o tutor precisa aprender a “ouvir” o cão. “Eles se comunicam o tempo todo por bocejos, desvios de olhar, postura corporal, respiração e velocidade dos movimentos. Ignorar esses sinais é como conversar com alguém que pede ajuda em outra língua e fingir que não está entendendo", completa.
“Quando o tutor
aprende a observar, respeitar e se comunicar de forma clara, o comportamento
melhora naturalmente. Comunicação não é controle, é conexão”, conclui André
Cavalieri.
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