Ruídos intensos, calor extremo, aglomerações e alimentos impróprios estão entre os principais riscos para a saúde física e emocional dos pets durante o período festivo
O Carnaval é
sinônimo de alegria, música alta e ruas cheias, mas para cães e gatos, esse
cenário pode representar estresse, medo e até riscos graves à saúde. A
médica-veterinária e executiva de clínicas da Plamev, Bruna Corrêa, alerta que
os tutores precisam adotar cuidados especiais para garantir o bem-estar dos
animais durante a folia.
Barulho e estresse
emocional
Segundo a
especialista, sons intensos como músicas altas, fogos e o grande fluxo de
pessoas são estímulos altamente estressantes para os pets, podendo desencadear
ansiedade e estresse sonoro.
“Os sinais mais
comuns incluem tremores, taquicardia, vocalização excessiva, salivação,
ofegação, pupilas dilatadas, comportamento de fuga, agressividade reativa,
inapetência e até automutilação”, explica Bruna. Em animais idosos, cardiopatas
ou com doenças pré-existentes, o estresse pode causar descompensações clínicas
e exige ainda mais atenção dos tutores.
Calor excessivo e
aglomerações
As altas
temperaturas típicas do Carnaval também representam perigo. O calor aumenta
significativamente o risco de hipertermia e golpe de calor, principalmente em
cães braquicefálicos, obesos, filhotes e idosos.
“A recomendação é
manter os animais em locais frescos, bem ventilados, com sombra e água
disponível o tempo todo, além de evitar passeios nos horários mais quentes”,
orienta a veterinária. Ambientes com aglomeração, como blocos de rua, shows e
eventos abertos, devem ser evitados. “Além do calor, há risco de pisoteamento,
acidentes, intoxicações e estresse intenso”, completa. Para os gatos, a
orientação é clara: permanecer estritamente dentro de casa, reduzindo o risco
de fugas.
Fantasias:
diversão com limites
Fantasiar o pet
pode parecer inofensivo, mas nem sempre é confortável para o animal. De acordo
com Bruna Corrêa, o uso de fantasias não é contraindicado, desde que não cause
desconforto físico ou emocional.
Antes de colocar
qualquer acessório, o tutor deve observar se o animal tolera bem a fantasia, se
não há restrição de movimentos, compressão do tórax ou abdômen, aquecimento
excessivo ou peças pequenas que possam ser ingeridas. “Se o acessório interfere
na respiração, visão ou audição, ele não deve ser utilizado”, alerta. Animais
que demonstram estresse, tentam retirar a fantasia ou ficam apáticos não devem
ser fantasiados.
Riscos de
intoxicação aumentam no Carnaval
Durante o período
festivo, cresce também o número de atendimentos por intoxicação. Bebidas
alcoólicas podem causar depressão do sistema nervoso central, hipoglicemia,
vômitos e até coma nos pets.
Confetes, glitter
e pequenos objetos descartados nas ruas oferecem risco de obstrução gastrointestinal,
além de alguns materiais conterem substâncias tóxicas. Restos de comida jogados
no chão, especialmente alimentos gordurosos, ossos, chocolate, cebola, alho e
uvas, podem provocar desde intoxicações até pancreatite e perfurações
intestinais. “O ideal é evitar que o animal tenha acesso à rua sem supervisão
rigorosa”, reforça a veterinária.
Vai viajar?
Escolha com critério
Para tutores que pretendem viajar ou passar longos períodos fora de casa, a escolha de onde deixar o pet deve levar em conta o perfil do animal. Pets idosos, mais sensíveis ou com doenças crônicas costumam se adaptar melhor à permanência em casa com um cuidador ou familiar.
Já cães sociáveis podem se beneficiar de hotéis especializados, desde que o local ofereça acompanhamento profissional, boas condições sanitárias e enriquecimento ambiental. “Independentemente da escolha, é essencial deixar orientações veterinárias, histórico de saúde atualizado e um contato de emergência”, finaliza Bruna Corrêa.
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