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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Bike como terapia: por que pedalar ajuda a reduzir estresse e ansiedade

Estudo do ISGlobal aponta que pessoas que utilizam a bicicleta para ir ao trabalho pelo menos uma vez por semana apresentam 20% menos risco de estresse

 

Com o aumento dos níveis de estresse e ansiedade na vida moderna, o esporte tem ganhado espaço como uma forma complementar de cuidado com a saúde mental. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais – sendo ansiedade e depressão as condições mais prevalentes, cenário que tem levado especialistas a reforçar a importância da atividade física no equilíbrio emocional. Estudos publicados no The Lancet Psychiatry mostram que pessoas que praticam atividade física regularmente apresentam até 43% menos dias de sofrimento mental ao longo do mês — ou seja, menos dias com sintomas como estresse intenso, ansiedade, tristeza ou sobrecarga emocional, quando comparadas a pessoas sedentárias. 

Dentro desse contexto, atividades que combinam movimento contínuo, prazer e facilidade de acesso tendem a gerar maior adesão — e é aí que a bicicleta ganha protagonismo. Diferentemente de práticas que exigem estruturas complexas ou horários rígidos, pedalar permite que a atividade física seja incorporada à rotina de forma mais leve, seja como lazer, deslocamento ou prática esportiva. “A bike não resolve todos os problemas, mas pode ser uma ferramenta poderosa para quem busca mais equilíbrio, qualidade de vida e saúde mental”, afirma David Peterle, CEO da Oggi Bikes, fabricante de bikes no Brasil. 

Além do impacto fisiológico, o ciclismo reúne características que potencializam os benefícios para a saúde mental. Um estudo do ISGlobal aponta que pessoas que utilizam a bicicleta para ir ao trabalho pelo menos uma vez por semana apresentam 20% menos risco de estresse em comparação com quem nunca pedala. Entre aqueles que pedalam quatro dias por semana, essa redução pode chegar a 52%, reforçando a relação direta entre frequência da prática e bem-estar emocional. O chamado “ponto ideal” para os benefícios mentais está na prática de exercícios de três a cinco vezes por semana, com sessões em torno de 45 minutos. 

Na avaliação da Dra. Andrea Beltran, psicologia analítica junguiana, o efeito do ciclismo vai além dos dados fisiológicos. “Pedalar pode ser uma forma simples e eficaz de acalmar a mente. Quando o corpo entra em movimento, o ritmo da pedalada ajuda a diminuir a agitação dos pensamentos e a liberar a tensão acumulada do dia a dia. Na psicologia junguiana, esse movimento contínuo contribui para organizar a energia emocional, trazendo uma sensação de presença e alívio do estresse”, explica. 

Segundo a especialista, a bicicleta também carrega um forte significado simbólico. “Ela representa autonomia e equilíbrio. Pedalar exige atenção ao caminho, ao ritmo e ao próprio corpo, o que ajuda a pessoa a sair do excesso de preocupações e voltar para o ‘aqui e agora’. Muitas vezes, é nesse momento que a ansiedade diminui e as emoções começam a se acomodar de forma mais natural”, afirma. Para a Dra. Beltran, o contato com o ambiente externo potencializa esse efeito. “Estar ao ar livre, sentir o vento e observar o entorno favorece uma reconexão com algo mais instintivo e vivo. Pedalar deixa de ser apenas exercício e passa a ser um cuidado emocional”. 

Outro diferencial do ciclismo está na sensação de autonomia que a prática proporciona. Pedalar permite escolher o ritmo, o percurso e o tempo, respeitando limites individuais — um aspecto relevante para pessoas que convivem com ansiedade ou estresse crônico. “Não existe cobrança de performance. Cada um pedala do seu jeito, no seu tempo, e isso faz diferença quando o objetivo é se sentir melhor”, completa David Peterle, CEO da Oggi Bikes. Nesse contexto, a bicicleta passa a ocupar um lugar que vai além do exercício físico ou do deslocamento. Com o avanço das bicicletas elétricas, esse acesso se amplia ainda mais, permitindo que pessoas com diferentes níveis de condicionamento, idades ou rotinas consigam ir mais longe, explorar novos trajetos e incorporar o pedal ao dia a dia sem que o esforço seja uma barreira. Assim, pedalar se consolida como um recurso de autocuidado acessível e contínuo, capaz de transformar pequenos momentos da rotina em pausas reais para a mente e em um hábito que promove mais equilíbrio, presença e bem-estar ao longo do tempo.

 

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