Uso inadequado do aparelho pode agravar quadros de rinite e sinusite, mas manutenção correta e temperatura adequada reduzem riscos
Com as
temperaturas cada vez mais elevadas, o ar-condicionado deixou de ser luxo e
passou a integrar a rotina de milhões de brasileiros. No entanto, junto com o alívio
térmico, surge uma dúvida recorrente: afinal, o ar-condicionado faz mal à saúde
respiratória ou essa fama é exagerada?
Segundo a
otorrinolaringologista e especialista em alergias respiratórias Dra. Cristiane
Passos Dias Levy, do Hospital Paulista, a resposta não é tão simples. “O
ar-condicionado, por si só, não é o vilão. O problema está na forma como ele é
utilizado e mantido”, explica.
Quando o
ar-condicionado pode piorar rinite e sinusite
De acordo com a
médica, alguns fatores comuns no uso do aparelho ajudam a explicar por que
muitas pessoas relatam piora de sintomas respiratórios em ambientes
climatizados.
“O ar-condicionado
tende a reduzir a umidade do ar, deixando o ambiente mais seco. Isso pode
irritar as mucosas nasais e agravar quadros de rinite e sinusite”, afirma Dra.
Cristiane. O ressecamento das vias aéreas favorece ardor nasal, sensação de
nariz entupido e aumento da secreção.
Outro ponto de atenção
é a falta de manutenção. “Filtros sujos acumulam poeira, ácaros e outros
alérgenos, que acabam sendo lançados no ar e podem desencadear crises
alérgicas”, alerta. Em locais fechados e com grande circulação de pessoas, o
problema se intensifica, já que o ar contaminado pode favorecer a disseminação
de vírus e bactérias.
Além disso,
mudanças bruscas de temperatura — como sair do calor intenso da rua para um
ambiente muito frio — também sobrecarregam as vias respiratórias. “O ar frio
provoca constrição dos vasos sanguíneos das mucosas, o que pode intensificar
inflamações e sintomas respiratórios”, explica a especialista.
Temperatura
ideal faz diferença
Um erro comum,
segundo a médica, é ajustar o aparelho para temperaturas muito baixas. “Existe
uma faixa considerada mais segura e confortável para a saúde respiratória, que
fica entre 22 °C e 24 °C”, orienta.
Manter essa
temperatura ajuda a evitar choques térmicos, reduz o ressecamento excessivo do
ar e diminui a irritação das vias aéreas. “Quanto maior a diferença entre o
ambiente externo e o interno, maior tende a ser o impacto no organismo”, diz.
Sinais de
alerta: quando o corpo dá recado
Alguns sintomas
recorrentes podem indicar que o ar-condicionado está contribuindo para o
desconforto respiratório. Ardor ou irritação nasal ao ligar o aparelho,
espirros frequentes, congestão nasal persistente e olhos irritados são alguns
dos sinais mais comuns.
“Pessoas com asma
ou histórico de alergias respiratórias podem perceber piora da respiração ou
sensação de falta de ar”, acrescenta Dra. Cristiane. Dor de cabeça associada ao
uso do ar-condicionado também pode estar relacionada ao ressecamento do ar.
Ao notar esses
sinais, a recomendação é simples: interromper temporariamente o uso do
aparelho, ventilar o ambiente e verificar as condições de limpeza e manutenção.
Uso
consciente reduz riscos
Apesar dos
cuidados necessários, a especialista reforça que não é preciso abrir mão do
ar-condicionado. “Quando bem utilizado, com manutenção adequada e temperatura correta,
ele pode ser um aliado do conforto térmico sem prejuízo à saúde”, afirma.
A limpeza regular
dos filtros — a cada um a três meses, dependendo do uso — é fundamental. Também
vale investir em boa ventilação e, se necessário, no uso de umidificadores para
manter a umidade do ar entre 40% e 60%.
“Pequenas mudanças
na rotina fazem grande diferença. O problema não é o ar-condicionado em si, mas
o uso inadequado e a falta de cuidados”, conclui Dra. Cristiane.
Hospital Paulista
de Otorrinolaringologia

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