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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Ar-condicionado faz mal à saúde respiratória?

Especialista explica quando é mito — e quando é verdade 

Uso inadequado do aparelho pode agravar quadros de rinite e sinusite, mas manutenção correta e temperatura adequada reduzem riscos

 

Com as temperaturas cada vez mais elevadas, o ar-condicionado deixou de ser luxo e passou a integrar a rotina de milhões de brasileiros. No entanto, junto com o alívio térmico, surge uma dúvida recorrente: afinal, o ar-condicionado faz mal à saúde respiratória ou essa fama é exagerada? 

Segundo a otorrinolaringologista e especialista em alergias respiratórias Dra. Cristiane Passos Dias Levy, do Hospital Paulista, a resposta não é tão simples. “O ar-condicionado, por si só, não é o vilão. O problema está na forma como ele é utilizado e mantido”, explica.

 

Quando o ar-condicionado pode piorar rinite e sinusite 

De acordo com a médica, alguns fatores comuns no uso do aparelho ajudam a explicar por que muitas pessoas relatam piora de sintomas respiratórios em ambientes climatizados.

“O ar-condicionado tende a reduzir a umidade do ar, deixando o ambiente mais seco. Isso pode irritar as mucosas nasais e agravar quadros de rinite e sinusite”, afirma Dra. Cristiane. O ressecamento das vias aéreas favorece ardor nasal, sensação de nariz entupido e aumento da secreção. 

Outro ponto de atenção é a falta de manutenção. “Filtros sujos acumulam poeira, ácaros e outros alérgenos, que acabam sendo lançados no ar e podem desencadear crises alérgicas”, alerta. Em locais fechados e com grande circulação de pessoas, o problema se intensifica, já que o ar contaminado pode favorecer a disseminação de vírus e bactérias. 

Além disso, mudanças bruscas de temperatura — como sair do calor intenso da rua para um ambiente muito frio — também sobrecarregam as vias respiratórias. “O ar frio provoca constrição dos vasos sanguíneos das mucosas, o que pode intensificar inflamações e sintomas respiratórios”, explica a especialista.

 

Temperatura ideal faz diferença 

Um erro comum, segundo a médica, é ajustar o aparelho para temperaturas muito baixas. “Existe uma faixa considerada mais segura e confortável para a saúde respiratória, que fica entre 22 °C e 24 °C”, orienta. 

Manter essa temperatura ajuda a evitar choques térmicos, reduz o ressecamento excessivo do ar e diminui a irritação das vias aéreas. “Quanto maior a diferença entre o ambiente externo e o interno, maior tende a ser o impacto no organismo”, diz.

 

Sinais de alerta: quando o corpo dá recado

Alguns sintomas recorrentes podem indicar que o ar-condicionado está contribuindo para o desconforto respiratório. Ardor ou irritação nasal ao ligar o aparelho, espirros frequentes, congestão nasal persistente e olhos irritados são alguns dos sinais mais comuns. 

“Pessoas com asma ou histórico de alergias respiratórias podem perceber piora da respiração ou sensação de falta de ar”, acrescenta Dra. Cristiane. Dor de cabeça associada ao uso do ar-condicionado também pode estar relacionada ao ressecamento do ar.

Ao notar esses sinais, a recomendação é simples: interromper temporariamente o uso do aparelho, ventilar o ambiente e verificar as condições de limpeza e manutenção.

 

Uso consciente reduz riscos 

Apesar dos cuidados necessários, a especialista reforça que não é preciso abrir mão do ar-condicionado. “Quando bem utilizado, com manutenção adequada e temperatura correta, ele pode ser um aliado do conforto térmico sem prejuízo à saúde”, afirma. 

A limpeza regular dos filtros — a cada um a três meses, dependendo do uso — é fundamental. Também vale investir em boa ventilação e, se necessário, no uso de umidificadores para manter a umidade do ar entre 40% e 60%. 

“Pequenas mudanças na rotina fazem grande diferença. O problema não é o ar-condicionado em si, mas o uso inadequado e a falta de cuidados”, conclui Dra. Cristiane.

 

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

 

 

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