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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Fevereiro Roxo: informação e conscientização sobre doenças crônicas invisíveis

Especialistas explicam os sinais do lúpus, da fibromialgia e do Alzheimer e reforçam a importância do diagnóstico precoce 

 

O Fevereiro Roxo marca uma campanha nacional de conscientização sobre o lúpus, a fibromialgia e o Alzheimer, três doenças crônicas diferentes entre si, mas unidas por desafios comuns. Sem cura definitiva, essas condições exigem acompanhamento médico contínuo e tratamentos de longo prazo, com impacto direto na qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares. Outro fator que aproxima essas doenças é a dificuldade no diagnóstico, frequentemente tardio, já que os sintomas podem ser sutis, pouco visíveis ou confundidos com estresse, fadiga excessiva ou até com mudanças naturais do envelhecimento.


No caso da Doença de Alzheimer, esse desafio se torna ainda mais evidente. Esquecimentos frequentes, confusão mental, desorientação e mudanças de comportamento costumam ser interpretados como algo esperado com o avanço da idade. No entanto, segundo o professor de neurologia da Afya Itaperuna,  Dr. Vanderson Carvalho, a evolução dos sintomas, sua frequência e o impacto nas atividades do dia a dia ajudam a diferenciar o envelhecimento natural de um processo patológico. “A Doença de Alzheimer é a principal forma de demência primária do sistema nervoso central, mas não é a única. Existem outras causas de demência e também alterações cognitivas relacionadas ao envelhecimento. Por isso, apenas uma avaliação médica especializada consegue orientar corretamente o paciente e a família”, explica.


Um dos sinais iniciais mais comuns da doença é o comprometimento da memória recente, já que o Alzheimer afeta principalmente o hipocampo, região do cérebro responsável pela formação de novas memórias. Ainda assim, o especialista ressalta que a memória não deve ser analisada de forma isolada. Fatores como atenção, concentração, condições clínicas, ambiente e estado emocional também influenciam a capacidade de memorização. Além da dificuldade em reter recados e da repetição constante de perguntas, a doença pode se manifestar por alterações conhecidas como os “cinco As”: amnésia, anomia (dificuldade para nomear objetos ou pessoas), apraxia (dificuldade para realizar movimentos aprendidos), agnosia (dificuldade de reconhecimento) e afasia (alterações na fala, leitura e escrita).


Já a fibromialgia é uma síndrome marcada por dor crônica e generalizada, mas vai muito além desse sintoma. De acordo com o coordenador e professor de reumatologia da Afya Ribeirão Preto, Dr. Thiago Ferreira, para que se pense em fibromialgia, o paciente precisa apresentar dor difusa, envolvendo pelo menos três dos quatro quadrantes do corpo. “Durante muito tempo, a doença foi compreendida e tratada com foco quase exclusivo na dor, mas hoje sabemos que ela se acompanha de uma série de outros sintomas que, muitas vezes, impactam ainda mais a qualidade de vida”, afirma.


Entre esses sintomas, a fadiga intensa se destaca como uma das queixas mais incapacitantes, frequentemente considerada pelos pacientes mais limitante do que a própria dor. Além disso, a fibromialgia pode estar associada a alterações do sono, depressão, sintomas cognitivos, sensação de inchaço, alterações visuais e queixas de ressecamento ocular e bucal. O diagnóstico é clínico e considerado de exclusão, ou seja, exames são solicitados não para confirmar a fibromialgia, mas para descartar outras doenças. Ainda assim, o especialista ressalta que a presença de fibromialgia não exclui outros diagnósticos: é comum que o paciente apresente comorbidades, como doenças reumatológicas, depressão ou até lúpus concomitantemente.


O tratamento, segundo o médico, deve ser sempre individualizado, respeitando as particularidades de cada paciente. Apesar disso, há um consenso: a atividade física é a base do tratamento e um verdadeiro divisor de águas no controle dos sintomas. “Todos os pacientes com fibromialgia precisam incorporar exercício físico ao tratamento. É um pilar fundamental, tão importante quanto a abordagem medicamentosa”, reforça.


O lúpus, por sua vez, é uma doença autoimune inflamatória crônica, com manifestações variadas e evolução marcada por períodos de atividade e remissão. Pode comprometer articulações, pele, rins, sistema nervoso e outros órgãos, exigindo acompanhamento médico contínuo e individualizado para prevenir complicações e preservar a qualidade de vida. A variabilidade dos sintomas e sua sobreposição com outras condições tornam o diagnóstico igualmente desafiador, reforçando a importância da informação e da atenção aos sinais de alerta.

 

6 Mitos e verdades do fevereiro roxo

 

1. Mito: Lúpus, fibromialgia e Alzheimer são só “cansaço” ou “estresse”.

Verdade: Essas doenças ainda são frequentemente banalizadas ou confundidas com sintomas comuns do dia a dia, mas são condições reais e complexas que exigem diagnóstico e tratamento adequados.

 

2. Mito: Não é tão importante reconhecer os sinais cedo.

Verdade: O diagnóstico precoce pode retardar a progressão das doenças e melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente.

 

3. Mito: As doenças do Fevereiro Roxo afetam apenas fisicamente.

Verdade: Além de sintomas físicos, como dor crônica e fadiga, essas condições impactam também a saúde emocional e a vida social de pacientes, cuidadores e familiares.

 

4. Mito: Se não dá para ver, não é grave.

Verdade: Muitos sintomas são invisíveis, o que dificulta a compreensão social e pode levar ao isolamento. O sofrimento é real, mesmo quando não é aparente.

 

5. Mito: Um médico é suficiente para tratar essas doenças.

Verdade: O cuidado contínuo e multidisciplinar é essencial, envolvendo médicos, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e apoio familiar.

 

6. Mito: A informação não muda nada.

Verdade: Informar é uma forma poderosa de promover empatia, acolhimento e fortalecer redes de apoio, contribuindo para uma sociedade mais consciente e humana.

 


Afya

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