Especialistas explicam os sinais do lúpus, da fibromialgia e do Alzheimer e reforçam a importância do diagnóstico precoce
O Fevereiro Roxo marca uma campanha nacional
de conscientização sobre o lúpus, a fibromialgia e o Alzheimer, três doenças
crônicas diferentes entre si, mas unidas por desafios comuns. Sem cura
definitiva, essas condições exigem acompanhamento médico contínuo e tratamentos
de longo prazo, com impacto direto na qualidade de vida dos pacientes e de seus
familiares. Outro fator que aproxima essas doenças é a dificuldade no
diagnóstico, frequentemente tardio, já que os sintomas podem ser sutis, pouco
visíveis ou confundidos com estresse, fadiga excessiva ou até com mudanças
naturais do envelhecimento.
No caso da Doença de Alzheimer, esse desafio
se torna ainda mais evidente. Esquecimentos frequentes, confusão mental,
desorientação e mudanças de comportamento costumam ser interpretados como algo
esperado com o avanço da idade. No entanto, segundo o professor de neurologia
da Afya Itaperuna, Dr. Vanderson Carvalho, a evolução dos sintomas, sua
frequência e o impacto nas atividades do dia a dia ajudam a diferenciar o
envelhecimento natural de um processo patológico. “A Doença de Alzheimer é a
principal forma de demência primária do sistema nervoso central, mas não é a
única. Existem outras causas de demência e também alterações cognitivas
relacionadas ao envelhecimento. Por isso, apenas uma avaliação médica
especializada consegue orientar corretamente o paciente e a família”, explica.
Um dos sinais iniciais mais comuns da doença
é o comprometimento da memória recente, já que o Alzheimer afeta principalmente
o hipocampo, região do cérebro responsável pela formação de novas memórias.
Ainda assim, o especialista ressalta que a memória não deve ser analisada de forma
isolada. Fatores como atenção, concentração, condições clínicas, ambiente e
estado emocional também influenciam a capacidade de memorização. Além da
dificuldade em reter recados e da repetição constante de perguntas, a doença
pode se manifestar por alterações conhecidas como os “cinco As”: amnésia,
anomia (dificuldade para nomear objetos ou pessoas), apraxia (dificuldade para
realizar movimentos aprendidos), agnosia (dificuldade de reconhecimento) e
afasia (alterações na fala, leitura e escrita).
Já a fibromialgia é uma síndrome marcada por
dor crônica e generalizada, mas vai muito além desse sintoma. De acordo com o
coordenador e professor de reumatologia da Afya Ribeirão Preto, Dr. Thiago
Ferreira, para que se pense em fibromialgia, o paciente precisa apresentar dor
difusa, envolvendo pelo menos três dos quatro quadrantes do corpo. “Durante
muito tempo, a doença foi compreendida e tratada com foco quase exclusivo na
dor, mas hoje sabemos que ela se acompanha de uma série de outros sintomas que,
muitas vezes, impactam ainda mais a qualidade de vida”, afirma.
Entre esses sintomas, a fadiga intensa se
destaca como uma das queixas mais incapacitantes, frequentemente considerada
pelos pacientes mais limitante do que a própria dor. Além disso, a fibromialgia
pode estar associada a alterações do sono, depressão, sintomas cognitivos,
sensação de inchaço, alterações visuais e queixas de ressecamento ocular e
bucal. O diagnóstico é clínico e considerado de exclusão, ou seja, exames são
solicitados não para confirmar a fibromialgia, mas para descartar outras
doenças. Ainda assim, o especialista ressalta que a presença de fibromialgia
não exclui outros diagnósticos: é comum que o paciente apresente comorbidades,
como doenças reumatológicas, depressão ou até lúpus concomitantemente.
O tratamento, segundo o médico, deve ser
sempre individualizado, respeitando as particularidades de cada paciente.
Apesar disso, há um consenso: a atividade física é a base do tratamento e um
verdadeiro divisor de águas no controle dos sintomas. “Todos os pacientes com
fibromialgia precisam incorporar exercício físico ao tratamento. É um pilar
fundamental, tão importante quanto a abordagem medicamentosa”, reforça.
O lúpus, por sua vez, é uma doença autoimune
inflamatória crônica, com manifestações variadas e evolução marcada por
períodos de atividade e remissão. Pode comprometer articulações, pele, rins,
sistema nervoso e outros órgãos, exigindo acompanhamento médico contínuo e
individualizado para prevenir complicações e preservar a qualidade de vida. A
variabilidade dos sintomas e sua sobreposição com outras condições tornam o
diagnóstico igualmente desafiador, reforçando a importância da informação e da
atenção aos sinais de alerta.
6
Mitos e verdades do fevereiro roxo
1. Mito: Lúpus, fibromialgia e
Alzheimer são só “cansaço” ou “estresse”.
Verdade: Essas
doenças ainda são frequentemente banalizadas ou confundidas com sintomas comuns
do dia a dia, mas são condições reais e complexas que exigem diagnóstico e
tratamento adequados.
2. Mito: Não é tão importante
reconhecer os sinais cedo.
Verdade: O
diagnóstico precoce pode retardar a progressão das doenças e melhorar
significativamente a qualidade de vida do paciente.
3. Mito: As doenças do Fevereiro
Roxo afetam apenas fisicamente.
Verdade: Além de
sintomas físicos, como dor crônica e fadiga, essas condições impactam também a
saúde emocional e a vida social de pacientes, cuidadores e familiares.
4. Mito: Se não dá para ver, não é
grave.
Verdade: Muitos
sintomas são invisíveis, o que dificulta a compreensão social e pode levar ao
isolamento. O sofrimento é real, mesmo quando não é aparente.
5. Mito: Um médico é suficiente
para tratar essas doenças.
Verdade: O
cuidado contínuo e multidisciplinar é essencial, envolvendo médicos,
psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e apoio familiar.
6. Mito: A informação não muda nada.
Verdade: Informar é uma forma poderosa de promover empatia, acolhimento e fortalecer redes de apoio, contribuindo para uma sociedade mais consciente e humana.
Afya

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