Especialista do Hospital Alemão Oswaldo
Cruz destaca como tempo, diagnóstico preciso e acesso ao tratamento impactam
diretamente a jornada do paciente
No mês de conscientização sobre a leucemia, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz chama a atenção para os fatores que realmente fazem diferença no enfrentamento da doença: agir no tempo certo, realizar um diagnóstico preciso e garantir acesso ao tratamento adequado.
Dados divulgados nesta terça-feira (4) pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o Brasil deve registrar cerca de 12.220 novos casos de leucemia por ano no triênio 2026–2028, sendo 6.540 entre homens e 5.680 entre mulheres1.
“Leucemia não é uma doença única. Existem diferentes tipos, com
comportamentos e tratamentos específicos. Por isso, a rapidez na investigação e
a definição correta do diagnóstico são determinantes para o sucesso do
tratamento”, afirma Dr. Philip Bachour, hematologista e coordenador do Serviço
de Transplante de Medula Óssea e Terapia Celular do Hospital Alemão Oswaldo
Cruz.
Tempo: acesso rápido a exames e especialistas é decisivo na
leucemia
O tempo é um fator decisivo na jornada do paciente com leucemia. O acesso rápido à avaliação especializada e a exames mais precisos permite identificar precocemente a doença e classificar corretamente o tipo de leucemia, etapa essencial para a definição da estratégia terapêutica.
Atualmente, exames laboratoriais avançados, incluindo análises
genéticas e moleculares, possibilitam compreender com maior precisão o perfil
da doença. Quando realizados de forma ágil, esses exames transformam o tempo em
um aliado, ampliando as chances de controle da leucemia e melhorando os
desfechos clínicos.
Diagnóstico preciso para tratamento direcionado e ágil
O diagnóstico correto é a base para decisões rápidas e eficazes no tratamento da leucemia. A classificação adequada do tipo da doença permite indicar terapias específicas desde o início e, quando necessário, encaminhar o paciente de forma mais rápida para o transplante de medula óssea. Esse cuidado evita atrasos, reduz o risco de tratamentos inadequados e impacta diretamente a resposta clínica e a qualidade de vida do paciente.
Quando o diagnóstico é feito de forma correta e no tempo certo, é
possível agir com mais precisão desde o início do tratamento, aumentando as
chances de melhores resultados.
Acesso ao tratamento: avanços e desigualdades
O tratamento da leucemia evoluiu de forma significativa nos últimos anos e hoje inclui quimioterapia, terapias-alvo e terapias celulares, de acordo com o perfil de cada paciente. No entanto, o acesso a esses recursos ainda é desigual no Brasil, com diferenças importantes entre o sistema público e o sistema privado de saúde – desigualdade que impacta diretamente os desfechos clínicos.
Um estudo brasileiro publicado em 2024 na revista científica Blood, uma das principais publicações internacionais da American Society of Hematology (ASH), analisou 235 pacientes com leucemia mieloide aguda (LMA) tratados nos dois sistemas e evidenciou disparidades relevantes. A mortalidade precoce foi de 26,8% no sistema público, contra 9,8% no sistema privado. A sobrevida global mediana foi de 7 meses entre pacientes atendidos na rede pública, comparada a 22 meses no sistema privado, além de uma sobrevida livre de progressão significativamente menor no SUS2.
“Esses dados mostram que o acesso ao diagnóstico adequado e às terapias corretas não é apenas uma questão de estrutura, mas um fator que interfere diretamente na chance de sobrevivência do paciente”, afirma D. Philip Bachour.
Os resultados do estudo indicam que fatores como menor acesso a exames moleculares avançados, como painéis de sequenciamento genético (NGS), e a disponibilidade limitada de terapias inovadoras contribuem para diagnósticos menos precisos e tratamentos menos individualizados no sistema público. Mesmo pacientes mais idosos e com maior número de comorbidades apresentaram melhores desfechos quando tratados em serviços privados, evidenciando o impacto do acesso à estrutura especializada.
“Fevereiro Laranja é uma oportunidade para reforçar que informação
de qualidade, diagnóstico preciso e acesso ao tratamento adequado podem mudar o
curso da doença e a vida dos pacientes”, conclui o especialista.
Hospital Alemão Oswaldo Cruz
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