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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Demanda por avaliações infantis cresce diante de desafios do neurodesenvolvimento

Dados sobre TDAH e dificuldades de aprendizagem reforçam a importância da identificação precoce


O aumento na busca por avaliações psicológicas e neuropsicológicas infantis tem chamado a atenção de profissionais da saúde, educadores e famílias em todo o país. Cada vez mais, pais e escolas procuram compreender o desenvolvimento emocional, cognitivo e comportamental das crianças — um movimento que reflete mudanças profundas na forma como a infância é percebida e cuidada no Brasil. 

Segundo estimativas de estudos epidemiológicos, cerca de 7,6% das crianças e adolescentes brasileiros entre 6 e 17 anos apresentam sintomas compatíveis com o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), um dos transtornos do neurodesenvolvimento mais diagnosticados na infância — números semelhantes aos observados em outras partes do mundo e que reforçam a necessidade de avaliações precoces e completas. 

De acordo com especialistas da Vetor Editora, empresa especializada em saúde mental e do grupo Giunti Psychometrics, esse crescimento na demanda por avaliações não significa necessariamente um “surto” de transtornos, mas sim uma maior conscientização e capacidade de identificar sinais que antes eram ignorados ou mal interpretados. “O que vemos hoje é um avanço na sensibilidade da sociedade em reconhecer que cada criança tem um ritmo próprio de desenvolvimento. Avaliações bem conduzidas, que se utilizam do conhecimento profissional e de instrumentos adequados e adaptados à realidade da criança, são ferramentas fundamentais para oferecer suporte efetivo — e não apenas rotular comportamentos”, afirma Juliana Siracuza Reis, psicóloga e gerente de Produto da Vetor Editora. 

Para especialistas, avaliações criteriosas ajudam a diferenciar nuances importantes do desenvolvimento infantil — distinguindo fases típicas de desenvolvimento de sinais que demandam acompanhamento profissional. Além disso, educadores têm atuado como importantes observadores, orientando famílias a buscar avaliações quando percebem dificuldades persistentes no aprendizado ou no comportamento.

“Entender o contexto emocional e cognitivo das crianças permite intervenções mais precoces e adequadas, que fazem diferença tanto no ambiente escolar quanto na vida familiar”, acrescenta Juliana Siracuza Reis. 

Ao mesmo tempo, o aumento da demanda escancara desafios estruturais: a desigualdade no acesso a profissionais especializados, a falta de informação de qualidade para as famílias e a necessidade de formação contínua de profissionais para lidar com a complexidade do desenvolvimento infantil contemporâneo. 

Mais do que um fenômeno pontual, o crescimento das avaliações infantis revela uma sociedade que começa a olhar para a infância com mais atenção, responsabilidade e sensibilidade. Entender como as crianças se desenvolvem hoje — em um mundo mais acelerado, conectado e exigente — é um passo fundamental para garantir não apenas melhores diagnósticos, mas infâncias mais saudáveis, acolhidas e respeitadas.


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