Sanduíche de mortadela (49%) e Ibirapuera (28%) são os principais símbolos da cidade
Corrida de rua conquista 41% dos paulistanos e pets já estão em 56% dos lares da capital
Ao completar 472 anos, São Paulo segue sendo uma
cidade que exige fôlego, mas também recompensa quem aprende a conviver com seus
excessos. Entre jornadas longas de trabalho, deslocamentos extensos e uma
rotina marcada pela pressa, o paulistano constrói sua relação com a cidade a
partir de pequenos prazeres cotidianos. É nesse contexto que a comida, o lazer
e a cultura aparecem como âncoras emocionais. Pesquisa inédita da
Hibou, instituto especializado em monitoramento e
insights de consumo com 1.350 moradores da cidade, mostra que gastronomia
(74,2%) e entretenimento (56,7%) são hoje os
principais fatores que sustentam o orgulho de viver na capital.
Comida como identidade: São
Paulo se reconhece no balcão
A relação do paulistano com a comida vai além do hábito alimentar e se conecta diretamente à forma como a cidade funciona. Em uma metrópole de turnos estendidos, refeições rápidas e encontros improvisados, a comida de balcão ocupa papel central. Para 49,5% dos moradores, o sanduíche de mortadela do Mercado Municipal é o lanche que melhor representa São Paulo, seguido por pastel (33,6%), coxinha (21,8%), sanduíche de pernil (16,2%) e churrasco grego (13,5%).
A pesquisa também revela como essa identidade se adapta ao tempo: entre jovens
de 16 a 34 anos, a coxinha lidera (30,8%), superando o
pastel (24,5%), mostrando que tradição e renovação convivem lado
a lado. Para Ligia Mello, CSO da Hibou, “São Paulo é a visão da indulgência
urbana: o paulistano come para se sentir melhor em meio à dureza da rotina”.
Ibirapuera lidera orgulho
urbano e espaços de respiro
Em uma cidade marcada por ruídos e excesso de
estímulos, os parques assumem papel fundamental na qualidade de vida. O Parque
Ibirapuera, recomendado por 28% dos
moradores, aparece como principal cartão-postal não apenas por sua beleza, mas
por funcionar como espaço de pausa, encontro e prática esportiva. Em seguida
vêm a Avenida Paulista (18%), o MASP (11%)
e o Museu do Ipiranga (11%), locais que concentram cultura,
circulação e manifestações da vida urbana paulistana.
Pets ocupam espaço central nos
lares paulistanos
Dentro de casa, os animais de estimação cumprem um
papel afetivo importante em uma cidade marcada por solidão urbana e estresse. A
pesquisa mostra que 56% dos 4,9 milhões de domicílios paulistanos
possuem ao menos um pet, somando 2,5 milhões de cães e 560 mil
gatos. Os números ajudam a explicar por que os pets aparecem
como fonte de companhia e equilíbrio emocional, mesmo diante da estimativa de 2 milhões
de animais em abrigos ou abandonados na cidade.
A cidade que se ouve: música e
rádio seguem criando vínculo
São Paulo também se constrói a partir do som. Em um lugar onde o trânsito, o trabalho e o deslocamento fazem parte do cotidiano, a música funciona como companhia constante. A canção “Sampa”, de Caetano Veloso, é apontada por 47% como a música que melhor representa a cidade, seguida por “Êh São Paulo” (20%) e “Trem das Onze” (12%), que retratam diferentes épocas e formas de viver a capital.
Entre os artistas, Demônios da Garoa (20%) e Titãs (10%)
lideram a identidade musical, enquanto o rádio permanece relevante como meio de
informação e companhia, com Band FM (17%) e Jovem Pan
(15%) como as emissoras mais representativas.
Futebol segue soberano no
imaginário paulistano
O futebol continua sendo um dos poucos elementos
capazes de atravessar classes sociais, idades e territórios. Para 66%
dos moradores, o futebol é o principal esporte da cidade, presente nas
conversas do dia a dia, na identidade dos bairros e na ocupação dos espaços
urbanos, dos grandes estádios às quadras improvisadas.
Corrida de rua traduz um novo
ritmo de vida urbana
Ao lado do futebol, a corrida de
rua, citada por 41%, reflete um comportamento cada
vez mais comum na cidade: a busca por práticas acessíveis, individuais e
compatíveis com agendas instáveis. Entre os jovens é de 47,2%. Em parques,
avenidas fechadas aos fins de semana e ruas de bairro, a corrida se consolida
como uma forma de autocuidado possível dentro da lógica acelerada da metrópole.
O voleibol (14%) aparece em seguida.
Paulistanos exageram
problemas, mas dados ajudam a relativizar
Embora 58,8% acreditem que São Paulo está
entre as cinco cidades com pior trânsito do mundo, a capital ocupa a 66ª posição
global e é a 9ª entre cidades com mais de 8
milhões de habitantes. O mesmo ocorre com o roubo de celulares: 49%
acreditam que SP lidera o ranking nacional, quando cidades como São Luís e
Belém apresentam índices superiores. Por outro lado, 53,6%
reconhecem corretamente que 1,5 milhão de pessoas circulam diariamente pela
Avenida Paulista.
Mudanças climáticas entram no
radar do cotidiano
As transformações no clima já fazem parte da
leitura que o paulistano faz da cidade. Para 64,7%, as
chuvas intensas e as variações extremas de temperatura registradas nos últimos
meses estão ligadas às mudanças climáticas globais,
indicando uma percepção crescente sobre os impactos ambientais na vida urbana.
Violência e infraestrutura
concentram as maiores críticas
Apesar do vínculo afetivo, os problemas estruturais
seguem pesando na avaliação da capital. Segurança pública (84,1%) lidera as
críticas, seguida por rede elétrica (65%), abastecimento
de água (58,4%) e saúde (56,5%). Também aparecem como
áreas de piora o transporte público (46%) e a educação
fundamental e média (41,9%), reforçando a sensação de desgaste
nos serviços básicos.
“O paulistano aprendeu a conviver com uma cidade de
contrastes. Há uma valorização do que traz prazer e bem-estar no cotidiano, ao
mesmo tempo em que existe uma leitura bastante crítica dos serviços básicos.
Não é contradição, é uma adaptação para encontrar formas de seguir vivendo
bem ainda que tenha muitos desafios”, afirma Lígia.
Deslocamento longo alimenta
planos de saída da capital
O tempo gasto no ir e vir aparece como um dos
principais fatores de desgaste. 27,3% dos moradores gastam entre 1h e 2h por
dia no deslocamento, enquanto 13,1%
ultrapassam as duas horas diárias. Hoje, 32,5%
têm planos de deixar São Paulo nos próximos anos e 6,2%
quer fazer isso já, principalmente para cidades próximas (40,7%) ou para o interior do
estado (29,1%). Ainda assim, 17,8% afirmam
que amam morar na cidade, e 30,3%
aceitariam ganhar menos para trabalhar em regime 100% remoto,
buscando qualidade de vida sem romper totalmente com a capital.
Metodologia
Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto
Hibou nos dias 09 e 10 de janeiro de 2026, via
painel digital. Foram coletadas 1.350 respostas completas de
moradores da cidade de São Paulo, maiores de 18 anos, das classes ABCD.
A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, com 95% de
nível de confiança.
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