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A alimentação dos animais tem um impacto direto na
qualidade dos produtos que consumimos todos os dias. Do sabor da carne à
textura da gema do ovo, a composição da dieta fornecida aos rebanhos e criações
pode mudar não apenas as características sensoriais dos alimentos, mas também
seu valor nutricional.
“Dietas que incluem pastagem ou linhaça, alimentos ricos em ácidos
graxos ômega-3, promovem o aumento da concentração dessas substâncias na
carcaça dos animais”, explica o zootecnista André Alves, professor dos cursos
de Agronomia e Medicina Veterinária da Una. Por outro lado, dietas com alto
teor de grãos, como milho e soja, tendem a elevar os níveis de gordura
saturada.
Sabor, textura e nutrientes
A nutrição dos animais interfere inclusive em aspectos que muitas
vezes passam despercebidos. “A coloração da gema dos ovos, por exemplo, pode
ser alterada conforme a dieta. O uso de sorgo no lugar do milho resulta em
gemas menos pigmentadas, por conter menos carotenoides”, explica Alves. 
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No leite, mudanças na alimentação das vacas podem modificar a
proporção de ácidos graxos e até o teor de gordura. Já no caso da carne, o
sabor e a textura também sofrem influência. “A carne de animais criados a pasto
pode ter sabor mais terroso, enquanto dietas com maior densidade energética
promovem maior marmorização e maciez”, completa o especialista.
Alimentos funcionais: saúde além da nutrição
Alves destaca que é possível potencializar os benefícios dos alimentos de origem animal com ajustes simples na dieta dos animais. “Ao fornecer linhaça para galinhas poedeiras, por exemplo, é possível obter ovos enriquecidos com ômega-3. Em vacas leiteiras, o pasto favorece a produção de leite com mais ômega-6”, afirma.
Esse processo natural de enriquecimento dá origem aos chamados
alimentos funcionais — aqueles que, além de nutrir, trazem efeitos benéficos à
saúde humana, como redução de colesterol, melhora da imunidade ou prevenção de
doenças crônicas.
Segurança começa na dieta
Além dos benefícios nutricionais, a alimentação correta dos animais também contribui para a segurança dos alimentos. “Grãos mal armazenados podem conter micotoxinas, substâncias tóxicas aos animais e aos seres humanos. O excesso de minerais, como o cobre, também deve ser evitado”, alerta o professor.
O uso de suplementos e aditivos é considerado seguro, desde que
obedecidos os limites estabelecidos por órgãos como o MAPA e a Anvisa. “Mesmo
com pastagens de boa qualidade no Brasil, a suplementação é muitas vezes
necessária para atender às exigências nutricionais dos animais, que aumentaram
com os avanços da genética animal”, destaca Alves.
Como o consumidor pode escolher melhor?
Para fazer escolhas mais conscientes, o consumidor deve estar atento à rotulagem dos alimentos. Selos como “Orgânico”, “Bem-Estar Animal” e “Criado a pasto” são indicativos de boas práticas. “Hoje, muitos produtos incluem QR Codes que permitem rastrear a origem do alimento. Isso mostra um avanço importante na transparência e na segurança alimentar”, conclui o especialista.
Centro Universitário Una

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