Professoras de Psicologia do UniCuritiba explicam o que é o Transtorno Afetivo Sazonal e dão dicas para evitar que o clima interfira na saúde mental
O inverno começou gelado no Paraná — e junto com as baixas temperaturas, reacendeu uma discussão importante: por que dias frios, mais curtos e cinzentos influenciam tanto o nosso humor e disposição? Se você é do time que precisa de calor, sol e céu azul para se sentir bem, é hora de conhecer o Transtorno Afetivo Sazonal (TAS).
A psicóloga Fernanda Pacheco, professora do curso de Psicologia do UniCuritiba – instituição da Ânima Educação – explica que o TAS é um subtipo da depressão maior, caracterizado por episódios que seguem um padrão sazonal, geralmente surgindo no outono e inverno e diminuindo na primavera e verão.
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 15,5% dos brasileiros sofrem com depressão. Estima-se que entre 1% e 3% dos casos sejam de Transtorno Afetivo Sazonal, em graus variados. A condição é mais comum entre mulheres e costuma se manifestar na faixa dos 18 aos 30 anos. Já entre pessoas com depressão recorrente, cerca de 10% a 20% dos casos apresentam padrão sazonal.
Os principais
sintomas incluem fadiga persistente, humor deprimido, irritabilidade, aumento
do apetite (especialmente por carboidratos), dificuldade de concentração, sono
excessivo e tendência ao isolamento social.
“Esse tipo de
transtorno é mais frequente em regiões onde o inverno é mais rigoroso e a
incidência de luz solar é menor”, observa Fernanda. É o caso de países nórdicos
como Finlândia, Suécia e Noruega. Mesmo com altos índices de qualidade de vida,
essas regiões apresentam taxas significativas de TAS. Em algumas localidades do
Alasca, por exemplo, a prevalência chega a 9,9%.
Segundo a psicóloga, a luz solar tem papel fundamental na regulação do humor. “Dias nublados e frios tendem a aumentar a introspecção. A luz solar estimula a produção de serotonina, um neurotransmissor associado ao bem-estar, e influencia também os ritmos de sono e vigília.”
A professora
Alexia Soares Montingelli Lopes, também do curso de Psicologia do UniCuritiba,
complementa: “Essas alterações no ambiente externo afetam profundamente a forma
como nos sentimos internamente. Entender essa relação entre corpo, mente e
contexto é um passo importante para cuidar da saúde emocional com mais
consciência, especialmente em períodos como o inverno.”
Além disso, o
corpo gasta mais energia para se manter aquecido durante o inverno, o que pode
gerar cansaço maior e necessidade aumentada de repouso. “É como se o organismo
entrasse em um estado de ‘hibernação psicológica’”, explicam as psicólogas.
Apesar de ser mais comum em regiões de clima severo, o TAS pode ocorrer em países tropicais, especialmente em pessoas mais sensíveis à variação da luz natural.
Impacto do frio no emocional
Os dias com menos
luz natural, típicos do inverno no Sul do Brasil, podem levar à diminuição da
produção de serotonina, um neurotransmissor ligado ao bem-estar e ao humor, e
acentuar os sintomas de depressão e ansiedade.
A tendência ao isolamento é outra característica em dias frios, o que acaba agravando sentimentos de solidão. Entender como o clima interfere no emocional e adotar algumas estratégias para manter o alto astral no inverno são fundamentais.
· Exposição à
luz natural: sempre que possível, aproveite a luz do dia,
abra as janelas e faça atividades ao ar livre. A exposição ao sol ajuda a
regular o ritmo circadiano.
· Prática de
exercícios físicos: atividades físicas liberam endorfina,
que melhora o humor. Estudos mostram que o exercício regular é uma estratégia
eficaz para combater sintomas depressivos, inclusive no contexto sazonal.
· Rotina
saudável: para estabilizar o humor, mantenha uma
alimentação equilibrada e evite o consumo excessivo de álcool e cafeína.
· Conexão
social: faça contato frequente com amigos e familiares,
mesmo que virtualmente. A saúde social é importante para combater o isolamento
e promover sensação de pertencimento.
· Técnicas de
relaxamento e mindfulness: adote práticas como meditação,
respiração profunda e yoga para reduzir o estresse, a ansiedade e melhorar o
bem-estar emocional.
· Atividades
prazerosas: envolva-se em hobbies criativos (ler, pintar,
cozinhar) para aumentar a sensação de bem-estar.
· Sono regular: mantenha
uma rotina de sono. Dormir e acordar no mesmo horário equilibra os níveis de
melatonina.
Para facilitar o
acesso da população a serviços de saúde, o UniCuritiba mantém clínicas e
serviços abertos à comunidade. Em 2024, a instituição realizou mais de 5.846
atendimentos em diferentes áreas. Só na Clínica Escola de Psicologia foram
atendidas 2.755 pessoas em Curitiba.
SERVIÇO
Atendimentos à comunidade em Psicologia
de segunda-feira a sexta-feira, das 8h30 às 21h.
Campus Milton Viana, rua Chile, 1.678, bairro Rebouças
Serviços: avaliações
e atendimentos
A quem se destina: atendimentos
clínicos abertos à comunidade - adolescentes a partir de 12 anos, adultos,
idosos e famílias.
Como ter acesso: mediante
agendamento pelo forms Agendamentos Psicologia. Dúvidas podem ser enviadas ao e-mail agendepsico@unicuritiba.com.br
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