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sábado, 19 de julho de 2025

Hora do intervalo: por que as férias também são terreno fértil para o aprendizado?

De visitas a feiras, a jantares temáticos, educadores mostram como o tempo livre pode fortalecer a formação de estudantes

 

Com o fim do semestre letivo, estudantes de todo o Brasil se preparam para algumas semanas de pausa na rotina acadêmica. O período é, antes de tudo, uma oportunidade de descanso, importante para a saúde física e mental. Mas, especialistas em educação vêm destacando que as férias também podem ser um momento enriquecedor, quando vivências pessoais, culturais e sociais ajudam a consolidar aprendizados e ampliar o repertório.

Essa ideia de férias como um tempo equilibrado, de descanso, mas também de conexão com o que se aprende, tem ganhado força em instituições como o Centro Universitário Senac, que estimula os alunos a vivenciarem experiências que complementam o ensino formal. “As pausas no calendário acadêmico são essenciais para o descanso, mas também podem ser momentos ricos em aprendizado, de um jeito mais conectado com a vida real”, afirma Maíra Latorre Lopez, Diretora do Centro Universitário Senac - Águas de São Pedro.

Maíra destaca o potencial que o tempo livre tem para exercitar a autonomia dos estudantes e fortalecer o vínculo com suas áreas de formação. Para quem está cursando Gastronomia, por exemplo, ela sugere experiências como montar um jantar temático, testar receitas autorais ou visitar feiras e conversar com pequenos produtores. “É uma forma de exercitar a criatividade e aplicar técnicas de sala de aula de maneira prática e prazerosa”, diz.

Alunos do curso de Hotelaria, por sua vez, podem prestar atenção ao funcionamento dos lugares por onde passam. “Aproveitar momentos em hotéis, restaurantes ou espaços de lazer para observar o atendimento, a ambientação, o comportamento dos hóspedes. Esses detalhes ajudam a desenvolver o olhar técnico e analítico”, explica a diretora.

No Centro Universitário Senac - Campos do Jordão, o Diretor Felipe Soave Viegas Vianna reforça a importância de vivências sociais e culturais como parte do aprendizado. “O conhecimento também se constrói na prática, em eventos comunitários, na troca com outras pessoas, na imersão em realidades diferentes. Isso amplia a formação e ajuda a desenvolver habilidades que vão além do conteúdo teórico”, afirma.

Felipe sugere que estudantes aproveitem o recesso para participar de festas populares, ajudar em cozinhas solidárias, explorar ingredientes e receitas locais e organizar pequenas recepções em casa. “São experiências que envolvem planejamento, cuidado com o outro e aplicação direta do que se aprende em cursos como Gastronomia, Hospitalidade ou Eventos”, explica.

Ele lembra de sua própria trajetória: “durante a faculdade, fiz um estágio de férias em um restaurante inovador no litoral, com foco em sustentabilidade. A vivência me marcou profundamente e expandiu meu olhar profissional.”

O diretor destaca ainda que esse equilíbrio entre teoria e prática é um dos fundamentos do “Jeito Senac de Educar”, metodologia institucional que prevê o desenvolvimento de competências em ambientes diversos, da sala de aula ao laboratório, da comunidade ao mundo digital. “Temos programas como iniciação científica, monitoria, intercâmbios e projetos de extensão, como o LabCafé, que mostram aos alunos que o conhecimento não está preso à estrutura formal. Ele circula. Ele vive.”

Para Daniel Garcia, Diretor do Centro Universitário Senac - Santo Amaro, a chave está em manter a curiosidade ativa, sem necessariamente seguir uma rotina rígida de estudos. “As férias são, sim, para descansar. Mas também podem ser um tempo de estímulo intelectual, desde que a abordagem seja leve. Podcasts, documentários, visitas culturais, leitura de artigos ou até reorganização das finanças pessoais podem contribuir para manter o vínculo com o aprendizado”, sugere.

Além das sugestões para áreas como Gastronomia, Hotelaria e Comunicação, os diretores citam dicas que podem ser aplicadas a outros cursos:

  • Estudantes de Tecnologia ou Jogos Digitais podem rever filmes e jogos com olhar técnico, pensando em ajustes de roteiro ou experiência do usuário;
  • Alunos de Moda, Design e Animação podem desenhar croquis, customizar roupas e analisar vitrines com atenção à linguagem visual;
  • Quem estuda Administração ou Finanças pode aproveitar o tempo para reorganizar gastos, criar planilhas ou ler sobre investimentos;
  • Estudantes de Fotografia podem montar ensaios em casa ou explorar parques para testar ângulos, luzes e estilos.

Mais do que manter um ritmo, trata-se de transformar o tempo livre em um espaço de expressão pessoal e aprendizado autônomo. Como resume Felipe Soave: “Não é sobre estudar nas férias, mas sobre perceber que o aprendizado continua acontecendo, mesmo nos momentos de pausa, desde que o olhar esteja atento.”

 

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