Pedagogos alertam para o impacto da exposição
excessiva às telas e reforçam o papel transformador da leitura na infância
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Com a chegada das férias escolares, muitos pais se veem diante do mesmo
dilema: como entreter as crianças sem recorrer ao uso excessivo de telas?
Tablets, celulares e videogames ocupam cada vez mais espaço na rotina infantil,
oferecendo estímulos rápidos, sons vibrantes e recompensas instantâneas. No
entanto, esse consumo constante pode prejudicar aspectos importantes do
desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, especialmente quando
substitui o tempo dedicado à leitura.
Estudos mostram que a leitura ativa áreas do cérebro relacionadas
à linguagem, à memória e à empatia, além de fortalecer a concentração e
estimular o pensamento crítico. De acordo com um artigo da Sociedade Brasileira
de Neuropsicologia, crianças que leem regularmente apresentam maior capacidade
de atenção seletiva, melhor vocabulário e maior flexibilidade cognitiva. Já um
relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que crianças de 5 a
17 anos não passem mais de duas horas por dia em frente a telas fora do
ambiente escolar, um limite que, na prática, é ultrapassado com frequência.
Nesse contexto, educadores vêm reforçando a importância de
investir em experiências literárias significativas, especialmente durante as
férias, quando há mais tempo livre e menos atividades estruturadas. Para
Rossania Estela Rodrigues de Araújo, Diretora Pedagógica do Colégio Objetivo
DF, a leitura vai muito além do entretenimento: é uma ferramenta poderosa para
o crescimento integral da criança. “A leitura tem um impacto profundo no
desenvolvimento da criança, transformando-a em diversos aspectos. Ela estimula
a linguagem, a criatividade, a empatia e a capacidade de compreensão do mundo,
além de fortalecer habilidades cognitivas como concentração, memória,
habilidades linguísticas e criativas”, afirma.
Rossania destaca que o ambiente escolar pode ser um importante
ponto de partida para o hábito da leitura, mas que o incentivo também precisa
estar presente em casa. “Projetos como rodas de leitura, leituras dinâmicas,
sacolas de leitura que levam até às famílias uma parceria de leitura em
família, projetos em que as crianças escrevem suas próprias histórias são muito
bacanas e extremamente motivadores. Leitura é sabor, é fantasia, é viajar sem
sair do lugar”, completa. Para os pais, ela recomenda: “Comprem livros divertidos,
coloridos, com histórias criativas e que tenham envolvimento com o público
infantil. Acho que a leitura pode sim começar também em casa. Família é espelho
e, com a participação dos pais, a proporção da evolução linguística é muito
maior”.
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O que faz a diferença
Na Heavenly International School, a literatura também é vista como
um alicerce essencial para o desenvolvimento do pensamento crítico nas
crianças. “A leitura com certeza influencia a construção do pensamento crítico,
levando a criança a pensar nas possibilidades criativas, no desenvolvimento e
na elaboração das diferenças reais e da criação da fantasia”, destaca o Diretor
Pedagógico Valmir Gomes. Ele reconhece que as telas exercem um apelo forte, mas
acredita na reversão desse cenário: “Acho que as telas influenciam as crianças
a lerem menos, mas acredito que com incentivos, acompanhamentos, podemos sim
mudar esse cenário e trazer nossas crianças novamente para o encantamento da
literatura e das diversas formas de leitura”.
O desafio, segundo especialistas, não é banir a tecnologia, que
também pode ser uma aliada em projetos pedagógicos bem conduzidos, mas
equilibrar seu uso e garantir espaço para experiências mais profundas, como a
leitura compartilhada e a criação de vínculos afetivos com os livros. Um estudo
da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, mostrou que crianças que
leem com os pais desde os primeiros anos de vida têm até 1,4 milhão de palavras
a mais no vocabulário ao ingressar no ensino fundamental, em comparação com
aquelas que não têm esse hábito.
Para Valmir, que também é o diretor de inteligência e inovação da
instituição, é esse vínculo que faz toda a diferença. “A leitura é uma forma de
afeto. Quando um adulto lê para uma criança, ele está dizendo: ‘eu me importo
com você’. É nesse gesto simples que a criança entende que ler é mais do que
decodificar palavras, é um ato de conexão, imaginação e amor”, conclui.


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