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sábado, 3 de outubro de 2026

Seguir tendências estéticas pode custar a naturalidade do rosto

Procedimentos estéticos deixaram de ser apenas decisões individuais e passaram a ocupar o território das tendências. Um rosto aparece nas redes sociais, um procedimento viraliza e, de repente, surge a sensação de que aquela técnica é o próximo passo para quem quer se sentir melhor diante do espelho. O problema é que tendência passa e a intervenção fica.

Na medicina, a lógica deveria ser outra: primeiro o diagnóstico, depois o tratamento. Cada paciente precisa ter uma experiência única, focada nas próprias necessidades. Uma queixa aparentemente simples pode ter diferentes causas e, por isso, não existe um procedimento universalmente melhor (mesmo que ele tenha virado tendência entre os famosos, como é o caso do lifting facial).

Há situações em que um preenchimento é indicado, outras em que a cirurgia faz mais sentido, casos que exigem os dois e aqueles em que nenhum procedimento deve ser realizado. O mesmo vale quando falamos em envelhecimento, que envolve alterações ósseas, perda de gordura facial, mudanças musculares, flacidez da pele e transformações estruturais profundas. Tentar resolver um processo complexo com uma única intervenção pode comprometer a harmonia e a identidade facial.

Outro erro frequente é levar para a consulta a foto de uma celebridade como modelo. Copiar características de outra pessoa não significa harmonizar! Cada rosto tem proporções, estrutura e expressão próprias, ou seja, o objetivo de um procedimento não deveria ser transformar alguém em outra pessoa, mas alcançar sua melhor versão.

Existe ainda um equívoco recorrente, de acreditar que naturalidade significa não fazer nada, mas a verdade é que a naturalidade é o equilíbrio. O próprio envelhecimento é complexo demais para ser resolvido simplesmente “esticando” a pele ou “inflando” o rosto. Em alguns casos, é preciso tratar o que falta; em outros, o que sobra; e, muitas vezes, fazer pequenas intervenções pode preservar mais a identidade do que tentar corrigir tudo de uma vez.

Por isso, considero que uma das atitudes mais importantes na estética moderna é saber dizer não. Nem todo desejo do paciente é uma indicação e nem toda insatisfação precisa terminar em um procedimento, muitas vezes, o melhor procedimento é justamente aquele que não fazemos por impulso ou só porque é uma tendência entre influenciadores nas redes sociais.

Afinal, existe um ponto perigoso na busca pela perfeição: quando já estamos muito próximos de um resultado equilibrado, insistir pode nos levar para o exagero e a estética facial harmônica é saber também exatamente quando parar.

Por isso, antes de perguntar “qual procedimento está na moda?”, talvez seja mais importante perguntar: “qual é o meu diagnóstico?” e “e o que é melhor para o meu caso?”. A decisão vem antes da técnica e, em estética, maturidade também é reconhecer que, muitas vezes, o melhor procedimento é aquele que não precisa de muitas modificações faciais.

 

Dr. Georgen Hauagge - médico, especialista em Cirurgia e autor do livro "Seu rosto não é moda".


Efeito sanfona no rosto: por que esperar terminar de emagrecer para cuidar da face pode não ser a melhor estratégia

 Acompanhar as mudanças do rosto durante a perda de peso pode ajudar a preservar sustentação, qualidade da pele e naturalidade

 

Quando se fala em emagrecimento, é comum pensar primeiro nas mudanças do corpo e nos números da balança. Mas, enquanto os quilos diminuem, o rosto também passa por transformações — e esperar que todo o processo termine para só então olhar para a face pode não ser a melhor estratégia em alguns casos.

Bochechas menos preenchidas, têmporas mais profundas, sulcos mais evidentes, flacidez e aparência de cansaço podem surgir à medida que ocorre uma perda importante de peso. 

Segundo Dra. Daiany Rodrigues Freire, enfermeira estética e biomédica estética, o ideal é que o paciente não enxergue o tratamento facial apenas como uma correção a ser feita depois do emagrecimento.

“Quando sabemos que haverá uma perda significativa de peso, podemos acompanhar esse rosto durante o processo. Em vez de esperar uma perda muito grande de volume e sustentação para depois tentar recuperar tudo, podemos trabalhar de maneira gradual, respeitando as mudanças da face e utilizando recursos que ajudem a preservar estrutura e qualidade da pele”, explica.
 

Por que o rosto muda durante o emagrecimento?

A perda de peso não acontece apenas na barriga, nos braços ou nas pernas. A face também possui compartimentos de gordura que contribuem para seu formato e sustentação.

“Quando há uma redução importante desses compartimentos, algumas regiões podem perder projeção e suporte. Dependendo da idade, da velocidade do emagrecimento, da quantidade de peso perdida e da qualidade da pele, essa mudança pode deixar o rosto mais flácido ou com aspecto mais envelhecido”, afirma Daiany.

O problema pode se tornar ainda mais perceptível em pessoas que passaram por diversos ciclos de emagrecimento e ganho de peso.

No chamado efeito sanfona, o rosto acompanha parte dessas oscilações. E, com o passar dos anos, a capacidade da pele de se adaptar às mudanças de volume tende a diminuir.

“Uma pessoa mais jovem geralmente tem uma pele com maior capacidade de retração. Conforme envelhecemos, temos redução natural de colágeno e mudanças estruturais da face. Se acrescentamos uma perda expressiva de peso, essas alterações podem ficar mais evidentes”, explica.


É preciso esperar emagrecer tudo para começar a preencher?

Para Daiany, não necessariamente.

A especialista explica que existe uma diferença importante entre realizar grandes correções enquanto o peso ainda está oscilando e acompanhar o emagrecimento com um planejamento estético progressivo.

“Não precisamos esperar o rosto perder muito volume para começar a cuidar. Em pacientes com indicação, podemos utilizar pequenas quantidades de ácido hialurônico em pontos estratégicos de sustentação enquanto o emagrecimento acontece. A proposta não é encher o rosto, mas acompanhar a transformação e preservar determinadas estruturas”, afirma.

Esse acompanhamento também pode envolver procedimentos voltados à qualidade da pele e ao estímulo de colágeno.

“O emagrecimento é um processo. O tratamento facial também pode ser. Podemos trabalhar sustentação, estímulo de colágeno e qualidade da pele gradualmente, avaliando como o rosto responde a cada etapa da perda de peso”, acrescenta.


Prevenir pode ser mais interessante do que tentar reconstruir depois

Um dos principais motivos para começar esse acompanhamento antes do final do emagrecimento é evitar que o tratamento se torne apenas uma tentativa de corrigir alterações já muito acentuadas.

“Quando esperamos acontecer uma perda importante de estrutura para só depois começar a tratar, podemos precisar associar mais procedimentos para chegar ao resultado desejado. Quando acompanhamos desde o início, conseguimos pensar de maneira preventiva e fazer intervenções menores e progressivas”, explica Daiany.

Isso não significa que toda pessoa que está emagrecendo precise realizar preenchimento facial. A indicação depende da anatomia, da idade, da quantidade de peso que será perdida, da velocidade do emagrecimento e das características individuais da pele.

Também é importante que os procedimentos sejam constantemente reavaliados.

“Se o peso ainda está mudando, o rosto também está mudando. Por isso, não faz sentido fazer uma grande quantidade de preenchimento de uma única vez. O interessante é acompanhar, tratar pontos estratégicos quando houver indicação e reavaliar conforme o emagrecimento evolui”, destaca.


O objetivo não é devolver o rosto de antes

Para a especialista, o crescimento dos grandes emagrecimentos também exige uma mudança na maneira de pensar a estética facial.

O objetivo não deve ser tentar reproduzir exatamente o rosto que a pessoa tinha antes de perder peso, nem compensar cada redução de gordura com preenchimento.

“Eu não quero transformar o rosto ou devolver artificialmente todo o volume que ele tinha antes. Quero que, durante o emagrecimento, essa pessoa continue se reconhecendo no espelho. Às vezes, pequenos pontos de sustentação, associados a tratamentos para melhorar a qualidade da pele e estimular colágeno, são suficientes para atravessar esse processo de maneira muito mais natural”, afirma.

Para Daiany, o conceito central é o gerenciamento do envelhecimento e das mudanças faciais, e não a correção tardia.

“Da mesma forma que cuidamos da pele antes de ela apresentar alterações muito intensas, podemos acompanhar a face enquanto o corpo emagrece. Não precisamos esperar perder toda a sustentação para começar a pensar nela. Quando existe indicação, começar durante o processo permite trabalhar aos poucos, acompanhar as mudanças e buscar um resultado mais natural, sem precisar tentar reconstruir o rosto depois”, conclui. 



Dra. Daiany Freire - enfermeira e biomédica esteta, especialista em Reestruturação Facial e Estética Regenerativa. Possui pós-graduação em Enfermagem Estética pelo Nepuga e especialização em Estética e Cosmetologia com Ênfase em Raciocínio Clínico pela Univates, além de formação complementar com referências nacionais nas áreas de harmonização facial e estética regenerativa. É criadora da técnica Daimily Lips®, desenvolvida a partir de princípios anatômicos, proporção facial e individualização do preenchimento labial, com foco em resultados naturais e harmônicos. Conselho Regional de Enfermagem (Coren) nº 72548. Conselho Regional de Biomedicina (CRBM nº 64.089. Enfermeira e biomédica com pós-graduação em Enfermagem Estética.
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Cirurgia para corrigir a chamada “orelha de abano” pode ser feita na infância

 

magnific
Otoplastia é indicada a partir dos 5 ou 6 anos em casos individuais, mas a decisão deve considerar a maturidade e a vontade da criança, explica otorrinolaringologista 


Quem tem uma característica física que chama atenção pode acabar desenvolvendo estratégias para escondê-la. Entre crianças e adolescentes, alterações nas orelhas podem fazer com que alguns evitem determinados cortes de cabelo, prender os fios ou até situações sociais por vergonha da própria aparência. Quando esse incômodo existe e afeta a relação da criança consigo mesma, a otoplastia, cirurgia que corrige alterações no formato, no tamanho ou no posicionamento das orelhas, pode ser uma alternativa para buscar mais harmonia e naturalidade. 

De acordo com o Dr. Thiago Miranda, otorrinolaringologista do HOPE, especializado em cirurgia plástica facial, não há uma idade única que determine quando a cirurgia deve ser realizada. Em geral, o procedimento pode ser considerado a partir dos 5 ou 6 anos, período em que a orelha já atingiu grande parte do seu desenvolvimento. Além da faixa etária, porém, outros fatores precisam ser avaliados. “A decisão não deve ser baseada apenas na idade. É importante avaliar o desenvolvimento da orelha, a maturidade da criança, se ela própria se incomoda com a alteração e se consegue compreender e colaborar com os cuidados do pós-operatório”, explica. 

A indicação mais conhecida da otoplastia é a chamada orelha de abano, caracterizada pelo maior afastamento das orelhas em relação à cabeça. O procedimento também pode ser utilizado para corrigir alterações no formato e nas proporções das orelhas, como modificações da anti-hélice, concha muito desenvolvida, assimetrias entre as duas orelhas e algumas deformidades congênitas. Em determinadas situações, também é possível corrigir características relacionadas ao tamanho ou ao formato do lóbulo. “O objetivo não é deixar todas as orelhas iguais, mas buscar mais harmonia e naturalidade, respeitando a anatomia de cada paciente”, afirma o especialista. 

“Quando existe um incômodo verdadeiro da própria criança, isso pode repercutir na autoestima e na maneira como ela se relaciona socialmente. Por isso, em casos bem indicados, realizar a cirurgia durante a infância pode evitar que esse desconforto acompanhe a criança por muitos anos”, comenta Dr. Thiago. 

O médico ressalta, porém, que a decisão não deve partir exclusivamente dos pais. “A cirurgia não deve ser feita simplesmente porque os pais desejam modificar a aparência do filho. A vontade e a maturidade da criança precisam ser consideradas”, orienta.
 

Como é feita a otoplastia 

Na maioria dos casos, a otoplastia é realizada por meio de uma incisão na região posterior da orelha, onde a cicatriz tende a ficar bastante discreta. A partir desse acesso, o cirurgião trabalha a cartilagem para modificar seu formato ou posicionamento, de acordo com a alteração apresentada pelo paciente. 

“Dependendo da alteração, podemos criar ou reforçar as dobras naturais da orelha, reduzir uma concha muito desenvolvida ou aproximar a orelha da cabeça”, detalha o otorrinolaringologista. 

O pós-operatório costuma ser tranquilo, mas é esperado que o paciente apresente algum inchaço, sensibilidade e, eventualmente, pequenos hematomas nos primeiros dias. É necessário evitar traumas e pressão sobre as orelhas, inclusive durante o sono. Dependendo da técnica utilizada, pode ser indicada uma faixa para proteger a região e ajudar a manter as orelhas na posição adequada durante determinado período. 

“O retorno à escola ou às atividades mais leves costuma ocorrer relativamente rápido, frequentemente em torno de uma semana, dependendo da evolução individual. Já esportes, atividades de contato e situações com risco de trauma precisam ser evitados por algumas semanas e liberados pelo cirurgião”, explica Dr. Thiago.
 

Impactos na autoestima 

Embora essa parte do rosto ocupe uma pequena área, uma alteração que incomoda o paciente pode ter um impacto significativo na percepção que ele tem da própria aparência. Crianças e adolescentes podem evitar penteados, cortes de cabelo ou situações em que a região fique mais exposta como forma de esconder a característica que causa desconforto. “A orelha pode parecer uma estrutura pequena, mas uma alteração que incomoda muito o paciente pode ter uma repercussão desproporcional na autoestima”, destaca o especialista. 

Antes de optar pelo procedimento, a recomendação é que os pais conversem com a criança e procurem entender como ela se sente em relação à própria característica. A avaliação médica deve considerar a anatomia, as expectativas e a capacidade do paciente de compreender e seguir os cuidados necessários. “A primeira orientação seria: não tomem a decisão apenas olhando para a orelha. Escutem a criança”, comenta o Dr. Thiago. Segundo ele, também é fundamental explicar o que a cirurgia pode ou não modificar, além de conversar sobre cicatrizes, riscos, possíveis assimetrias residuais e cuidados durante a recuperação. 

“Quando existe indicação, maturidade e expectativa realista, a otoplastia pode ser realizada com bastante segurança e proporcionar um resultado muito natural. O objetivo não é criar uma orelha perfeita, e sim uma orelha mais harmônica e que deixe de ser motivo de incômodo para aquele paciente”, finaliza o Dr. Thiago Miranda, otorrinolaringologista do HOPE.


Rejuvenescer sem parecer que fez cirurgia: por que o Deep Plane virou desejo entre as mulheres?

Técnica ganhou espaço entre famosas e pacientes que buscam um rejuvenescimento mais natural, com preservação da identidade e resultados duradouros

 

Nos últimos anos, uma expressão passou a aparecer com frequência nas conversas sobre rejuvenescimento facial: Deep Plane Facelift.

A técnica ganhou visibilidade entre celebridades, influenciadoras e mulheres que desejam suavizar os sinais do envelhecimento sem perder as próprias características. Entre os nomes conhecidos do público que ajudaram a despertar curiosidade sobre o procedimento está a cantora Solange Almeida.

Mas o que faz o Deep Plane chamar tanta atenção?

Mais do que simplesmente “esticar” a pele, a proposta é trabalhar estruturas mais profundas da face, reposicionando tecidos de forma integrada e buscando um resultado mais harmônico e natural.

Segundo o cirurgião plástico Dr. Marco Aurélio Guidugli, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, esse é justamente um dos pontos que diferenciam a técnica.

“O grande diferencial do deep plane é respeitar a anatomia do rosto. Não é apenas esticar a pele, mas reposicionar estruturas, o que traz um resultado mais natural e duradouro.”


O desejo de rejuvenescer sem mudar o rosto

Durante muito tempo, uma das principais preocupações de quem pensava em realizar um lifting facial era ficar com aquela aparência excessivamente esticada ou artificial.

Hoje, a expectativa mudou.

Cada vez mais mulheres procuram procedimentos capazes de melhorar o contorno facial, suavizar a flacidez e devolver uma aparência mais descansada, mas sem apagar expressões ou transformar sua identidade.

É justamente essa busca por naturalidade que tem colocado o Deep Plane em evidência.

O objetivo não é criar um novo rosto, mas trabalhar aquilo que o envelhecimento modificou ao longo dos anos, respeitando as proporções e características individuais.


Antes da cirurgia, vem o planejamento

Para o Dr. Marco Aurélio, porém, a técnica sozinha não determina um bom resultado.

Existe um conceito cada vez mais importante dentro da cirurgia facial: o Deep Planning, ou planejamento aprofundado.

Antes de qualquer decisão, são avaliados fatores como estrutura óssea, qualidade da pele, distribuição de volume, grau de flacidez, características do envelhecimento e expectativas de cada paciente.

“Cada rosto conta uma história. O planejamento profundo é o que garante que o resultado não seja artificial ou padronizado”, explica o especialista.

Isso significa que duas mulheres da mesma idade podem precisar de estratégias completamente diferentes.

Mais do que seguir uma tendência, o planejamento deve responder a uma pergunta essencial: o que faz sentido para aquele rosto?


Por que o Deep Plane conquistou tanta atenção?

Naturalidade é uma das principais respostas.

Ao atuar em planos mais profundos, a técnica permite trabalhar o reposicionamento dos tecidos sem depender apenas da tensão sobre a pele.

Entre os objetivos estão melhorar o contorno facial, tratar a flacidez e proporcionar um rejuvenescimento mais global.

E existe outro aspecto cada vez mais valorizado pelas pacientes: continuar se reconhecendo no espelho.

Para muitas mulheres, esse passou a ser um dos principais critérios ao considerar uma cirurgia facial.


Uma cirurgia sofisticada exige experiência

A popularidade do procedimento, entretanto, não significa que seja uma cirurgia simples.

O Deep Plane atua em regiões profundas da face e próximas de estruturas importantes, incluindo nervos responsáveis pela movimentação facial.

Por isso, conhecimento anatômico, técnica e experiência são fundamentais.

“O deep plane é uma cirurgia mais complexa, que atua em planos profundos e próximos de estruturas nobres, como nervos faciais. Por isso, deve ser realizada apenas por cirurgiões experientes e qualificados”, alerta o Dr. Marco.

Assim como em qualquer cirurgia, existem riscos que precisam ser discutidos durante a consulta. Entre eles podem estar hematomas, infecção, assimetrias, alterações relacionadas aos nervos faciais e um período de recuperação que deve ser respeitado.

A avaliação individualizada, a indicação correta e um pós-operatório bem conduzido fazem parte de todo o processo.


Afinal, para quem o Deep Plane é indicado?

A técnica costuma ser considerada especialmente para pacientes que apresentam flacidez facial mais significativa, alterações no contorno do rosto e sinais de envelhecimento que já não encontram resposta satisfatória apenas em procedimentos não cirúrgicos.

Mas não existe uma idade padrão.

A indicação depende muito mais da anatomia, das características do envelhecimento e dos objetivos da paciente do que simplesmente da idade no documento.


Naturalidade acima da tendência

O Deep Plane pode estar em alta, mas para o Dr. Marco Aurélio Guidugli a decisão por uma cirurgia facial nunca deve começar apenas porque determinado procedimento virou tendência.

O mais importante é que a paciente compreenda suas possibilidades e participe de um planejamento feito especialmente para ela.

“A cirurgia plástica não é sobre transformar, mas sobre respeitar a individualidade e devolver harmonia ao rosto”, finaliza o cirurgião.

Em uma época em que tantas mulheres desejam envelhecer bem sem abrir mão de quem são, talvez esteja justamente aí o principal motivo de tanta atenção ao Deep Plane: rejuvenescer sem deixar de se reconhecer. 



Dr. Marco Aurélio Guidugli - Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Instagram: @dr.marcoaurelioguidugli
Site: www.marcoaurelioguidugli.com.br


Mini lipo ganha espaço entre quem quer voltar mais rápido à rotina

Tratamento de áreas delimitadas permite uma abordagem cirúrgica de menor extensão e pode reduzir o período de afastamento quando há indicação adequada 


A busca por intervenções estéticas que interfiram menos na rotina tem influenciado a forma como pacientes chegam aos consultórios. Em julho de 2025, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica apontou a ascensão dos procedimentos minimamente invasivos no Brasil e relacionou esse movimento, entre outros fatores, ao menor tempo de recuperação. Na cirurgia corporal, essa mesma demanda abre espaço para abordagens mais direcionadas, como a Mini Lipo de Recuperação Rápida, indicada para tratar pequenos acúmulos de gordura localizada sem a necessidade de uma operação de maior extensão.

Marco Dallegrave,  é médico, cirurgião plástico, pós graduado em Psiquiatria e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. À frente da Marco Dallegrave Cirurgia Plástica, clínica dedicada a procedimentos estéticos de contorno corporal, mamas e mini lipoaspiração, utiliza a Mini Lipo de Recuperação Rápida em pacientes selecionados. “Quando existe indicação para tratar uma área menor, não há razão para transformar esse caso em uma cirurgia extensa. A Mini Lipo permite trabalhar de maneira direcionada e proporcionar uma recuperação mais compatível com a rotina de quem não precisa de uma intervenção maior”, afirma o cirurgião plástico.

A técnica é voltada principalmente a depósitos de gordura localizada em regiões específicas, como abdômen, flancos, braços, costas, culote e coxas. Diferentemente de operações destinadas a remodelar várias áreas ao mesmo tempo, a proposta é concentrar o tratamento onde existe a necessidade.

No protocolo de Mini Lipo de Recuperação Rápida apresentado por Dallegrave, a alta pode ocorrer no mesmo dia e o retorno a determinadas atividades é previsto entre 24 e 48 horas, conforme a avaliação e a evolução de cada paciente. O planejamento inclui exames, preparação individualizada e acompanhamento depois do procedimento.


Mini lipo aposta em menor extensão para facilitar a recuperação

O princípio por trás de uma recuperação mais ágil não está em acelerar artificialmente a cicatrização, mas em adequar o tamanho da intervenção ao que o paciente realmente precisa. A própria Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica explica que a lipoaspiração utiliza pequenas incisões e cânulas para remover a gordura e que o volume aspirado e a extensão da operação interferem no planejamento e nos cuidados necessários.

“Uma cirurgia menor tende a exigir menos do organismo do que uma intervenção ampla. É essa adequação que permite pensar em uma volta mais rápida para pacientes bem selecionados. O objetivo não é fazer tudo em menos tempo, mas fazer exatamente o que aquele caso necessita”, ressalta Dallegrave.

A possibilidade de retornar mais cedo também atende a uma mudança prática no perfil de quem procura uma cirurgia estética. Trabalho, filhos, compromissos profissionais e dificuldade para permanecer vários dias afastado passaram a fazer parte da conversa sobre qual tratamento cabe na vida do paciente.

Para o especialista, considerar esse contexto não significa colocar a agenda acima da medicina. Significa avaliar se o resultado desejado pode ser alcançado por meio de uma intervenção mais localizada antes de indicar uma operação maior.


Recuperação rápida não significa ficar sem cuidados

Na Mini Lipo, algumas pessoas conseguem retomar o trabalho e atividades leves em menos tempo, de acordo com a indicação e a evolução de cada caso. Sentir-se bem, porém, não significa que o organismo já tenha concluído o processo de recuperação.

Nos primeiros dias, esforços acima do recomendado podem aumentar o inchaço e favorecer sangramentos ou hematomas. Por isso, academia, levantamento de peso e outras atividades intensas devem ser retomados gradualmente e sempre de acordo com a orientação médica.

O acompanhamento após a cirurgia permite avaliar a cicatrização e definir com segurança o momento adequado para avançar em cada etapa. “A recuperação rápida é uma vantagem, mas respeitar o pós operatório também faz parte do resultado”, ressalta Dallegrave.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica reforça que seguir as recomendações do cirurgião é fundamental após a lipoaspiração, incluindo os cuidados com esforço físico, medicamentos e acompanhamento durante a cicatrização.


Menos intervenção quando menos é suficiente

Para Dallegrave, um dos principais ganhos dessa abordagem está justamente em não ampliar uma cirurgia sem necessidade. A Mini Lipo não substitui operações indicadas para pacientes que precisam tratar grandes volumes, em várias regiões ou excesso de pele. Ela ocupa outro espaço: o de pessoas com gordura localizada e indicação para uma intervenção direcionada.

Essa diferenciação também evita expectativas irreais. Pacientes que necessitam de uma cirurgia mais extensa terão outro planejamento e outro período de recuperação. Já aqueles que apresentam indicação para tratar uma região menor podem se beneficiar de uma experiência cirúrgica compatível com essa necessidade.

“A Mini Lipo faz sentido porque existe um grupo de pacientes que não precisa de uma grande cirurgia para alcançar o resultado desejado. Quando menos é suficiente, conseguimos preservar tecidos, tratar de forma precisa e tornar a recuperação mais simples. É esse equilíbrio que buscamos”, aponta o especialista.

A evolução das técnicas de cirurgia corporal tem permitido ajustar cada vez mais a extensão do tratamento às características individuais. Nesse contexto, o retorno mais rápido deixa de ser uma promessa isolada e passa a ser consequência de uma escolha bem indicada, de um planejamento adequado e de uma intervenção proporcional ao objetivo do paciente. 



Dr. Marco Dallegrave - médico formado pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná (FEMPAR), com residência em Cirurgia Geral pela Santa Casa de Curitiba e residência em Cirurgia Plástica pelo Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba (PR). Também possui pós-graduação em Psiquiatria pelo CENBRAP, formação que complementa sua visão sobre os aspectos emocionais e psicológicos envolvidos na relação dos pacientes com a própria imagem. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), atua há 21 anos na especialidade e já realizou mais de 5 mil cirurgias. Sua prática é voltada à cirurgia plástica estética, com ênfase em procedimentos de contorno corporal, mini lipoaspiração de recuperação rápida e cirurgias das mamas. Ao longo da carreira, consolidou uma abordagem que alia excelência técnica, segurança e atendimento humanizado. Defende que a cirurgia deve respeitar a individualidade de cada paciente e ser compreendida como parte de um cuidado integral com a saúde e o bem-estar, e não apenas como uma transformação estética.
Para mais informações, acesse o site e instagram.



Fontes de Pesquisa

International Society of Aesthetic Plastic Surgery - Global Survey 2024
https://www.isaps.org/discover/about-isaps/global-statistics/global-survey-2024-full-report-and-press-releases/

American Society of Plastic Surgeons - Liposuction Recovery
https://www.plasticsurgery.org/cosmetic-procedures/liposuction/recovery

American Society of Plastic Surgeons - 9 to 5 How to handle plastic surgery recovery in an RTO world
https://www.plasticsurgery.org/news/articles/9-to-5-how-to-handle-plastic-surgery-recovery-in-an-rto-world

Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Lipoaspiração
https://www.cirurgiaplastica.org.br/cirurgias-e-procedimentos/lipoaspiracao/


A escola ligou. E agora? Em meio ao risco de apagão de professores, relação entre família e escola precisa mudar

 

Com menos jovens entrando na docência e professores sobrecarregados, Sabrina Carneiro, fundadora da Parenting Solutions, chama atenção para a importância de fortalecer os educadores e construir uma relação de parceria com as famílias


“Seu filho teve um problema hoje.” A ligação da escola para falar sobre o comportamento de uma criança costuma gerar preocupação imediata. O que aconteceu? Por que ele fez isso? O que precisamos fazer agora?

Para Sabrina Carneiro, fundadora da Parenting Solutions, que tem como base o conceito de Parenting and Family Leadership, esse momento também expõe uma questão maior: como família e escola têm dividido a responsabilidade pela educação das crianças.

O tema ganha relevância diante do cenário da educação brasileira. A segunda edição da pesquisa Apagão dos Professores: o desafio da renovação dos professores no Brasil, do Instituto Semesp, mostrou que o número de professores do Ensino Médio com até 24 anos caiu 31,1% entre 2015 e 2025, enquanto o número de docentes com 60 anos ou mais cresceu 104,5%. Uma projeção anterior do instituto apontou a possibilidade de um déficit de 235 mil professores na educação básica até 2040.

Para Sabrina, fortalecer o professor também passa por prepará-lo para demandas que ganharam espaço nas salas de aula nos últimos anos. “Hoje falamos muito mais sobre desenvolvimento infantil, neurociência, saúde mental e regulação emocional. Não podemos esperar que os professores saibam lidar com todas essas questões sem formação e suporte. Precisamos dar ferramentas para que consigam entender melhor o que está por trás de determinados comportamentos”, afirma.

 

Nem tudo é mau comportamento

Uma criança que interrompe a aula, não consegue permanecer sentada, reage intensamente a uma frustração ou apresenta dificuldade para seguir uma orientação pode precisar de limites. Mas é importante considerar também sua idade, desenvolvimento e o contexto em que aquele comportamento acontece.

“O comportamento comunica alguma coisa. Isso não significa permitir tudo ou retirar a autoridade do professor. Quanto mais o adulto conhece sobre infância e desenvolvimento, mais recursos tem para estabelecer limites de forma adequada”, explica Sabrina.

Em algumas situações, a criança ainda não desenvolveu completamente a capacidade de se regular sozinha e precisa da corregulação de um adulto preparado. Para Sabrina, compreender isso ajuda a evitar que toda dificuldade seja interpretada apenas como desobediência ou falta de limites.

Também evita que a conversa entre família e escola comece pela culpa. “Alguns pais recebem uma queixa como se estivessem sendo julgados pela forma como educam seus filhos. Outros entram na defensiva e questionam a escola. Também pode acontecer de a escola interpretar tudo como falta de limite em casa. Quando começamos procurando culpados, fica muito mais difícil entender o que está acontecendo.”

 

A criança não deixa sua história na porta da escola

Sono ruim, separação dos pais, mudança de casa ou de país, doenças na família, nascimento de um irmão e alterações importantes na rotina podem aparecer no comportamento infantil, mesmo quando a criança ainda não consegue explicar o que está sentindo.

Por isso, a troca de informações é fundamental. A família precisa comunicar à escola mudanças relevantes na vida da criança e também estar aberta ao que professores observam em sala de aula. “Uma criança pode se comportar de formas diferentes dependendo do ambiente e da maneira como os adultos respondem. Isso não significa necessariamente que alguém esteja fazendo algo errado. Precisamos juntar essas informações para enxergar melhor aquela criança”, diz Sabrina.

Para ela, é preciso substituir a transferência de responsabilidade pela parceria. Os pais não podem delegar à escola tudo o que acontece naquele ambiente, assim como uma dificuldade observada em sala não deve ser simplesmente devolvida à família para que seja resolvida em casa.

 

O professor também precisa de suporte

Saúde mental, educação socioemocional, neurociência e desenvolvimento infantil são temas cada vez mais presentes no debate sobre educação, mas nem todos os professores tiveram contato com esses conteúdos durante sua formação.

Isso pode fazer com que algumas dificuldades sejam vistas exclusivamente como questões disciplinares. “Às vezes, esperamos da criança uma capacidade de tolerância, autorregulação ou controle que ainda está sendo desenvolvida. A regra continua existindo. O que muda é a forma como o adulto ajuda aquela criança a chegar ao comportamento esperado”, explica Sabrina.

Segundo ela, priorizar a educação socioemocional também exige preparar quem educa. “Não adianta falar sobre emoções apenas com as crianças. O professor precisa ter recursos para conduzir uma crise, uma frustração ou um comportamento desafiador.”

 

Sete perguntas para fazer quando a escola liga

Em vez de encarar a ligação como uma reclamação que precisa ser resolvida imediatamente, Sabrina recomenda buscar informações que ajudem a compreender o episódio:

1. O que exatamente aconteceu? Peça exemplos concretos, evitando descrições genéricas como “ele está impossível” ou “ela não respeita ninguém”.

2. Quando isso costuma acontecer? Existe alguma atividade, horário, disciplina ou momento específico em que a dificuldade aparece?

3. O que aconteceu antes? Conhecer o contexto pode ajudar a identificar gatilhos e padrões.

4. Como os adultos reagiram? A resposta de quem estava presente também faz parte da situação.

5. Esse comportamento aparece em outros ambientes? Comparar escola, casa e outros espaços pode trazer informações importantes.

6. O que já foi tentado? Vale entender quais estratégias foram adotadas e como a criança respondeu.

7. Como família e escola podem acompanhar isso juntas? Se a situação se repete, é importante combinar estratégias e manter a troca de informações.

 

Depois da ligação, ouvir antes de punir

Ao chegar em casa, muitos pais sentem que precisam tomar uma providência imediata. Sabrina recomenda primeiro ouvir a criança e entender como ela percebeu o episódio, sem que isso signifique desconsiderar o relato da escola.

“Ouvir não é passar a mão na cabeça. Uma criança pode estar com raiva e não poder bater. Pode estar frustrada e não poder ofender. Pode não gostar de uma regra e ainda precisar cumpri-la. O adulto continua responsável por conduzir a situação.”

O relato da criança traz uma perspectiva, o professor traz outra e a família conhece aspectos da vida daquele filho que talvez a escola desconheça. O objetivo é reunir essas informações para decidir como agir.

 

Informação precisa virar prática

Para Sabrina, o maior acesso a conteúdos sobre parentalidade, neurociência e desenvolvimento infantil trouxe avanços, mas informação, sozinha, não prepara um adulto para lidar com situações reais.

É nesse ponto que se concentra o trabalho da Parenting Solutions: preparar pais, professores e instituições para compreender a infância e transformar conhecimento em estratégias aplicáveis à realidade de cada criança. “Ler sobre desenvolvimento infantil é diferente de saber o que fazer quando uma criança está em crise, quando um professor precisa conduzir uma turma inteira ou quando família e escola estão enxergando a mesma situação de formas diferentes. Esse conhecimento precisa chegar aos adultos, mas também precisa ser colocado em prática.”

A crise da carreira docente envolve questões estruturais que vão muito além da relação com as famílias, incluindo remuneração, condições de trabalho, violência no ambiente escolar e saúde mental. Ainda assim, Sabrina acredita que reconstruir a parceria entre pais e professores pode ajudar a reduzir uma parte da pressão colocada sobre quem educa.

“Os pais não podem entregar a criança na escola e esperar que a escola resolva tudo. Da mesma forma, a escola não pode transformar toda dificuldade em uma reclamação que volta para casa. Família e escola têm papéis diferentes, mas estão cuidando da mesma criança. Precisamos recuperar essa parceria”, conclui Sabrina Carneiro, fundadora da Parenting Solutions.


Problemas financeiros impactam saúde mental de 89% dos brasileiros, revela pesquisa

 Psicólogo e diretor do Hospital Saúde Premium, Davi Tomasi explica como o endividamento pode afetar sono, humor, autoestima, relacionamentos e capacidade de tomar decisões; em Sorocaba, rede municipal acompanha casos relacionados a problemas com jogos


As dificuldades financeiras ultrapassam cada vez mais os limites do orçamento e podem repercutir diretamente na saúde mental. Pesquisa da Serasa em parceria com o Opinion Box mostra que 89% dos brasileiros entrevistados afirmam já ter sentido impactos dos problemas financeiros na saúde mental.

O levantamento também aponta que 71% perceberam prejuízos no sono, 53% alterações de humor e 50% problemas de autoestima. Além disso, 62% disseram já ter deixado de procurar ajuda psicológica por falta de recursos.

Em Sorocaba, os reflexos dos problemas financeiros também aparecem entre as demandas acompanhadas pela rede municipal de Saúde Mental. Segundo informações da Secretaria da Saúde (SES), foram identificadas 70 pessoas em acompanhamento específico relacionado a problemas com jogos. Os atendimentos ocorrem principalmente nos CAPS AD III, embora alguns casos também sejam acompanhados em CAPS III, de acordo com as necessidades identificadas pelas equipes.

A faixa etária predominante entre os casos identificados está entre 25 e 50 anos. A rede municipal também desenvolve grupos terapêuticos voltados ao cuidado de pessoas com problemas relacionados aos jogos, além de acompanhamento individual e outras estratégias definidas conforme o Projeto Terapêutico Singular de cada usuário. A Coordenadoria de Saúde Mental da Secretaria da Saúde de Sorocaba mantém atendimento específico para essa questão em dois CAPS.

Para o psicólogo Davi Tomasi, diretor do Hospital Saúde Premium, o principal sinal de alerta é quando a preocupação com dinheiro deixa de ser pontual e começa a interferir na rotina.

“É natural ter preocupação diante de uma dívida ou de uma dificuldade financeira. O problema é quando isso passa a dominar os pensamentos e começa a afetar o sono, o humor, os relacionamentos, o trabalho e a capacidade de tomar decisões”, explica.

Segundo o especialista, pode se estabelecer um ciclo difícil de interromper. A pressão financeira aumenta a ansiedade e o sofrimento emocional, enquanto esses mesmos sintomas podem dificultar a organização das contas e a busca por soluções.

“A pessoa pode começar a evitar abrir uma conta, atender uma cobrança ou olhar para a própria situação financeira porque aquilo provoca sofrimento. Só que a fuga tende a aumentar a sensação de perda de controle”, afirma Tomasi.

Outro aspecto importante é o impacto sobre a autoestima. Culpa, vergonha e sensação de fracasso podem fazer com que o indivíduo associe a dificuldade financeira ao próprio valor pessoal. 

“Uma dívida é uma situação financeira, não uma definição sobre quem a pessoa é. Quando ela começa a pensar que fracassou ou que não é capaz, o problema passa a atingir também a autoestima. A vergonha ainda pode fazer com que ela se isole e deixe de pedir ajuda”, explica o psicólogo.

Os reflexos podem chegar também aos relacionamentos familiares e ao ambiente profissional. Irritabilidade, preocupação constante, dificuldade de concentração e afastamento podem aumentar conflitos em casa e prejudicar o desempenho no trabalho.

Para quem percebe que as dívidas estão afetando o sono, o humor e a rotina, Tomasi recomenda não esperar que a situação se agrave para buscar apoio.

“É importante reconhecer o problema sem transformar a dificuldade financeira em uma condenação pessoal. Organizar as finanças é importante, mas cuidar da saúde emocional também é. Quando há sofrimento persistente, procurar ajuda profissional é uma forma de cuidado, não um sinal de fraqueza.”

Para quem não consegue pagar por atendimento psicológico particular, existem alternativas na rede pública. O SUS oferece atendimento em saúde mental por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui Unidades Básicas de Saúde e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

“A falta de dinheiro para uma terapia particular não significa que a pessoa precise enfrentar o sofrimento sozinha. É possível buscar orientação na rede pública e conversar com profissionais de saúde”, orienta Tomasi.

O psicólogo deixa ainda uma mensagem para quem sente que a dificuldade financeira ou a dívida tomou conta da própria vida: “O problema financeiro não define quem você é. Uma dívida pode ser negociada e reorganizada, e o sofrimento emocional também pode ser cuidado. O primeiro passo é sair do isolamento e pedir ajuda.”
 


Hospital Saúde Premium
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Telefone/WhatsApp: (15) 98146-3449
Site: hospitalsaudepremium.com 


Dia das Crianças: presente inadequado para a idade pode causar acidentes

Crédito: Wynitow Butenas

Peças pequenas, baterias de botão e ímãs estão entre os itens que exigem atenção; especialista do Hospital Pequeno Príncipe orienta famílias na hora de comprar os presentes

 

Com a proximidade do Dia das Crianças, brinquedos ganham espaço nas listas de compras das famílias. Na hora de escolher o presente, porém, não basta considerar aquilo que vai despertar o interesse dos pequenos. Observar a faixa etária indicada, o tamanho e a resistência das peças e a presença de baterias e ímãs também é fundamental para prevenir acidentes. 

A atenção deve ser ainda maior nos primeiros anos de vida, período em que é comum a criança explorar o ambiente levando objetos à boca. Moedas, partes de brinquedos, baterias e bijuterias estão entre os objetos que podem ser ingeridos acidentalmente. 

“A escolha não deve considerar apenas a diversão ou o interesse da criança, mas também a segurança. Antes de comprar, é importante verificar a faixa etária indicada, procurar o selo de segurança do Inmetro e observar se existem peças pequenas, baterias de botão, ímãs ou partes que possam se soltar”, orienta o gastroenterologista pediátrico Mário Vieira, do Hospital Pequeno Príncipe.

 

Faixa etária também é questão de segurança

A indicação de idade presente na embalagem não está relacionada somente à capacidade da criança de compreender ou brincar com determinado produto. Ela também considera características que podem representar riscos em cada etapa do desenvolvimento. 

“A faixa etária deve ser encarada como uma medida de segurança e não apenas como uma recomendação. Ela considera o desenvolvimento da criança e, principalmente, riscos como peças pequenas que podem ser engolidas ou aspiradas, cordões, ímãs e baterias”, explica Vieira. 

Por isso, mesmo que uma criança consiga utilizar um brinquedo destinado a uma idade superior à sua, isso não significa que o produto seja seguro para ela. Para os menores de 3 anos, o cuidado com componentes pequenos deve ser redobrado. 

Além dos brinquedos, objetos comuns da casa também podem representar perigo. Moedas, tampas, bolinhas, joias e bijuterias, parafusos, pequenas ferramentas e componentes de aparelhos eletrônicos devem permanecer fora do alcance das crianças pequenas.

 

Baterias de botão exigem atendimento imediato

Pequenas e presentes em diversos produtos eletrônicos e brinquedos, as baterias de botão merecem atenção especial. Quando ingeridas e alojadas no esôfago, especialmente as de lítio, podem provocar lesões graves em pouco tempo. 

“Quando uma bateria fica presa no esôfago, pode produzir uma reação elétrica e química que causa uma queimadura profunda da parede do órgão. Lesões graves podem ocorrer em menos de duas horas, mesmo que a criança inicialmente pareça bem. Por isso, a suspeita de ingestão de uma bateria de botão é uma emergência”, alerta o especialista. 

Nesse caso, a orientação é procurar imediatamente um serviço de saúde, sem aguardar o surgimento de sintomas. Se a ingestão tiver ocorrido há menos de 12 horas, a criança tiver mais de 1 ano e conseguir engolir normalmente, o médico ensina que pode ser oferecido mel durante o deslocamento ao atendimento: 10ml, ou duas colheres de chá, a cada dez minutos, por até seis doses. A medida pode ajudar a retardar a lesão, mas não substitui nem deve atrasar a ida ao hospital.

 

Atenção também aos ímãs

Os pequenos ímãs presentes em brinquedos e outros objetos domésticos representam outro risco importante. A ingestão de dois ou mais pode fazer com que eles se atraiam mesmo estando em diferentes segmentos do intestino. 

“Os ímãs podem comprimir o tecido entre eles e provocar necrose, perfuração e até uma infecção abdominal grave. O problema é que a criança pode inicialmente não apresentar sintomas importantes”, informa Vieira. Por isso, diante da suspeita de ingestão de ímãs, é necessário procurar avaliação médica rapidamente.

 

Quando buscar atendimento?

Dificuldade para respirar ou engolir, salivação excessiva, engasgos persistentes, tosse, dor no peito ou no abdômen, vômitos repetidos, sangue no vômito ou nas fezes, recusa alimentar e mudanças repentinas no comportamento são sinais de alerta. 

No caso de suspeita de ingestão de bateria de botão ou de múltiplos ímãs, entretanto, a recomendação é procurar atendimento imediatamente, mesmo que a criança esteja aparentemente bem. 

Para o especialista, uma regra simples pode ajudar as famílias tanto na compra quanto na organização dos brinquedos em casa: “Se uma peça pequena cabe na boca de uma criança pequena, ela não deve estar ao alcance dela. Alguns segundos de atenção na hora da compra podem evitar um acidente grave”, ressalta Mário Vieira.

 

Seis cuidados na hora de escolher o presente

  • Confira a faixa etária: ela também leva em consideração os riscos associados ao brinquedo.
  • Procure o selo do Inmetro: verifique se o produto atende aos requisitos de segurança.
  • Observe as peças pequenas: principalmente quando o presente for destinado a crianças menores de 3 anos.
  • Cheque o compartimento de baterias: ele deve impedir que a criança tenha acesso fácil às baterias, especialmente às de botão.
  • Tenha atenção aos ímãs: peças magnéticas pequenas não devem ficar acessíveis a crianças pequenas.
  • Avalie a resistência do brinquedo: observe se há componentes que possam desprender-se durante a brincadeira.

Mais do que escolher um brinquedo adequado no momento da compra, a prevenção continua em casa. É importante verificar periodicamente as condições dos brinquedos, descartar aqueles que estiverem quebrados ou com peças soltas e evitar que brinquedos destinados às crianças maiores fiquem ao alcance dos irmãos menores.

 

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