Pesquisar no Blog

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Vão Livre do Masp recebe atividade gratuita dentro da programação da 14ª Semana Move, dia 27 de setembro

 


Público poderá descobrir e experimentar práticas corporais como AcroYoga, Hatha Yoga e Yoga nas alturas

 

Um dos mais importantes cartões postais da capital paulista, o Vão Livre do Masp será ocupado por uma ação especial, dentro da programação da 14ª edição da Semana Move. No dia 27 de setembro, domingo, a partir das 8h, o público poderá descobrir e experimentar diferentes possibilidades de exercícios e práticas corporais por meio da atividade Corpo e Cidade – Práticas que Integram, que será comandada pelos professores Daniel Braga, Hajla Shanti e Julia Marante. 

Coordenada pelo Sesc 14 Bis, a atividade será uma oportunidade de demonstrar como a cidade pode se tornar um ambiente acessível para a promoção da saúde e do bem-estar. Além dos benefícios físicos, a proposta busca destacar o papel dos coletivos e grupos comunitários na construção de redes de apoio, incentivo e pertencimento. Ao ocuparem praças, parques e equipamentos públicos para a prática de exercícios, essas iniciativas fortalecem os vínculos entre as pessoas, ampliam o acesso à atividade física e contribuem para a criação de espaços mais acolhedores, ativos e conectados com a comunidade.

 

Semana Move – Corpo e Cidade – Práticas que Integram

AcroYoga, conduzido por Julia Marante - Instrutora de yoga formada pela USP com 2 premiações por mérito acadêmico. Fundadora do projeto MLEV, que foi criado a partir da união entre ciência, autocuidado e presença. O projeto que começou com a produção artesanal de velas, hoje oferece também práticas online, consultorias e conteúdos voltados à saúde integral. Ministra sessões em espaços como praças, parques e sítios da região, muitas vezes combinadas com outras atividades como trilhas e brunches.

 

Hatha Yoga conduzido pela Hajla Shanti - Instrutora de yoga e terapeuta holística brasileira. Conhecida por oferecer aulas de yoga ao ar livre em parques de São Paulo pelo projeto Yoga Humanidade. Atua como mentora e difunde a filosofia da prática baseada em seus estudos na Índia. Seu trabalho tem como eixo principal, vivências ao ar livre e abordagens terapêutica. Formação internacional: Possui especializações e estudos profundos na Índia, buscando trazer a essência tradicional da disciplina para a “vida real” de seus alunos.

 

Yoga nas alturas conduzido por Daniel Braga - Professor de Yoga, musicoterapeuta e pós-graduado em Neurociência. Sua pesquisa integra corpo, gesto e imaginação como caminhos de escuta, presença e transformação, com atuação em contextos culturais, educativos e sociais. Há alguns anos desenvolve práticas de Yoga acessíveis para pessoas com deficiência visual, conduzindo experiências voltadas à percepção corporal, autonomia, equilíbrio emocional e ampliação sensorial através do movimento, da respiração e da escuta. Atualmente participa como ouvinte junto ao LAPACIS (Laboratório de Ação e Percepção Corporal no Instituto de Psicologia da USP), acompanhando a pesquisa sobre os efeitos da prática de Hatha Yoga nas emoções de pessoas com deficiência visual.

 

PROGRAMAÇÃO

Dia: 27 de setembro, domingo 

Horários: 

·         8h - Acroyoga com Julia Marante

·         9h - Yoga com Haila Shanti

·         10h - Yoga com professora Karina

·         11h - Yoga nas Alturas com Daniel Braga e Kiki Zerbini 

Vagas: 50. Inscrições no local, com 30 minutos de antecedência. 

Local: Vão Livre do MASP. A partir de 12 anos. Grátis.

 

Semana Move - A Semana Move, um dos principais movimentos globais de promoção à saúde e à prática de atividades físicas, chega em 2026 à sua 14ª edição. A campanha oferecerá, entre os dias 21 e 27 de setembro, centenas de atividades gratuitas para todas as faixas etárias nas 43 unidades do Sesc no estado de São Paulo e em instituições parceiras. 

Com coordenação do Sesc São Paulo no continente americano, a iniciativa é promovida pela ISCA (International Sport and Culture Association), com cooperação da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e reúne instituições públicas e privadas, organizações da sociedade civil e comunidades em torno do incentivo ao movimento como parte da vida cotidiana. 

Nesta edição, a Semana Move apresenta o conceito “Esporte é bem‑estar!”, reafirmando o esporte e a atividade física como experiências capazes de promover bem‑estar físico, mental, emocional e social, além de fortalecer vínculos e relações comunitárias. O objetivo é valorizar práticas acessíveis, prazerosas e diversas, alinhadas à cultura do movimento e conectadas às realidades das pessoas e dos territórios onde vivem e circulam.


CAIXA CULTURAL SÃO PAULO CELEBRA NORDESTE COM MÚSICA E CORDEL

 

Lucy Alves é atração confirmada na programação
de outubro da CAIXA Cultural São Paulo
 Foto: Felipe Braga

 

Agenda relacionada ao mês do Dia do Nordestino reúne apresentações

de Lucy Alves e a 7ª Feira do Cordel Brasileiro

 

A CAIXA Cultural São Paulo recebe, entre 1º e 12 de outubro, duas programações dedicadas a expressões culturais associadas à região Nordeste. A agenda tem início com apresentações da cantora, compositora e multi-instrumentista Lucy Alves, de 1º a 3 de outubro, e segue com a 7ª Feira do Cordel Brasileiro, de 8 a 12 de outubro. As atividades incluem música, literatura, poesia, xilogravura, cantorias, recitais e ações formativas. 

Com o Dia do Nordestino como referência para a programação do mês, as duas atividades apresentam ao público diferentes linguagens e formas de produção cultural. Os eventos têm entrada gratuita.

 

Apresentações de Lucy Alves:

Lucy Alves realiza apresentações nos dias 1º, 2 e 3 de outubro, sempre às 19h. O espetáculo reúne repertório voltado ao forró e à música nordestina, com canções autorais e obras relacionadas ao gênero. A sessão de quinta-feira, 1º de outubro, contará com interpretação em Libras. 

Natural da Paraíba, a artista desenvolve trabalho ligado à música nordestina e à música popular brasileira. Sua formação musical inclui estudos de piano e sanfona, participação no grupo Clã Brasil e posterior atuação em carreira solo. Também participou de produções para televisão e cinema. 

O repertório previsto inclui composições próprias e músicas associadas ao universo cultural nordestino, entre elas Asa Branca e O Xote das Meninas. A temporada ocorre após a gravação de um projeto audiovisual em João Pessoa, na Paraíba, dedicado ao forró e a repertórios da região.

 

7ª Feira do Cordel Brasileiro:

De 8 a 12 de outubro, é a vez da 7ª Feira do Cordel Brasileiro. Esta será a primeira realização do evento na capital paulista. Ao longo de cinco dias, a programação reunirá exposição de cordéis, cantorias, recitais, apresentações musicais, atividades formativas e ações relacionadas à produção contemporânea do cordel. 

A feira foi idealizada pelo poeta e cordelista Klévisson Viana e é realizada pela Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará, AESTROFE. A programação inclui Chambinho do Acordeon, Bule-Bule, Antônio Nóbrega, Adiel Luna, Oliveira de Panelas, Fatel, Geovana do Pandeiro, Helloysa do Pandeiro, Nireuda Longobard e Lucélia Borges, além da Companhia Tempo de Brincar e de outros participantes. 

O público também encontrará livros, folhetos de cordel, xilogravuras, camisetas e outros produtos relacionados à atividade cordelista. A etapa de São Paulo encerra a primeira circulação nacional da feira pelos espaços da CAIXA Cultural, após programações realizadas em Salvador, Fortaleza e Brasília, entre maio e julho de 2026. 

A literatura de cordel foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan, como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro em setembro de 2018. A manifestação articula oralidade, poesia, música, xilogravura e outras formas de expressão. 

 Música 

Lucy Alves

Datas: 1º a 3 de outubro de 2026

Horários: quinta-feira, sexta-feira e sábado, às 19h

Acessibilidade: sessão de 1º de outubro com interpretação em Libras; espaço com acesso para pessoas com deficiência

Entrada: gratuita, com ingressos distribuídos uma hora antes de cada apresentação, limitados a um por pessoa

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: 14 anos

Informações: caixaculturalsp | CAIXA Cultural

 

  • Vivência | 7ª Feira do Cordel Brasileiro

Período: 8 a 12 de outubro de 2026

Entrada: gratuita

Classificação indicativa: livre

Acessibilidade: espaço com acesso para pessoas com deficiência

Informações: caixaculturalsp | CAIXA Cultural

 

SERVIÇO:

Local: CAIXA Cultural São Paulo

Endereço: Praça da Sé, 111, Centro, São Paulo, próxima à Estação Sé do Metrô


Obras de arte para brincar, balançar, escorregar e interagir na 15ª Mostra 3M de Arte no Parque Villa-Lobos

Com o tema "A Cidade das Crianças", exposição aberta ao público é opção de passeio em família até o dia 12 de outubro

   

O Parque Villa-Lobos, na zona oeste de São Paulo, recebe a 15ª Mostra 3M de Arte com o tema "A Cidade das Crianças". A exposição é gratuita e interativa, com entrada franca todos os dias, das 5h30 às 19h, até 12 de outubro.

Nesta edição, considerada histórica por colocar o universo infantil como eixo central pela primeira vez na trajetória da mostra, as obras não foram pensadas para serem apenas observadas. Elas convidam crianças e adultos a balançar, escorregar, pular, atravessar, tocar, negociar e imaginar. Cada instalação cria uma situação de encontro em que os pequenos experimentam outras maneiras de compartilhar espaços, tomar decisões, escutar e construir coletivamente. O conceito propõe uma inversão de perspectiva: olhar para a infância não como etapa preparatória, mas como força política e criativa capaz de renovar o convívio urbano.

As seis obras inéditas, criadas por artistas de todo o Brasil, são:

  • Carteiras escolares viram balanços suspensos e dispostos em círculo — o objeto ligado à educação e à disciplina se transforma em convite ao movimento e à conversa ("Aula Suspensa", de Andréa Hygino, RJ);
  • Três escorregadores conectados por redes obrigam as crianças a negociar entre si a ordem e a forma de brincar, transformando o jogo em experiência de convivência (criação de AVAF, SP);
  • Meios-círculos revestidos de pinturas e mosaicos de espelhos formam um espaço para brincar, esconder-se e reaparecer — e o reflexo dos visitantes passa a integrar a própria obra ("A cor do sol, do segredo e da descoberta", de Castiel Vitorino Brasileiro, ES);
  • Manilhas de concreto atravessadas por formas azuis revelam os rios que continuam correndo sob as ruas de São Paulo ("Sonhar é preciso", de Isabela Prado, MG);
  • Uma corda de pular acionada coletivamente, com caixas percussivas que criam o ritmo — para a brincadeira acontecer, é preciso sincronizar movimentos e escutar o outro ("Que Onda", de Juca Fiis, RJ);
  • Uma casa suspensa construída a partir de desenhos de árvores feitos por crianças, com uma mesa redonda no interior para encontro, conversa e deliberação ("Junta", de Rommulo Vieira Conceição, BA).

Criada em 2010 com o propósito de democratizar o acesso à cultura, a Mostra 3M de Arte chega à 15ª edição consolidada como um dos marcos da arte contemporânea em espaços públicos no Brasil, depois de ocupar o Largo da Batata, o Parque Ibirapuera, o Parque Augusta e o Parque da Luz, sempre com entrada gratuita. A curadoria é de Bernardo Mosqueira, com curadoria assistente de Ana Clara Simões Lopes. O projeto tem patrocínio da 3M, via Lei de Incentivo à Cultura, e idealização e realização da Elo3.

"A Mostra 3M de Arte é reconhecida por sua experimentação artística, promovendo acesso gratuito à arte contemporânea em espaços públicos e de grande circulação. Tornou-se instrumento educacional para grupos de jovens e tem envolvido parcerias estratégicas com escolas públicas em prol do fomento à cultura democrática. Nesta edição, convidamos as famílias a redescobrir o parque como território de imaginação, e as crianças, a ensinar os adultos outros jeitos de habitar a cidade", comenta Marcela Ribeiro, diretora da Elo3, empresa idealizadora e produtora do projeto.

 

Serviço

15ª Mostra 3M de Arte no Parque Villa-Lobos, em São Paulo

Grátis - aberta ao público

De 13 de setembro a 12 de outubro de 2026

Aberta ao público de segunda a domingo das 5h30 às 19h

Site oficial: www.mostra3mdearte.com.br

Idealização e realização: Elo3

Redes sociais: @mostra3mdearte | @elo3cultura

 

Grupo GSH adota novos critérios para doação de sangue, de acordo com a nova portaria do Ministério da Saúde

 


A partir de outubro mais pessoas poderão estar aptas a doar sangue, graças à atualização dos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde para a doação em todo o país. A Portaria GM/MS nº 11.685/2026 revisa diferentes situações que anteriormente impediam a doação por períodos mais longos ou até de forma definitiva, tornando as regras mais específicas para determinados casos e ampliando a possibilidade de participação de voluntários, sem abrir mão da segurança transfusional.

O Grupo GSH, referência nacional em hemoterapia, já está devidamente alinhado às novas determinações e preparou suas equipes e processos para a aplicação dos novos critérios a partir da data de entrada em vigor da portaria. A atualização inclui mudanças na avaliação clínica dos candidatos, nos períodos de inaptidão e na análise de situações relacionadas a medicamentos, procedimentos, doenças e viagens.


“Uma atualização como essa é importante porque acompanha a evolução do conhecimento médico e permite que situações que antes eram tratadas de maneira mais restritiva possam ser avaliadas de forma individualizada. O resultado é a possibilidade de que mais pessoas possam contribuir com a doação de sangue, sempre respeitando critérios técnicos rigorosos para proteger tanto o doador quanto o paciente que receberá a transfusão”, explica Dr. Leandro Felipe Figueiredo Dalmazzo, vice-presidente médico do Grupo GSH.

Divulgação
Entre as mudanças está a liberação de algumas condições clínicas que anteriormente resultavam em inaptidão definitiva. No caso das neoplasias, por exemplo, a nova regulamentação estabelece inaptidão definitiva para melanoma e neoplasias do sistema hematopoiético, como linfomas, leucemias e mielomas. Para outras neoplasias, a doação poderá ser realizada cinco anos após o término do tratamento, desde que o candidato esteja em remissão e sem doença ativa. Histórico de carcinoma in situ de colo uterino e carcinoma basocelular de pele também deixa de impedir a doação após o tratamento concluído.

“A lógica passa a ser mais específica para cada situação. Não se trata simplesmente de liberar ou impedir a doação, mas de estabelecer critérios e períodos compatíveis com o risco envolvido em cada condição. É por isso que a triagem clínica continua sendo fundamental, é ela que permite avaliar individualmente cada candidato antes da coleta”, afirma a superintendente médica do Grupo GSH, Dra. Fabiana Akil.

A revisão também reduz períodos de inaptidão em diversas situações. Quem recebeu transfusão de sangue ou teve um novo parceiro sexual, por exemplo, passa de um período de 12 meses sem doar para quatro meses. Para quem teve resfriado comum, sem febre, o prazo após o desaparecimento dos sintomas passa de sete para três dias, desde que a pessoa não esteja utilizando medicamentos.

Procedimentos como tatuagem e maquiagem definitiva também tiveram seus prazos revisados. Quando realizados em local que possa ser avaliado e esteja de acordo com as normas sanitárias, o período de inaptidão passa de 12 meses para um mês, como definido também pelo comitê médico do GSH. Para piercing, acupuntura e procedimentos estéticos invasivos, como botox, preenchimentos e microagulhamento, o período passa a ser de sete dias, desde que seja possível avaliar as condições de segurança do procedimento. Caso essa avaliação não seja possível, permanecem períodos maiores de inaptidão.

Também houve mudanças relacionadas a medicamentos. O uso de agonistas de GLP-1 injetáveis, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, passa a exigir um período de inaptidão de 14 dias após o início do tratamento ou mudança de dose, desde que o paciente não apresente sintomas de desidratação. O compartilhamento do medicamento, entretanto, determina inaptidão de quatro meses.

No caso dos anabolizantes e hormônios injetáveis, o período de inaptidão passa de seis meses para quatro meses. Quando houver prescrição médica, o candidato deve apresentar a documentação durante a triagem para avaliação da possibilidade de liberação antes desse prazo.

“A redução de alguns períodos de inaptidão representa uma oportunidade para que pessoas que já são doadoras, ou que desejam começar a doar, possam retornar mais rapidamente à condição de aptas. Mas é importante ressaltar que cada caso continua sendo avaliado pela equipe responsável pela triagem. A flexibilização dos prazos vem acompanhada de critérios objetivos para garantir a segurança do processo”, reforça Dr. Leandro.

 

Mais segurança na avaliação

A nova portaria também incorpora mudanças que ampliam os mecanismos de segurança da triagem. Uma delas é a inclusão do NAT para malária como teste de triagem em todas as doações de sangue. Este teste detecta o material genético do parasita causador da Malária, reduzindo o tempo de espera de 12 meses para 30 dias em doadores que visitaram áreas endêmicas e também impedindo a transmissão em casos assintomáticos.

Também foram atualizados os critérios para candidatos que viajaram ou são procedentes de regiões nacionais ou internacionais com circulação de doenças infecciosas que não são prevalentes no local da doação. Para a malária, especificamente, a exposição a regiões de mata, bosque ou floresta passa a ser considerada na avaliação, assim como episódios recentes de febre ou suspeita da doença.

“A informação fornecida pelo candidato durante a triagem é uma das ferramentas mais importantes para a segurança transfusional. Por isso, é fundamental informar corretamente o histórico de saúde, medicamentos utilizados, viagens, procedimentos realizados e qualquer outra situação questionada pela equipe. A avaliação médica considera esse conjunto de informações para determinar se a doação pode ser realizada com segurança”, explica Dra. Fabiana.

A nova regulamentação também altera critérios relacionados a histórico de hepatite viral, malária, hemocromatose, hipertireoidismo, cirurgia bariátrica, procedimentos endoscópicos, úlcera péptica, uso de PrEP e PEP, transplantes e terapia gênica, entre outras situações. 

Principais mudanças:

Entre os critérios atualizados pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026 estão:

  • Doadores acima de 70 anos: doadores de repetição podem continuar doando, mediante requisitos específicos e avaliação médica;
Transfusão de sangue e novo parceiro sexual: período de inaptidão reduzido de 12 para quatro meses;
  • Resfriado comum sem febre: período reduzido de sete para três dias após o desaparecimento dos sintomas, sem uso de medicamentos;
  • Tatuagem e maquiagem definitiva: período reduzido de 12 meses para um mês, quando o local puder ser avaliado e estiver regulamentado;
  • Piercing, acupuntura e procedimentos estéticos invasivos: período de sete dias, desde que seja possível avaliar as condições de segurança;
  • Cirurgia bariátrica: período reduzido de 12 para seis meses, desde que o candidato não apresente anemia;
  • Procedimentos endoscópicos: período reduzido de seis para quatro meses;
  • Anabolizantes e hormônios injetáveis: período passa de seis para quatro meses, observadas as condições previstas na nova norma;
  • Agonistas de GLP-1 injetáveis: inaptidão de 14 dias após início ou mudança de dose, desde que não haja sintomas de desidratação;
  • Malária: novos critérios de elegibilidade e inclusão do NAT para malária na triagem de todas as doações;
  • Neoplasias: revisão dos critérios, com possibilidade de doação em determinadas situações após o tratamento e período de acompanhamento;
  • Hemocromatose: deixa de ser impedimento definitivo para a doação, observadas as orientações sobre a frequência das doações;
  • PrEP e PEP: inaptidão de 4 meses a contar da última dose oral ou 2 anos se for uso injetável.

As novas regras entram em vigor em outubro de 2026 e serão aplicadas em todos os bancos de sangue do Grupo GSH (confira as localizações neste link), em conformidade com as determinações do Ministério da Saúde.


Dia da Doação de Órgãos: 73,8 mil pessoas esperam por um transplante no Brasil, e 45% das famílias recusam a doação

 No Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado neste domingo (27), o Brasil tem o maior programa público de transplantes do mundo, mas a recusa de 45% das famílias ainda dificulta a doação

 

Setembro marca a campanha Setembro Verde, dedicada à conscientização sobre a doação de órgãos. Neste domingo, 27 de setembro, é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos. A data chama atenção para uma conversa que muitas famílias adiam, mas que pode fazer diferença no momento de decidir pela doação.

Segundo os dados mais recentes do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 73.877 pessoas aguardavam na lista de espera em dezembro de 2025, incluindo pacientes que aguardavam órgãos e córneas. No mesmo ano, 45% das famílias entrevistadas recusaram a doação. O índice era de 46% em 2024.

“A recusa geralmente vem do medo e da falta de informação. Muitas famílias não conversam sobre o tema e, na hora da perda, acabam decidindo pelo ‘não’. É por isso que precisamos falar mais abertamente sobre doação de órgãos em casa, nas escolas e em todos os espaços possíveis”, explica a Dra. Patrícia Almeida, hepatologista pela Sociedade Brasileira de Hepatologia e doutora pela Universidade de São Paulo (USP).

Em 2025, o Brasil realizou 6.697 transplantes de rim, 2.573 de fígado, 427 de coração, 142 de pâncreas e 96 de pulmão. Apesar dos procedimentos realizados, milhares de pessoas continuam à espera.

A doação pode ocorrer em vida, em situações específicas, como a doação de um rim ou de parte do fígado. Após a confirmação de morte encefálica, a retirada de órgãos e tecidos depende da autorização da família.

Entre os órgãos que podem ser doados estão coração, fígado, rins, pulmões, intestino e pâncreas. Também podem ser doados tecidos, como córneas, pele, ossos, tendões e válvulas cardíacas.

“Quando falamos em doação, não estamos falando de estatísticas frias. Estamos falando de pessoas reais que ganham uma segunda chance de vida, de famílias que voltam a sorrir, de crianças que podem crescer saudáveis. É sobre humanidade e solidariedade”, reforça a médica.
 

Mitos que ainda afastam as famílias

1-A aparência do corpo será alterada. Mito. A retirada de órgãos e tecidos é um procedimento cirúrgico realizado com cuidado para preservar a aparência do doador.

2-É possível furar a fila. Mito. A distribuição segue critérios estabelecidos pelo sistema de transplantes, como compatibilidade e condições clínicas.

3-Se a pessoa disse “sim” em vida, a família não pode recusar. Mito. No Brasil, a autorização da família é necessária para a doação após a morte.

“Um dos mitos mais comuns é o de que alguém pode passar na frente da fila, mas isso não existe. O sistema é baseado em critérios clínicos. A confiança nesse processo é fundamental para que mais pessoas se sintam seguras em dizer ‘sim’ à doação”, afirma a Dra. Patrícia.
 

Como se tornar um doador

Para manifestar a vontade de doar órgãos após a morte, o mais importante é conversar com a família. Não é necessário fazer um cadastro ou registrar a decisão em cartório. Quando a doação se torna possível, são os familiares que precisam autorizá-la.

“Muita gente acredita que precisa de um registro em cartório ou um documento especial, mas não é verdade. Basta conversar com a sua família e deixar clara a sua vontade”, esclarece a especialista.

 

Dra. Patrícia Almeida - CRM SP 159821. Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2010). Residência Médica em Clínica Médica no Hospital Geral Dr César Cals em Fortaleza-CE- (2011-12). Residência em Gastroenterologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo-(USP RP) (2013/15). Aprimoramento em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP)- (2016). Aprimoramento em Transplante de fígado no Hospital das clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP) (2017). Observership no Jackson Memorial Hospital em Miami/EUA 2017. Doutorado em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. ítulo de Especialista em Gastroenterologia pela FBG Título em Hepatologia pela SBH. epatologista do Hospital Israelita

 

Doação de órgãos: conversa em família pode ajudar a salvar vida

Hospital Sapiranga reforça importância de esclarecer dúvidas e manifestar previamente o desejo de ser doador 

 

Falar sobre doação de órgãos antes que uma situação de emergência aconteça pode facilitar uma das decisões mais difíceis enfrentadas por uma família. Neste domingo, 27/09, Dia Nacional da Doação de Órgãos, o Hospital Sapiranga reforça a importância de esclarecer dúvidas sobre a morte encefálica, conhecer o processo de captação e, principalmente, conversar com os familiares sobre o desejo de ser doador.

Quando um paciente está internado em estado grave, especialmente após uma lesão cerebral, a equipe médica pode iniciar a investigação de uma possível morte encefálica. Diferentemente do coma, essa condição representa a perda completa e irreversível das funções do cérebro, incluindo o tronco encefálico. Embora o coração possa continuar batendo temporariamente com o auxílio de equipamentos, a pessoa já faleceu.

A confirmação segue critérios médicos rigorosos, com avaliações realizadas por profissionais habilitados e exames previstos no protocolo. Após o diagnóstico e a comunicação do óbito à família, a possibilidade de doação pode ser abordada. Havendo autorização dos familiares, são realizadas as avaliações necessárias para verificar quais órgãos e tecidos apresentam condições para transplante, em articulação com a Central de Transplantes.

“A prioridade da equipe médica é sempre salvar a vida do paciente. A possibilidade de doação somente é considerada quando todos os esforços para o tratamento foram realizados e a morte encefálica foi confirmada. A partir daí, a integração com a Central de Transplantes permite conduzir todas as etapas com segurança, agilidade e respeito”, explica o presidente da e-Dot - Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes do Hospital Sapiranga, Pedro Lima.

Além dos procedimentos médicos, o acolhimento aos familiares ocupa papel central. Informações claras, tempo para compreender a situação e espaço para perguntas ajudam a tornar o processo mais humanizado em um momento marcado pela dor e pelo luto.

A psicóloga do Hospital Sapiranga, Viviana Mayer Blume, destaca que muitos receios surgem justamente pela falta de informação sobre a morte encefálica. “Algumas famílias ainda têm dúvidas se existe possibilidade de recuperação ou se a doação poderia interferir nos cuidados oferecidos ao paciente. É importante compreender que a doação somente é abordada depois da confirmação da morte encefálica, seguindo todo o protocolo previsto. Antes disso, todos os esforços são direcionados ao tratamento do paciente”, esclarece.

No Brasil, a doação de órgãos após a morte depende da autorização familiar. Por isso, manifestar previamente esse desejo pode fazer diferença quando os familiares precisam decidir em meio ao impacto de uma perda.

“Quando a pessoa já conversou sobre o assunto e deixou claro que gostaria de ser doadora, a família não precisa tomar essa decisão apenas com base em suposições. Ela passa a conhecer a vontade daquele familiar. Em um momento de extrema fragilidade, isso pode tornar a decisão mais consciente e também ajudar a dar um novo significado à perda”, afirma Viviana.

O Dia Nacional da Doação de Órgãos também é uma oportunidade para incluir o assunto nas conversas cotidianas. “Falar sobre doação é falar sobre vida, solidariedade e cuidado. Uma conversa feita hoje pode, no futuro, representar uma nova chance para alguém que aguarda por um transplante”, acrescenta a psicóloga.

Ao ampliar o acesso à informação e estimular o diálogo familiar, o Hospital Sapiranga busca contribuir para que a doação de órgãos seja compreendida com mais segurança, transparência e respeito, tanto por quem deseja ser doador quanto pelas famílias responsáveis pela autorização.Para mais informações sobre o Hospital Sapiranga, entre em contato pelo telefone (51) 3599-8100 ou acesse www.hospitalsapiranga.com.br.

 

 Marcelo Matusiak


Gestação e câncer de mama: como conciliar o tratamento com a geração de uma nova vida

Para mulheres que enfrentam a doença em idade reprodutiva, a preocupação com a maternidade deve fazer parte de todo o tratamento: desde identificar a melhor forma de preservação da fertilidade durante o tratamento quimioterápico até o momento ideal de decidir pela gestação com segurança. 

 

Quando a mulher recebe o diagnóstico de câncer de mama, a possibilidade de maternidade passa a ter um papel secundário na vida da mulher. A necessidade de uso de medicações que possam atrapalhar a reserva ovariana e o medo de que o aumento hormonal durante a gestação favoreça o crescimento e a recidiva do tumor são preocupações frequentes entre elas. Com isso, muitas dúvidas passam a fazer parte da vida da mulher: como saber se o meu tratamento afetou minha reserva ovariana? Quanto tempo preciso esperar após tratamento? É seguro adiar alguma medicação para poder engravidar? Se eu quiser engravidar, tenho risco de o câncer voltar? Vencer o câncer de mama não significa necessariamente encerrar os planos de maternidade. Para muitas mulheres diagnosticadas durante a idade reprodutiva, a possibilidade de engravidar depois do tratamento passa a ser uma nova etapa da vida, mas também traz dúvidas e decisões que precisam ser avaliadas individualmente: o tratamento afetou a reserva ovariana? Ainda existe potencial reprodutivo? Quanto tempo é necessário esperar? É seguro interromper uma terapia hormonal? A gestação aumenta o risco de o câncer voltar? 

Essas questões fazem parte de uma área cada vez mais importante do cuidado oncológico: a preservação da fertilidade e o planejamento reprodutivo após o câncer. A atualização mais recente da American Society of Clinical Oncology (ASCO), publicada em 2025, passou a recomendar que a preservação da fertilidade seja discutida desde o momento do diagnóstico e que o planejamento de gestação seja abordado durante todo o tratamento, mesmo que a gestação não seja uma prioridade imediata, não apenas no momento do diagnóstico, mas também durante o acompanhamento de longo prazo das pessoas que já passaram pelo tratamento.

Para Dra. Karina Belickas, obstetra e mastologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, o desejo de engravidar depois do câncer de mama precisa ser incorporado ao planejamento do tratamento e do acompanhamento da paciente. 

“Para uma mulher que recebe o diagnóstico de câncer de mama ainda jovem, a preocupação com a fertilidade pode parecer que tenha menor relevância em meio a muitas outras decisões urgentes. Por isso, é importante que o desejo de ter filhos seja conhecido pela equipe desde o início. Depois do tratamento, esse planejamento pode ser retomado, mas sempre considerando o tipo e o estadiamento inicial do tumor, os tratamentos realizados, a idade da paciente, a reserva ovariana e o risco individual de recorrência”, explica. 

O impacto sobre a fertilidade depende principalmente do tratamento recebido. A quimioterapia pode provocar redução da reserva ovariana, levando, em alguns casos, à própria menopausa e, em alguns casos, à falência ovariana ou à antecipação da menopausa. No entanto, esse impacto vai depender de fatores individuais, como o tipo de quimioterápico utilizado, a idade do início do tratamento, a reserva ovariana inicial e o próprio histórico familiar em relação à precocidade da menopausa. O risco não é igual para todas as mulheres: idade no momento do tratamento, medicamentos utilizados, doses e características individuais interferem no efeito sobre os ovários. Um estudo de 2025 realizado no Instituto Nacional de Câncer (INCA) reforça que agentes alquilantes, como a ciclofosfamida, e antraciclinas, muito presentes na quimioterapia preconizada para tratamento do câncer de origem mamária, estão entre os tratamentos com maior potencial de toxicidade ovariana, enquanto os tratamentos não medicamentosos não possuem um impacto direto. 

Por isso, a avaliação da fertilidade deve fazer parte do início do tratamento, e não deve ser adiada para depois do seu término. Além da preocupação com a reserva ovariana, sempre que possível, mulheres em idade reprodutiva devem receber orientação sobre preservação da fertilidade antes do início de terapias potencialmente gonadotóxicas. Entre as possibilidades estão o congelamento de óvulos, congelamento de embriões e, em casos específicos, congelamento de tecido ovariano. A ASCO também passou a reconhecer a maturação in vitro de óvulos como uma estratégia emergente de preservação da fertilidade para algumas pacientes (isso é muito abstrato atualmente, melhor não colocar). 

Mesmo que a preocupação com o uso de medicamentos não seja comum a todas as mulheres, o fator tempo estará sempre presente para as que conseguem ou precisam preservar óvulos antes do tratamento. Algumas já têm filhos, outras recebem um diagnóstico que exige início rápido da terapia e não permite postergar o tratamento para realizar um procedimento de fertilidade. Há ainda aquelas que, após o tratamento, recuperam a função ovariana espontaneamente e conseguem engravidar naturalmente. 

A idade sempre será um fator muito importante na jornada dessa mulher que vai precisar aguardar o momento mais seguro para engravidar após diagnóstico. É justamente nesse momento que surge outro desafio: a idade. Mesmo que os ovários retomem sua atividade depois da quimioterapia, a fertilidade feminina continua sujeita ao processo natural de redução da quantidade e da qualidade dos óvulos ao longo dos anos. Para uma mulher que recebeu o diagnóstico aos 30 anos e precisou dedicar alguns anos ao tratamento, por exemplo, a decisão de esperar mais tempo pode ter impacto diferente daquela de uma paciente diagnosticada aos 38 ou 40 anos.

“Não podemos olhar apenas para o fato de a menstruação ter voltado. Menstruar novamente não significa necessariamente que a reserva ovariana esteja preservada. Ela sempre estará reduzida, quer seja por ação direta de quimioterápicos, quer seja pela idade. A orientação a ser oferecida a essa mulher precisa considerar a idade, a história reprodutiva e exames de reserva ovariana, sempre dentro do contexto oncológico”, explica Dra. Karina.
 

Gravidez depois do câncer exige planejamento, não necessariamente renúncia 

Após a decisão de engravidar, chegamos à próxima preocupação: será que com a gestação meu risco oncológico vai aumentar? Uma das principais dúvidas das pacientes é se uma futura gravidez poderia aumentar o risco de o câncer de mama voltar. A resposta depende de diversos fatores, mas evidências mais recentes são importantes para reduzir o medo de que a gestação seja automaticamente contraindicada em mulheres que já passaram pelo tratamento. 

O estudo POSITIVE, publicado em 2023 no New England Journal of Medicine, acompanhou mulheres de até 42 anos com histórico de câncer de mama inicial com receptores hormonais positivos que desejavam engravidar. Entre as 497 participantes avaliadas para o desfecho de gravidez, 368 tiveram pelo menos uma gestação e 317 tiveram ao menos um nascimento com vida. No acompanhamento disponível, a interrupção temporária da terapia endócrina para tentativa de gravidez não apresentou aumento do risco de eventos relacionados ao câncer em comparação com um grupo de mulheres que não realizaram a pausa, embora os próprios pesquisadores ressaltem a importância de manter o seguimento dessas mulheres por mais tempo para garantir resultados mais concretos. 

Isso não significa que toda mulher possa simplesmente interromper a hormonioterapia para engravidar. A estratégia estudada no POSITIVE foi específica para um grupo selecionado de pacientes, que já havia recebido entre 18 e 30 meses de terapia endócrina e passou por avaliação médica antes da interrupção. O protocolo previa ainda um período de suspensão de pelo menos 3 meses dos medicamentos antes da tentativa de gravidez e a retomada do tratamento em até dois anos, que poderia contemplar, ou não, uma gestação e amamentação, se dentro do período determinado, após a gestação e a amamentação, quando indicada. 

“O resultado desse estudo é muito importante porque traz segurança para uma conversa que durante muito tempo foi cercada de medo. Mas ele não significa que a gravidez esteja liberada para todas as mulheres que tiveram câncer de mama. A decisão precisa ser feita em conjunto com a oncologia e a obstetrícia, levando em conta o subtipo do tumor, o estágio da doença, o tratamento realizado e o risco individual da paciente”, ressalta a especialista. 

A própria diretriz da ESMO reconhece que, para mulheres que desejam engravidar, as evidências disponíveis indicam que a gestação pode ser segura após o tratamento do câncer de mama em situações selecionadas. Para pacientes com doença inicial hormônio-dependente, a interrupção temporária da terapia endócrina pode ser considerada em contextos específicos, seguindo critérios médicos e com retomada posterior do tratamento. 

Outro ponto que merece atenção é que o tratamento pode não ter terminado quando a paciente recebe alta da quimioterapia ou da cirurgia. Mulheres com tumores hormônio-dependentes podem precisar de terapia endócrina por até 10 anos, fora do contexto metastático, que pode durar além desse tempo, durante vários anos. Esse período coincide justamente com uma fase em que a fertilidade já está naturalmente diminuindo, o que torna o planejamento reprodutivo ainda mais delicado. 

Para algumas pacientes, portanto, a conversa sobre maternidade precisa começar antes mesmo do primeiro ciclo de quimioterapia. Para outras, ela será retomada anos depois, quando o tratamento estiver mais avançado ou concluído. Em ambos os cenários, a avaliação individualizada é fundamental. 

A questão emocional também não pode ser ignorada. Depois de enfrentar uma doença potencialmente grave, muitas mulheres passam a viver a gravidez com sentimentos contraditórios: felicidade pelo desejo de ter um filho, mas também medo de uma possível recidiva, receio de que a gestação prejudique a própria saúde ou preocupação com os efeitos que o tratamento possa ter provocado sobre o organismo. 

“A paciente pode chegar ao consultório depois de ter vencido uma etapa muito difícil e ainda carregar o medo de que engravidar seja uma ameaça para a sua saúde. É importante acolher essa insegurança e transformar a decisão em um planejamento médico estruturado. O objetivo é que ela não precise escolher entre cuidar da própria saúde e falar sobre o desejo de ser mãe”, afirma Dra. Karina. 

A gestação também precisa ser acompanhada de forma individualizada. Dependendo do histórico da paciente, podem ser necessários cuidados obstétricos específicos e integração com a equipe responsável pelo seguimento oncológico. O histórico de quimioterapia, por exemplo, deve ser conhecido pelo obstetra, assim como eventuais tratamentos que possam ter repercussões cardiovasculares ou outras consequências tardias. 

A amamentação é outro tema que costuma aparecer nessa fase. Ela pode ser possível para algumas mulheres, mas estará muito relacionada aos tratamentos cirúrgico e radioterápico implementados. Pacientes submetidas a mastectomia não serão capazes de amamentar na mama operada, enquanto aquelas que realizaram cirurgias conservadoras e realizaram radioterapia podem ter produção reduzida. Depende do tipo de cirurgia realizada, de eventuais tratamentos na mama e da capacidade de produção de leite. Em pacientes submetidas à cirurgia conservadora ou à mastectomia, por exemplo, a experiência pode ser diferente de acordo com o tratamento recebido. Além disso, não é recomendada a pausa de qualquer tratamento oncológico sem a avaliação do mastologista ou do oncologista. Mulheres que ainda precisam utilizar determinados medicamentos oncológicos não devem interromper ou modificar a terapia por conta própria para amamentar. 

O acompanhamento após o câncer de mama também não termina quando a mulher engravida. O seguimento oncológico continua sendo necessário, assim como o acompanhamento obstétrico. O INCA destaca que, após o tratamento, as pacientes devem permanecer em acompanhamento clínico e por imagem de acordo com seu histórico e indicação médica. 

Para Dra. Karina, a principal mudança é entender a fertilidade como parte da saúde integral da mulher que passou pelo câncer. 

“Durante muito tempo, a prioridade era tratar o câncer e só depois pensar nas consequências. Hoje conseguimos ampliar essa visão. O tratamento continua sendo a prioridade, mas o projeto de vida da paciente também precisa estar na conversa. Ter filhos depois do câncer pode ser possível para muitas mulheres, mas esse caminho precisa ser planejado com informação, segurança e uma equipe preparada para acompanhar todas as etapas”, conclui. 

Com o aumento da sobrevida e dos recursos disponíveis para preservação da fertilidade, falar sobre maternidade após o câncer de mama deixou de ser uma questão secundária. Para mulheres diagnosticadas em idade reprodutiva, discutir as possibilidades antes, durante e depois do tratamento significa preservar não apenas uma função do organismo, mas também a possibilidade de construir projetos de vida que vão além da doença.  



Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br


Posts mais acessados