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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Erro de diagnóstico pode atrasar em até uma década o tratamento do transtorno bipolar

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Com sintomas que se confundem com depressão, transtorno ainda desafia a prática clínica e mantém pacientes por anos sem tratamento adequado

 

Levar até uma década para receber o diagnóstico correto não é exceção, mas uma realidade frequente para pessoas com transtorno bipolar, condição caracterizada por alterações cíclicas de humor que alternam episódios de depressão e de elevação do humor, como mania ou hipomania. O dado, recorrente em estudos internacionais, expõe uma fragilidade relevante no cuidado em saúde mental: a dificuldade de identificar precocemente uma condição que exige manejo específico e acompanhamento contínuo. 

Em meio a relatos recentes como o da Selena Gomez, que tornou público o histórico de diagnósticos incorretos antes de compreender sua condição. Para especialistas, casos como esse ajudam a ilustrar um problema estrutural, que vai além da experiência individual e aponta para lacunas na avaliação clínica. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 37 milhões de pessoas vivem com transtorno bipolar no mundo, o equivalente a aproximadamente 0,5% da população. Ainda assim, o número pode ser subestimado, especialmente em função de subdiagnóstico e da sobreposição com outros transtornos mentais ao longo da trajetória assistencial.

 

Diagnóstico tardio ainda é regra, não exceção

Um dos principais entraves está no fato de que o transtorno bipolar frequentemente se manifesta, inicialmente, por episódios depressivos. Sem uma investigação mais aprofundada, esses quadros tendem a ser classificados como depressão unipolar, o que direciona o paciente para abordagens terapêuticas que não contemplam a dinâmica cíclica da doença. 

De acordo com Dr. Edson Kruger Batista, psiquiatra da ViV Saúde Mental e Emocional, esse desencontro diagnóstico tem impacto direto na evolução clínica. “Quando a bipolaridade não é identificada precocemente, o paciente pode permanecer por anos em tratamentos pouco efetivos. Isso prolonga o sofrimento e pode contribuir para a piora do curso da doença ao longo do tempo”, explica. 

Durante esse intervalo, há prejuízos significativos no funcionamento social, ocupacional e nas relações interpessoais, além de maior risco de agravamento dos episódios.
 

Heterogeneidade clínica exige olhar especializado

Outro fator que contribui para o subdiagnóstico é a própria complexidade do transtorno. Nem todos os pacientes apresentam episódios claros de mania, o que dificulta a identificação fora de contextos especializados. Quadros de hipomania, por exemplo, podem ser interpretados como períodos de maior energia, produtividade ou bem-estar. 

Além disso, a bipolaridade abrange diferentes apresentações clínicas, como os tipos I e II, além de manifestações dentro do espectro bipolar. Essa variabilidade exige avaliação longitudinal e escuta clínica qualificada. 

“O diagnóstico não se baseia em um episódio isolado, mas na análise da trajetória do paciente ao longo do tempo. Sem essa reconstrução, aumenta o risco de confusão com outros transtornos, como depressão ou ansiedade”, destaca Batista.

 

Impacto ampliado e barreiras no acesso ao cuidado

Mesmo com impacto expressivo em saúde pública, o transtorno bipolar ainda enfrenta barreiras relacionadas ao estigma, à desinformação e ao acesso a serviços especializados. Esses fatores contribuem para que uma parcela significativa dos pacientes não receba tratamento adequado ou sequer tenha um diagnóstico estabelecido. 

A consequência é um ciclo de instabilidade clínica, com impactos diretos na qualidade de vida, na produtividade e na manutenção de vínculos sociais.

 

Qualificação do diagnóstico como ponto central do cuidado

Diante desse cenário, especialistas reforçam que a qualificação do diagnóstico é uma das estratégias mais relevantes para melhorar os desfechos clínicos. Isso passa por ampliar o acesso a profissionais especializados, aprimorar a escuta clínica e fortalecer a disseminação de informação confiável sobre saúde mental. 

O tratamento do transtorno bipolar envolve abordagem contínua, com associação entre medicação, psicoterapia e monitoramento ao longo do tempo. Quando corretamente conduzido, é possível alcançar estabilidade e preservar a funcionalidade do paciente. 

“O principal ganho está em reduzir o tempo até o diagnóstico correto. Esse é o ponto de inflexão que muda a trajetória do paciente”, conclui o especialista. 

Neste Dia Mundial do Transtorno Bipolar, o debate avança para além da conscientização: trata-se de enfrentar um desafio estrutural da prática clínica e ampliar a capacidade de identificar precocemente uma condição ainda frequentemente subdiagnosticada. 



ViV Saúde Mental e Emocional
Mais informações pelo número 0800 323 5088.


Câncer no idoso: sinais de fragilização precoce e como planejar melhor a recuperação

Quando um idoso inicia (ou já está em) tratamento oncológico, é comum que toda a atenção se concentre no tumor. Isso ocorre em um contexto em que a maioria dos casos de câncer está concentrada na população acima dos 60 anos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). 

Mas, na prática, o sucesso do tratamento e a recuperação dependem também de fatores que vão além do câncer, como nutrição, força muscular, risco de quedas, cognição, humor, sono, controle de sintomas e autonomia. 

É por isso que o olhar da geriatria pode fazer diferença: ao identificar vulnerabilidades cedo, é possível ajustar o plano de cuidado, prevenir complicações e manter o idoso mais funcional ao longo do processo. 

A síndrome da fragilidade, caracterizada por perda de força, resistência e função, já afeta uma parcela significativa dos idosos, estimada entre 10% e 20%, e pode se intensificar durante o tratamento oncológico. Dados publicados no Journal of Gerontology indicam que essa condição está associada a maior risco de complicações, hospitalizações e perda de autonomia. 

“Em muitos casos, o que derruba o idoso não é apenas o câncer, mas o conjunto: tratamento, outras doenças, muitos remédios, perda de apetite, desidratação e redução de movimento. Quando a família aprende a reconhecer sinais de fragilização precocemente e leva isso para a consulta, conseguimos agir antes que o quadro complique”, explica a médica geriatra Dra. Paola Teruya. 

A recomendação é observar mudanças fora do padrão do idoso, especialmente quando são persistentes, aparecem em conjunto e começam a interferir no dia a dia. 

Sinais físicos e funcionais

  • Perda de apetite e emagrecimento visível;
  • Cansaço fora do habitual, fraqueza e dificuldade de levantar da cadeira;
  • Caminhar mais devagar, insegurança para subir escadas, precisar de apoio;
  • Quedas, tropeços, tonturas ou medo de cair;
  • Passar muito tempo deitado/sentado, com redução de atividades simples.

 

Sinais cognitivos e emocionais

  • Confusão, desorientação, sonolência excessiva
  • Mudança abrupta de humor (apatia, irritabilidade, choro fácil)
  • Isolamento, desânimo, perda de interesse pelo que gostava
  • Aumento de ansiedade e medo do tratamento, com sofrimento intenso
  •  

Sinais de perda de autonomia

  • Dificuldade para organizar e tomar remédios corretamente
  • Precisar de ajuda para banho, alimentação, banheiro ou tarefas básicas
  • “Não dá mais para ficar sozinho” por segurança 

“Às vezes a família acha que é ‘normal da idade’ ou ‘efeito inevitável do tratamento’, e perde o timing de intervir. O recado é: mudança importante e persistente merece conversa com a equipe”, reforça a geriatra.

Além do tratamento oncológico, a família pode organizar um plano de cuidado com metas realistas para manter segurança e autonomia.  



Dra. Paola Teruya - Geriatria e oncogeriatria. Médica formada pela FCMS/UNILUS, com residência em Clínica Médica no Hospital Sírio-Libanês e especialização em Geriatria pela USP. Possui fellowship em Oncogeriatria pelo ICESP-HC/FMUSP e título pela SBGG.
@drapaolateruya


Você chega ao final do dia exausto? O problema pode ser sua audição

Relato do Chef Jefferson Rueda mostra como o esforço para ouvir pode passar despercebido e reforça a importância de identificar os primeiros sinais de perda auditiva

 

Você sabia que o esforço para ouvir pode ser confundido com falta de concentração ou cansaço mental? Um exemplo disto é a situação vivida pelo chef de cozinha e empresário, Jefferson Rueda, que por anos acreditou que precisava apenas se esforçar mais para acompanhar conversas e sons do dia a dia. Na prática, o desgaste que sentia ao final da rotina tinha outra origem: o esforço constante do cérebro para compensar uma perda auditiva não identificada.

 

Nascido no interior paulista (São José do Rio Pardo-SP), Jefferson Rueda está à frente da “A Casa do Porco” há mais de 10 anos. O restaurante localizado no Centro de São Paulo, ficou conhecido por explorar diferentes partes do porco, além de combinar alta gastronomia com referências da cultura caipira e ingredientes brasileiros. Em 2022 inclusive o estabelecimento ficou em 7º lugar no ranking The World's 50 Best Restaurants.

 

Atualmente o chef também está envolvido em um outro projeto, sendo um dos “mentores” no reality gastronômico “Chef de Alto Nível” da TV Globo. O programa estreou sua primeira temporada em julho de 2025 e agora a segunda está  prevista para outubro deste ano. 

 

A história de Rueda ilustra um cenário comum entre milhões de brasileiros, já que os sinais de perda auditiva costumam ser sutis e consequentemente demoram a ser reconhecidos. Pedir para repetir frases com frequência, aumentar o volume da televisão, sentir dificuldade para acompanhar conversas em ambientes com ruído e terminar o dia mais cansado do que o esperado são sintomas que, isoladamente, parecem pequenos, mas que juntos podem indicar a necessidade de uma avaliação auditiva.

 

Depois de encontrar o aparelho auditivo ideal para o seu caso, Jefferson Rueda redescobriu sons que fazem parte da sua rotina profissional, do chiado da carne na grelha ao movimento constante da cozinha em pleno funcionamento. A experiência reforça um ponto central que pode ser determinante para quem precisa fazer o uso de aparelhos: encontrar o modelo certo pode transformar completamente a relação da pessoa com o som e com o próprio dia a dia.

 

Um dos principais alertas do chef é justamente sobre a importância de não desistir na primeira tentativa. Nem todo aparelho auditivo se adapta da mesma forma a cada pessoa, e um primeiro modelo que não trouxe conforto não significa que a solução não exista. Hoje há diferentes tecnologias e formatos disponíveis, e o acompanhamento especializado é o que permite encontrar o ajuste mais adequado a cada rotina, grau de perda e estilo de vida.

 

A fonoaudióloga e diretora de Marketing e Produtos Latam da WSA, Gisele Munhoes dos Santos, reforça que o uso do aparelho auditivo não deve ser encarado como um limitador, mas como uma ferramenta de qualidade de vida. Ao contrário do estigma que ainda cerca o tema, recuperar a audição amplia a autonomia, fortalece relações pessoais e profissionais e devolve à pessoa a possibilidade de viver plenamente sons que fazem parte da sua identidade, como no caso de Jefferson Rueda, cuja rotina na cozinha depende diretamente da percepção sonora do ambiente.

 

“Reconhecer os sinais de perda auditiva é o primeiro passo, mas o mais importante é entender que existe um caminho de adaptação. Quando a pessoa encontra o aparelho certo, ela não perde autonomia, ela ganha qualidade de vida. É isso que histórias como a do Jefferson nos mostram”, reforça Gisele.

 

A recomendação da profissional é simples: diante de qualquer sinal de dificuldade auditiva, buscar uma avaliação especializada é o caminho mais seguro para identificar a causa e as opções de tratamento disponíveis. Quanto antes o diagnóstico acontece, mais rápido a pessoa pode retomar o contato pleno com os sons do seu dia a dia.

 

Confira o vídeo na íntegra com o depoimento de Jefferson Rueda: 

https://www.instagram.com/reels/DbwNQOGEzwS/ 



Especialista do HU-UFJF alerta sobre o risco de toxoplasmose na gravide

 

Dia da Gestante, comemorado no próximo sábado (15), reforça a importância do pré-natal e das medidas de prevenção 

 

O Dia da Gestante, lembrado no próximo sábado (15), reforça a importância do pré-natal, período em que a saúde da gestante e do bebê é acompanhada. Entre os exames realizados durante esse período está o de toxoplasmose. O Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), vinculado à HU Brasil, oferta acompanhamento e tratamento da doença para gestantes diagnosticadas, via Sistema Único de Saúde (SUS). 

O HU-UFJF/HU Brasil conta com o serviço de medicina fetal para gestantes de alto risco encaminhadas via protocolos estabelecidos pelo SUS. As pacientes diagnosticadas com toxoplasmose são encaminhadas e avaliadas com ultrassonografia, podendo realizar procedimentos para diagnóstico fetal. Dependendo da idade gestacional, pode ser preciso realizar uma amniocentese, uma punção na barriga, para ver se o líquido amniótico está contaminado. 

A toxoplasmose é uma das zoonoses (doenças transmitidas por animais) mais comuns do mundo. “A transmissão ocorre principalmente pelo contato com fezes de gato. Mas, ter um gato que fica restrito ao domicílio não aumenta a chance de infecção. Gatos infectados são aqueles que frequentam o ambiente externo (ruas, parques e praças), que podem contaminar a terra e consequentemente contaminar os alimentos, como as hortaliças”, explica André Luiz Jaenicke, médico ginecologista e obstetra no HU-UFJF. 

Em 2025, o Brasil notificou 10.779 casos de toxoplasmose adquirida na gestação, segundo o Painel de Toxoplasmose do Ministério da Saúde. As mulheres diagnosticadas com toxoplasmose anteriormente normalmente são imunes à doença, pois já estão protegidas. “A exceção são aquelas pacientes imunodeprimidas, que já tiveram Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) ou são portadoras de HIV, e/ou estão em tratamento oncológico. Essas pacientes poderão reativar a doença durante a gestação”, pontua o médico.

Riscos

O especialista alerta que no início da gestação os riscos são severos: “Há risco de o bebê não sobreviver. Mas, no decorrer da gestação, as alterações para o bebê são mais funcionais, principalmente do ponto de vista neurológico ou oftalmológico. Também pode levar a algum quadro de problema auditivo. São avaliações que só são possíveis de obter, em sua maioria, após o nascimento. Também há risco de comprometimento no desenvolvimento do bebê”.

Prevenção

As medidas de prevenção da doença envolvem prioritariamente a higienização dos alimentos, principalmente para os alimentos crus, como as saladas, além de evitar a ingestão de água com procedência desconhecida e de carne mal passada. “Fora de casa, onde não é possível garantir que a higienização dos alimentos foi feita de forma adequada, a recomendação é consumir legumes e verduras somente cozidos”, finaliza André Luiz Jaenicke.


HU Brasil


Surto de doença transmitida por alface nos EUA evidencia importância de pesquisas da USP sobre segurança das hortaliças

 Linha de pesquisa desenvolvida há mais de duas décadas mostra que água, saneamento e processamento são fatores decisivos para evitar a contaminação de hortaliças.

 

O maior surto recente de ciclosporíase registrado nos Estados Unidos, associado ao consumo de alface americana contaminada, reforça conclusões de uma linha de pesquisas desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) sobre a segurança microbiológica das hortaliças. Os estudos mostram que o risco de contaminação depende muito menos do tipo de alimento consumido e muito mais da qualidade dos controles adotados ao longo de toda a cadeia produtiva, desde o campo até o processamento industrial. 

Até o início de agosto, o surto havia provocado mais de 6 mil casos da doença em 15 estados norte-americanos, com 278 hospitalizações e duas mortes, tornando-se um dos maiores episódios recentes de doenças transmitidas por alimentos naquele país. A investigação conduzida pelas autoridades de saúde apontou a alface americana como o elo comum entre os casos e levou ao recolhimento de lotes distribuídos pela empresa responsável. 

Para Daniele Maffei, professora do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e pesquisadora do INCT FoRC (Food Research Center), o episódio evidencia que a segurança microbiológica das hortaliças é construída ao longo de toda a cadeia produtiva e não apenas na etapa final de preparo pelo consumidor. 

Há mais de duas décadas, Maffei desenvolve pesquisas sobre a segurança microbiológica de hortaliças, investigando fatores que influenciam a contaminação de alimentos consumidos crus. Seus estudos abordam temas como qualidade da água utilizada na produção e no processamento, contaminação cruzada durante a lavagem industrial, eficiência de sanitizantes e a comparação entre diferentes sistemas de cultivo quanto ao risco de contaminação. Inclui também o uso de ferramentas de avaliação quantitativa de risco microbiológico para estimar o impacto à saúde da população decorrente do consumo de hortaliças contaminadas. 

Em conjunto, os resultados mostram que, ao contrário do que muitos consumidores imaginam, a segurança microbiológica das hortaliças não depende de o produto ser orgânico, convencional, hidropônico ou minimamente processado, mas dos controles adotados em toda a cadeia produtiva. 

Um desses estudos comparou trabalhos que avaliaram a segurança microbiológica de hortaliças produzidas em sistemas orgânico e convencional. Embora alguns deles tenham identificado maior ocorrência de patógenos em hortaliças orgânicas, esse achado não foi observado de forma consistente, indicando que nenhum sistema de produção, por si só, garante a segurança microbiológica das hortaliças. 

Outro estudo de revisão avaliou a ocorrência de patógenos em vegetais minimamente processados e verificou que a maior parte dos dados publicados se concentra na detecção de Salmonella spp. e Listeria monocytogenes, cuja prevalência variou de 0,4% a 12,5% e de 0,6% a 3,1%, respectivamente. 

"Independentemente de ser um parasita, uma bactéria ou um vírus, o atual surto nos Estados Unidos mostra que as hortaliças podem veicular microrganismos e que as medidas de controle precisam estar presentes em toda a cadeia produtiva, desde o campo até a mesa do consumidor", afirma a pesquisadora. 

Segundo Maffei, no caso de Cyclospora cayetanensis, protozoário responsável pela doença, a contaminação costuma ocorrer muito antes de o alimento chegar ao consumidor. Como o parasita precisa permanecer algum tempo no ambiente para se tornar infectante, fatores como qualidade da água de irrigação, saneamento, manejo da produção e processamento industrial passam a ter papel central na prevenção. 

A água, explica a pesquisadora, acompanha praticamente todas as etapas da cadeia produtiva — irrigação, lavagem após a colheita, processamento industrial e higienização final — e, quando não apresenta qualidade microbiológica adequada, pode se tornar um importante veículo de disseminação de microrganismos. 

A importância desse controle foi demonstrada em uma das pesquisas conduzidas por Maffei. Utilizando um modelo matemático, o estudo mostrou que concentrações adequadas de sanitizantes na água de lavagem são capazes de impedir que uma única folha contaminada transfira microrganismos para a água e, a partir dela, para todo um lote de hortaliças durante o processamento industrial, processo conhecido como contaminação cruzada. 

A água pode, portanto, atuar como um importante veículo de disseminação de diferentes contaminantes ao longo da cadeia produtiva, desde a irrigação e a lavagem no campo até o processamento industrial. Embora a origem da contaminação das hortaliças no surto ainda não esteja esclarecida e a cloração apresente eficácia limitada para o controle de Cyclospora cayetanensis, é fundamental monitorar a qualidade microbiológica da água e adotar medidas que previnam sua contaminação, reduzindo o risco de introdução e disseminação do parasita nas hortaliças. 

"O surto observado nos Estados Unidos mostra que a segurança microbiológica das hortaliças depende de controles adotados ao longo de toda a cadeia produtiva. A prevenção começa muito antes da cozinha", conclui.

  

INCT FoRC - Food Research Center

 


Oncologia pediátrica: conhecimento, responsabilidade e confiança

 

A prisão de um homem no último dia 07, por se passar por médico e ter atendido uma criança com câncer no Rio de Janeiro, ultrapassa os limites de um caso policial. O episódio nos leva a refletir sobre a importância da formação médica, da especialização e, sobretudo, sobre como garantir a segurança dos pacientes.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa, o homem teria utilizado o registro profissional de outros médicos, carimbos e receituários para atender, prescrever medicamentos e acompanhar uma criança de 10 anos com meduloblastoma.

O caso é especialmente grave porque envolve uma criança em situação de extrema vulnerabilidade e uma família que depositou em um profissional algo que não pode ser substituído: confiança.

Ser oncologista pediátrico exige uma longa trajetória de formação. No Brasil, trata-se de uma área de atuação que requer 5 anos de treinamento após o diploma médico, sendo mais comum a formação de 3 anos em Pediatria e 2 anos em Oncologia pediátrica. Essa preparação é necessária porque o tratamento do câncer infantil exige conhecimentos muito específicos em diagnóstico, estadiamento, quimioterapia, radioterapia, mas também o conhecimento da forma de comunicação mais adequada com familiares e crianças em sofrimento.

O oncologista pediátrico não apenas prescreve medicamentos. Ele acompanha a criança durante todo o tratamento, reconhece complicações, avalia as respostas terapêuticas e orienta a família nas decisões que podem impactar toda uma vida.

O Brasil ainda tem poucos especialistas, cerca de 6,6 oncologistas pediátricos por milhão de crianças e adolescentes, com importantes desigualdades regionais. É importante não só aumentar o número de especialistas, mas também garantir a homogeneidade da formação, para, assim, ampliar os serviços e, ao mesmo tempo, assegurar equipes qualificadas nos centros de referência existentes em todo o País.

Perguntar pela formação e pela especialidade do profissional não é falta de confiança: é cuidado e exercício de cidadania. No site do Conselho Federal de Medicina, é possível consultar informações sobre o médico: Link.

A medicina é construída sobre conhecimento, ética, responsabilidade e confiança. Quando falamos de câncer na infância, não podemos permitir que falsas promessas ou pessoas sem a formação necessária se aproveitem de momentos de fragilidade e dor.

Proteger crianças, suas famílias e a sociedade é parte essencial da missão médica. Essa proteção se constrói com formação sólida, ciência, dados confiáveis, protocolos rigorosos e profissionais preparados para cuidar, explicar e acompanhar cada etapa do tratamento. Para as famílias, poder contar com um especialista, estabelecer uma relação próxima, fazer perguntas e compreender as decisões tomadas deve representar um espaço de segurança e confiança, especialmente nos momentos em que tudo parece mais incerto.

Fazer com que essa confiança seja merecida e que o conhecimento científico se traduza em cuidado seguro é o compromisso que buscamos reafirmar diariamente em prol da proteção das crianças de nosso País.



Dra. Mariana Bohns Michalowski - Oncologista pediátrica e Presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE)



Longevidade cognitiva: como a alimentação influencia a saúde cerebral

Estudo de longo prazo aponta que a alimentação pode reduzir em até 29% o risco de demência, agindo diretamente contra o desgaste dos neurônios

 

À medida que a expectativa de vida global aumenta, um questionamento ganha força nos consultórios médicos e nas conversas cotidianas: como garantir que a mente acompanhe o envelhecimento do corpo? Se no passado, o declínio cognitivo era visto quase como um destino inevitável, hoje a ciência aponta na direção oposta. A nutrição, longe de ser apenas uma aliada da balança, se consolida como um dos escudos mais potentes para a preservação das funções cerebrais e da memória. 

O envelhecimento saudável é um processo ativo que começa muito antes dos primeiros cabelos brancos. Para o Dr. Sergio Alessandro Santos Alves, geriatra da UBS Jardim Comercial, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim", a prevenção não deve ser uma preocupação exclusiva da terceira idade. 

"Embora os benefícios de hábitos saudáveis fiquem muito evidentes após os 60 anos, as patologias cerebrais começam a se acumular bem antes do surgimento de qualquer sintoma clínico. Por isso, manter uma dieta saudável precocemente é fundamental para construir o que chamamos de resiliência neurológica e modificar o risco de doenças a longo prazo", explica o especialista.

 

A ciência por trás do prato: o que muda na biologia cerebral?

O impacto dessa associação ganhou base científica ainda mais sólida com uma pesquisa recente, publicada na revista científica JAMA Network Open. Cientistas do Instituto Karolinska e da Universidade de Liubliana acompanharam cerca de 1.900 adultos por 15 anos para entender como a rotina alimentar interfere diretamente no surgimento de demências. 

Ao analisar o sangue dos voluntários em busca de biomarcadores que indicam lesões nos neurônios e sinais precoces de Alzheimer, os dados revelaram que o risco de demência foi até 29% menor entre quem combatia a inflamação corporal pela alimentação - índice que se manteve menor mesmo em pessoas com predisposição genética ativa apenas pela comida. 

"O maior erro é achar que exames alterados ou mesmo a predisposição biológica são uma sentença inevitável para a demência. A nutrição prova justamente que é possível mudar esse destino", analisa o médico.


 
Inflamação silenciosa: a inimiga das conexões neurais

Essa proteção contra o envelhecimento mental está diretamente ligada ao combate à chamada inflamação crônica de baixo grau. Quando mantemos uma rotina rica em ultraprocessados, açúcares e gorduras ruins, o organismo permanece em um estado de alerta constante que desgasta as células e prejudica as sinapses cerebrais.

Para quebrar esse ciclo prejudicial, o geriatra defende que a receita é mais simples do que parece "É uma alimentação baseada em vegetais, nozes e grãos integrais, com quase zero carne processada e açúcar. Ela blinda o cérebro porque corta a inflamação sistêmica, que é hoje considerada o principal gatilho para a morte dos neurônios." 

Segundo ele, o segredo está no impacto físico direto dos alimentos no órgão. "Essa dieta melhora a circulação sanguínea e fornece nutrientes essenciais que reduzem o encolhimento do cérebro, freando ativamente o acúmulo de proteínas tóxicas causadoras do Alzheimer." 

A principal barreira para a adoção desse estilo de vida protetivo, no entanto, ainda é a busca por soluções rápidas ou resultados milagrosos. O geriatra destaca que um dos mitos mais comuns é a ideia de que um alimento específico, como uma semente ou uma fruta, seria capaz de promover grandes benefícios de forma isolada. 

“O que realmente faz diferença e contribui para a proteção do cérebro é a construção de um padrão alimentar saudável como um todo, com hábitos consistentes ao longo do tempo”, finaliza.



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
cejamoficial


Agosto Dourado: entenda os principais mitos sobre o aleitamento materno

 No mês de conscientização sobre o aleitamento materno, obstetra da Casa de Saúde São José esclarece os principais mitos sobre o processo de amamentação

 

O Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno até os dois anos de idade, sendo o único alimento permitido até os seis primeiros meses de vida. A amamentação é uma fase crucial para a saúde do bebê porque o leite protege contra diarreias, infecções respiratórias e alergias, reduz o risco de obesidade e contribui para o desenvolvimento cognitivo da criança. Por outro lado, a mãe também é beneficiada — o ato de amamentar reduz os riscos de hemorragia no pós-parto e a chance de desenvolver cânceres de mama, ovários e colo de útero no futuro. Entretanto, apesar dos pontos positivos, esse momento tão importante para a família é impactado por diversos mitos e desinformações compartilhados na sociedade. 

A Assembleia Mundial da Saúde (AMS) estabeleceu uma meta global de chegar a 2030 com 70% dos bebês em aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida. De acordo com o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), realizado em 2019, a taxa brasileira é de 45,6%. Apesar do avanço expressivo em comparação a outras décadas, é preciso avançar muito mais para alcançar o objetivo definido nos próximos anos. 

Para o Dr. Paulo Marinho, coordenador de obstetrícia da Casa de Saúde São José, os mitos sobre a amamentação mudam dependendo do país, das culturas e folclores locais. Nesse processo, ao mesmo tempo que as redes sociais ajudam a compartilhar informações relevantes, também contribuem para espalhar desinformação sobre o tema. Alguns dos principais mitos são:

  • O bebê não pode arrotar no peito porque estraga o leite.
    O arroto serve para o bebê eliminar o ar engolido junto com o leite e não tem nenhum tipo de impacto no valor nutritivo do alimento.
     
  • Quem toma antibiótico não pode amamentar
    Existem vários tipos de antibiótico que não apresentam contraindicações para a amamentação. É preciso seguir a indicação correta do uso.
     
  • A mulher precisa usar um sutiã específico para amamentação
    Não é obrigatório. O melhor sutiã é aquele em que a mãe se sente confortável.
     

Outra crença bastante compartilhada é o chamado “leite fraco”: um aleitamento incapaz de alimentar o bebê adequadamente. Segundo o médico, o leite produzido se adequa às condições genéticas, nutricionais e físicas da gestante. Se um desses fatores ou o conjunto for forte o suficiente para alterar a capacidade nutritiva do alimento, o termo pode ter algum sentido, mas o seu emprego é feito de forma genérica, irresponsável e sem respaldo científico. “Na prática, chamar o leite produzido por uma mãe de fraco é um gatilho capaz de levá-la a duvidar da sua competência para amamentar. São múltiplas as dificuldades para amamentar e colocar o peso exclusivamente na qualidade do leite é irracional”, explica. 

Além das questões nutricionais, a forma como o nascimento ocorre também gera dúvidas recorrentes. De acordo com o Dr. Paulo, não é o tipo de parto que interfere, mas sim como o processo aconteceu. Nesse sentido, os partos derivados de situações não espontâneas acabam interferindo negativamente na produção e na descida do leite. Por outro lado, o parto normal ou a cesariana que acontece durante o trabalho de parto facilitam uma maior frequência na produção e saída do alimento em um curto espaço de tempo. 

“Além disso, as mães que passam por um trabalho de parto espontâneo prematuro costumam produzir leite mais cedo em comparação a quem precisa fazer uma cesariana numa gestação prematura sem trabalho de parto. O parto vaginal induzido também pode atrasar a saída do leite”, comenta o obstetra.


Vozes do Advocacy e Associação dos Diabéticos de Joinville promovem capacitação em diabetes para profissionais de saúde de Joinville


Pensando em melhorar a adesão ao tratamento e assim prevenir as complicações do diabetes, o Vozes do Advocacy e a Associação dos Diabéticos de Joinville, em parceria com a Secretaria de Saúde de Joinville, farão o projeto Educar para Salvar, que consiste em uma atualização dos conhecimentos sobre diabetes e suas complicações, doença ocular da tireoide e lipodistrofia generalizada congênita, para os profissionais de saúde do SUS, no dia 3 de setembro, no horário das 08:00h ás 12:00h e das 13:00h ás 17:00h na Univille Auditório da Reitoria: Rua Paulo Malschitzky na Zona Industrial Norte, Joinville Santa Catarina.

O cenário de gastos relacionados com diabetes no Brasil chegou a 45 bilhões de dólares em 2025, sendo o terceiro país no mundo no ranking dos investimentos com a condição, segundo o Atlas 2025 da Federação Internacional do Diabetes. Dados da Pesquisa Vigitel, no conjunto das 27 cidades, a frequência do diagnóstico médico de diabetes foi de 10,2%, sendo maior entre as mulheres (11,1%) do que entre os homens (9,1%).

A pesquisa inédita do Vozes do Advocacy, publicada em maio, intitulada Acesso à Tecnologia de Monitorização do Diabetes no Brasil, mostra que a principal causa para o surgimento de complicações do diabetes é devido à falta do controle da glicemia de médio a longo prazos. A iniciativa teve uma amostra quantitativa com 1.411 pessoas da população adulta (com 18 anos ou mais) com diagnóstico referido de diabetes e apoio da Roche.

A desigualdade social está estreitamente ligada ao acesso à tecnologia. 77,3% das pessoas que utilizam o sensor de glicose não têm complicações do diabetes, contra 12,4% que possuem uma e 10,3% que possuem duas ou mais complicações. Das pessoas que já utilizaram em algum momento, 63,3% não possuem complicação, 21,9% têm uma condição instalada e 10,3% possuem duas ou mais complicações. Quando comparamos com as pessoas que nunca utilizaram a tecnologia, 53,3% não têm complicações, 24% apresentam uma e 22,8% declaram ter duas ou mais condições associadas.

Isso significa que os usuários atuais de sensor tiveram cerca de 38% menor chance de relatar complicações microvasculares (retinopatia, doença renal e neuropatia), 42% de complicações macrovasculares (doenças cardiovasculares e amputações) e 34% de uma complicação crônica, do que os não usuários atuais.

Com base neste cenário para ajudar a adesão ao tratamento, o Vozes do Advocacy e a Associação dos Diabéticos de Joinville farão esta iniciativa para atualizar os profissionais de saúde. “Nós sabemos que o diabetes é uma condição que requer acesso aos insumos e aos medicamentos, tratamento multidisciplinar com profissionais devidamente capacitados e educação em diabetes para as pessoas, que convivem com a condição. Por isso, sabemos que por meio da educação, melhoraremos a adesão ao tratamento e, assim, diminuiremos os gastos do SUS com complicações, hospitalizações e internações”, explica Claudia Soares, presidente da Associação dos Diabéticos de Joinville.

Nesta edição, o projeto conta com o apoio das empresas: Amgen, Bayer, Chiesi, Libbs, Merck e Sanofi.

Mais informações podem ser acessadas nas redes sociais: Instagram: vozesdoadvocacy e no Facebook: vozesdoadvocacy.



Sobre o Vozes do Advocacy em Diabetes e em Obesidade

Com a participação de 25 associações e de 2 institutos de diabetes, o projeto promove o diálogo entre os diferentes atores da sociedade, para que compartilhem conhecimento e experiências, com o intuito de sensibilizar a sociedade sobre a importância do diagnóstico e tratamento precoces do diabetes da obesidade e das complicações de ambas, além de promover políticas públicas, que auxiliem o tratamento adequado destas condições no país.


O ciclo das reoperações: por que quase metade das pacientes de cirurgia de mama volta ao centro cirúrgico em 10 anos?

 

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A recorrência da flacidez é apontada como o principal motivo para revisões cirúrgicas; o suporte estrutural surge como o novo paradigma para resultados mais duradouros e naturais em busca de bem-estar

 

A flacidez das mamas continua sendo um dos principais desafios da cirurgia plástica. Apesar da evolução das técnicas de mastopexia, estudos mostram que a necessidade de reintervenção ainda é frequente, com índices que variam de 8,7% a 23,2%. Entre os principais motivos para uma nova cirurgia está a recorrência da ptose mamária¹, que é a queda das mamas causada pela perda de sustentação da pele e dos tecidos. Esse cenário gera um impacto emocional profundo, pois muitas mulheres buscam a cirurgia para resgatar a autoestima, e quando o resultado não se mantém, a frustração afeta a percepção global de bem-estar. 

Para o cirurgião plástico especialista em cirurgias mamárias e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Dr. Guilherme Graziosi, entender o limite biológico do corpo é o primeiro passo para tentar mudar essa estatística. "A longevidade em cirurgias de mama reside na própria qualidade dos tecidos. Graziosi pontua que a gravidade atua como uma força constante durante a fase de remodelamento da cicatriz, que pode durar de 21 dias até 2 anos². 

Outro fator determinante destacado pelo especialista é a limitação da própria cicatrização humana. "Existe um fator biológico importante: o tecido cicatrizado recupera apenas cerca de 80% de sua força original em comparação ao tecido nativo", afirma o Dr. Guilherme. Se a área sofrer uma nova lesão, essa resistência pode cair para níveis entre 60% e 70%. Essa fragilidade explica por que técnicas baseadas exclusivamente em suturas podem falhar no longo prazo, levando à evolução para o conceito de suporte estrutural, conhecido como "sutiã interno". 

Nesse novo paradigma, utilizam-se telas bioabsorvíveis que, embora sejam 30% mais finas, mantêm aproximadamente 90% da força inicial durante o período crítico de cura. O material é absorvido naturalmente pelo organismo por meio de hidrólise em cerca de 18 a 24 meses³. "Estudos demonstram que o tecido resultante desse processo pode ser duas vezes mais forte que o tecido original, mantendo sua resistência mesmo após a absorção completa da tela", destaca o cirurgião. 

O objetivo central dessas inovações é oferecer uma sustentação estável para as mamas. A cirurgia moderna busca o equilíbrio entre naturalidade, segurança e qualidade de vida. Contudo, o Dr. Guilherme Graziosi reforça que a biologia de cada paciente é única e que a consulta detalhada com um especialista é indispensável para garantir a segurança da saúde feminina. 

 

BD

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Referências:

  1. Khavanin N, Jordan SW, Rambachan A, Kim JYS. A systematic review of single-stage augmentation-mastopexy. Plast Reconstr Surg. 2014 Nov;134(5):922-931. doi: 10.1097/PRS.0000000000000582. PMID: 25347628.
  2. Vera M. Phases of wound healing: the breakdown [Internet]. WoundSource; 2016 Dec 1 [cited 2026 Jul 3]. Available from: Link
  3. BD. GalaFLEX™ Scaffold IFU

 

Sarampo pode causar surdez: Hospital CEMA alerta para diagnóstico precoce em meio ao aumento de casos em São Paulo

Pouco discutida, a relação entre sarampo e perda auditiva preocupa especialistas: as sequelas podem ser permanentes e afetar ambos os ouvidos. O diagnóstico precoce permite a identificação rápida e o início oportuno das intervenções terapêuticas e da reabilitação auditiva

 

Com o avanço dos casos de sarampo no estado de São Paulo (concentrados em Guarulhos, São Bernardo do Campo e capital):  — já são 23 registros confirmados em 2026, a Secretaria de Estado da Saúde intensificou a recomendação de vacinação. Diante desse cenário, o Hospital CEMA, referência em otorrinolaringologia, com 50 anos de atuação no Brasil, chama atenção para uma complicação da doença pouco discutida, mas potencialmente grave e irreversível: o comprometimento da audição.

Dados do MS - Ministério da Saúde apontam que uma a cada 10 crianças com sarampo desenvolve algum grau de comprometimento auditivo. Segundo o Dr. Marcelo Mello, otorrinolaringologista do Hospital CEMA, o sarampo pode comprometer a audição das duas formas. A primeira ocorre por meio de otites, que causam perda auditiva temporária e sensação de ouvido abafado. A segunda, mais grave, é a perda auditiva neurossensorial, que pode provocar alteração na percepção dos sons, zumbido e dificuldade para compreender a fala, com risco de sequelas permanentes.

 

Surdez por sarampo costuma ser bilateral e de difícil recuperação

De acordo com o Dr. Marcelo Mello, quando o comprometimento auditivo decorrente do sarampo evolui para perda mais severa, atingindo os dois ouvidos, o índice de recuperação é reduzido.

"Trata-se de uma perda auditiva bilateral e, infelizmente, as chances de reversão diminuem com o passar do tempo. Por isso, é fundamental procurar atendimento especializado diante de qualquer alteração na audição. Quanto mais precoce for o diagnóstico e o tratamento, maiores são as chances de um desfecho favorável. Nenhuma mudança na capacidade de ouvir deve ser considerada normal ou passageira", reforça o especialista.

 

Grupos de risco merecem atenção redobrada

Embora qualquer pessoa infectada pelo sarampo possa desenvolver algum grau de comprometimento auditivo, alguns grupos exigem vigilância ainda maior, segundo o Hospital CEMA:

  • Crianças;
  • Idosos;
  • Gestantes;
  • Pessoas com doenças pré-existentes 

O Hospital CEMA reforça ainda um alerta específico para viajantes que estiveram recentemente em países das Américas, região que tem registrado surtos da doença, e que devem observar sintomas com atenção redobrada ao retornar ao Brasil.

 

Quando procurar atendimento

Diante de qualquer alteração na audição — como zumbido, sensação de ouvido abafado, distorção dos sons, percepção metálica ou dificuldade para compreender a fala — durante ou após um quadro viral, a recomendação é procurar um otorrinolaringologista imediatamente, sem aguardar a melhora espontânea dos sintomas.

"O tempo é um fator determinante para o prognóstico desses casos. Ao menor sinal de comprometimento auditivo, o atendimento especializado deve ser buscado o quanto antes", orienta o Dr. Marcelo Mello.

 

Hospital CEMA


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