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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Genealogia genética amplia a busca por pais biológicos e ajuda brasileiros a reconstruírem suas histórias

Ausência do nome do pai na certidão de nascimento ainda faz parte da realidade de milhares de brasileiros; testes genéticos surgem como ferramenta para quem deseja conhecer suas origens


Embora nem toda pessoa registrada sem o nome do pai na certidão de nascimento tenha interesse ou necessidade de conhecer sua origem biológica, a ausência paterna ainda faz parte da realidade de milhares de famílias brasileiras. Dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), com base no Portal da Transparência do Registro Civil, mostram que mais de 1,7 milhão de crianças foram registradas sem o nome do pai na última década. Apenas em 2025, foram cerca de 174 mil registros nessa condição.Para parte dessas pessoas, a busca pelas origens acontece anos ou até décadas depois.

Impulsionada pelo avanço da tecnologia e pelo crescimento dos bancos de dados de DNA, a genealogia genética vem ampliando as possibilidades de localizar familiares biológicos e reconstruir histórias familiares que, até pouco tempo atrás, pareciam impossíveis de desvendar.“Nos últimos anos, a popularização dos testes de DNA e o crescimento das bases genéticas ampliaram as possibilidades de pessoas que desejam conhecer sua origem biológica. Diferentemente dos exames tradicionais de investigação de paternidade, a genealogia genética identifica parentes em diferentes graus de proximidade, permitindo reconstruir árvores genealógicas e localizar familiares mesmo quando há poucas informações sobre a família de origem", explica Ricardo Di

Lazzaro, médico doutor em genética e fundador de Genera, marca da Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil.A Genera já realizou mais de 600 mil testes genéticos, formando um banco de dados que amplia significativamente as possibilidades de conexão entre familiares. O exame é feito a partir de uma amostra de saliva e, de forma opcional, o cliente pode habilitar a ferramenta Busca Parentes na plataforma.

A funcionalidade compara segmentos de DNA compartilhados entre usuários que também optaram por participar da rede, identificando diferentes graus de parentesco e permitindo reconstruir árvores genealógicas. Embora os resultados indiquem fortes evidências de vínculo biológico, qualquer hipótese de parentesco direto deve ser posteriormente confirmada por exames específicos de investigação de paternidade ou outras análises complementares.Em muitos casos, mesmo que o pai nunca tenha realizado um teste genético, um primo, tio ou outro familiar pode fornecer as pistas necessárias para chegar à família de origem.

A partir dessas conexões, pesquisadores e usuários conseguem cruzar informações genealógicas, documentos e registros históricos para reconstruir a trajetória familiar.Foi exatamente esse caminho que levou a bancária Caroline Moreno, de 39 anos, a descobrir, após quase quatro décadas, quem era seu pai biológico. Criada apenas pela mãe e pelos avós maternos, ela cresceu sem qualquer informação sobre a identidade paterna.

Em janeiro de 2025, decidiu realizar o teste genético da Genera e ativou a ferramenta Busca Parentes. A partir das primeiras correspondências genéticas, iniciou um intenso trabalho de reconstrução da árvore genealógica materna para descartar esse lado da família e, durante cerca de nove meses de investigação, analisou documentos, registros e novos parentes encontrados até conseguir chegar ao pai biológico, Paulo Antônio, empresário que vive em Recife (PE). A experiência transformou não apenas sua história familiar, mas também deu origem ao livro Onde Está Meu Pai?, no qual relata toda a jornada de busca pela própria identidade.

"A genealogia genética tem permitido que milhares de pessoas encontrem respostas que permaneceram inacessíveis durante décadas. Mais do que localizar parentes, essa tecnologia ajuda a reconstruir histórias familiares, compreender as próprias origens e preencher lacunas importantes da identidade.

É uma ferramenta que amplia possibilidades, mas cada descoberta precisa ser conduzida com responsabilidade e, quando necessário, confirmada por exames específicos", conclui Ricardo Di
Lazzaro.

 



Referências:

Portal da Transparência do Registro Civil (Arpen-Brasil) – Estatísticas de nascimentos e registros civis:
Link / Link

Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil):
Link

Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – Ausência do nome do pai no registro civil:
Link

Folha de S.Paulo – Brasil tem 1,7 milhão de crianças registradas sem pai:
Link

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