Estudos científicos mostram que o
processo de depósito de gordura nas artérias pode ter início ainda na infância,
por volta dos 10 anos de idade, muito antes da fase adulta. O alerta é da
cardiologista do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), Priscila Idaló,
que chama atenção para o colesterol alto como um fator de risco silencioso
tanto para doenças cardiovasculares quanto para problemas neurológicos, como o
acidente vascular cerebral (AVC).
Segundo a especialista, o colesterol
LDL, conhecido como “mau colesterol”, participa de um processo inflamatório
chamado aterogênese, em que o excesso de gordura se deposita na parede das
artérias, sofre oxidação e forma placas de ateroma. Com o passar do tempo,
essas placas podem reduzir ou bloquear o fluxo sanguíneo no coração e no
cérebro.
“É importante salientar que esse
processo pode ter início a partir dos 10 anos de idade, com as primeiras linhas
de gordura na parede da aorta, conforme demonstraram grandes estudos
científicos de autópsia, como o PDAY e o Bogalusa Heart Study”, explica
Priscila Idaló.
A médica destaca que, quando as placas
atingem as artérias coronárias, podem provocar infarto, e quando acometem os
vasos cerebrais, aumentam significativamente o risco de AVC.
Doença silenciosa
Um dos principais perigos do colesterol
elevado é justamente a ausência de sintomas. A cardiologista explica que o
estreitamento das artérias ocorre de forma lenta e progressiva, podendo levar
décadas até provocar algum sinal clínico.
“A ausência de sintomas não significa
saúde arterial. Na maioria das vezes, quando o corpo finalmente manifesta algum
sinal, como uma dor no peito, significa que a doença já está avançada, com mais
de 70% da artéria obstruída, ou que a placa de gordura acabou de se romper de
forma súbita”, alerta.
Esse comportamento silencioso faz com
que muitas pessoas descubram alterações importantes apenas após um evento
grave, como infarto ou AVC.
Proteção para o coração e o cérebro
De acordo com Priscila Idaló, o controle adequado do colesterol depende principalmente de hábitos de vida saudáveis. Entre as principais recomendações estão:
- reduzir o consumo de gorduras saturadas, presentes em carnes gordas, frituras e alimentos ultraprocessados;
- aumentar a ingestão de fibras solúveis, como aveia, leguminosas e frutas;
- praticar atividade física aeróbica regularmente, com meta mínima de 150 minutos por semana;
- cessar o tabagismo;
- manter o peso adequado;
- investir em estratégias de controle do estresse, como ioga e exercícios de respiração;
- garantir um sono reparador, entre 7 e 9 horas por noite
- realizar
consultas médicas periódicas e exames para avaliação do perfil lipídico.
Prevenção começa cedo
A especialista reforça que cuidar do colesterol não é uma preocupação apenas para adultos ou idosos. Como o processo de formação das placas pode começar ainda na infância, a adoção precoce de hábitos saudáveis é fundamental para reduzir o risco de doenças cardiovasculares e cerebrais ao longo da vida.
“A prevenção começa com informação, hábitos saudáveis e acompanhamento médico”, conclui a cardiologista do MPHU.

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