Com 9 milhões de
empresas inadimplentes no Brasil, contador explica por que a diferença entre um
crédito estratégico é um problema financeiro está na finalidade da dívida
empresarial
O número recorde de empresas inadimplentes no
Brasil reacendeu o debate sobre a qualidade do endividamento corporativo. Em
abril de 2026, 9 milhões de negócios estavam negativados, segundo o Indicador
de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. Ao mesmo tempo, dados das
Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central mostram que o crédito
continua sendo um importante instrumento de financiamento da atividade
empresarial. Para especialistas, esse contraste reforça que o problema não está
na dívida empresarial em si, mas na falta de planejamento e de clareza sobre o
que ela efetivamente financia.
Para Jean Lucas Paiva,
contador, diretor comercial da Consult
Seven, empresa de contabilidade e consultoria especializada em planejamento
tributário, contabilidade consultiva, gestão financeira para médias e grandes
empresas, a dívida empresarial pode ser uma ferramenta estratégica quando está
vinculada a um objetivo claro e acompanhada por planejamento
financeiro.
"A dívida empresarial não é, por si só, um
sinal de má gestão. Muitas empresas cresceram utilizando crédito de forma
inteligente. O risco aparece quando o empresário não consegue responder exatamente
o que aquela dívida está financiando, qual será o retorno esperado e como ela
será paga. Quando essas respostas não existem, o crédito deixa de ser uma
ferramenta de crescimento e passa a sustentar um problema financeiro",
afirma.
Dívida empresarial precisa ter
finalidade
O levantamento da Serasa Experian revela que as
empresas inadimplentes acumulavam R$220,9 bilhões em dívidas em abril, maior
volume já registrado pela série histórica. O dado demonstra que recorrer ao
crédito faz parte da realidade empresarial, mas também evidencia que muitas
organizações ainda utilizam empréstimos para compensar desequilíbrios
financeiros em vez de apoiar investimentos produtivos.
Segundo o contador, a principal diferença entre uma
dívida saudável e um endividamento perigoso está na finalidade do recurso.
"Existe uma diferença enorme entre contratar crédito para ampliar
capacidade produtiva, investir em tecnologia, aumentar estoque para atender uma
demanda prevista ou financiar uma expansão e utilizar empréstimos apenas para
pagar contas vencidas. No primeiro caso existe planejamento e expectativa de
retorno. No segundo, normalmente apenas se prolonga uma dificuldade financeira
que já existia", explica.
Contabilidade consultiva
transforma números em decisões
Na avaliação do especialista, muitas empresas
acompanham apenas o saldo bancário e deixam de analisar indicadores capazes de
mostrar se a operação gera caixa suficiente para sustentar novos
financiamentos. "A contabilidade consultiva permite que o empresário compreenda
exatamente quanto custa uma operação de crédito, qual impacto ela terá no fluxo
de caixa, em quanto tempo esse investimento deverá gerar retorno e se a empresa
possui capacidade financeira para assumir esse compromisso. Essa visão reduz
riscos e melhora a qualidade das decisões", ressalta.
Ele destaca que esse acompanhamento se torna ainda
mais relevante diante das mudanças provocadas pela Reforma Tributária e da
necessidade crescente de integração entre gestão financeira, planejamento
tributário e controle operacional.
Crédito deve financiar
crescimento e não desorganização
Para o contador, empresas que tratam o crédito
apenas como solução para problemas imediatos tendem a aumentar sua exposição
financeira ao longo do tempo. "O crédito precisa financiar crescimento,
ganho de produtividade, expansão ou aumento de competitividade. Quando ele é
utilizado apenas para cobrir buracos de caixa, pagar tributos atrasados ou
manter uma operação que já perde rentabilidade, o empresário apenas adia um
problema que continuará existindo", observa.
Segundo Jean, a principal mudança de mentalidade
está em compreender que a dívida empresarial não deve ser analisada
isoladamente, mas como parte da estratégia financeira do negócio. "O
empresário precisa conhecer seu fluxo de caixa, acompanhar indicadores,
entender sua margem de lucro e projetar cenários antes de contratar qualquer
operação de crédito. Quando existe clareza sobre esses números, a dívida
empresarial deixa de representar um risco e passa a ser uma ferramenta de
crescimento sustentável", conclui.
Jean Lucas Paiva - contador e sócio-proprietário da Consult Seven, onde atua como Diretor Comercial. Com mais de 15 anos de experiência na área contábil, sua atuação é voltada ao planejamento e à otimização tributária para empresas de médio e grande porte, com foco em operações no regime de Lucro Real. É graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Positivo, pós-graduado em Gestão Tributária pela PUC-PR e possui MBA em Gestão Empresarial pela FGV-PR. Acompanha de perto as mudanças trazidas pela Reforma Tributária e atua na identificação de oportunidades fiscais dentro da legislação vigente.
Além da atuação na Consult Seven, é palestrante e mentor tributário fixo do Grupo Bom Gourmet e já participou do programa Câmera Brasil como especialista em Reforma Tributária. Recebeu Menção Honrosa pela trajetória no setor contábil brasileiro.
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Fontes de pesquisa
Banco Central do Brasil
https://www.bcb.gov.br/estatisticas/estatisticasmonetariascredito
Serasa Experian
https://www.serasaexperian.com.br/sala-de-imprensa/indicadores/recorde-historico-inadimplencia-alcancou-9-milhoes-de-empresas-brasileiras-em-abril-revela-serasa-experian/
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