Após 21 anos de espera, a profissão de protesista e ortesista ortopédico passou a ser oficialmente regulamentada no Brasil. A formalização é um marco na história da saúde nacional, já que esses profissionais são os responsáveis pela fabricação de itens essenciais para a autonomia de uma parcela considerável da população. Para entender a importância dessa decisão é preciso um olhar mais profundo nos dados do nosso país.
Segundo o Censo 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 14,4 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência. Fazendo um recorte para pessoas com mobilidade reduzida, estima-se que 2,6% desse grupo apresenta algum grau de dificuldade para andar ou subir degraus, indicando que os meios auxiliares de locomoção podem ser necessários – e esses aparelhos são fabricados por protesistas e ortesistas ortopédicos. Dados da última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) revelam que 3,5 milhões de pessoas utilizam equipamentos como cadeira de rodas, bengala, muletas, andador ou algum tipo de prótese ou órtese.
Entre as instituições pioneiras no segmento no Brasil, a AACD inaugurou em 1962 a sua primeira Oficina Ortopédica em São Paulo para confecção própria de itens personalizados de acordo com as necessidades específicas de cada paciente. Ao longo do tempo, houve significativa evolução no setor ortopédico e atualmente mais de 70% da produção já é digital. Com cerca de 40 técnicos de ortopedia atuando nas cinco Oficinas no país, a organização se posiciona na vanguarda com a introdução de diversos processos tecnológicos que tornam os cerca de 61 mil produtos entregues anualmente aos pacientes mais leves, seguros e resistentes.
O envelhecimento da população, que pode gerar problemas de locomoção, é outro fator que impulsiona o setor de produtos ortopédicos. Pesquisas recentes do IBGE mostram que as pessoas com mais de 60 anos representam aproximadamente 15,8% dos cidadãos.
A AACD tem acompanhado o processo de envelhecimento da sociedade ao adaptar seus serviços para atender a essa nova realidade. Hoje, cerca de 25% dos pacientes possuem mais de 60 anos. Ao cuidar dessas pessoas, a Instituição contribui para que o envelhecimento seja uma fase de continuidade e participação, não de isolamento.
Tecnologias digitais para escaneamento e modelagem computadorizada por meio de softwares e uso de manufatura aditiva, como impressoras 3D, são algumas das estratégias adotadas pela Oficina Ortopédica da AACD para modernizar seu repertório, fortalecer a qualidade dos produtos e conforto dos pacientes nas etapas de teste e prova, reduzir o tempo de entrega e diminuir o descarte dos materiais anteriormente consumidos por métodos analógicos.
Na AACD, toda essa infraestrutura tecnológica e a excelência de tratamento ortopédico da Instituição estão disponíveis via Sistema Único de Saúde (SUS), ou seja, sem qualquer custo direto aos pacientes, algo que também promove um impacto social significativo, já que mais de 4,5 milhões de pessoas afirmam ter conseguido seus dispositivos ortopédicos através da rede pública. Vale dizer que também há a possibilidade de aquisição de forma particular, e a receita obtida contribui para a manutenção do trabalho disponibilizado gratuitamente.
A regulamentação da profissão de protesistas e ortesistas ortopédicos chega em um momento em que o Brasil precisa ampliar sua capacidade de oferecer reabilitação de qualidade para uma população cada vez mais longeva. Esse movimento valoriza profissionais altamente especializados, fortalece a segurança na assistência e contribui para consolidar padrões técnicos fundamentais para a evolução do setor.
Emanuel Toscano - superintendente de operações da AACD
AACD
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