Pediatra Mariana Bolonhezi explica por que o desenvolvimento infantil não deve seguir a “régua” da internet e reforça a importância do acompanhamento individualizado
A maternidade sempre trouxe dúvidas,
descobertas e desafios. Mas, nos últimos anos, uma nova questão passou a fazer
parte da rotina de muitos pais: a comparação constante com outras famílias.
Em poucos minutos nas redes sociais, é
possível encontrar bebês que “dormem a noite toda”, crianças que parecem estar sempre
adiantadas em alguma habilidade ou fórmulas que prometem indicar a maneira
correta de educar. Diante de tantas informações, muitos pais acabam
questionando se o desenvolvimento dos próprios filhos está dentro do esperado.
Para a pediatra Dra. Mariana Bolonhezi,
esse excesso de comparação pode gerar ansiedade e transformar fases naturais da
infância em motivo de preocupação.
“Cada criança é única. Não existe uma
criança igual à outra, porque além das características individuais, existe todo
um contexto envolvendo a família, os cuidadores, a rotina e os estímulos que
ela recebe. Por isso, não faz sentido esperar que todos os filhos sigam
exatamente o mesmo caminho ou o mesmo tempo”, explica.
Segundo a médica, muitas famílias chegam ao
consultório preocupadas com comportamentos ou marcos do desenvolvimento que
viram nas redes sociais, mas que, quando avaliados dentro daquele contexto
específico, não representam necessariamente um problema.
“Vivemos uma época de muita busca por alta
performance, inclusive na infância. Os pais querem oferecer o melhor para os
filhos, mas às vezes acabam colocando uma pressão desnecessária sobre etapas
que precisam acontecer naturalmente”, afirma.
Isso não significa, no entanto, que os pais
devam ignorar sinais importantes. O acompanhamento pediátrico tem justamente o
papel de observar o desenvolvimento ao longo do tempo, identificar possíveis
alterações e orientar a família quando necessário.
“As consultas de acompanhamento existem por
um motivo. O pediatra acompanha o crescimento, o desenvolvimento, avalia sinais
sutis e consegue perceber quando existe algo que merece uma investigação mais
cuidadosa. O objetivo não é criar medo, mas oferecer segurança para a família”,
destaca Dra. Mariana.
Para a especialista, encontrar um pediatra
de confiança também ajuda os pais a atravessarem essa fase com mais
tranquilidade.
“O papel do pediatra vai muito além de
tratar doenças. Em crianças saudáveis, ele está ali para acompanhar, orientar,
amparar a família e ajudar a recalcular a rota quando necessário. A infância
não precisa ser uma corrida de comparação”, afirma.
Em uma época em que tantas informações
chegam ao mesmo tempo, a médica reforça que olhar para a individualidade da
criança é uma das formas mais importantes de cuidado.
“Os pais têm muito medo de serem
negligentes, e esse medo é compreensível. Mas cuidar também significa respeitar
o tempo daquela criança, observar, acompanhar e oferecer um ambiente seguro
para que ela desenvolva todo o seu potencial”, finaliza.
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