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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

O ciclo das reoperações: por que quase metade das pacientes de cirurgia de mama volta ao centro cirúrgico em 10 anos?

 

Pixabay
A recorrência da flacidez é apontada como o principal motivo para revisões cirúrgicas; o suporte estrutural surge como o novo paradigma para resultados mais duradouros e naturais em busca de bem-estar

 

A flacidez das mamas continua sendo um dos principais desafios da cirurgia plástica. Apesar da evolução das técnicas de mastopexia, estudos mostram que a necessidade de reintervenção ainda é frequente, com índices que variam de 8,7% a 23,2%. Entre os principais motivos para uma nova cirurgia está a recorrência da ptose mamária¹, que é a queda das mamas causada pela perda de sustentação da pele e dos tecidos. Esse cenário gera um impacto emocional profundo, pois muitas mulheres buscam a cirurgia para resgatar a autoestima, e quando o resultado não se mantém, a frustração afeta a percepção global de bem-estar. 

Para o cirurgião plástico especialista em cirurgias mamárias e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Dr. Guilherme Graziosi, entender o limite biológico do corpo é o primeiro passo para tentar mudar essa estatística. "A longevidade em cirurgias de mama reside na própria qualidade dos tecidos. Graziosi pontua que a gravidade atua como uma força constante durante a fase de remodelamento da cicatriz, que pode durar de 21 dias até 2 anos². 

Outro fator determinante destacado pelo especialista é a limitação da própria cicatrização humana. "Existe um fator biológico importante: o tecido cicatrizado recupera apenas cerca de 80% de sua força original em comparação ao tecido nativo", afirma o Dr. Guilherme. Se a área sofrer uma nova lesão, essa resistência pode cair para níveis entre 60% e 70%. Essa fragilidade explica por que técnicas baseadas exclusivamente em suturas podem falhar no longo prazo, levando à evolução para o conceito de suporte estrutural, conhecido como "sutiã interno". 

Nesse novo paradigma, utilizam-se telas bioabsorvíveis que, embora sejam 30% mais finas, mantêm aproximadamente 90% da força inicial durante o período crítico de cura. O material é absorvido naturalmente pelo organismo por meio de hidrólise em cerca de 18 a 24 meses³. "Estudos demonstram que o tecido resultante desse processo pode ser duas vezes mais forte que o tecido original, mantendo sua resistência mesmo após a absorção completa da tela", destaca o cirurgião. 

O objetivo central dessas inovações é oferecer uma sustentação estável para as mamas. A cirurgia moderna busca o equilíbrio entre naturalidade, segurança e qualidade de vida. Contudo, o Dr. Guilherme Graziosi reforça que a biologia de cada paciente é única e que a consulta detalhada com um especialista é indispensável para garantir a segurança da saúde feminina. 

 

BD

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Referências:

  1. Khavanin N, Jordan SW, Rambachan A, Kim JYS. A systematic review of single-stage augmentation-mastopexy. Plast Reconstr Surg. 2014 Nov;134(5):922-931. doi: 10.1097/PRS.0000000000000582. PMID: 25347628.
  2. Vera M. Phases of wound healing: the breakdown [Internet]. WoundSource; 2016 Dec 1 [cited 2026 Jul 3]. Available from: Link
  3. BD. GalaFLEX™ Scaffold IFU

 

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