Pouco
discutida, a relação entre sarampo e perda auditiva preocupa especialistas: as
sequelas podem ser permanentes e afetar ambos os ouvidos. O diagnóstico precoce
permite a identificação rápida e o início oportuno das intervenções
terapêuticas e da reabilitação auditiva
Com o avanço dos casos de sarampo no estado de São Paulo
(concentrados em Guarulhos, São Bernardo do Campo e capital): — já são 23
registros confirmados em 2026, a Secretaria de Estado da Saúde intensificou a
recomendação de vacinação. Diante desse cenário, o Hospital CEMA,
referência em otorrinolaringologia, com 50 anos de atuação no Brasil, chama
atenção para uma complicação da doença pouco discutida, mas potencialmente
grave e irreversível: o comprometimento da audição.
Dados do MS - Ministério da Saúde apontam que uma a cada
10 crianças com sarampo desenvolve algum grau de comprometimento auditivo.
Segundo o Dr. Marcelo Mello, otorrinolaringologista do Hospital CEMA, o sarampo
pode comprometer a audição das duas formas. A primeira ocorre por meio de
otites, que causam perda auditiva temporária e sensação de ouvido abafado. A
segunda, mais grave, é a perda auditiva neurossensorial, que pode provocar
alteração na percepção dos sons, zumbido e dificuldade para compreender a fala,
com risco de sequelas permanentes.
Surdez por sarampo costuma ser bilateral e de
difícil recuperação
De acordo com o Dr. Marcelo Mello, quando o
comprometimento auditivo decorrente do sarampo evolui para perda mais severa,
atingindo os dois ouvidos, o índice de recuperação é reduzido.
"Trata-se de uma perda auditiva bilateral e, infelizmente,
as chances de reversão diminuem com o passar do tempo. Por isso, é fundamental
procurar atendimento especializado diante de qualquer alteração na audição.
Quanto mais precoce for o diagnóstico e o tratamento, maiores são as chances de
um desfecho favorável. Nenhuma mudança na capacidade de ouvir deve ser
considerada normal ou passageira", reforça o especialista.
Grupos de risco merecem atenção redobrada
Embora qualquer pessoa infectada pelo sarampo possa
desenvolver algum grau de comprometimento auditivo, alguns grupos exigem
vigilância ainda maior, segundo o Hospital CEMA:
- Crianças;
- Idosos;
- Gestantes;
- Pessoas com doenças pré-existentes
O Hospital CEMA reforça ainda um alerta específico para viajantes
que estiveram recentemente em países das Américas, região que tem registrado
surtos da doença, e que devem observar sintomas com atenção redobrada ao
retornar ao Brasil.
Quando procurar atendimento
Diante de qualquer alteração na audição — como zumbido,
sensação de ouvido abafado, distorção dos sons, percepção metálica ou dificuldade
para compreender a fala — durante ou após um quadro viral, a recomendação é
procurar um otorrinolaringologista imediatamente, sem aguardar a melhora
espontânea dos sintomas.
"O tempo é um fator determinante para o prognóstico
desses casos. Ao menor sinal de comprometimento auditivo, o atendimento
especializado deve ser buscado o quanto antes", orienta o Dr. Marcelo
Mello.
Hospital CEMA
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