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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Enem 2026: coordenador do curso preparatório da Escola Estadual Primo Ferreira aponta possíveis temas de redação

Inteligência artificial, mudanças climáticas, desinformação e violência contra a mulher estão entre assuntos que podem servir de base para a prova; para Diego Turato, o importante é ampliar o repertório e desenvolver capacidade de argumentação

 

A menos de três meses do primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, a redação começa a ganhar ainda mais espaço na rotina de preparação dos estudantes. Inteligência artificial, proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, mudanças climáticas, inclusão, desinformação, violência contra a mulher e misoginia estão entre os assuntos que podem servir de ponto de partida para a prova deste ano.

Professor, historiador e escritor santista Diego Turato, coordenador do cursinho preparatório para o Enem da E.E. Primo Ferreira, em Santos (SP), avalia que a proximidade do exame é um bom momento para ampliar o contato com temas sociais contemporâneos, mas alerta que a preparação não deve se transformar em uma tentativa de prever qual será a proposta escolhida pelo Inep.

“Não existe fórmula para adivinhar o tema da redação. O melhor caminho é compreender as grandes discussões da sociedade brasileira e aprender a relacioná-las com conhecimentos históricos, sociais e culturais. Quando o estudante constrói repertório, consegue argumentar mesmo diante de um assunto que não estava entre suas apostas”, afirma Turato.

Entre os temas que estão no radar dos educadores está a relação de crianças e adolescentes com as redes sociais e outras plataformas digitais. A discussão permite abordar questões como exposição a conteúdos inadequados, cyberbullying, uso excessivo das plataformas, proteção de dados e as responsabilidades de famílias, escolas, Estado e empresas de tecnologia.

Outro assunto com potencial para diferentes recortes é a inteligência artificial. Presente cada vez mais no cotidiano, a tecnologia abre espaço para debates relacionados à educação, ao mercado de trabalho, à produção de conteúdos falsos, aos vieses dos algoritmos, à proteção de dados e à desinformação.

“A inteligência artificial é um ótimo exemplo de tema que não deve ser estudado apenas pelo aspecto tecnológico. Ela envolve educação, ética, trabalho, desigualdade, informação e cidadania. É justamente essa capacidade de enxergar diferentes dimensões de um problema que ajuda na construção de uma redação consistente”, explica Turato.

As questões ambientais também permanecem entre os assuntos relevantes. Eventos climáticos extremos, desmatamento, adaptação das cidades, prevenção de desastres e os impactos dessas ocorrências sobre as populações mais vulneráveis possibilitam discussões sobre políticas públicas, planejamento urbano, responsabilidade coletiva e justiça climática.

A lista de possibilidades inclui ainda a inclusão de pessoas neurodivergentes, os impactos da poluição por microplásticos sobre a biodiversidade e a saúde humana, a importância social do esporte e a confiança na ciência e nas instituições de saúde diante da disseminação de informações falsas.

Para Turato, acompanhar o noticiário é uma das formas mais eficientes de preparação nesta reta final. Mas o estudante deve ir além da simples memorização de dados e exemplos.

“Repertório não é decorar uma frase famosa para encaixar na redação. É conseguir compreender um problema, estabelecer relações e defender uma ideia de maneira coerente. Notícias, livros, filmes, acontecimentos históricos e conhecimentos adquiridos em outras disciplinas podem fornecer elementos para essa construção”, afirma.


Tema inesperado não precisa ser motivo de pânico

A própria trajetória da redação do Enem demonstra a variedade de assuntos que podem ser abordados. Nos últimos anos, os candidatos já tiveram de escrever sobre a valorização da herança africana no Brasil, a invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pelas mulheres, a valorização de comunidades e povos tradicionais e, em 2025, as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira.

Por isso, segundo o professor, trabalhar diferentes propostas antes da prova também é uma maneira de desenvolver flexibilidade argumentativa.

“O estudante que treina apenas dois ou três temas considerados favoritos corre o risco de chegar à prova inseguro se encontrar algo diferente. Quem aprende a interpretar a proposta, organizar uma tese, selecionar argumentos e utilizar seu repertório tem muito mais condições de enfrentar qualquer tema”, explica.

Na reta final, a recomendação é combinar a leitura de assuntos atuais com a prática da escrita. Produzir redações sobre diferentes questões sociais ajuda a identificar dificuldades, testar repertórios e aprimorar a organização das ideias.

“O objetivo não deve ser acertar antecipadamente qual será a pergunta do Enem. A melhor preparação é chegar à prova sabendo o que fazer diante da pergunta que vier”, conclui Turato.

  

Diego Turato - professor, historiador, escritor e pesquisador. Formado em História pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), é pós-graduado em Gestão pelo Mackenzie e mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP. É autor de seis livros e coordena o Cursinho Preparatório para o Enem da Escola Estadual Primo Ferreira, em Santos (SP).

 

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