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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Oncologia pediátrica: conhecimento, responsabilidade e confiança

 

A prisão de um homem no último dia 07, por se passar por médico e ter atendido uma criança com câncer no Rio de Janeiro, ultrapassa os limites de um caso policial. O episódio nos leva a refletir sobre a importância da formação médica, da especialização e, sobretudo, sobre como garantir a segurança dos pacientes.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa, o homem teria utilizado o registro profissional de outros médicos, carimbos e receituários para atender, prescrever medicamentos e acompanhar uma criança de 10 anos com meduloblastoma.

O caso é especialmente grave porque envolve uma criança em situação de extrema vulnerabilidade e uma família que depositou em um profissional algo que não pode ser substituído: confiança.

Ser oncologista pediátrico exige uma longa trajetória de formação. No Brasil, trata-se de uma área de atuação que requer 5 anos de treinamento após o diploma médico, sendo mais comum a formação de 3 anos em Pediatria e 2 anos em Oncologia pediátrica. Essa preparação é necessária porque o tratamento do câncer infantil exige conhecimentos muito específicos em diagnóstico, estadiamento, quimioterapia, radioterapia, mas também o conhecimento da forma de comunicação mais adequada com familiares e crianças em sofrimento.

O oncologista pediátrico não apenas prescreve medicamentos. Ele acompanha a criança durante todo o tratamento, reconhece complicações, avalia as respostas terapêuticas e orienta a família nas decisões que podem impactar toda uma vida.

O Brasil ainda tem poucos especialistas, cerca de 6,6 oncologistas pediátricos por milhão de crianças e adolescentes, com importantes desigualdades regionais. É importante não só aumentar o número de especialistas, mas também garantir a homogeneidade da formação, para, assim, ampliar os serviços e, ao mesmo tempo, assegurar equipes qualificadas nos centros de referência existentes em todo o País.

Perguntar pela formação e pela especialidade do profissional não é falta de confiança: é cuidado e exercício de cidadania. No site do Conselho Federal de Medicina, é possível consultar informações sobre o médico: Link.

A medicina é construída sobre conhecimento, ética, responsabilidade e confiança. Quando falamos de câncer na infância, não podemos permitir que falsas promessas ou pessoas sem a formação necessária se aproveitem de momentos de fragilidade e dor.

Proteger crianças, suas famílias e a sociedade é parte essencial da missão médica. Essa proteção se constrói com formação sólida, ciência, dados confiáveis, protocolos rigorosos e profissionais preparados para cuidar, explicar e acompanhar cada etapa do tratamento. Para as famílias, poder contar com um especialista, estabelecer uma relação próxima, fazer perguntas e compreender as decisões tomadas deve representar um espaço de segurança e confiança, especialmente nos momentos em que tudo parece mais incerto.

Fazer com que essa confiança seja merecida e que o conhecimento científico se traduza em cuidado seguro é o compromisso que buscamos reafirmar diariamente em prol da proteção das crianças de nosso País.



Dra. Mariana Bohns Michalowski - Oncologista pediátrica e Presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE)



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