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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Florestas tropicais abrigam até US$ 1,2 trilhão em potencial inexplorado para descoberta de novos medicamentos, aponta estudo

 Levantamento estima em US$ 214,7 bilhões o potencial farmacêutico da Bacia Amazônica; desmatamento já pode ter comprometido até US$ 36 bilhões desse valor

 

Proteger as florestas tropicais representa uma oportunidade de até US$ 1,2 trilhão para a indústria farmacêutica e de US$ 7 trilhões para melhorar a saúde da sociedade, segundo uma nova análise do grupo de pesquisa Zero Carbon Analytics, que identifica a "biblioteca genética da natureza" como um dos pilares das descobertas de medicamentos capazes de salvar vidas. O valor farmacêutico ainda não descoberto das florestas tropicais equivale a quase cinco vezes o custo da resposta global à pandemia de Covid-19 (US$ 246,2 bilhões). 

A pilocarpina, usada no tratamento do glaucoma e da boca seca após radioterapia, é extraída do jaborandi, planta nativa das florestas tropicais brasileiras. O estudo cita o medicamento como exemplo do potencial terapêutico da biodiversidade. 

O relatório conclui que US$ 86 bilhões (intervalo entre US$ 46 bilhões e US$ 142 bilhões) em valor comercial e US$ 860 bilhões em valor social para a saúde podem ter sido perdidos devido ao desmatamento tropical desde 2001, porque as informações químicas contidas nas plantas deixaram de estar disponíveis para o mercado. 

Segundo os autores, a indústria farmacêutica depende amplamente de plantas, fungos e microrganismos encontrados em florestas tropicais para a obtenção de produtos naturais e de informações de sequências digitais (DSI), especialmente em países de baixa renda, onde se concentra a maior parte da biodiversidade mundial. , mas investe pouco na conservação desses ecossistemas. Apesar dessa dependência — e de um mercado global avaliado em US$ 1,7 trilhão em 2025 —, a análise mostra que a maioria das empresas farmacêuticas não investe na conservação da natureza. 

Entre as 15 maiores empresas farmacêuticas do mundo, apenas AstraZeneca e Novo Nordisk Foundation anunciaram aportes financeiros específicos voltados à biodiversidade (US$ 400 milhões e entre US$ 25 milhões e US$ 30 milhões, respectivamente). As demais fazem declarações genéricas sobre financiamento da natureza, sem compromissos financeiros concretos. 

"O desenvolvimento farmacêutico depende há décadas dos recursos genéticos das florestas tropicais, mas houve muito pouco investimento correspondente para conservar a biodiversidade da qual essas descobertas dependem", disse Jo Bentley-McKune, principal autora do estudo. "As florestas tropicais são fábricas bioquímicas extraordinariamente diversas, e sua destruição pode impedir a descoberta de futuros medicamentos antes mesmo que esses compostos sejam identificados". 

O relatório estima que as florestas tropicais concentram ainda cerca de US$ 7 trilhões em benefícios sociais associados à saúde, considerando os impactos que futuros medicamentos poderiam gerar para pacientes e sistemas de saúde. 

A Bacia Amazônica aparece entre as regiões de maior potencial farmacêutico do planeta, com cerca de US$ 214,7 bilhões em valor associado à descoberta de novos medicamentos. Desse total, aproximadamente 10% — entre US$ 12 bilhões e US$ 36 bilhões, segundo o intervalo adotado pelo estudo — já podem ter sido comprometidos pelo desmatamento desde 2001. 

Além da Amazônia, o levantamento identifica o Sudeste Asiático e a Bacia do Congo como as regiões onde a perda de florestas coloca em risco a maior parcela desse patrimônio biológico. 

Os pesquisadores ressaltam que a estimativa considera apenas compostos presentes em plantas de florestas tropicais. O potencial associado a organismos marinhos, ecossistemas de água doce e outros ambientes terrestres não foi incluído e pode elevar significativamente esse valor.

 

O alto custo da inação

Segundo a análise, investir para interromper a perda de florestas não é apenas uma questão ambiental, mas também uma oportunidade economicamente vantajosa para que as empresas construam cadeias de suprimento mais resilientes e transformem a vida de bilhões de pessoas que convivem com problemas de saúde crônicos e potencialmente fatais. 

Manter as atuais taxas de desmatamento poderá resultar na perda de até US$ 145 bilhões até 2050 (intervalo entre US$ 47 bilhões e US$ 145 bilhões) — uma perda de receitas para a indústria farmacêutica que poderá aumentar caso o desmatamento continue avançando. 

Por outro lado, interromper a perda de florestas até 2030 preservaria aproximadamente dez vezes mais do valor futuro que poderá ser perdido caso as tendências atuais se mantenham. A meta foi assumida por mais de 140 países durante a COP26 da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), realizada em Glasgow. 

Agir agora para interromper a perda de florestas até 2030 poderia limitar as perdas comerciais adicionais a US$ 9 bilhões (intervalo entre US$ 5 bilhões e US$ 15 bilhões), preservando US$ 79 bilhões (entre US$ 42 bilhões e US$ 130 bilhões) em valor comercial privado e US$ 800 bilhões em valor social para a saúde até 2050. 

“A natureza é fundamental para a inovação farmacêutica. Os investidores se beneficiam quando as empresas mitigam esses riscos", destacou Peter Elwin, diretor de Engajamento e Pesquisa da Finance for Biodiversity Foundation. “Investir na natureza ajuda a proteger a inovação futura, fortalece a resiliência das cadeias de suprimento e cria valor de longo prazo para os acionistas." 

O relatório expõe uma desigualdade na produção de medicamentos e vacinas. Enquanto o Sul Global concentra a maior parte do valor baseado na natureza — preservado por Povos Indígenas e comunidades locais —, a riqueza comercial permanece concentrada no Norte Global, onde estão sediadas todas as 15 maiores empresas farmacêuticas do mundo. 

Mais da metade do valor comercial estimado (54%) está concentrada em três regiões, onde o desmatamento tropical entre 2001 e 2024 colocou dezenas de bilhões de dólares em risco:

  • Sudeste Asiático: até US$ 40 bilhões em valor farmacêutico comercial colocados em risco desde 2001, o equivalente a cerca de um quarto de todo o potencial da região.
  • Bacia Amazônica: entre US$ 12 bilhões e US$ 36 bilhões em risco.
  • Bacia do Congo: até US$ 6 bilhões em risco.

Uma observação dos pesquisadores é de que esta análise se limita ao valor farmacêutico das plantas das florestas tropicais, representando apenas uma parte da biblioteca biológica mais ampla da Terra. O valor potencial total e os riscos associados — incluindo compostos provenientes de ecossistemas marinhos, de água doce e de outros ambientes terrestres — permanecem amplamente não quantificados e devem ser substancialmente maiores.

 

Negociações da Convenção sobre Diversidade Biológica

A análise é divulgada uma semana antes da SBI-7, principal reunião preparatória para a COP17 da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), que será realizada entre 4 e 12 de agosto, em Nairóbi (Quênia). Entre os principais temas em discussão estão o financiamento da conservação da biodiversidade e a repartição dos benefícios gerados pelo uso de informações de sequências digitais (DSI).

Com os avanços tecnológicos, empresas farmacêuticas e de biotecnologia passaram a acessar informações genéticas por meio de bancos de dados digitais públicos, sem a necessidade de coletar material biológico diretamente nos ecossistemas. Segundo a análise da Zero Carbon Analytics, isso criou uma assimetria: enquanto as empresas se beneficiam desse modelo — em um mercado global de sequenciamento de DNA projetado para alcançar US$ 21,3 bilhões até 2031 —, os custos da conservação da biodiversidade que gera essas informações continuam sendo arcados principalmente por países e Povos Indígenas do Sul Global.

Criado durante a COP16 da CBD, o Fundo Cali é o primeiro mecanismo financeiro global destinado a garantir a repartição justa e equitativa dos benefícios gerados pelo uso de DSI. Até o momento, porém, apenas US$ 1.000 foram comprometidos para o fundo.

A implementação do Fundo Cali será um dos principais temas da SBI-7. Questões técnicas, como as taxas de contribuição das empresas e a definição de DSI, deverão ser negociadas e encaminhadas para deliberação durante a COP17 da Convenção sobre Diversidade Biológica, que será realizada em outubro, na Armênia.

 

>> Lista das 15 maiores empresas farmacêuticas e seus países-sede

  • Bayer (Alemanha)
  • Novo Nordisk (Dinamarca)
  • Novartis (Suíça)
  • Sanofi (França)
  • GSK (Reino Unido)
  • Johnson & Johnson (Estados Unidos)
  • Merck (Alemanha)
  • AstraZeneca (Reino Unido)
  • Roche (Suíça)
  • Takeda (Japão)
  • AbbVie (Estados Unidos)
  • Bristol Myers Squibb (Estados Unidos)
  • Amgen (Estados Unidos)
  • Pfizer (Estados Unidos)
  • Eli Lilly (Estados Unidos)

>> Medicamentos transformadores com ingredientes de origem vegetal

  • Paclitaxel (Taxol): originalmente isolado do teixo-do-Pacífico (Taxus brevifolia). É um dos medicamentos contra o câncer derivados de plantas de maior sucesso comercial já desenvolvidos, tendo tratado mais de um milhão de pacientes. Somente em 2025, registrou vendas de US$ 1,7 bilhão e a projeção é de que alcance US$ 20,4 bilhões até 2034.
  • Kadcyla: medicamento quimioterápico e anticancerígeno desenvolvido a partir de um derivado estrutural de um composto inicialmente isolado de um arbusto do leste da África (Maytenus serrata). Ensaios clínicos demonstraram que o Kadcyla reduziu o risco de morte em mais de um terço, em comparação com o tratamento padrão, em pacientes com câncer de mama HER2-positivo. As vendas atingiram US$ 2,5 bilhões em 2025.
  • Vincristina e vimblastina, derivadas da vinca-de-Madagascar (Catharanthus roseus): isolados de uma planta nativa das florestas tropicais de Madagascar, esses alcalóides continuam sendo fundamentais para a quimioterapia da leucemia infantil e do linfoma de Hodgkin. O mercado deve alcançar US$ 4,6 bilhões até 2034.
  • Enhertu, derivado da camptotecina, encontrada na "árvore-da-felicidade" chinesa (Camptotheca acuminata): em vez de utilizar diretamente o composto, o desenho molecular do Enhertu deriva da estrutura da camptotecina. Trata-se de um medicamento oncológico moderno de grande sucesso comercial, desenvolvido a partir de uma sequência proveniente de uma árvore nativa do sul da China e do Tibete.
  • Quinina, derivada da casca da quina (Cinchona spp.): obtida da casca de árvores do gênero Cinchona, nativas das florestas nubladas dos Andes (Peru, Bolívia e Equador), a quinina foi o primeiro tratamento eficaz contra a malária e permaneceu como o principal antimalárico durante séculos. Sua estrutura química também serviu de base para o desenvolvimento de antimaláricos sintéticos posteriores.
  • Pilocarpina, derivada do jaborandi (Pilocarpus spp.): extraída das folhas de arbustos de jaborandi, nativos das florestas tropicais brasileiras, a pilocarpina é utilizada no tratamento do glaucoma e da xerostomia (boca seca), condição frequentemente observada em pacientes submetidos à radioterapia.
  • Reserpina, derivada da raiz-de-cobra-indiana (Rauvolfia serpentina): nativa das florestas tropicais do Sul e Sudeste Asiático, a reserpina foi um dos primeiros medicamentos eficazes para o tratamento da hipertensão e um dos primeiros antipsicóticos. Também contribuiu para estabelecer a base farmacológica de medicamentos posteriores voltados à regulação de neurotransmissores.

>> Metodologia

Para estimar o valor das florestas tropicais e subtropicais como fonte de futuros medicamentos, a ZCA utilizou uma estimativa consolidada do número de medicamentos que essas florestas podem abrigar e atribuiu um valor a cada um deles utilizando o método padrão empregado pela indústria farmacêutica para avaliar um medicamento em desenvolvimento (valor presente líquido ajustado ao risco), que considera os custos necessários para levar um medicamento ao mercado.

Os pesquisadores distribuíram esse valor em um mapa das regiões tropicais de acordo com as áreas de maior diversidade de plantas e, em seguida, sobrepuseram dados de satélite sobre as áreas onde houve desmatamento, para estimar quanto desse valor potencial já foi perdido e quanto permanece em risco sob diferentes cenários futuros até 2050.

Para considerar a faixa de valores plausíveis de cada parâmetro utilizado no cálculo, a análise foi executada diversas vezes, variando cada parâmetro dentro de um intervalo plausível. O relatório apresenta a estimativa central, juntamente com a faixa dentro da qual os autores têm 90% de confiança de que se encontra o valor real.

Os valores comerciais apresentados são conservadores, pois contabilizam apenas o valor econômico gerado por um medicamento durante o período de proteção por patente, e não as décadas de benefícios contínuos proporcionados posteriormente aos pacientes e à sociedade. A ZCA estima esses benefícios mais amplos separadamente, convertendo o valor comercial em uma estimativa de valor social.

Como em avaliações anteriores desse tipo, os cálculos partem do pressuposto de que cada composto é insubstituível: uma vez desmatada a área de floresta onde ele ocorre, esse composto é considerado perdido, sem considerar a possibilidade de que ele possa existir em outras áreas florestais.

 

Sobre o Fundo Cali e a SBI-7, no Quênia

O Fundo Cali, criado durante a COP16 da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), é o primeiro mecanismo financeiro global concebido para garantir a repartição justa e equitativa dos benefícios decorrentes do uso de informações de sequências digitais (DSI). A proposta é que empresas que comercializam DSI contribuam com 1% de seus lucros globais ou 0,1% de sua receita para o fundo, sendo 50% dos recursos destinados aos Povos Indígenas e às comunidades locais.

A sétima reunião do Órgão Subsidiário de Implementação (SBI) da Convenção sobre Diversidade Biológica será realizada entre 4 e 12 de agosto de 2026, em Nairóbi, no Quênia.

 

Sobre a Zero Carbon Analytics
A Zero Carbon Analytics (ZCA) é um grupo internacional de pesquisa que produz análises e informações sobre mudanças climáticas, natureza e transição energética.


Especialista desvenda seis mitos e verdades sobre catarata e pterígio

Hospital de Olhos Leiria de Andrade promove campanha de avaliação para as duas doenças no próximo dia 8 de agosto


A catarata e o pterígio estão entre as doenças oculares mais comuns e, ao mesmo tempo, cercadas por dúvidas entre a população. Informações equivocadas sobre tratamentos, causas e recuperação podem fazer com que pacientes adiem a procura por atendimento especializado ou recorram a soluções sem comprovação científica. Para ampliar o acesso ao diagnóstico e esclarecer essas questões, o Hospital de Olhos Leiria de Andrade realizará, no próximo dia 8 de agosto, uma campanha de avaliação voltada a pacientes com catarata e pterígio.

 

Durante a ação, os participantes passarão por avaliação pré-cirúrgica com médico especialista e, quando houver indicação, receberão orientações sobre o tratamento, além de condições especiais para exames e cirurgia. Segundo o oftalmologista Dr. Germano de Andrade (CRM-CE 4766 | RQE 2999), além de facilitar o acesso ao atendimento especializado, a campanha também busca combater informações incorretas que ainda cercam essas doenças.

 

"É muito comum recebermos pacientes que chegam ao consultório acreditando em informações que ouviram de familiares, amigos ou encontraram na internet. Algumas dessas crenças podem acabar atrasando o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento adequado. A avaliação médica é a única forma de confirmar o problema e indicar a melhor conduta para cada pessoa. Por isso, campanhas como essa também cumprem um papel importante de orientação à população sobre a saúde ocular", afirma.

 

Mitos e verdades sobre catarata e pterígio 

A cirurgia é a única forma de tratamento para a catarata? VERDADE. 

"A cirurgia é o único tratamento capaz de remover a catarata e possivelmente recuperar a qualidade da visão. Não existe colírio ou medicamento com eficácia comprovada para tratar a doença. Antes de utilizar qualquer produto com essa promessa, é fundamental buscar orientação médica", explica o Dr. Germano.  

A anestesia da cirurgia de catarata é aplicada com uma agulha no olho? MITO. 

"Esse é um dos receios mais frequentes entre os pacientes, mas a anestesia costuma ser feita com colírios anestésicos. Quando necessário, também é possível realizar sedação para proporcionar mais conforto e segurança durante a cirurgia", esclarece. 

 

A recuperação da visão após a cirurgia costuma ser rápida? VERDADE. 

"Em cirurgias sem intercorrências, muitos pacientes já apresentam melhora da visão no dia seguinte. Em situações mais complexas, esse período pode ser um pouco maior, mas a recuperação costuma ocorrer em poucos dias", afirma o especialista. 

 

Pterígio é um tipo de câncer? MITO.

 

"Embora provoque crescimento de um tecido sobre a superfície do olho, o pterígio não é um tumor maligno. Ainda assim, deve ser acompanhado pelo oftalmologista, principalmente quando começa a comprometer a visão ou causar desconforto", explica o médico. 

 

Colírios fazem a 'carninha' desaparecer? MITO.


"Os medicamentos ajudam no controle dos sintomas, mas não fazem o pterígio regredir. Quando a lesão cresce e passa a causar prejuízo visual ou desconforto persistente, a cirurgia pode ser indicada", destaca o Dr. Germano. 

 

A exposição ao sol e ao vento está entre as principais causas do pterígio? VERDADE. 

"Pessoas que trabalham ou permanecem por longos períodos em ambientes externos apresentam maior risco de desenvolver o pterígio. O uso de óculos com proteção contra os raios UV é uma das principais formas de reduzir essa exposição", orienta o oftalmologista. 

 



Serviço:

Data: 08 de agosto de 2026 (sábado)
Horário: das 7h às 13h
Local: Hospital Leiria de Andrade – Rua Rocha Lima, 1140, Aldeota, Fortaleza
Referência: Próximo ao Ginásio Paulo Sarasate

 

 


Mais informações:

Campanha na Aldeota
WhatsApp: (85) 98928-2775

Campanha na Parangaba
WhatsApp: (85) 99659-6748

Campanha na Caucaia
WhatsApp: (85) 99659-4207

Campanha na Messejana
WhatsApp: (85) 98765-0442


Saúde começa pela boca e esse cuidado ainda é deixado de lado

No Dia Nacional da Saúde, especialista alerta que a prevenção só é completa quando inclui a saúde bucal, ainda negligenciada por grande parte da população

 

O Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, reforça a importância da prevenção como estratégia para aumentar a qualidade de vida da população. No entanto, a saúde bucal ainda ocupa um espaço secundário nessa discussão. O Ministério da Saúde concluiu, em 2025, o maior levantamento epidemiológico sobre saúde bucal já realizado no país, o SB Brasil 2023, que atualiza o retrato das condições odontológicas dos brasileiros e servirá de base para as políticas públicas da área. A pesquisa reforça que doenças como cárie, perda dentária e problemas periodontais continuam entre os agravos crônicos mais frequentes da população, evidenciando que o cuidado com a boca ainda está distante da rotina preventiva de milhões de brasileiros.

Para a cirurgiã-dentista Cristiane Vasconcellos, mestre em Clínica Odontológica Integrada, especialista em Odontogeriatria e Odontologia Hospitalar e diretora da Odontolar, clínica de Vitória especializada no atendimento de idosos, pessoas com deficiência e pacientes com mobilidade reduzida, a prevenção em saúde ainda costuma ignorar uma parte fundamental do organismo. "A boca não pode ser tratada de forma isolada. Alterações na cavidade oral podem comprometer a alimentação, a comunicação, a autoestima e também influenciar no controle de doenças sistêmicas. Quando o acompanhamento odontológico fica de fora da prevenção, muitas condições deixam de ser diagnosticadas precocemente", afirma.


Problemas na boca podem afetar muito além do sorriso

Embora muita gente associe a consulta odontológica apenas ao tratamento de cáries ou à estética, a literatura científica demonstra que a saúde bucal está diretamente relacionada ao funcionamento do organismo. A doença periodontal, por exemplo, está associada ao pior controle do diabetes, ao aumento do risco de doenças cardiovasculares e a complicações respiratórias, principalmente entre idosos e pacientes mais vulneráveis. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 3,5 bilhões de pessoas convivam com doenças bucais, tornando essas condições uma das enfermidades crônicas mais prevalentes no mundo.

Segundo a especialista, muitos desses problemas evoluem sem provocar dor nas fases iniciais. "Sangramento na gengiva, feridas que não cicatrizam, mobilidade dentária, dificuldade para mastigar, boca seca e alterações no encaixe das próteses nunca devem ser considerados normais. Quanto mais cedo esses sinais forem avaliados, menores são os riscos de complicações", explica Cristiane.


Idosos e pacientes com mobilidade reduzida exigem atenção especial

Os impactos da negligência são ainda mais evidentes entre idosos, pessoas com deficiência, pacientes acamados e indivíduos com mobilidade reduzida. Além das dificuldades de acesso ao atendimento, esse público costuma conviver com doenças crônicas e fazer uso contínuo de medicamentos que alteram o funcionamento da cavidade oral.

Antidepressivos, anti-hipertensivos, medicamentos para Parkinson, diabetes e outras doenças crônicas podem reduzir a produção de saliva, favorecendo o aparecimento de cáries, candidíase, dificuldade para utilizar próteses, alterações no paladar e maior risco de infecções.

"É comum que esses sintomas sejam atribuídos apenas ao envelhecimento ou à doença de base. Na prática, muitos estão relacionados aos medicamentos ou à ausência de acompanhamento odontológico. O diagnóstico precoce evita complicações e ajuda a preservar funções essenciais, como mastigar e falar", explica a especialista.


Prevenção também inclui consultas odontológicas

O envelhecimento acelerado da população brasileira reforça a necessidade de ampliar o olhar sobre a prevenção. Segundo projeções do IBGE, em 2030 o Brasil terá mais pessoas com 60 anos ou mais do que crianças e adolescentes de até 14 anos, aumentando a demanda por cuidados que preservem autonomia e qualidade de vida ao longo do envelhecimento.

Para Cristiane Vasconcellos, incluir a avaliação odontológica na rotina preventiva deve ser tão natural quanto realizar exames periódicos ou manter a vacinação em dia. "A consulta odontológica permite identificar doenças precocemente, acompanhar pacientes que utilizam medicamentos de uso contínuo, orientar familiares e cuidadores e preservar funções fundamentais para a qualidade de vida. A prevenção começa antes da dor."

A especialista orienta procurar atendimento sempre que houver sangramento frequente na gengiva, dor persistente, feridas que permaneçam por mais de 15 dias, dificuldade para mastigar, mau hálito constante, mobilidade dentária, boca seca prolongada ou alterações no encaixe das próteses. Mesmo sem sintomas, o acompanhamento periódico continua sendo a forma mais eficaz de prevenir complicações.

No Dia Nacional da Saúde, a principal mensagem é que a prevenção não termina na porta do consultório médico. Cuidar da saúde de forma integral significa reconhecer que a boca também faz parte desse processo e que sua negligência pode comprometer todo o organismo.  



Cristiane Vasconcellos - cirurgiã-dentista, mestre em Clínica Odontológica Integrada e diretora clínica da Odontolar, em Vitória (ES). Atua há mais de duas décadas no atendimento odontológico voltado à idosos, pessoas com deficiência e pacientes com mobilidade reduzida, com foco em atendimentos hospitalares, em instituições geriátricas e atendimento domiciliares. Ao longo da carreira, consolidou sua atuação no Espírito Santo levando estrutura clínica e tecnologia até a casa de pacientes que não conseguem se deslocar até os consultórios odontológicos.Especialista em Geriatria e Gerontologia, Odontogeriatria, Odontologia Hospitalar, Laserterapia, Prótese Dentária e Saúde Coletiva, dedica sua prática à integração entre saúde bucal, qualidade de vida e cuidado humanizado nesse tipo de pacientes.
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Odontolar
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Fonte de pesquisa

https://www.who.int/health-topics/oral-health#tab=tab_1

https://www.who.int/publications/i/item/9789240061484

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-bucal

 

Sua relação com o espelho diz muito sobre a saúde

No Dia Nacional da Saúde, especialista alerta que cuidar do corpo também passa pela forma como a pessoa se enxerga 

 

A saúde costuma ser associada à prevenção de doenças, à prática de exercícios físicos e à realização de exames periódicos. Embora esses fatores sejam fundamentais, o conceito adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é mais amplo e define a saúde como um estado de completo bem estar físico, mental e social. No Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, especialistas reforçam que a forma como uma pessoa se relaciona com o próprio corpo também pode influenciar sua qualidade de vida, autoestima e saúde mental.

Para Marco Dallegrave, médico, cirurgião plástico, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), compreender a saúde integral significa reconhecer que corpo e mente não funcionam de maneira isolada. Segundo o especialista, alterações na percepção da própria imagem podem afetar diferentes aspectos da vida e, por isso, merecem uma avaliação cuidadosa antes de qualquer indicação de tratamento.

A maneira como uma pessoa enxerga o próprio corpo é construída ao longo da vida e sofre influência de fatores familiares, culturais, emocionais e sociais. Mudanças provocadas pelo envelhecimento, pela gestação, por uma perda importante de peso, por acidentes ou doenças também podem modificar essa percepção e provocar sofrimento que vai além da aparência física.

Segundo o especialista, quando a insatisfação corporal passa a interferir na rotina, na convivência social ou na autoestima, é importante investigar sua origem. Em alguns casos, o desconforto está relacionado a alterações físicas que podem ser tratadas. Em outros, o principal impacto está na saúde emocional e exige acompanhamento de diferentes profissionais. "Quando falamos em saúde, não podemos olhar apenas para exames ou doenças apenas. A autoestima, a saúde mental e a imagem corporal também influenciam a qualidade de vida. Muitas pessoas chegam ao consultório acreditando que o problema está apenas no corpo, quando, na verdade, existe uma relação complexa entre aspectos físicos e emocionais que precisa ser compreendida antes de qualquer decisão", afirma.


Autoestima também é saúde

A imagem corporal exerce influência sobre a confiança, o comportamento e até a maneira como uma pessoa participa da vida social e profissional. Quando existe uma percepção constantemente negativa da própria aparência, é comum que surjam comportamentos como evitar fotografias, deixar de frequentar ambientes sociais, abandonar atividades físicas ou desenvolver insegurança em situações cotidianas.

Na avaliação do Marco Dallegrave , esses sinais não devem ser encarados como uma questão exclusivamente estética. Eles podem indicar que existe um sofrimento que merece atenção clínica. Por isso, a primeira etapa do atendimento consiste em compreender a história do paciente, suas expectativas e o impacto que aquela condição provoca na sua rotina. "A percepção do corpo pode afetar a confiança, as relações pessoais, a disposição para praticar exercícios e até o desempenho profissional. Isso não significa que toda insatisfação deva ser tratada com uma cirurgia. Muitas vezes, a melhor conduta envolve uma abordagem multidisciplinar, com participação de psicólogos, psiquiatras, nutricionistas e outros profissionais da saúde", explica.

Para o médico, um dos maiores desafios atuais é diferenciar uma expectativa realista de uma busca por mudanças motivada por padrões estéticos inalcançáveis. Essa avaliação é essencial para garantir que qualquer tratamento seja indicado de forma ética, segura e centrada nas necessidades do paciente.


Quando o problema não está apenas no corpo

A crescente exposição nas redes sociais ampliou o contato diário com imagens editadas, filtros e padrões de beleza que nem sempre correspondem à realidade. Embora essas plataformas possam contribuir para a troca de informações e experiências, também podem aumentar a comparação constante e a insatisfação com a própria aparência.

Segundo o especialista, esse contexto reforça a necessidade de analisar cada paciente de forma individualizada. Nem toda pessoa que procura um procedimento cirúrgico apresenta uma indicação médica para realizá-lo. Em determinadas situações, a melhor decisão é orientar, esclarecer e, quando necessário, encaminhar para acompanhamento psicológico ou psiquiátrico antes de considerar qualquer intervenção.

O especialista ressalta que a indicação cirúrgica deve considerar o estado geral de saúde, as características anatômicas do paciente, os riscos envolvidos, as expectativas apresentadas durante a consulta e os benefícios que aquele procedimento pode proporcionar. O objetivo não é atender a um padrão estético, mas promover conforto, funcionalidade e bem estar quando existe uma indicação clínica compatível.


Quando a cirurgia plástica pode fazer parte do cuidado

Embora frequentemente associada apenas à estética, a cirurgia plástica também pode contribuir para a qualidade de vida em diferentes situações. Pacientes que passaram por uma perda significativa de peso, gestação, acidentes ou determinados tratamentos médicos podem apresentar excesso de pele, desconforto funcional, alterações no contorno corporal e limitações que interferem no dia a dia.

Nesses casos, a avaliação médica busca identificar se existe uma condição que possa ser beneficiada por um procedimento cirúrgico. Além dos aspectos físicos, também são considerados fatores emocionais, hábitos de vida, histórico de saúde e expectativas em relação ao resultado.

"A cirurgia pode melhorar conforto, mobilidade, funcionalidade e autoestima quando existe uma indicação adequada e expectativas compatíveis com a realidade. Ela não deve ser encarada como solução para todos os problemas da vida, mas pode contribuir para o bem estar quando faz parte de um cuidado mais amplo com a saúde", explica o cirurgião plástico.

Segundo o especialista, essa abordagem integrada permite oferecer um atendimento mais seguro e resultados mais consistentes, respeitando a individualidade de cada paciente.


Cinco sinais de que a relação com o corpo merece atenção

Alguns comportamentos podem indicar que a forma como uma pessoa percebe o próprio corpo está afetando sua saúde e qualidade de vida:

  • Evitar atividades sociais por vergonha da aparência;
  • Acreditar que uma cirurgia resolverá problemas emocionais ou de relacionamento;
  • Sentir sofrimento constante ao se olhar no espelho;
  • Deixar de praticar atividades físicas por desconforto com a própria imagem;
  • Comparar o próprio corpo de maneira frequente com padrões vistos nas redes sociais.

Para Marco Dallegrave, reconhecer esses sinais é importante para buscar o acompanhamento adequado. "Saúde integral significa cuidar do corpo e da mente ao mesmo tempo. Em alguns casos, isso envolve um procedimento cirúrgico. Em outros, a melhor decisão é investir em acompanhamento psicológico, mudanças no estilo de vida ou outras formas de cuidado. O mais importante é entender que saúde vai muito além da aparência." 



Dr. Marco Dallegrave - médico formado pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná (FEMPAR), com residência em Cirurgia Geral pela Santa Casa de Curitiba e residência em Cirurgia Plástica pelo Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba (PR). Também possui pós-graduação em Psiquiatria pelo CENBRAP, formação que complementa sua visão sobre os aspectos emocionais e psicológicos envolvidos na relação dos pacientes com a própria imagem. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), atua há 21 anos na especialidade e já realizou mais de 5 mil cirurgias. Sua prática é voltada à cirurgia plástica estética, com ênfase em procedimentos de contorno corporal, mini lipoaspiração de recuperação rápida e cirurgias das mamas.]Ao longo da carreira, consolidou uma abordagem que alia excelência técnica, segurança e atendimento humanizado. Defende que a cirurgia deve respeitar a individualidade de cada paciente e ser compreendida como parte de um cuidado integral com a saúde e o bem-estar, e não apenas como uma transformação estética.
Para mais informações, acesse o site e instagram.




Fontes de Pesquisa:

Organização Mundial da Saúde (OMS) – Constituição da Organização Mundial da Saúde e definição de saúde:
https://www.who.int/about/governance/constitution

Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP):
https://www.cirurgiaplastica.org.br


Automedicação, dieta inadequada e ignorar sintomas podem transformar efeitos esperados em complicações


As canetas emagrecedoras revolucionaram o tratamento da obesidade e os medicamentos como Ozempic®, Wegovy® e Mounjaro® têm proporcionado perda de peso significativa e redução do risco de diversas doenças associadas ao excesso de peso. No entanto, à medida que o número de usuários cresce, também aumenta a quantidade de pacientes que chegam aos consultórios com problemas digestivos que poderiam ser evitados.

Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Rodrigo Barbosa esses medicamentos seguros quando utilizados com indicação médica e acompanhamento adequado. “O problema é que muitas pessoas começam a usar sem indicação médica, aumentam a dose por conta própria e ignoram sintomas importantes, colocando a saúde digestiva em risco", explica o médico que aponta os principais erros observados neste uso indiscriminado:
 

1. Acreditar que os efeitos colaterais são sempre "normais"

Náuseas, sensação de estômago cheio, azia e prisão de ventre podem surgir no início do tratamento e, na maioria dos casos, tendem a diminuir com o tempo. Porém, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, incapacidade de se alimentar, constipação prolongada ou perda de peso muito acelerada merecem investigação.

"Muita gente insiste no medicamento mesmo diante de sintomas importantes, acreditando que faz parte do processo. Nem sempre faz."


2. Comer como se nada tivesse mudado

As medicações diminuem o esvaziamento do estômago e aumentam a sensação de saciedade. Quem continua fazendo refeições volumosas ou muito gordurosas costuma apresentar mais desconforto.

"O organismo passa a funcionar de maneira diferente. Comer rapidamente, exagerar nas porções ou consumir alimentos muito gordurosos aumenta bastante o risco de náuseas, refluxo e vômitos."


3. Não beber água suficiente

Com a diminuição da fome, muitas pessoas também reduzem, sem perceber, a ingestão de líquidos.

O resultado pode ser desidratação, piora da prisão de ventre e aumento do desconforto digestivo.

"A hidratação continua sendo essencial, principalmente durante o emagrecimento."


4. Esquecer das fibras

Outro erro frequente é reduzir drasticamente a alimentação sem manter uma ingestão adequada de fibras.

Frutas, verduras, legumes e cereais integrais ajudam a preservar o funcionamento intestinal durante o tratamento.

"Não basta comer menos. É preciso comer melhor."


5. Aumentar a dose por conta própria

Na ansiedade por emagrecer mais rápido, alguns pacientes antecipam o aumento das doses sem orientação médica.

"Esse é um dos erros mais perigosos. Além de aumentar os efeitos colaterais, o paciente pode comprometer a adaptação do organismo e abandonar o tratamento justamente pelos sintomas."


6. Ignorar doenças digestivas pré-existentes

Pacientes com refluxo importante, hérnias, cálculos na vesícula, pancreatite, doenças inflamatórias intestinais ou histórico de cirurgias digestivas precisam de avaliação individual antes e durante o tratamento.

"O medicamento pode ser utilizado em muitos desses casos, mas exige acompanhamento mais cuidadoso."

O especialista lembra ainda que o emagrecimento rápido, independentemente do método utilizado, favorece o aparecimento de cálculos na vesícula.


7. Achar que a caneta resolve tudo sozinha

Talvez esse seja o maior equívoco.

"As canetas não substituem alimentação equilibrada, atividade física nem acompanhamento médico. Elas são uma ferramenta extremamente eficaz, mas fazem parte de um tratamento muito maior."

Sem mudança de hábitos, o risco de recuperar o peso após a suspensão da medicação também aumenta.
 

Como usar canetas emagrecedoras de maneira segura

Segundo o especialista é indicado o acompanhamento médico a quaisquer sintomas persistentes ou quando o paciente já apresenta doenças do sistema digestivo.

"O objetivo é evitar que um efeito colateral esperado evolua para uma complicação. Quanto mais cedo investigamos alterações importantes, maior a chance de resolver o problema sem interromper um tratamento que pode trazer enormes benefícios para a saúde já que a popularização dessas medicações trouxe uma oportunidade única de combater a obesidade, mas também exige mais informação”, finaliza.
  
 

Dr Rodrigo Barbosa - Cirurgião Digestivo sub-especializado em Cirurgia Bariátrica e Coloproctologia do corpo clínico dos hospitais Sírio Libanês e Nove de Julho. CEO do Instituto Medicina em Foco e coordenador do Canal ‘Medicina em Foco’ no Youtube Link


Fibromialgia também pode doer no rosto: mandíbula, cabeça e dentes entram no mapa da dor

 

Pacientes com fibromialgia apresentam com frequência dor facial, apertamento dentário e disfunções temporomandibulares, mas nem sempre percebem que os sintomas podem estar relacionados. 

A fibromialgia é normalmente associada a dores espalhadas pelo corpo, fadiga persistente, alterações do sono e maior sensibilidade aos estímulos. O que muitos pacientes desconhecem é que esse quadro também pode alcançar a musculatura da face, a articulação da mandíbula e a região dos dentes. 

Dor ao mastigar, sensação de pressão nos dentes, cefaleia, rigidez mandibular, sensibilidade facial, apertamento dentário e dificuldade para abrir a boca podem aparecer em pessoas com fibromialgia. Como os sintomas são percebidos na região bucal, é comum que o paciente procure inicialmente um cirurgião-dentista acreditando estar diante de um problema exclusivamente odontológico. 

Segundo o cirurgião-dentista, professor e mestre em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial, Dr. Nivaldo Vanni, a investigação precisa considerar o paciente de maneira integral. 

“Não é raro o paciente passar por diferentes profissionais procurando a origem de uma dor que parece estar no dente, quando, na realidade, existe um quadro mais amplo de sensibilização da dor. Por isso, a avaliação não pode ficar restrita a uma única região do corpo”, explica o especialista.

 

Quando o dente dói, mas não apresenta uma doença 

Nem toda sensação de dor nos dentes significa necessariamente a presença de cárie, inflamação, fratura ou outro problema dentário. O desconforto pode ter origem na musculatura da mastigação, na articulação temporomandibular, em estruturas nervosas ou ser percebido em um ponto diferente daquele onde se encontra sua verdadeira origem. 

A primeira etapa da avaliação é investigar e excluir as causas odontológicas. Quando os exames não identificam uma alteração compatível com a intensidade e as características da dor, o profissional deve ampliar o raciocínio clínico e considerar outras possibilidades.

Esse cuidado também ajuda a evitar procedimentos odontológicos desnecessários em dentes saudáveis. 

Estudos científicos reforçam a relação entre fibromialgia e sintomas orofaciais. Uma pesquisa caso-controle realizada com 40 mulheres diagnosticadas com fibromialgia identificou dor facial em 85% das participantes e DTM miofascial em 77,5%. Dor muscular durante os movimentos da mandíbula, apertamento dentário durante o dia e limitação de abertura da boca foram mais frequentes no grupo com fibromialgia. 

Como a pesquisa contou com uma amostra pequena, esses percentuais não podem ser generalizados para todos os pacientes. Os resultados, entretanto, demonstram a importância de incluir a região orofacial na avaliação de pessoas que convivem com fibromialgia. O estudo pode ser consultado no PubMed. 

Outro estudo publicado em 2025 também encontrou maior frequência de dor na articulação temporomandibular, travamento da mandíbula e cefaleias relacionadas à DTM e ao bruxismo entre pacientes com fibromialgia, em comparação com participantes sem a condição. A pesquisa está disponível no PubMed. 

 

Atendimento multidisciplinar 

A coexistência entre fibromialgia e DTM não significa que exista uma única causa ou um tratamento igual para todos. O acompanhamento pode exigir a participação coordenada de odontologia, reumatologia, neurologia, fisioterapia, psicologia, medicina do sono e outras áreas relacionadas ao controle da dor. 

O cirurgião-dentista pode avaliar a musculatura mastigatória, a movimentação e a abertura da mandíbula, a presença de dor na articulação temporomandibular e possíveis alterações odontológicas. A partir dessa investigação, é possível definir as condutas adequadas e realizar os encaminhamentos necessários. 

Fatores como qualidade do sono, ansiedade, estresse, hábitos de apertamento dentário, medicamentos utilizados e outras doenças precisam ser considerados na construção do plano terapêutico.

 

Canabinoides e tratamento da dor 

O Dr. Nivaldo Vanni participará do FITOMED Summit 2026, no Rio de Janeiro, encontro dedicado à medicina endocanabinoide e à discussão científica sobre novas abordagens terapêuticas. 

No evento, o especialista integrará os debates sobre dor, odontologia, sistema endocanabinoide e possibilidades de utilização clínica de canabinoides. Ele poderá explicar o que a ciência já conhece, quais resultados ainda estão em investigação e por que essas substâncias não devem ser apresentadas como solução isolada ou promessa de cura. 

Quando considerados, os canabinoides precisam integrar um plano terapêutico individualizado, elaborado a partir do diagnóstico, do histórico clínico, dos tratamentos já realizados e do acompanhamento de profissionais habilitados. 

A participação no FITOMED Summit reforça a atuação do Dr. Nivaldo na construção de uma odontologia conectada à saúde integral e ao avanço responsável da medicina endocanabinoide.  



Dr. Nivaldo Vanni - cirurgião-dentista, mestre em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial pela São Leopoldo Mandic e especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial. Possui formação internacional em Ortodontia Dentofacial na Faculté de Chirurgie Dentaire e nos Hôpitaux Pitié-Salpêtrière, em Paris. É professor e coordenador em Odontologia Canabinoide, coautor do capítulo “O Uso Terapêutico da Cannabis na Odontologia”, do Tratado de Cannabis Medicinal, e foi coordenador da Câmara Técnica de Odontologia da Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis entre 2020 e 2024. Também atua como professor do curso de extensão em Cannabis Medicinal da UNIFESP, palestrante e mentor em canabinologia.


 

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