No Dia Nacional da
Saúde, especialista alerta que cuidar do corpo também passa pela forma como a
pessoa se enxerga
A saúde costuma ser associada à prevenção de
doenças, à prática de exercícios físicos e à realização de exames periódicos.
Embora esses fatores sejam fundamentais, o conceito adotado pela Organização
Mundial da Saúde (OMS) é mais amplo e define a saúde como um estado de completo
bem estar físico, mental e social. No Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de
agosto, especialistas reforçam que a forma como uma pessoa se relaciona com o
próprio corpo também pode influenciar sua qualidade de vida, autoestima e saúde
mental.
Para Marco
Dallegrave, médico, cirurgião plástico, membro da Sociedade Brasileira de
Cirurgia Plástica (SBCP), compreender a saúde integral significa reconhecer que
corpo e mente não funcionam de maneira isolada. Segundo o especialista,
alterações na percepção da própria imagem podem afetar diferentes aspectos da
vida e, por isso, merecem uma avaliação cuidadosa antes de qualquer indicação
de tratamento.
A maneira como uma pessoa enxerga o próprio corpo é
construída ao longo da vida e sofre influência de fatores familiares,
culturais, emocionais e sociais. Mudanças provocadas pelo envelhecimento, pela
gestação, por uma perda importante de peso, por acidentes ou doenças também
podem modificar essa percepção e provocar sofrimento que vai além da aparência
física.
Segundo o especialista, quando a insatisfação
corporal passa a interferir na rotina, na convivência social ou na autoestima,
é importante investigar sua origem. Em alguns casos, o desconforto está
relacionado a alterações físicas que podem ser tratadas. Em outros, o principal
impacto está na saúde emocional e exige acompanhamento de diferentes
profissionais. "Quando falamos em saúde, não podemos olhar apenas para
exames ou doenças apenas. A autoestima, a saúde mental e a imagem corporal
também influenciam a qualidade de vida. Muitas pessoas chegam ao consultório
acreditando que o problema está apenas no corpo, quando, na verdade, existe uma
relação complexa entre aspectos físicos e emocionais que precisa ser
compreendida antes de qualquer decisão", afirma.
Autoestima também é saúde
A imagem corporal exerce influência sobre a
confiança, o comportamento e até a maneira como uma pessoa participa da vida
social e profissional. Quando existe uma percepção constantemente negativa da
própria aparência, é comum que surjam comportamentos como evitar fotografias,
deixar de frequentar ambientes sociais, abandonar atividades físicas ou
desenvolver insegurança em situações cotidianas.
Na avaliação do Marco Dallegrave , esses sinais
não devem ser encarados como uma questão exclusivamente estética. Eles podem
indicar que existe um sofrimento que merece atenção clínica. Por isso, a
primeira etapa do atendimento consiste em compreender a história do paciente,
suas expectativas e o impacto que aquela condição provoca na sua rotina.
"A percepção do corpo pode afetar a confiança, as relações pessoais, a
disposição para praticar exercícios e até o desempenho profissional. Isso não
significa que toda insatisfação deva ser tratada com uma cirurgia. Muitas
vezes, a melhor conduta envolve uma abordagem multidisciplinar, com
participação de psicólogos, psiquiatras, nutricionistas e outros profissionais
da saúde", explica.
Para o médico, um dos maiores desafios atuais é
diferenciar uma expectativa realista de uma busca por mudanças motivada por
padrões estéticos inalcançáveis. Essa avaliação é essencial para garantir que
qualquer tratamento seja indicado de forma ética, segura e centrada nas
necessidades do paciente.
Quando o problema não está
apenas no corpo
A crescente exposição nas redes sociais ampliou o
contato diário com imagens editadas, filtros e padrões de beleza que nem sempre
correspondem à realidade. Embora essas plataformas possam contribuir para a
troca de informações e experiências, também podem aumentar a comparação
constante e a insatisfação com a própria aparência.
Segundo o especialista, esse contexto reforça a
necessidade de analisar cada paciente de forma individualizada. Nem toda pessoa
que procura um procedimento cirúrgico apresenta uma indicação médica para
realizá-lo. Em determinadas situações, a melhor decisão é orientar, esclarecer
e, quando necessário, encaminhar para acompanhamento psicológico ou
psiquiátrico antes de considerar qualquer intervenção.
O especialista ressalta que a indicação cirúrgica
deve considerar o estado geral de saúde, as características anatômicas do
paciente, os riscos envolvidos, as expectativas apresentadas durante a consulta
e os benefícios que aquele procedimento pode proporcionar. O objetivo não é
atender a um padrão estético, mas promover conforto, funcionalidade e bem estar
quando existe uma indicação clínica compatível.
Quando a cirurgia plástica
pode fazer parte do cuidado
Embora frequentemente associada apenas à estética,
a cirurgia plástica também pode contribuir para a qualidade de vida em
diferentes situações. Pacientes que passaram por uma perda significativa de
peso, gestação, acidentes ou determinados tratamentos médicos podem apresentar
excesso de pele, desconforto funcional, alterações no contorno corporal e
limitações que interferem no dia a dia.
Nesses casos, a avaliação médica busca identificar
se existe uma condição que possa ser beneficiada por um procedimento cirúrgico.
Além dos aspectos físicos, também são considerados fatores emocionais, hábitos
de vida, histórico de saúde e expectativas em relação ao resultado.
"A cirurgia pode melhorar conforto,
mobilidade, funcionalidade e autoestima quando existe uma indicação adequada e
expectativas compatíveis com a realidade. Ela não deve ser encarada como
solução para todos os problemas da vida, mas pode contribuir para o bem estar
quando faz parte de um cuidado mais amplo com a saúde", explica o
cirurgião plástico.
Segundo o especialista, essa abordagem integrada
permite oferecer um atendimento mais seguro e resultados mais consistentes,
respeitando a individualidade de cada paciente.
Cinco sinais de que a relação
com o corpo merece atenção
Alguns comportamentos podem indicar que a forma
como uma pessoa percebe o próprio corpo está afetando sua saúde e qualidade de
vida:
- Evitar
atividades sociais por vergonha da aparência;
- Acreditar
que uma cirurgia resolverá problemas emocionais ou de relacionamento;
- Sentir
sofrimento constante ao se olhar no espelho;
- Deixar
de praticar atividades físicas por desconforto com a própria imagem;
- Comparar
o próprio corpo de maneira frequente com padrões vistos nas redes sociais.
Para Marco Dallegrave, reconhecer esses sinais é importante para buscar o acompanhamento adequado. "Saúde integral significa cuidar do corpo e da mente ao mesmo tempo. Em alguns casos, isso envolve um procedimento cirúrgico. Em outros, a melhor decisão é investir em acompanhamento psicológico, mudanças no estilo de vida ou outras formas de cuidado. O mais importante é entender que saúde vai muito além da aparência."
Dr. Marco Dallegrave - médico formado pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná (FEMPAR), com residência em Cirurgia Geral pela Santa Casa de Curitiba e residência em Cirurgia Plástica pelo Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba (PR). Também possui pós-graduação em Psiquiatria pelo CENBRAP, formação que complementa sua visão sobre os aspectos emocionais e psicológicos envolvidos na relação dos pacientes com a própria imagem. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), atua há 21 anos na especialidade e já realizou mais de 5 mil cirurgias. Sua prática é voltada à cirurgia plástica estética, com ênfase em procedimentos de contorno corporal, mini lipoaspiração de recuperação rápida e cirurgias das mamas.]Ao longo da carreira, consolidou uma abordagem que alia excelência técnica, segurança e atendimento humanizado. Defende que a cirurgia deve respeitar a individualidade de cada paciente e ser compreendida como parte de um cuidado integral com a saúde e o bem-estar, e não apenas como uma transformação estética.
Para mais informações, acesse o site e instagram.
Fontes de Pesquisa:
Organização Mundial da Saúde (OMS) – Constituição da Organização Mundial da Saúde e definição de saúde:
https://www.who.int/about/governance/constitution
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP):
https://www.cirurgiaplastica.org.br
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