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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Sua relação com o espelho diz muito sobre a saúde

No Dia Nacional da Saúde, especialista alerta que cuidar do corpo também passa pela forma como a pessoa se enxerga 

 

A saúde costuma ser associada à prevenção de doenças, à prática de exercícios físicos e à realização de exames periódicos. Embora esses fatores sejam fundamentais, o conceito adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é mais amplo e define a saúde como um estado de completo bem estar físico, mental e social. No Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, especialistas reforçam que a forma como uma pessoa se relaciona com o próprio corpo também pode influenciar sua qualidade de vida, autoestima e saúde mental.

Para Marco Dallegrave, médico, cirurgião plástico, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), compreender a saúde integral significa reconhecer que corpo e mente não funcionam de maneira isolada. Segundo o especialista, alterações na percepção da própria imagem podem afetar diferentes aspectos da vida e, por isso, merecem uma avaliação cuidadosa antes de qualquer indicação de tratamento.

A maneira como uma pessoa enxerga o próprio corpo é construída ao longo da vida e sofre influência de fatores familiares, culturais, emocionais e sociais. Mudanças provocadas pelo envelhecimento, pela gestação, por uma perda importante de peso, por acidentes ou doenças também podem modificar essa percepção e provocar sofrimento que vai além da aparência física.

Segundo o especialista, quando a insatisfação corporal passa a interferir na rotina, na convivência social ou na autoestima, é importante investigar sua origem. Em alguns casos, o desconforto está relacionado a alterações físicas que podem ser tratadas. Em outros, o principal impacto está na saúde emocional e exige acompanhamento de diferentes profissionais. "Quando falamos em saúde, não podemos olhar apenas para exames ou doenças apenas. A autoestima, a saúde mental e a imagem corporal também influenciam a qualidade de vida. Muitas pessoas chegam ao consultório acreditando que o problema está apenas no corpo, quando, na verdade, existe uma relação complexa entre aspectos físicos e emocionais que precisa ser compreendida antes de qualquer decisão", afirma.


Autoestima também é saúde

A imagem corporal exerce influência sobre a confiança, o comportamento e até a maneira como uma pessoa participa da vida social e profissional. Quando existe uma percepção constantemente negativa da própria aparência, é comum que surjam comportamentos como evitar fotografias, deixar de frequentar ambientes sociais, abandonar atividades físicas ou desenvolver insegurança em situações cotidianas.

Na avaliação do Marco Dallegrave , esses sinais não devem ser encarados como uma questão exclusivamente estética. Eles podem indicar que existe um sofrimento que merece atenção clínica. Por isso, a primeira etapa do atendimento consiste em compreender a história do paciente, suas expectativas e o impacto que aquela condição provoca na sua rotina. "A percepção do corpo pode afetar a confiança, as relações pessoais, a disposição para praticar exercícios e até o desempenho profissional. Isso não significa que toda insatisfação deva ser tratada com uma cirurgia. Muitas vezes, a melhor conduta envolve uma abordagem multidisciplinar, com participação de psicólogos, psiquiatras, nutricionistas e outros profissionais da saúde", explica.

Para o médico, um dos maiores desafios atuais é diferenciar uma expectativa realista de uma busca por mudanças motivada por padrões estéticos inalcançáveis. Essa avaliação é essencial para garantir que qualquer tratamento seja indicado de forma ética, segura e centrada nas necessidades do paciente.


Quando o problema não está apenas no corpo

A crescente exposição nas redes sociais ampliou o contato diário com imagens editadas, filtros e padrões de beleza que nem sempre correspondem à realidade. Embora essas plataformas possam contribuir para a troca de informações e experiências, também podem aumentar a comparação constante e a insatisfação com a própria aparência.

Segundo o especialista, esse contexto reforça a necessidade de analisar cada paciente de forma individualizada. Nem toda pessoa que procura um procedimento cirúrgico apresenta uma indicação médica para realizá-lo. Em determinadas situações, a melhor decisão é orientar, esclarecer e, quando necessário, encaminhar para acompanhamento psicológico ou psiquiátrico antes de considerar qualquer intervenção.

O especialista ressalta que a indicação cirúrgica deve considerar o estado geral de saúde, as características anatômicas do paciente, os riscos envolvidos, as expectativas apresentadas durante a consulta e os benefícios que aquele procedimento pode proporcionar. O objetivo não é atender a um padrão estético, mas promover conforto, funcionalidade e bem estar quando existe uma indicação clínica compatível.


Quando a cirurgia plástica pode fazer parte do cuidado

Embora frequentemente associada apenas à estética, a cirurgia plástica também pode contribuir para a qualidade de vida em diferentes situações. Pacientes que passaram por uma perda significativa de peso, gestação, acidentes ou determinados tratamentos médicos podem apresentar excesso de pele, desconforto funcional, alterações no contorno corporal e limitações que interferem no dia a dia.

Nesses casos, a avaliação médica busca identificar se existe uma condição que possa ser beneficiada por um procedimento cirúrgico. Além dos aspectos físicos, também são considerados fatores emocionais, hábitos de vida, histórico de saúde e expectativas em relação ao resultado.

"A cirurgia pode melhorar conforto, mobilidade, funcionalidade e autoestima quando existe uma indicação adequada e expectativas compatíveis com a realidade. Ela não deve ser encarada como solução para todos os problemas da vida, mas pode contribuir para o bem estar quando faz parte de um cuidado mais amplo com a saúde", explica o cirurgião plástico.

Segundo o especialista, essa abordagem integrada permite oferecer um atendimento mais seguro e resultados mais consistentes, respeitando a individualidade de cada paciente.


Cinco sinais de que a relação com o corpo merece atenção

Alguns comportamentos podem indicar que a forma como uma pessoa percebe o próprio corpo está afetando sua saúde e qualidade de vida:

  • Evitar atividades sociais por vergonha da aparência;
  • Acreditar que uma cirurgia resolverá problemas emocionais ou de relacionamento;
  • Sentir sofrimento constante ao se olhar no espelho;
  • Deixar de praticar atividades físicas por desconforto com a própria imagem;
  • Comparar o próprio corpo de maneira frequente com padrões vistos nas redes sociais.

Para Marco Dallegrave, reconhecer esses sinais é importante para buscar o acompanhamento adequado. "Saúde integral significa cuidar do corpo e da mente ao mesmo tempo. Em alguns casos, isso envolve um procedimento cirúrgico. Em outros, a melhor decisão é investir em acompanhamento psicológico, mudanças no estilo de vida ou outras formas de cuidado. O mais importante é entender que saúde vai muito além da aparência." 



Dr. Marco Dallegrave - médico formado pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná (FEMPAR), com residência em Cirurgia Geral pela Santa Casa de Curitiba e residência em Cirurgia Plástica pelo Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba (PR). Também possui pós-graduação em Psiquiatria pelo CENBRAP, formação que complementa sua visão sobre os aspectos emocionais e psicológicos envolvidos na relação dos pacientes com a própria imagem. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), atua há 21 anos na especialidade e já realizou mais de 5 mil cirurgias. Sua prática é voltada à cirurgia plástica estética, com ênfase em procedimentos de contorno corporal, mini lipoaspiração de recuperação rápida e cirurgias das mamas.]Ao longo da carreira, consolidou uma abordagem que alia excelência técnica, segurança e atendimento humanizado. Defende que a cirurgia deve respeitar a individualidade de cada paciente e ser compreendida como parte de um cuidado integral com a saúde e o bem-estar, e não apenas como uma transformação estética.
Para mais informações, acesse o site e instagram.




Fontes de Pesquisa:

Organização Mundial da Saúde (OMS) – Constituição da Organização Mundial da Saúde e definição de saúde:
https://www.who.int/about/governance/constitution

Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP):
https://www.cirurgiaplastica.org.br


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