No Dia Nacional da Saúde, especialista alerta que a prevenção só é completa quando inclui a saúde bucal, ainda negligenciada por grande parte da população
O Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto,
reforça a importância da prevenção como estratégia para aumentar a qualidade de
vida da população. No entanto, a saúde bucal ainda ocupa um espaço secundário
nessa discussão. O Ministério da Saúde concluiu, em 2025, o maior levantamento
epidemiológico sobre saúde bucal já realizado no país, o SB Brasil 2023, que
atualiza o retrato das condições odontológicas dos brasileiros e servirá de
base para as políticas públicas da área. A pesquisa reforça que doenças como
cárie, perda dentária e problemas periodontais continuam entre os agravos
crônicos mais frequentes da população, evidenciando que o cuidado com a boca
ainda está distante da rotina preventiva de milhões de brasileiros.
Para a cirurgiã-dentista Cristiane Vasconcellos,
mestre em Clínica Odontológica Integrada, especialista em Odontogeriatria e
Odontologia Hospitalar e diretora da Odontolar, clínica de Vitória
especializada no atendimento de idosos, pessoas com deficiência e pacientes com
mobilidade reduzida, a prevenção em saúde ainda costuma ignorar uma parte
fundamental do organismo. "A boca não pode ser tratada de forma isolada.
Alterações na cavidade oral podem comprometer a alimentação, a comunicação, a
autoestima e também influenciar no controle de doenças sistêmicas. Quando o
acompanhamento odontológico fica de fora da prevenção, muitas condições deixam
de ser diagnosticadas precocemente", afirma.
Problemas na boca podem afetar
muito além do sorriso
Embora muita gente associe a consulta odontológica
apenas ao tratamento de cáries ou à estética, a literatura científica demonstra
que a saúde bucal está diretamente relacionada ao funcionamento do organismo. A
doença periodontal, por exemplo, está associada ao pior controle do diabetes,
ao aumento do risco de doenças cardiovasculares e a complicações respiratórias,
principalmente entre idosos e pacientes mais vulneráveis. A própria Organização
Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 3,5 bilhões de pessoas convivam com
doenças bucais, tornando essas condições uma das enfermidades crônicas mais
prevalentes no mundo.
Segundo a especialista, muitos desses problemas
evoluem sem provocar dor nas fases iniciais. "Sangramento na gengiva,
feridas que não cicatrizam, mobilidade dentária, dificuldade para mastigar,
boca seca e alterações no encaixe das próteses nunca devem ser considerados
normais. Quanto mais cedo esses sinais forem avaliados, menores são os riscos
de complicações", explica Cristiane.
Idosos e pacientes com mobilidade
reduzida exigem atenção especial
Os impactos da negligência são ainda mais evidentes
entre idosos, pessoas com deficiência, pacientes acamados e indivíduos com
mobilidade reduzida. Além das dificuldades de acesso ao atendimento, esse
público costuma conviver com doenças crônicas e fazer uso contínuo de
medicamentos que alteram o funcionamento da cavidade oral.
Antidepressivos, anti-hipertensivos, medicamentos para
Parkinson, diabetes e outras doenças crônicas podem reduzir a produção de
saliva, favorecendo o aparecimento de cáries, candidíase, dificuldade para
utilizar próteses, alterações no paladar e maior risco de infecções.
"É comum que esses sintomas sejam atribuídos
apenas ao envelhecimento ou à doença de base. Na prática, muitos estão relacionados
aos medicamentos ou à ausência de acompanhamento odontológico. O diagnóstico
precoce evita complicações e ajuda a preservar funções essenciais, como
mastigar e falar", explica a especialista.
Prevenção também inclui
consultas odontológicas
O envelhecimento acelerado da população brasileira
reforça a necessidade de ampliar o olhar sobre a prevenção. Segundo projeções
do IBGE, em 2030 o Brasil terá mais pessoas com 60 anos ou mais do que crianças
e adolescentes de até 14 anos, aumentando a demanda por cuidados que preservem
autonomia e qualidade de vida ao longo do envelhecimento.
Para Cristiane Vasconcellos, incluir
a avaliação odontológica na rotina preventiva deve ser tão natural quanto
realizar exames periódicos ou manter a vacinação em dia. "A consulta
odontológica permite identificar doenças precocemente, acompanhar pacientes que
utilizam medicamentos de uso contínuo, orientar familiares e cuidadores e
preservar funções fundamentais para a qualidade de vida. A prevenção começa
antes da dor."
A especialista orienta procurar atendimento sempre
que houver sangramento frequente na gengiva, dor persistente, feridas que
permaneçam por mais de 15 dias, dificuldade para mastigar, mau hálito
constante, mobilidade dentária, boca seca prolongada ou alterações no encaixe
das próteses. Mesmo sem sintomas, o acompanhamento periódico continua sendo a
forma mais eficaz de prevenir complicações.
No Dia Nacional da Saúde, a principal mensagem é
que a prevenção não termina na porta do consultório médico. Cuidar da saúde de
forma integral significa reconhecer que a boca também faz parte desse processo
e que sua negligência pode comprometer todo o organismo.
Cristiane Vasconcellos - cirurgiã-dentista, mestre em Clínica Odontológica Integrada e diretora clínica da Odontolar, em Vitória (ES). Atua há mais de duas décadas no atendimento odontológico voltado à idosos, pessoas com deficiência e pacientes com mobilidade reduzida, com foco em atendimentos hospitalares, em instituições geriátricas e atendimento domiciliares. Ao longo da carreira, consolidou sua atuação no Espírito Santo levando estrutura clínica e tecnologia até a casa de pacientes que não conseguem se deslocar até os consultórios odontológicos.Especialista em Geriatria e Gerontologia, Odontogeriatria, Odontologia Hospitalar, Laserterapia, Prótese Dentária e Saúde Coletiva, dedica sua prática à integração entre saúde bucal, qualidade de vida e cuidado humanizado nesse tipo de pacientes.
Para mais informações acesse, instagram
Odontolar
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Fonte de pesquisa
https://www.who.int/health-topics/oral-health#tab=tab_1
https://www.who.int/publications/i/item/9789240061484
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-bucal
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