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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Fibromialgia também pode doer no rosto: mandíbula, cabeça e dentes entram no mapa da dor

 

Pacientes com fibromialgia apresentam com frequência dor facial, apertamento dentário e disfunções temporomandibulares, mas nem sempre percebem que os sintomas podem estar relacionados. 

A fibromialgia é normalmente associada a dores espalhadas pelo corpo, fadiga persistente, alterações do sono e maior sensibilidade aos estímulos. O que muitos pacientes desconhecem é que esse quadro também pode alcançar a musculatura da face, a articulação da mandíbula e a região dos dentes. 

Dor ao mastigar, sensação de pressão nos dentes, cefaleia, rigidez mandibular, sensibilidade facial, apertamento dentário e dificuldade para abrir a boca podem aparecer em pessoas com fibromialgia. Como os sintomas são percebidos na região bucal, é comum que o paciente procure inicialmente um cirurgião-dentista acreditando estar diante de um problema exclusivamente odontológico. 

Segundo o cirurgião-dentista, professor e mestre em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial, Dr. Nivaldo Vanni, a investigação precisa considerar o paciente de maneira integral. 

“Não é raro o paciente passar por diferentes profissionais procurando a origem de uma dor que parece estar no dente, quando, na realidade, existe um quadro mais amplo de sensibilização da dor. Por isso, a avaliação não pode ficar restrita a uma única região do corpo”, explica o especialista.

 

Quando o dente dói, mas não apresenta uma doença 

Nem toda sensação de dor nos dentes significa necessariamente a presença de cárie, inflamação, fratura ou outro problema dentário. O desconforto pode ter origem na musculatura da mastigação, na articulação temporomandibular, em estruturas nervosas ou ser percebido em um ponto diferente daquele onde se encontra sua verdadeira origem. 

A primeira etapa da avaliação é investigar e excluir as causas odontológicas. Quando os exames não identificam uma alteração compatível com a intensidade e as características da dor, o profissional deve ampliar o raciocínio clínico e considerar outras possibilidades.

Esse cuidado também ajuda a evitar procedimentos odontológicos desnecessários em dentes saudáveis. 

Estudos científicos reforçam a relação entre fibromialgia e sintomas orofaciais. Uma pesquisa caso-controle realizada com 40 mulheres diagnosticadas com fibromialgia identificou dor facial em 85% das participantes e DTM miofascial em 77,5%. Dor muscular durante os movimentos da mandíbula, apertamento dentário durante o dia e limitação de abertura da boca foram mais frequentes no grupo com fibromialgia. 

Como a pesquisa contou com uma amostra pequena, esses percentuais não podem ser generalizados para todos os pacientes. Os resultados, entretanto, demonstram a importância de incluir a região orofacial na avaliação de pessoas que convivem com fibromialgia. O estudo pode ser consultado no PubMed. 

Outro estudo publicado em 2025 também encontrou maior frequência de dor na articulação temporomandibular, travamento da mandíbula e cefaleias relacionadas à DTM e ao bruxismo entre pacientes com fibromialgia, em comparação com participantes sem a condição. A pesquisa está disponível no PubMed. 

 

Atendimento multidisciplinar 

A coexistência entre fibromialgia e DTM não significa que exista uma única causa ou um tratamento igual para todos. O acompanhamento pode exigir a participação coordenada de odontologia, reumatologia, neurologia, fisioterapia, psicologia, medicina do sono e outras áreas relacionadas ao controle da dor. 

O cirurgião-dentista pode avaliar a musculatura mastigatória, a movimentação e a abertura da mandíbula, a presença de dor na articulação temporomandibular e possíveis alterações odontológicas. A partir dessa investigação, é possível definir as condutas adequadas e realizar os encaminhamentos necessários. 

Fatores como qualidade do sono, ansiedade, estresse, hábitos de apertamento dentário, medicamentos utilizados e outras doenças precisam ser considerados na construção do plano terapêutico.

 

Canabinoides e tratamento da dor 

O Dr. Nivaldo Vanni participará do FITOMED Summit 2026, no Rio de Janeiro, encontro dedicado à medicina endocanabinoide e à discussão científica sobre novas abordagens terapêuticas. 

No evento, o especialista integrará os debates sobre dor, odontologia, sistema endocanabinoide e possibilidades de utilização clínica de canabinoides. Ele poderá explicar o que a ciência já conhece, quais resultados ainda estão em investigação e por que essas substâncias não devem ser apresentadas como solução isolada ou promessa de cura. 

Quando considerados, os canabinoides precisam integrar um plano terapêutico individualizado, elaborado a partir do diagnóstico, do histórico clínico, dos tratamentos já realizados e do acompanhamento de profissionais habilitados. 

A participação no FITOMED Summit reforça a atuação do Dr. Nivaldo na construção de uma odontologia conectada à saúde integral e ao avanço responsável da medicina endocanabinoide.  



Dr. Nivaldo Vanni - cirurgião-dentista, mestre em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial pela São Leopoldo Mandic e especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial. Possui formação internacional em Ortodontia Dentofacial na Faculté de Chirurgie Dentaire e nos Hôpitaux Pitié-Salpêtrière, em Paris. É professor e coordenador em Odontologia Canabinoide, coautor do capítulo “O Uso Terapêutico da Cannabis na Odontologia”, do Tratado de Cannabis Medicinal, e foi coordenador da Câmara Técnica de Odontologia da Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis entre 2020 e 2024. Também atua como professor do curso de extensão em Cannabis Medicinal da UNIFESP, palestrante e mentor em canabinologia.


 

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