As
canetas emagrecedoras revolucionaram o tratamento da obesidade e os
medicamentos como Ozempic®, Wegovy® e Mounjaro® têm proporcionado perda de peso
significativa e redução do risco de diversas doenças associadas ao excesso de
peso. No entanto, à medida que o número de usuários cresce, também aumenta a
quantidade de pacientes que chegam aos consultórios com problemas digestivos
que poderiam ser evitados.
Segundo
o cirurgião do aparelho digestivo Dr.
Rodrigo Barbosa esses medicamentos seguros quando utilizados com indicação
médica e acompanhamento adequado. “O problema é que muitas pessoas começam a
usar sem indicação médica, aumentam a dose por conta própria e ignoram sintomas
importantes, colocando a saúde digestiva em risco", explica o médico que
aponta os principais erros observados neste uso indiscriminado:
1. Acreditar que os efeitos colaterais são sempre "normais"
Náuseas,
sensação de estômago cheio, azia e prisão de ventre podem surgir no início do
tratamento e, na maioria dos casos, tendem a diminuir com o tempo. Porém, dor
abdominal intensa, vômitos persistentes, incapacidade de se alimentar, constipação
prolongada ou perda de peso muito acelerada merecem investigação.
"Muita
gente insiste no medicamento mesmo diante de sintomas importantes, acreditando
que faz parte do processo. Nem sempre faz."
2. Comer como se nada tivesse mudado
As
medicações diminuem o esvaziamento do estômago e aumentam a sensação de saciedade.
Quem continua fazendo refeições volumosas ou muito gordurosas costuma
apresentar mais desconforto.
"O
organismo passa a funcionar de maneira diferente. Comer rapidamente, exagerar
nas porções ou consumir alimentos muito gordurosos aumenta bastante o risco de
náuseas, refluxo e vômitos."
3. Não beber água suficiente
Com
a diminuição da fome, muitas pessoas também reduzem, sem perceber, a ingestão
de líquidos.
O
resultado pode ser desidratação, piora da prisão de ventre e aumento do
desconforto digestivo.
"A
hidratação continua sendo essencial, principalmente durante o
emagrecimento."
4. Esquecer das fibras
Outro
erro frequente é reduzir drasticamente a alimentação sem manter uma ingestão
adequada de fibras.
Frutas,
verduras, legumes e cereais integrais ajudam a preservar o funcionamento
intestinal durante o tratamento.
"Não
basta comer menos. É preciso comer melhor."
5. Aumentar a dose por conta própria
Na
ansiedade por emagrecer mais rápido, alguns pacientes antecipam o aumento das
doses sem orientação médica.
"Esse
é um dos erros mais perigosos. Além de aumentar os efeitos colaterais, o paciente
pode comprometer a adaptação do organismo e abandonar o tratamento justamente
pelos sintomas."
6. Ignorar doenças digestivas pré-existentes
Pacientes
com refluxo importante, hérnias, cálculos na vesícula, pancreatite, doenças
inflamatórias intestinais ou histórico de cirurgias digestivas precisam de
avaliação individual antes e durante o tratamento.
"O
medicamento pode ser utilizado em muitos desses casos, mas exige acompanhamento
mais cuidadoso."
O
especialista lembra ainda que o emagrecimento rápido, independentemente do
método utilizado, favorece o aparecimento de cálculos na vesícula.
7. Achar que a caneta resolve tudo sozinha
Talvez
esse seja o maior equívoco.
"As
canetas não substituem alimentação equilibrada, atividade física nem
acompanhamento médico. Elas são uma ferramenta extremamente eficaz, mas fazem
parte de um tratamento muito maior."
Sem
mudança de hábitos, o risco de recuperar o peso após a suspensão da medicação
também aumenta.
Como usar canetas emagrecedoras de maneira segura
Segundo
o especialista é indicado o acompanhamento médico a quaisquer sintomas
persistentes ou quando o paciente já apresenta doenças do sistema digestivo.
"O
objetivo é evitar que um efeito colateral esperado evolua para uma complicação.
Quanto mais cedo investigamos alterações importantes, maior a chance de
resolver o problema sem interromper um tratamento que pode trazer enormes
benefícios para a saúde já que a popularização dessas medicações trouxe uma
oportunidade única de combater a obesidade, mas também exige mais informação”,
finaliza.
Nenhum comentário:
Postar um comentário