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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Seis anos após o Marco Legal, projetos contratados têm potencial de beneficiar mais de 100 milhões de brasileiros – quase metade da população do país


  • Carteira de projetos em estruturação prevê mais de R$ 58,4 bilhões em investimentos, abrangendo uma população de mais de 18 milhões e impactando 625 municípios;
  • Desde a aprovação do Marco Legal o volume anual de investimento cresceu 51%, de R$ 90,54/hab para 137,02/hab. Entretanto, ainda segue distante do volume médio necessário previsto pelo PLANSAB, de R$ 225/ano/hab;
  • O país ainda convive com lacunas relevantes na regulação do saneamento. Há 963 municípios, com cerca de 20 milhões de habitantes, sem agência reguladora cadastrada na ANA;
  • Mesmo entre os municípios com agência reguladora cadastrada, a aderência às normas de referência ainda é bastante limitada. Apenas 29 das 82 agências cadastradas, comprovaram aderência, abrangendo 2.809 municípios e cerca de 92 milhões de habitantes, o equivalente a 43% da população brasileira;

 

O Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, divulga a quinta edição do estudo “Avanços do Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil de 2026 (SINISA, 2024)”. O material busca avaliar o estágio de implementação da Lei nº 14.026, de 15 de julho de 2020, bem como analisar os potenciais ganhos socioeconômicos provenientes de maiores investimentos em saneamento. 

O Marco Legal do Saneamento Básico consolidou mudanças significativas para impulsionar o setor rumo à sua universalização. O cenário atual, porém, ainda é bastante desafiador: 15,9% da população brasileira vive sem acesso à água potável e 43,3% não possuem coleta de esgoto. A lei estabeleceu que todas as localidades brasileiras devem atender a 99% da população com abastecimento de água e 90% com esgotamento sanitário até 2033. 

A legislação busca contribuir com a constituição de uma estrutura que incentive investimentos no tema, estimulando alternativas para o aumento da cobertura dos serviços básicos. Seus principais alicerces podem ser compilados em seis eixos: 

Quadro 1: Principais Eixos da Reorganização Setorial Promovida pelo Marco

Eixo

Mudança promovida

Função no novo arranjo

Metas nacionais

Fixação dos objetivos de 99% de atendimento com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033, com possibilidade de extensão até 2040 em situações específicas

Transformar a universalização em referência comum para contratos, planos, investimentos e regulação

Competição pelo mercado

Vedação a novos contratos de programa e licitação como regra para novos contratos

Selecionar prestadores com base em compromissos de investimento, qualidade e eficiência

Capacidade econômico-financeira

Exigência de demonstração da capacidade dos prestadores para cumprir as metas legais

Verificar se os contratos em vigor tinham condições materiais de entregar a universalização

Segurança jurídica e contratual

Regras para adaptação contratual, concessões, PPPs e desestatizações, inclusive no caso de alienação de controle de companhia estatal prestadora

Reduzir incertezas jurídicas e dar maior previsibilidade à transição para novos modelos de prestação

Regionalização

Estímulo à prestação regionalizada e à formação de blocos de municípios

Ampliar escala, viabilizar subsídios cruzados e incluir municípios onde a universalização é mais difícil.

Normas de referência da ANA

Atribuição à ANA para editar parâmetros nacionais de regulação

Reduzir a fragmentação regulatória e aumentar a previsibilidade para titulares, prestadores, reguladores, investidores e usuários

Fonte: Lei nº 11.445/2007, com alterações promovidas pela Lei nº 14.026/2020. Elaboração: GO Associados.

 

CENÁRIO DO SANEAMENTO NO BRASIL DE 2020 A 2024 

A evolução desses indicadores entre 2020 e 2024, apresentada no Quadro 2, revela avanços tímidos e ainda insuficientes para aproximar o país das metas previstas para 2033. Embora o indicador de tratamento de esgoto tenha registrado a maior expansão no período, ele permanece como o mais distante da universalização, uma vez que sua evolução depende, em grande medida, da ampliação da cobertura de coleta de esgoto. 

Quadro 2: Evolução dos Indicadores de Atendimento no Brasil (2020-2024)

Fonte: SNIS (2020-2022); SINISA (2023-2024). Elaboração: GO Associados.


HISTÓRICO DE INVESTIMENTOS DE 2020 A 2024 

O total dos investimentos no período de 2020 a 2024 ficou em R$ 112,6 bilhões. Desse montante, a maior parcela (R$ 57,3 bilhões ou 50,9%) foi desempenhada pela macrorregião Sudeste, com o estado de São Paulo apresentando o desembolso mais significativo entre as unidades da federação brasileiras (R$ 34,6 bilhões ou 30,8%). 

A macrorregião Norte, por outro lado, observou o menor investimento do quinquênio, com R$ 5,3 bilhões, o que representa aproximadamente 4,7% do total. Não coincidentemente, trata-se também da região com os piores indicadores de atendimento. Sob perspectiva estadual, o Acre foi aquele com o menor investimento no período, somando somente R$ 65,8 milhões entre 2020 e 2024, menos de 0,1% do total. 

O Quadro 3 apresenta a evolução dos investimentos por habitante. Desde a aprovação do Marco Legal o volume anual de investimento no país cresceu 51%, de R$ 90,54/hab para 137,02/hab. Entretanto, ainda segue distante do volume médio necessário previsto pelo PLANSAB, de R$ 225/ano/hab. 

Quadro 3: Evolução dos Investimentos por Habitante em Saneamento Básico no Brasil, 2020-2024


Fonte: SNIS (2020-2022); SINISA (2023-2024). Elaboração: GO Associados. Nota: valores de 06/2024.


 

CAPACIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA 

A comprovação de capacidade econômico-financeira tornou-se um dos instrumentos centrais do Marco. Sua finalidade foi verificar se os prestadores tinham condições materiais de cumprir as metas legais nos prazos estabelecidos. O objetivo não era apenas formalizar documentos, mas confrontar a existência jurídica dos contratos com a capacidade efetiva de financiar e executar os investimentos necessários à universalização. 

Publicado em julho de 2023, o Decreto nº 11.598/2023 definiu a metodologia para comprovação da capacidade econômico-financeira dos prestadores de serviços públicos de abastecimento de água potável ou de esgotamento sanitário que detivessem contratos regulares em vigor. Na prática, a exigência alcançou sobretudo contratos de programa celebrados entre municípios e companhias estaduais, muitos deles firmados sem licitação e sem metas compatíveis com as metas legais de universalização.

 

REGIONALIZAÇÃO 

A prestação regionalizada foi incorporada como instrumento para enfrentar a insuficiência de escala de muitos municípios. Em um país com milhares de cidades, grande diversidade territorial e fortes desigualdades de renda, a prestação isolada pode limitar a viabilidade dos investimentos. Municípios pequenos, pouco densos ou com menor capacidade de pagamento tendem a apresentar maior custo por usuário atendido e menor atratividade econômica. A regionalização responde a esse diagnóstico ao organizar a prestação em escala compatível comas a necessidade de cobertura e de financiamento. 

Ao reunir municípios em uma mesma estrutura, torna-se possível combinar diferentes perfis de demanda, diluir custos, organizar mecanismos de subsídio cruzado e incluir localidades que, isoladamente, teriam menor capacidade de atrair investimentos. Essa lógica é central para a universalização, porque parte relevante do déficit está justamente em áreas onde o atendimento é mais caro, disperso ou operacionalmente complexo. 

A experiência dos últimos anos mostra avanços desiguais entre os estados. Alguns conseguiram estruturar blocos e contratar investimentos. Outros avançaram na legislação ou na definição formal das unidades regionais, mas ainda enfrentam dificuldades de adesão municipal, governança, modelagem ou implementação. Isso indica que a regionalização deve ser avaliada menos pela criação formal de blocos e mais pela capacidade de transformar escala em contratos viáveis, investimentos executáveis, fiscalização efetiva e atendimento à população. 

O ganho de escala, por si só, não resolve todos os problemas. A regionalização depende de governança interfederativa, coordenação entre titulares, regras claras de tomada de decisão, transparência nos subsídios cruzados e capacidade regulatória compatível com a complexidade dos contratos. 

A consolidação das entidades regionalizadas é um fator decisivo para que a regionalização produza os resultados esperados. Embora a maioria dos estados já tenha instituído formalmente suas unidades regionais, muitas dessas estruturas ainda operam de forma limitada, sem mecanismos efetivos de governança, coordenação entre os municípios, planejamento integrado ou capacidade técnica para conduzir processos de contratação e fiscalização. Esse cenário reduz a capacidade de transformar o ganho de escala em investimentos concretos, compromete a segurança jurídica dos arranjos e dificulta a implementação de soluções regionalizadas capazes de ampliar o acesso aos serviços. O desafio atual, portanto, não está apenas na criação dessas estruturas, mas em garantir seu funcionamento efetivo, com regras claras, participação dos entes envolvidos e capacidade institucional compatível com a complexidade do setor.

 

AGENDA REGULATÓRIA DA ANA (2025-2026) E O PAPEL DA LISTA POSITIVA 

A Agenda Regulatória 2025-2026 inaugura uma nova etapa na consolidação do papel atribuído à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) pelo Marco Legal. Após um primeiro ciclo concentrado nas normas mais diretamente associadas à organização contratual, à governança regulatória, às metas progressivas, à qualidade da prestação, aos modelos tarifários, ao reajuste e à matriz de riscos, o biênio 2025-2026 avança sobre temas operacionais, tarifários e institucionais necessários à aplicação prática desse arcabouço. 

Uma destas ações é a Lista Positiva decorrente da Resolução ANA nº 134/2022, que avalia a comprovação da adoção das normas de referência pelas Entidades Reguladoras Infranacionais (ERI). Em 22 de dezembro de 2025, a ANA divulgou a primeira lista desse ciclo de comprovação, organizada por componente do saneamento básico. A verificação foi feita separadamente para abastecimento de água, esgotamento sanitário e limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos urbanos. Para ser considerada aderente em determinado componente, a entidade reguladora deve comprovar o atendimento a todas as normas aplicáveis àquele componente, inclusive normas gerais ou transversais quando cabíveis. 

Os resultados do ciclo de 2025 podem ser observados no Quadro 4, que indica que cerca de 20 milhões de brasileiros vivem em municípios sem agência reguladora cadastrada na ANA. 

Quadro 4: Distribuição dos municípios e da população segundo a existência de agência reguladora e aderência às Normas de Referência da ANA

 

Nº de agências

Nº de Municípios

População (milhões)

Brasil

1051

5.570

213

Municípios sem agência reguladora cadastrada na ANA2

-

963

20

Municípios com agência reguladora cadastradas na ANA

82

4.605

1934

Municípios com agência reguladora aderente às Normas de Referência da ANA

29

2.8093

92

Fonte: ANA (2026) – Painéis ERIs e IBGE. Elaboração: GO Associados. (1) Considerou o número de agências reguladoras de saneamento reportado pela ANA no RAIR sobre “Norma de Referência sobre indicadores operacionais da prestação dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos urbanos”. (2) Existem municípios, de fato, sem presença de agência reguladora e outros municípios cuja atuação de agência reguladora ocorre, mas não foi devidamente reportada à ANA. Em vista da impossibilidade de distinção, com base nos dados disponíveis, optou-se por deixar sem registro o número de agências desta linha. (3) Para fins de apuração, Brasília foi considerada como município. (4) A ANA informa que 20 milhões de pessoas residem em 963 municípios sem regulação de serviços de saneamento, enquanto 4.605 municípios apresentam regulador cadastrado na ANA. A soma do total de municípios, segundo a ANA, é de 5.568, pouco inferior aos 5.570 reportados pelo IBGE. A população de 193 milhões foi obtida pela diferença entre 213 milhões para o Brasil (IBGE) e os 20 milhões de habitantes em municípios sem agência reguladora (dados reportados pela ANA).

 

O Quadro 5 apresenta a lista de ERI aderentes às normas da ANA. Conforme observado, a maior concentração ocorre em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com 4 agências em cada estado. Em seguida, aparecem Goiás e Mato Grosso, com 3 agências cada, e São Paulo, com 2 agências. Os demais estados e o Distrito Federal contam com 1 agência aderente cada, sendo eles Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Piauí, Paraná e Sergipe. O resultado mostra que a adesão ainda se concentra em um grupo limitado de unidades da federação, com presença mais intensa em estados que contam com estruturas regulatórias estaduais, municipais ou intermunicipais mais diversificadas. 

Quadro 5: Distribuição geográfica das ERIs aderentes às Normas da ANA

Fonte: ANA (2026). Elaboração: GO Associados

Os últimos seis anos mostram que as atribuições conferidas à ANA pelo Marco Legal ganharam densidade institucional e passaram a ocupar um papel central na coordenação regulatória do saneamento. O arcabouço de normas de referência sobre temas estruturantes, como governança regulatória, metas progressivas, qualidade da prestação, modelos de regulação, reajuste e matriz de riscos, encontra-se em grande parte consolidado. A Agenda 2025-2026, por sua vez, desloca a atuação normativa para temas operacionais e tarifários, como estrutura tarifária e tarifa social, controle de perdas de água, drenagem, resíduos sólidos, contabilidade regulatória e revisão tarifária. 

Esses avanços, contudo, convivem com um hiato relevante entre a norma e a prática. A leitura dos resultados da comprovação de 2025 sugere que parte relevante das entidades reguladoras infranacionais ainda encontra dificuldades para comprovar integralmente a adoção das normas de referência. Nesse sentido, a efetividade do Marco depende de uma etapa adicional, que é transformar a adesão formal às normas em capacidade regulatória aplicada aos contratos, aos investimentos, às tarifas e aos usuários. 

O hiato reflete assimetrias de capacidade técnica e institucional entre as entidades reguladoras. Enquanto parte das ERI demonstra maior capacidade de absorver as diretrizes da ANA, um contingente expressivo de entidades municipais e intermunicipais ainda enfrenta restrições de pessoal qualificado, autonomia orçamentária, estrutura administrativa e capacidade de fiscalização. Em alguns casos, a agência reguladora precisa acompanhar contratos complexos, com investimentos bilionários e metas de longo prazo, sem dispor de equipe compatível com a complexidade da tarefa.

 

BALANÇO SOBRE PROJETOS EM SANEAMENTO BÁSICO 

Um dos objetivos do Marco Legal do Saneamento foi o de atrair capital para o aumento dos investimentos, seja através de concessões plenas dos serviços de água e esgoto ou através de celebração de parcerias público-privadas com os prestadores regionais. Nos últimos seis anos, é possível perceber que ocorreram processos licitatórios significativos no saneamento, incluindo a licitação de blocos regionais para a prestação dos serviços. Com a participação do BNDES como agente estruturador das novas concessões, destacam-se, entre outros, os projetos de concessão e/ou PPPs dos serviços de saneamento nos estados do Amapá, Rio de Janeiro, Ceará, Alagoas, Pará e Sergipe. 

O Quadro 6 consolida os principais projetos mapeados entre 2020 e 2026, com os respectivos investimentos previstos ao longo do período de concessão, a população beneficiada e o número de municípios abrangidos. Os projetos já em curso preveem investimentos de mais de R$ 420 bilhões em investimentos estimados, impactando mais de 100 milhões de pessoas em 2.460 municípios. 

Quadro 6: Principais Projetos de Concessão, PPP e Desestatização no Saneamento Básico no Brasil (2020-2026)

Área de Concessão

UF

Modalidade

Objeto

CAPEX

(MM)

População Beneficiada1

Número de Municípios

Ano

Casal - Bloco A

AL

Concessão

Água e Esgoto

2.600,00

1.347.703

13

2020

Sanesul

MS

PPP

Esgoto

1.026,30

1.801.432

68

2020

Cariacica

ES

PPP

Esgoto

829,00

375.485

1

2020

Casal - Bloco B

AL

Concessão

Água e Esgoto

2.900,00

687.228

32

2021

Casal - Bloco C

AL

Concessão

Água e Esgoto

2.900,00

391.591

27

2021

Amapá

AP

Concessão

Água e Esgoto

3.000,00

802.837

16

2021

Cedae - Bloco 1

RJ

Concessão

Água e Esgoto

9.900,00

3.726.320

18

2021

Cedae - Bloco 2

RJ

Concessão

Água e Esgoto

9.900,00

1.741.942

3

2021

Cedae - Bloco 3

RJ

Concessão

Água e Esgoto

4.700,00

2.456.900

21

2021

Cedae - Bloco 4

RJ

Concessão

Água e Esgoto

9.900,00

4.962.255

9

2021

Xique-Xique

BA

Concessão

Água e Esgoto

54,90

46.979

1

2022

Crato

CE

PPP

Esgoto

248,00

138.232

1

2022

Santa Cruz das Palmeiras

SP

Concessão

Água e Esgoto

53,60

29.525

1

2022

Corsan - RS

RS

Privatização

Água e Esgoto

13.000,00

7.541.421

317

2023

Ceará

CE

PPP

Esgoto

6.411,00

4.586.541

24

2023

Pomerode

SC

Concessão

Água e Esgoto

200,00

36.392

1

2023

Olímpia

SP

Concessão

Água e Esgoto

81,10

56.701

1

2023

Sanepar

PR

PPP

Esgoto

1.114,00

707.425

16

2023

Governador Valadares

MG

Concessão

Água e Esgoto

1.308,90

266.649

1

2023

Teresópolis

RJ

Concessão

Água e Esgoto

700,50

176.692

1

2023

São Mateus do Maranhão

MA

Concessão

Água e Esgoto

n/d

40.160

1

2023

São Miguel do Guaporé

RO

Concessão

Água e Esgoto

47,30

22.267

1

2023

Nanuque

MG

Concessão

Água e Esgoto

106,90

35.554

1

2023

Acorizal

MT

Concessão

Água e Esgoto

9,10

4.990

1

2023

Miranorte

TO

Concessão

Água e Esgoto

33,50

13.056

1

2023

Igarapava

SP

Concessão

Água e Esgoto

57,50

26.755

1

2024

Flexeiras

AL

Concessão

Água e Esgoto

23,70

9.767

1

2024

Jaru

RO

Concessão

Água e Esgoto

143,70

55.583

1

2024

Ourinhos

SP

Concessão

Água e Esgoto

200,00

106.877

1

2024

Pirangi

SP

Concessão

Água e Esgoto

15,40

11.076

1

2024

Concórdia

SC

Concessão

Água e Esgoto

364,80

85.982

1

2024

Palhoça

SC

Concessão

Água e Esgoto

1.500,00

245.477

1

2024

Ilhota

SC

Concessão

Água e Esgoto

123,80

18.197

1

2024

Alpinópolis

MG

Concessão

Água e Esgoto

37,60

18.672

1

2024

Marília

SP

Concessão

Água e Esgoto

2.300,00

246.627

1

2024

Brodowski

SP

Concessão

Água e Esgoto

66,90

26.167

1

2024

Sabesp

SP

Privatização

Água e Esgoto

257.200,00

30.955.228

374

2024

Pará (Blocos A, B e D)

PA

Concessão

Água e Esgoto

15.207,20

6.477.406

99

2024

Sergipe

SE

Concessão

Água e Esgoto

6.313,30

2.258.361

74

2024

Piauí

PI

Concessão

Água e Esgoto

8.500,00

2.460.028

220

2024

Sanepar

PR

PPP

Água e Esgoto

2.100,00

1.077.142

112

2024

Cesan

ES

PPP

Água e Esgoto

1.479,60

1.459.059

43

2025

Pará (Bloco C)

PA

Concessão

Água e Esgoto

3.590,00

1.454.548

27

2025

São Miguel do Oeste

SC

Concessão

Água e Esgoto

168,80

47.724

1

2025

Brusque

SC

Concessão

Esgoto

686,50

155.307

1

2025

Compesa (Blocos 1 e 2)

PE

Concessão Parcial

Água e Esgoto

18.900,00

9.200.000

175

2025

Bauru

SP

Concessão

Esgoto

1.200,00

392.947

1

2025

Cagepa

PB

PPP

Esgoto

3.000,00

1.650.000

85

2026

Andradas

MG

Concessão

Água e Esgoto

209,30

42.501

1

2026

Copasa

MG

Privatização

Água e Esgoto

28.000,00

11.600.000

636

2026

Ceará (Bloco 1)

CE

PPP

Esgoto

1.080,00

276.000

23

2026

Total

R$ 423.492,20

102.353.708

2.460

 

                                     Fontes: BNDES (2026). Radar PPP (2026). Elaboração: GO Associados.


 


O Quadro 7 e o Quadro 8 apresentam a distribuição geográfica, respectivamente, do investimento previsto e da população potencialmente beneficiada pelos projetos já executados. 

Quadro 7: Investimentos Previstos em Projetos Contratados

Fonte: BNDES (2026); Radar PPP (2026). Elaboração: GO Associados.


Quadro 8: População Potencialmente Beneficiada em Projetos Contratados


Fonte: BNDES (2026); Radar PPP (2026). Elaboração: GO Associados


QUANTO AINDA FALTA DE INVESTIMENTO PARA A UNIVERSALIZAÇÃO?

 

Existem diferentes estimativas para as necessidades de investimento associadas à universalização dos serviços de saneamento básico no Brasil. Para fins deste material, adotou-se a segunda revisão do Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), por se tratar da principal referência oficial para o planejamento setorial de longo prazo.

 

As estimativas indicam uma necessidade total de investimentos da ordem de R$ 525 bilhões, a valores de fins de junho de 2024. Como esse montante tem como referência o período de estimativa original do Plano, o ano de 2020, procedeu-se à dedução dos investimentos efetivamente realizados em 2021 e 2022, conforme reportado pelo SNIS, bem como em 2023 e 2024, segundo dados do SINISA. O valor residual estimado, de aproximadamente R$ 430 bilhões, foi então distribuído ao longo dos anos remanescentes até o prazo estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento Básico (2025-2033), resultando em um investimento médio anual necessário da ordem de R$ 48 bilhões, conforme detalhado no Quadro 9.

 

Quadro 9: Investimento Necessário à Universalização do Saneamento Básico

 

Valores Correntes

Valores de Junho de 2024

PLANSAB

R$ 511.058.701.248

R$ 524.805.158.194

SNIS 2021

R$ 13.639.101.904

(–) R$ 17.580.269.523

SNIS 2022

R$ 22.464.924.847

(–) R$ 20.704.229.446

SINISA 2023

R$ 25.591.522.868

(–) R$ 26.302.984.742

SINISA 2024

R$ 29.128.219.016

(–) R$ 29.128.219.016

Resíduo Total

NA

R$ 431.089.455.466

Resíduo Anual (÷ 9)

R$ 47.898.828.385

População Brasileira (2024)

212.583.750

Resíduo Anual por Habitante

R$ 225

Fonte: PLANSAB (2022); SNIS (2021-2022), SINISA (2023-2024). Elaboração: GO Associados.

 

PERSPECTIVAS: LEILÕES, PARCERIAS E CONCESSÕES NA ÁREA DE SANEAMENTO BÁSICO 

Em relação às perspectivas de leilões, parcerias e concessões, que visam justamente a ampliação da capacidade de investimento no setor e a utilização eficientes dos recursos públicos, entende-se que o BNDES seguirá como um ator importante. O Quadro 10 consolida os principais projetos atualmente mapeados em fase de estruturação na área de saneamento. Em conjunto, essas iniciativas somam investimento estimado de aproximadamente R$ 58,4 bilhões, abrangem uma população superior a 18 milhões de pessoas e devem alcançar 625 municípios. 

Quadro 10: Projetos em Fase de Estruturação na Área de Saneamento

Projeto

UF

Modalidade

Objeto

CAPEX
Estimado
(R$ MM)

População
da Região

Número de Municípios

Estimativa
p/ Licitação

Erechim

RS

Concessão

Água e Esgoto

637,5

109.500

1

3T/2026

Rondônia

RO

Concessão

Água e Esgoto

4.387

1.270.000

43

3T/2026

Rio Grande do Norte

RN

Concessão

Água e Esgoto

4.663

1.510.000

48

4T/2026

Universaliza SP

SP

A definir

Água e Esgoto

29.000

9.300.000

146

4T/2026

Goiás

GO

PPP

Esgoto

5.450

1.475.900

220

4T/2026

Porto Alegre

RS

Concessão

Água e Esgoto

2.100

1.500.000

1

2T/2027

Arapiraca Saneamento

AL

Concessão

Água e Esgoto

1.702

554.000

29

1T/2027

Espírito Santo

ES

Concessão

Água e Esgoto

4.500

1.100.000

32

1T/2028

Ceará (demais blocos)

CE

PPP

Esgoto

5.920

1.224.000

105

Indefinido (*)

Total

 

 

 

58.360

18.043.400

625

 


Fonte: BNDES, Radar PPP e GO Associados (2026). Elaboração: GO Associados.
(*) No dia 30/06/2026 a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) pretendia realizar o leilão dos cinco blocos de PPPs, mas apenas o primeiro bloco recebeu proposta e foi leiloado. Como resultado, a Cagece informou que estudará ajustes e voltará a licitar os demais blocos, mas ainda sem fixar prazo.

Um ponto relevante é a diversidade regional da carteira. Há projetos em estruturação no Nordeste, Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, o que sugere a continuidade da disseminação do modelo de concessões e PPPs para além dos primeiros casos emblemáticos do pós-Marco Legal. Ainda assim, a distribuição dos projetos não elimina assimetrias entre estados. Em várias unidades da federação, a estruturação permanece mais lenta, seja por dificuldades institucionais, por indefinições sobre regionalização, por limitações regulatórias ou por maior complexidade político-institucional. 

Para avaliar o desenvolvimento dos projetos regionais de saneamento básico, o Quadro 11 apresenta um mapa do Brasil no qual os estados são classificados conforme o estágio de desenvolvimento dessas iniciativas. Verifica-se que, até junho de 2026, predominavam estados com projetos concluídos ou em fase avançada de estruturação, refletindo os avanços observados desde a promulgação do Marco Legal do Saneamento Básico. Ainda assim, persistem unidades da federação em estágios iniciais de desenvolvimento, evidenciando que o processo de regionalização avança de forma heterogênea entre os estados brasileiros. 

Quadro 11: Classificação dos Estados Brasileiros de Acordo com o Desenvolvimento de Projetos Regionais de Saneamento Básico

Fonte: BNDES (2026); Radar PPP (2026). Elaboração: GO Associados. (*) Para alguns estados, há a possibilidade de mais de uma classificação. No caso de São Paulo, por exemplo, houve a privatização da Sabesp e atualmente o programa Universaliza SP está estruturando novos arranjos para atração do setor privado para áreas não atendidas pela Sabesp.


CONCLUSÃO 

Passados seis anos da promulgação do Marco Legal do Saneamento Básico, a análise indica que o novo arranjo setorial produziu mudanças relevantes na forma como o saneamento básico passou a ser organizado, regulado e financiado no Brasil, embora o desafio da universalização permaneça significativo. 

O Marco consolidou um novo modelo de organização do setor, baseado em metas nacionais de universalização, maior segurança jurídica dos contratos, regionalização da prestação dos serviços, fortalecimento da regulação e ampliação dos mecanismos de atração de investimentos. Esse conjunto de instrumentos representou uma mudança estrutural em relação ao modelo anterior, criando condições mais favoráveis para a expansão da infraestrutura de saneamento básico. 

Do ponto de vista regulatório, observou-se a consolidação gradual do papel da ANA como coordenadora da convergência regulatória nacional. A ampliação do número de normas de referência publicadas, a implementação da Lista Positiva e os avanços recentes da agenda regulatória demonstram que a construção de um ambiente regulatório mais homogêneo e previsível continua em evolução. Ao mesmo tempo, permanecem desafios relacionados à capacidade institucional das entidades reguladoras infranacionais e à incorporação efetiva dessas normas na regulação cotidiana dos contratos. 

Os indicadores de atendimento analisados também revelam uma trajetória de evolução desde a aprovação do Marco. Entre 2020 e 2024, observou-se crescimento da cobertura de abastecimento de água, coleta de esgoto e tratamento de esgoto em âmbito nacional, ainda que em ritmos distintos. Apesar desses avanços, os resultados evidenciam que as metas de universalização permanecem distantes em grande parte do território nacional, sobretudo no caso da coleta e do tratamento de esgoto. 

O levantamento dos projetos de concessão, PPPs e desestatizações reforça essa percepção. Desde 2020, observou-se uma expansão significativa do número de projetos estruturados, do volume de investimentos contratados e da população potencialmente beneficiada. Embora esses empreendimentos apresentem diferentes estágios de implementação, sua distribuição geográfica demonstra que o novo ambiente institucional tem favorecido a ampliação da participação de diferentes modelos de prestação dos serviços e contribuído para a viabilização de investimentos em escala crescente. 

Nesse contexto, os próximos anos tendem a ser decisivos para a consolidação dos resultados esperados pela legislação. O cumprimento das metas de universalização dependerá da continuidade dos investimentos e da execução dos projetos já contratados, além do fortalecimento de um ambiente institucional capaz de oferecer segurança jurídica, estabilidade regulatória e incentivos à eficiência na prestação dos serviços. O acompanhamento sistemático desses processos continuará sendo fundamental para avaliar a efetividade do Marco futuramente. 

“Seis anos após a aprovação do Marco Legal do Saneamento Básico, os resultados observados mostram que o saneamento básico avançou, mas ainda temos um longo caminho pela frente. Os projetos já em curso somam mais de R$ 420 bilhões em investimentos, com potencial de beneficiar mais de 100 milhões de pessoas em 2.460 municípios, enquanto novos leilões, concessões e parcerias previstos podem adicionar outros R$ 58 bilhões ao setor. Ainda assim, o desafio da universalização permanece enorme. Desde a aprovação do Marco Legal o volume anual de investimento no país cresceu 51%, porém ainda distante do volume médio necessário previsto pelo PLANSAB, de R$ 225/ano/hab. Para que as metas sejam alcançadas até 2033, será necessário manter um ritmo médio de investimentos próximo de R$ 48 bilhões por ano – valor nunca alcançado nos últimos anos – além de garantir a execução dos projetos contratados e fortalecer continuamente o ambiente regulatório e institucional. Os próximos anos serão decisivos para transformar os avanços observados até aqui em resultados concretos para milhões de brasileiros que ainda não têm acesso adequado à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto” destaca Luana Pretto, Presidente-Executiva do Trata Brasil.  

"Um dos aspectos fundamentais para o avanço do saneamento básico será o amadurecimento regulatório do setor. Desde o Marco Legal do Saneamento, a atuação da ANA se fortaleceu, tendo como destaque o ano de 2024, quando foram publicadas nove novas normas de referência. Esse ritmo ganhou ainda mais tração na Agenda 2025-2026, com a publicação de resoluções voltadas para temas operacionais, além da adoção da Lista Positiva, que avalia a comprovação da adoção das normas de referência pelas ERI. Ainda assim, grandes desafios permanecem: os resultados da primeira Lista Positiva expõem que das 82 agências infranacionais cadastradas na ANA, apenas 29 comprovaram aderência integral às normas federais, cobrindo 2.809 municípios. Fortalecer essa governança local é o que garantirá a segurança jurídica para viabilizar o ritmo de R$ 48 bilhões em investimentos anuais necessários para atingirmos a universalização até 2033. Esse aporte possui potencial para gerar aproximadamente R$ 60 bilhões anuais adicionais de PIB, além de gerar e sustentar mais de 1,1 milhão de empregos diretos, indiretos e induzidos. Dessa forma, alinhar o fortalecimento regulatório à expansão dos investimentos é a chave para a transformação desse cenário nos próximos anos." - Gesner Oliveira, Professor da EAESP-FGV e Sócio-Executivo da GO Associados.


Instituto Trata Brasil - ITB
Para mais informações, acesse: link

 

Um estranho na minha casa: o que está em jogo quando você não verifica o histórico do seu inquilino?

Falsificação de documentos, identidades ocultas e passagens pela justiça; O que você não vê quando só olha o contracheque 


 

Ele se apresenta como um profissional bem-sucedido, educado e com a documentação em dia. O fiador é sólido, a renda compatível com o valor do aluguel e as três primeiras parcelas foram pagas em dia. No entanto, por trás da fachada de normalidade, pode estar em jogo algo muito mais valioso do que o imóvel: a sua segurança.

 

Os números sugerem que essa confiança está cada vez mais frágil. Dados de 2025 obtidos junto à Associação Brasileira de Locação e Gestão Imobiliária (ABL) indicam um salto de 20% nas denúncias de crimes envolvendo plataformas de aluguel e venda de imóveis em relação ao ano anterior. Para 2026, a projeção é que esse número ultrapasse os 25%, especialmente impulsionado pelo aumento de locações de curta temporada, período em que o giro de hóspedes é mais acelerado e a análise de perfis, frequentemente mais superficial. O dado não reflete apenas pequenos calotes ou desentendimentos entre vizinhos. As ocorrências incluem desde a ocupação fraudulenta de propriedades até casos de ameaças e violência doméstica perpetrados por locatários que, até a assinatura do contrato, ostentavam uma ficha financeira impecável. 

 

Essa realidade incômoda foi refletida em produções investigativas como a série da Netflix "Worst Roommate Ever" (O Pior Companheiro de Quarto do Mundo), que expõe como indivíduos com históricos preocupantes conseguem repetidamente alugar quartos e casas usando apenas boa lábia. A série, que retrata casos reais ao redor do mundo, escancara como o mercado imobiliário tradicional tende a tratar a locação como uma operação puramente financeira, ignorando que o verdadeiro patrimônio em jogo não é apenas o valor do imóvel, mas a integridade física e psicológica de quem nele habita.

 

Nesse contexto, Augusto Duarte, CEO da BGC Brasil, empresa especializada em background check para prevenção de riscos, defende a "due diligence pessoal": "A verificação de antecedentes é realizada em conformidade com as leis de proteção de dados e dentro dos limites legais aplicáveis. Não se trata de uma ferramenta de espionagem ou invasão de privacidade, mas sim de um procedimento técnico que cruza informações disponíveis em fontes públicas e permitidas por lei, sempre com o devido aviso ou consentimento quando exigido. Por meio dela, é possível confirmar a autenticidade dos documentos apresentados, evitando que o uso de identidades falsas — um dos artifícios mais comuns entre golpistas — passe despercebido na análise inicial.”

 

A checagem também pode acessar, dentro do que a lei autoriza, registros de processos criminais e ações em andamento nos tribunais de justiça, identificando se o candidato responde a acusações que vão desde ameaças até crimes patrimoniais ou contra a vida. Outro ponto cego que o background check ilumina é o histórico de ações possessórias: um inquilino que já foi alvo de múltiplos pedidos de despejo em diferentes cidades, por exemplo, raramente terá esse padrão de comportamento capturado por uma simples consulta de crédito.

 

O que está em jogo, portanto, vai muito além do calote. Com a alta temporada de férias, a pressa para fechar um negócio lucrativo e rápido é maior, no entanto a porta da rua não é a única entrada de riscos em uma propriedade. Às vezes, o perigo chega com contrato assinado e chave na mão. 


 

BGC Brasil


A engenharia do gasto: como o Executivo sustenta a expansão fiscal à custa do endividamento

IMAGEM: SXC
No acumulado de 12 meses, o rombo do setor público consolidado, em maio de 2026, atinge R$ 149 bilhões, equivalente a 1,14% do PIB

 

Por meio de uma combinação de emissão massiva de títulos da dívida, manobras orçamentárias, elevação da arrecadação com novos tributos e aceitação de déficits fiscais mais elevados, o governo federal vem acomodando o avanço contínuo das despesas públicas. Longe de estruturar um projeto de reforma administrativa ou de focar na redução real de custos, o Poder Executivo recorre a diferentes artifícios fiscais para cobrir o rombo entre o que arrecada e o que gasta, sem perder de vista o calendário eleitoral e as agendas que ajudam a manter a fidelidade de sua base política.

Esses mecanismos práticos utilizados para sustentar a expansão dos gastos revelam a criatividade contábil da gestão brasileira. No entanto, essa estratégia cobra o seu quinhão. A disparada do estoque de títulos públicos fez a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingir o patamar de 81,1% do PIB, consolidando a marca nominal histórica de R$ 10,6 trilhões. Esse patamar representa o maior nível de endividamento público visto no país desde maio de 2021. Como os juros domésticos seguem elevados para conter as pressões inflacionárias, o custo total para financiar esse passivo retroalimenta o endividamento em um ciclo de dominância fiscal.

Mecanismos de acomodação orçamentária

Para viabilizar essa dinâmica fiscal sem romper formalmente as amarras tradicionais, a administração pública tem operado por meio de três pilares centrais:

- Despesas fora do Orçamento tradicional: O governo tem acomodado gastos utilizando recursos paralelos que escapam da contabilidade convencional, somando uma expansão real de despesas estimada em mais de 1,5% do PIB, mais de R$ 170 bilhões acumulados desde 2023, superando três vezes o limite da regra fiscal oficial.

- Flexibilização de limites fiscais: Relatórios oficiais indicam que o governo projeta déficits contínuos (na casa de 0,4% do PIB) e admite dificuldades estruturais para atingir o centro das metas fiscais do arcabouço sem aplicar contingenciamentos severos.

Taxação como saída rápida

Para mitigar o déficit sem contingenciar despesas sociais ou programas de transferência de renda, o foco governamental direcionou-se para a taxação sobre o consumo e as importações.

- Alta na tributação de fundos exclusivos (alta renda) e das "offshores" (exterior);

- Mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados;

- Aumento de impostos sobre combustíveis feito em 2023 e mantido desde então;

- Imposto sobre encomendas internacionais (taxa das blusinhas) suspenso provisoriamente no período pré-eleição. Deve voltar em 2027.

- Reoneração gradual da folha de pagamentos;

- Fim de benefícios para o setor de eventos (Perse);

- Início da taxação das bets;

- Aumento do IOF sobre crédito e câmbio;

- Alta na tributação dos juros sobre capital próprio.

Revisão do rombo primário

A projeção do déficit foi oficialmente elevada com o intuito de absorver pressões financeiras imediatas, a exemplo do pagamento de precatórios obrigatórios. No acumulado de 12 meses, o rombo do setor público consolidado, em maio de 2026, já atinge R$ 149 bilhões (1,14% do PIB).

Esse modelo político de acomodação baseia-se fortemente no precedente aberto por emendas à Constituição, a exemplo do formato inaugurado pela PEC da Transição, engrenagem jurídica que confere respaldo para abrir créditos adicionais e acomodar os gastos extras exigidos por programas de assistência e emendas parlamentares de pagamento obrigatório.

O peso crítico dos juros

Apesar da expansão dos desembolsos primários, analistas alertam para o fator monetário. No acumulado de 12 meses, o Brasil desembolsou R$ 1,11 trilhão apenas com o pagamento de juros nominais da dívida pública. Esse montante representa 8,48% do Produto Interno Bruto (PIB), a maior marca registrada pelo Banco Central desde fevereiro de 2016. Quando essa conta financeira é somada ao resultado primário, o déficit nominal total do país atinge a cifra de R$ 1,26 trilhão, o equivalente a 9,62% do PIB, evidenciando que os encargos financeiros sufocam o balanço soberano de forma mais severa do que os próprios gastos públicos cotidianos.



Arthur Gebara Junior
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/a-engenharia-do-gasto-como-o-executivo-sustenta-a-expansao-fiscal-a-custa-do-endividamento

 

Dívidas no agronegócio devem manter aquecido o mercado de reestruturação empresarial

 Para o advogado especialista em Direito Empresarial Filipe Denki, o aumento das recuperações judiciais revela uma mudança no cenário financeiro do campo e reforça a importância de mecanismos jurídicos para preservar empresas economicamente viáveis.


O agronegócio brasileiro segue registrando níveis elevados de recuperação judicial em 2026, chegando a marca de 194 pedidos já no primeiro trimestre. O dado reflete a continuidade da pressão financeira sobre produtores rurais e empresas da cadeia agroindustrial. Depois de encerrar 2025 com 1.990 solicitações, o maior volume da série histórica da Serasa Experian e um crescimento de 56,4% em relação ao ano anterior, os indicadores deste ano mostram que o movimento permanece intenso. 

Para o advogado especialista em Direito Empresarial Filipe Denki, o dado evidencia que, embora o setor continue registrando safras recordes e mantendo o bom desempenho das exportações, produtores rurais e empresas da cadeia agroindustrial enfrentam uma crise de liquidez impulsionada pelo aumento do custo do crédito, alta dos insumos e redução das margens de rentabilidade. Segundo ele, a tendência é que o mercado de reestruturação empresarial continue aquecido nos próximos meses, impulsionado pela necessidade de reorganização financeira de empresas que permanecem economicamente viáveis.


Crise financeira avança mesmo com bons resultados no campo

A boa performance da produção agrícola não tem sido suficiente para proteger o caixa das empresas do setor. Levantamento da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) aponta que cerca de R$ 256 bilhões da carteira de crédito agropecuário já são considerados problemáticos, dentro de um estoque de aproximadamente R$ 1,2 trilhão em operações de crédito rural.

"O aumento de 56,4% nos pedidos de recuperação judicial em apenas um ano demonstra que a crise enfrentada pelo agronegócio deixou de ser pontual e passou a ter caráter estrutural. O produtor continua produzindo, exportando e movimentando a economia brasileira, mas enfrenta um ambiente financeiro muito mais adverso do que aquele em que grande parte dessas dívidas foi contratada. O problema hoje não é falta de produção, mas a dificuldade de transformar essa produção em capacidade de pagamento.", avalia o especialista.


Crédito mais caro e menor proteção aumentaram a pressão financeira

Além do encarecimento do crédito, outro fator que contribuiu para agravar o cenário foi a redução da cobertura do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

"O produtor administra riscos climáticos, financeiros e de mercado simultaneamente. Quando o seguro rural cobre apenas uma pequena parcela da produção e o crédito fica mais caro, qualquer perda de produtividade ou oscilação de preços compromete diretamente a capacidade de pagamento. É justamente nesse cenário que mecanismos de reestruturação financeira passam a ser fundamentais para garantir a continuidade das atividades.", afirma Denki.


Recuperação judicial passa a ser estratégia de reorganização

O aumento das recuperações judiciais também revela uma mudança de comportamento no meio empresarial. Segundo o especialista em Direito Empresarial Filipe Denki, a recuperação judicial deixou de ser encarada como um mecanismo destinado apenas a empresas sem perspectiva de continuidade.

"O crescimento dos pedidos de recuperação judicial não significa, necessariamente, que o agronegócio esteja quebrando. Na verdade, demonstra uma mudança importante de mentalidade. Cada vez mais empresários compreendem que a recuperação judicial é uma ferramenta de reorganização financeira capaz de preservar empresas viáveis, manter empregos, renegociar dívidas e garantir a continuidade da produção.", explica.


Buscar ajuda cedo faz diferença

Na avaliação do advogado, um dos erros mais comuns cometidos por produtores e empresários é adiar decisões importantes na tentativa de resolver problemas estruturais apenas com novos financiamentos.

"Muitos empresários insistem em contratar novas operações de crédito para cobrir dívidas antigas ou postergam negociações esperando uma melhora do mercado. Quando procuram orientação especializada, a empresa já perdeu capacidade de negociação e parte das alternativas disponíveis. A atuação preventiva amplia significativamente as possibilidades de reorganização. Desta forma, uma empresa financeiramente reorganizada tem muito mais condições de honrar seus compromissos do que uma atividade inviabilizada. A reestruturação empresarial busca justamente preservar valor para todas as partes envolvidas, mantendo empresas em funcionamento e evitando perdas ainda maiores." conclui Filipe Denki. 



Filipe Denki - advogado especialista em Direito Empresarial, com atuação em reestruturação de empresas, recuperação judicial, recuperação extrajudicial, negociação de passivos e resolução de conflitos empresariais. Atua assessorando empresas de diferentes segmentos na superação de crises financeiras, na preservação de negócios e na construção de soluções jurídicas estratégicas para garantir a continuidade das atividades e a segurança nas relações empresariais.


Países da Copa também disputam a preferência dos intercambistas brasileiros; veja o ranking

 

Copa 2026 Foto: Google Images/Jornal Acontece Avaré

Pesquisa Nacional Selo Belta 2026 mostra que, embora o Brasil tenha se despedido da Copa do Mundo, muitos dos países que seguem em destaque no torneio também figuram entre os destinos preferidos dos brasileiros para estudar no exterior

 

Enquanto milhões de brasileiros acompanham a reta decisiva da Copa do Mundo de 2026, outro ranking internacional revela uma disputa bem diferente: a dos países mais procurados por quem deseja estudar no exterior. Se dentro de campo seleções tradicionais e emergentes brigam pelo título mundial, fora dele destinos como Canadá, Reino Unido, Espanha, Austrália e Estados Unidos também competem pela preferência dos intercambistas brasileiros. 

É o que mostra a Pesquisa Nacional Selo Belta 2026, principal levantamento sobre o mercado brasileiro de educação internacional, divulgado pela Belta (Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio). O estudo reúne dados consolidados do setor referentes ao desempenho de 2025 e é considerado a principal referência nacional sobre mobilidade acadêmica, comportamento dos estudantes brasileiros e tendências do mercado de intercâmbio. 

Mesmo após a eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo, o interesse dos brasileiros por experiências internacionais continua em alta. Segundo a pesquisa, o mercado movimentou R$ 7 bilhões em 2025, crescimento de 27,3% em relação aos R$ 5,5 bilhões registrados em 2024, reforçando a consolidação do intercâmbio como um investimento em educação, carreira e desenvolvimento pessoal.

 

Dos gramados para as salas de aula 

O ranking dos destinos mais escolhidos pelos brasileiros mostra que muitos países em evidência na Copa também ocupam posições de destaque quando o assunto é educação internacional. O Canadá, um dos países-sede da Copa do Mundo de 2026, manteve-se pela 11ª vez consecutiva como o destino preferido dos brasileiros para intercâmbio. O país combina qualidade de ensino, segurança, diversidade cultural e forte tradição em programas de idiomas, ensino superior e educação técnica. 

Logo atrás aparecem Estados Unidos e Reino Unido, separados por uma diferença mínima na pesquisa, mostrando uma disputa cada vez mais equilibrada entre dois dos principais centros acadêmicos do mundo. Enquanto os Estados Unidos seguem atraindo estudantes por suas universidades e variedade de cursos, o Reino Unido amplia sua presença impulsionado pela excelência acadêmica, programas de curta duração e reconhecimento internacional dos diplomas. 

A Irlanda permanece na quarta colocação, consolidando-se como referência para quem busca conciliar estudo e trabalho durante o intercâmbio. Já Malta, uma das grandes surpresas do levantamento, entrou pela primeira vez no Top 5 dos destinos mais procurados pelos brasileiros. O país tem atraído estudantes pelo custo-benefício, clima mediterrâneo, segurança e pelo fato de o inglês ser idioma oficial.

 

Espanha vive bom momento dentro e fora de campo 

Entre todas as movimentações do ranking, uma das que mais chama atenção é a da Espanha, que subiu duas posições e passou do 9º para o 7º lugar entre os destinos preferidos pelos brasileiros. Além de garantir vaga na final da Copa do Mundo de 2026 após eliminar a França na semifinal, o país vem consolidando sua atratividade para estudantes internacionais graças à combinação entre qualidade de vida, universidades reconhecidas, aprendizado do espanhol, custo competitivo em relação a outros mercados europeus e facilidade de circulação dentro da União Europeia. 

Outro destaque da pesquisa é a Itália, que entrou pela primeira vez no Top 10 dos destinos de intercâmbio dos brasileiros. Mesmo sem disputar esta edição da Copa do Mundo, o país reforça a tendência de fortalecimento dos destinos europeus, impulsionado pela excelência acadêmica, riqueza cultural, qualidade do ensino superior e crescente interesse de estudantes brasileiros em programas de idiomas, graduação e pós-graduação.

 

Futebol e intercâmbio nem sempre seguem o mesmo ranking 

Embora muitos países se destaquem tanto no esporte quanto na educação, os critérios que determinam a preferência dos brasileiros são diferentes. Na Copa do Mundo, a Espanha já garantiu presença na decisão após eliminar a França, enquanto Inglaterra e Argentina disputam a última vaga na final. Já no intercâmbio, fatores como qualidade do ensino, custo-benefício, oportunidades de trabalho, mobilidade internacional e segurança têm peso muito maior na decisão dos estudantes. 

Segundo Alexandre Argenta, presidente da Belta, o perfil do intercambista brasileiro evoluiu nos últimos anos. "O brasileiro está cada vez mais estratégico na escolha do intercâmbio. Hoje ele avalia qualidade do ensino, custo-benefício, oportunidades de trabalho, mobilidade internacional, segurança e perspectiva de carreira. É um processo muito mais racional do que apenas optar por um país tradicional", afirma. 

Esse comportamento ajuda a explicar as mudanças observadas na Pesquisa Nacional Selo Belta 2026. Em um cenário internacional marcado por transformações econômicas, ajustes em políticas migratórias e novas exigências para estudantes estrangeiros, os brasileiros passaram a ampliar o leque de opções para estudar no exterior. O resultado é o fortalecimento de destinos europeus, como Espanha, Malta e Itália, além da entrada dos Emirados Árabes Unidos no ranking pela primeira vez, refletindo a diversificação do mercado de educação internacional.

 

Confira o ranking dos destinos de intercâmbio dos brasileiros, segundo a Pesquisa Nacional Selo Belta 2026 (referente a 2025)

  1. Canadá
  2. Estados Unidos
  3. Reino Unido
  4. Irlanda
  5. Malta
  6. Austrália
  7. Espanha
  8. Nova Zelândia
  9. Itália
  10. África do Sul 

Para a Belta, a Copa do Mundo oferece uma oportunidade interessante para observar como diferentes países se destacam em áreas distintas. Se dentro de campo o desempenho depende dos resultados do torneio, fora dele a preferência dos intercambistas brasileiros é construída por fatores como qualidade da educação, oportunidades profissionais, políticas migratórias e experiências culturais, atributos que continuam redefinindo o mapa da educação internacional.


Belta - Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio
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Lei de Cotas completa 35 anos e os desafios da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continuam

  Após mais de três décadas, a legislação ainda esbarra em impasses relacionados à contratação, à permanência e ao desenvolvimento profissional de pessoas com deficiência.

 

  • Lei de Cotas completa 35 anos e alerta para a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho;
  • Dados mostram que quase metade das vagas obrigatórias ainda não está preenchida no país;
  • Instituto Jô Clemente (IJC) oferece assessoria para incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho e destaca que a inclusão vai além da contratação, passando pela permanência e pelo desenvolvimento profissional da pessoa incluída.


Após 35 anos da criação da Lei de Cotas, os registros nacionais indicam que apenas cerca de 54% das vagas destinadas às pessoas com deficiência estão efetivamente ocupadas no Brasil. Embora a legislação tenha ampliado significativamente o acesso ao emprego formal, os desafios relacionados à inclusão, permanência e desenvolvimento profissional ainda fazem parte da realidade de milhares de trabalhadores. 

Instituída pela Lei nº 8.213/1991, a chamada Lei de Cotas representou um marco para a Inclusão Profissional ao estabelecer que empresas com 100 ou mais empregados reservassem de 2% a 5% de seus cargos para pessoas com deficiência. Desde então, tornou-se um dos principais instrumentos para ampliar o acesso dessa população ao mercado de trabalho formal, contribuindo para reduzir barreiras e promover maior participação social. No entanto, sua implementação plena ainda enfrenta obstáculos relacionados à fiscalização, à acessibilidade, ao capacitismo e outras formas de exclusão e, sobretudo, à falta de uma política efetiva de Emprego Apoiado que fomente a qualidade dos processos de inclusão e garanta o acesso a todas as pessoas.

 

Lei de Cotas impulsionou a empregabilidade 

Os impactos concretos gerados pela lei são encontrados nos dados mais recentes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Apenas no primeiro semestre de 2025, mais de 63 mil pessoas com deficiência foram contratadas com carteira assinada em todo o país, sendo que mais de 93% dessas admissões ocorreram em empresas obrigadas a cumprir a Lei de Cotas, evidenciando a importância da legislação. Atualmente, cerca de 620 mil pessoas com deficiência possuem vínculo formal de emprego no Brasil. Ainda assim, apenas aproximadamente 54% das vagas que deveriam ser ocupadas por esse público estão preenchidas, demonstrando que milhares de oportunidades previstas em lei permanecem abertas. 

Para o Instituto Jô Clemente (IJC), Organização sem fins lucrativos que atua há mais de 65 anos na defesa dos direitos e na promoção da inclusão de pessoas com Deficiência Intelectual, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Doenças Raras, a Lei de Cotas foi responsável por transformar a forma como as empresas passaram a olhar para a contratação de pessoas com deficiência. Agora, o desafio é avançar para uma inclusão efetiva, que contemple também a permanência, o desenvolvimento profissional e a construção de carreiras. 

"A Lei de Cotas vem sendo decisiva para ampliar oportunidades e abrir portas para milhares de brasileiros com deficiência. Hoje, no entanto, o desafio deixou de ser apenas contratar. Precisamos, além de cumprir efetivamente as exigências da lei, falar sobre permanência, desenvolvimento de carreira e ambientes verdadeiramente inclusivos. Quando a empresa investe em acessibilidade, prepara suas lideranças e valoriza a diversidade, ela fortalece sua cultura organizacional e ganha profissionais engajados que contribuem para a inovação e para melhores resultados", destaca Flavio Gonzalez, Coordenador de Inclusão Social do IJC.

 

Promover a permanência e o crescimento profissional 

Garantir a contratação é apenas o primeiro passo para uma inclusão efetiva no mercado de trabalho. A permanência e o desenvolvimento profissional das pessoas com deficiência ainda são impactados por barreiras comportamentais, de crenças e preconceitos, processos seletivos pouco acessíveis, ausência de recursos de acessibilidade, falta de tecnologia assistiva e capacitismo. 

Para o Instituto Jô Clemente (IJC), a inclusão só se concretiza quando as pessoas com deficiência encontram condições para desenvolver seu potencial e construir uma trajetória profissional em igualdade de oportunidades. Por meio do Programa IJC Inclui+, o IJC oferece uma assessoria completa para empresas que desejam incluir pessoas com deficiência em seus times. Saiba mais em: Link 

"Mais do que cumprir uma exigência legal, investir em inclusão é investir em pessoas. Quando uma empresa cria um ambiente acessível, acolhedor e preparado para a diversidade, ela fortalece sua cultura organizacional, amplia sua capacidade de inovação e contribui para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária para todas as pessoas", conclui Flávio. 



Instituto Jô Clemente (IJC)
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