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terça-feira, 14 de julho de 2026

Frente Fria: Conjuntivite viral cresce no inverno e exige atenção aos primeiros sintomas para evitar transmissão

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Especialista detalha as principais características da infecção ocular, os cuidados necessários durante o quadro e quando buscar atendimento oftalmológico 


A frente fria que derruba as temperaturas em São Paulo tem alterado a rotina da população e criado um cenário propício para a circulação de vírus respiratórios e de outras infecções contagiosas. Com o frio, é comum que as pessoas permaneçam por mais tempo em ambientes fechados, com pouca ventilação e maior proximidade entre familiares, colegas de trabalho e amigos, condições que favorecem a transmissão de doenças, entre elas a conjuntivite viral. Embora seja uma infecção bastante conhecida, ela ainda desperta dúvidas sobre os sintomas, as formas de contágio e os cuidados necessários para evitar complicações e impedir novas infecções. 

Segundo o Dr. Leopoldo Ribeiro, oftalmologista do H.Olhos, a conjuntivite viral é altamente contagiosa e merece atenção desde os primeiros sinais. "Muitas pessoas acreditam que se trata apenas de uma irritação passageira nos olhos, mas a conjuntivite viral pode se espalhar com muita facilidade entre familiares, colegas de trabalho e estudantes. Quanto mais cedo os sintomas forem reconhecidos e as medidas de prevenção forem adotadas, menor será o risco de transmissão do vírus." 

Entre os sintomas mais frequentes estão vermelhidão intensa nos olhos, lacrimejamento, sensação de areia ou corpo estranho, coceira, ardor, inchaço das pálpebras e secreção aquosa. Em muitos casos, a doença começa em um olho e, poucos dias depois, atinge o outro. Também pode estar associada a sintomas semelhantes aos de um resfriado, como coriza, dor de garganta e febre baixa. 

"O inverno não provoca a conjuntivite, mas cria condições que facilitam a circulação dos vírus responsáveis pela doença. Permanecer em locais fechados por muito tempo, com pouca renovação do ar, aumenta a exposição ao agente infeccioso e favorece surtos, principalmente em escolas, empresas e dentro de casa", explica o especialista. 

Como o vírus é transmitido principalmente pelo contato direto com secreções contaminadas ou por objetos compartilhados, medidas simples fazem diferença na prevenção. Higienizar as mãos com frequência, evitar levar as mãos aos olhos, não compartilhar toalhas, fronhas, maquiagem, colírios ou outros objetos de uso pessoal e manter os ambientes ventilados ajudam a reduzir significativamente o risco de contágio. 

"O paciente também deve evitar cumprimentos com contato físico quando estiver com a doença e, sempre que possível, permanecer em casa durante o período de maior transmissão. Essas atitudes protegem não apenas quem está doente, mas todas as pessoas ao redor", orienta o médico. 

Embora a conjuntivite viral costuma ser autolimitada, ou seja, tende a melhorar espontaneamente após alguns dias, o acompanhamento médico continua sendo importante para confirmar o diagnóstico e descartar outras doenças oculares que podem apresentar sintomas semelhantes. 

"O tratamento normalmente é voltado para aliviar o desconforto. Compressas frias, higiene adequada das pálpebras e o uso de lubrificantes oculares, quando indicados pelo oftalmologista, costumam proporcionar alívio. Já o uso de colírios com antibióticos ou corticoides sem orientação médica pode mascarar o problema e até agravar o quadro", alerta. 

Outro ponto de atenção é interromper o uso de lentes de contato durante todo o período da infecção. "As lentes podem aumentar a irritação, dificultar a recuperação e favorecer complicações. O ideal é voltar a utilizá-las somente após a completa recuperação e com autorização do oftalmologista", acrescenta. 

"Se os olhos ficaram vermelhos, evite tocá-los, não compartilhe objetos de uso pessoal e procure um oftalmologista. Essas três atitudes ajudam a proteger você e quem está à sua volta", reforça. 

Em casos de dor intensa, piora da visão, sensibilidade excessiva à luz ou persistência dos sintomas por vários dias, a avaliação oftalmológica deve ser feita o quanto antes. “O diagnóstico correto e a orientação adequada são fundamentais para garantir uma recuperação segura e evitar a propagação da doença”, finaliza o Dr. Leopoldo Ribeiro.

 

Férias escolares aumentam o risco de quedas e fraturas entre crianças

Com mais tempo dedicado às brincadeiras, cresce a ocorrência de lesões ortopédicas; especialista do Imot explica quais são os acidentes mais comuns e como preveni-los


O recesso escolar costuma ser um dos períodos mais aguardados pelas crianças. Com mais tempo livre e menos compromissos, aumentam as atividades ao ar livre, os esportes e as brincadeiras dentro e fora de casa. Essa mudança de rotina, no entanto, também faz crescer o número de acidentes.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, os acidentes domésticos registram aumento entre 20% e 30% nas férias escolares. Quedas continuam entre as principais causas de lesões, mas queimaduras, afogamentos, intoxicações e choques elétricos também aparecem com frequência nas estatísticas. O reflexo desse aumento de acidentes é percebido nos serviços de saúde. De acordo com o médico ortopedista pediátrico do Imot, Rodrigo Sbeghen, as ocorrências mais frequentes estão relacionadas às atividades recreativas:

"As férias representam um momento importante para o desenvolvimento infantil, porque estimulam o movimento, a prática esportiva e a convivência. O problema não está nas brincadeiras, mas na ausência de supervisão, no uso inadequado dos equipamentos ou na realização de atividades incompatíveis com a idade da criança. Esses fatores aumentam o risco de quedas e, consequentemente, de fraturas, entorses e outras lesões ortopédicas".

Acidentes com bicicletas, patinetes, skates, camas elásticas e playgrounds estão entre os cenários mais comuns dos atendimentos. Também são frequentes situações dentro de casa, como quedas de escadas, móveis, sofás e beliches, além de escorregões em pisos molhados. Dependendo da intensidade do impacto, o trauma pode provocar desde contusões até fraturas, luxações e lesões ligamentares.


Como prevenir

Embora seja impossível eliminar completamente os riscos, algumas medidas reduzem significativamente a chance de acidentes. Capacetes, joelheiras e cotoveleiras devem fazer parte da rotina de quem utiliza bicicletas, skates e patinetes. Os brinquedos precisam ser compatíveis com a idade da criança e estar em boas condições de uso. Em casa, vale manter janelas protegidas, escadas com barreiras de segurança quando houver crianças pequenas, pisos secos e móveis estáveis para evitar tombamentos. A supervisão dos adultos também é um dos fatores mais importantes para a prevenção.

Quando uma queda provoca dor intensa, dificuldade para movimentar um membro ou suspeita de fratura, a avaliação especializada pode agilizar o diagnóstico e o início do tratamento. O Imot conta com um Pronto-Atendimento exclusivo para casos ortopédicos nas unidades de Mogi das Cruzes e Suzano, onde o paciente é atendido diretamente por um médico ortopedista. 

"O trauma na infância nem sempre apresenta sinais evidentes logo após o acidente. Em muitos casos, uma avaliação precoce permite identificar lesões que poderiam passar despercebidas e iniciar o tratamento antes que o quadro evolua", explica Sbeghen.

O Pronto Atendimento do Imot em Mogi funciona diariamente, de domingo a domingo, das 8h às 22h. Já a unidade de Suzano realiza atendimentos de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.



Imot
rua Otto Unger, 433, Centro, Mogi das Cruzes.
Mais informações: telefone (11) 4728-3420,
@clinicaimot).
Suzano
rua Augusta Aparecida Carvalho Morais, 250 Jardim Santa Helena. Telefone (11) 4741-3333.


Acetilcisteína, ibuprofeno, analgésicos e antigripais: quando usar cada um?

Especialista explica as diferenças e orienta o uso seguro dos medicamentos mais procurados no inverno e no período de vírus respiratórios

 

Com a mudança de clima, aumento das alergias e circulação de vírus respiratórios, cresce a busca por medicamentos para alívio rápido de sintomas como dor, febre, congestão e excesso de secreção. Entre os mais procurados estão acetilcisteína, ibuprofeno, analgésicos simples e antigripais combinados. Embora muitos sejam de venda livre, cada um tem indicação específica, e usá-los de forma inadequada pode trazer riscos. 

“A maior dúvida do consumidor é entender qual medicamento atua em qual sintoma. Conhecer a função de cada substância ajuda a evitar combinações excessivas e a utilizar a medicação de forma realmente eficaz”, explica a Mariana Marques de Castro, Gerente de Qualidade da MedQuímica.

A seguir, um guia objetivo para saber quando usar cada tipo de produto.

 

1. Acetilcisteína: para secreção espessa e congestão com catarro

A acetilcisteína é um mucolítico, ou seja, ela atua diretamente na fluidez do muco, tornando a secreção menos densa e mais fácil de eliminar.

Quando usar

  • Tosse produtiva (com catarro)
  • Congestão associada à secreção espessa
  • Bronquites, sinusites e doenças respiratórias com muco denso
  • Após infecções respiratórias, quando há “muco residual”

Quando NÃO usar

  • Tosse seca
  • Em pessoas com histórico de alergia à substância
  • Em combinação com antitussígenos (medicamentos que “cortam a tosse”), pois um estimula a eliminação do muco e o outro bloqueia a tosse

Segundo Mariana Castro, “A acetilcisteína não trata a causa da infecção, mas melhora o conforto respiratório e evita complicações decorrentes do muco acumulado.”

 

2. Ibuprofeno: para dor e inflamação

O ibuprofeno pertence à classe dos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). Age reduzindo dor, febre e inflamação.

Quando usar

  • Dor de garganta inflamatória
  • Dor muscular
  • Febre
  • Dor de cabeça
  • Sinusites com dor facial
  • Cólicas

Atenção redobrada

  • Pode irritar o estômago
  • Deve ser evitado por pessoas com gastrite severa, insuficiência renal, alergia a AINEs ou uso de anticoagulantes
  • Não deve ser usado junto com outros anti-inflamatórios

 

3. Analgésicos simples: para dor e febre leves

Paracetamol e dipirona são os analgésicos/antitérmicos mais usados no Brasil.

Quando usar

  • Dor de cabeça
  • Febre
  • Dor no corpo
  • Dor leve a moderada que não tem causa inflamatória

Diferenças rápidas

  • Paracetamol: seguro quando respeitada a dose; cuidado com o fígado.
  • Dipirona: eficaz para febre alta; pode causar alergias em casos raros.

 

4. Antigripais: combinação para múltiplos sintomas

Antigripais geralmente combinam analgésico + descongestionante + antihistamínico + cafeína, dependendo da fórmula. Por isso, atuam no alívio simultâneo de vários sintomas.

Quando usar

  • Congestão nasal
  • Dor de cabeça
  • Mal-estar
  • Coriza
  • Febre
  • Sintomas típicos da gripe ou resfriado

Cuidados

  • Nunca combinar com outros analgésicos (risco de duplicar a dose).
  • Pessoas hipertensas devem evitar fórmulas com descongestionantes orais.
  • Podem causar sonolência ou agitação, dependendo do tipo de anti-histamínico.

Mariana Castro alerta: “O maior erro com antigripais é usá-los sem ler o rótulo e combiná-los com outros remédios que contêm as mesmas substâncias. Isso aumenta o risco de sobredose inadvertida.”

 

Quando procurar ajuda médica?

  • Febre que dura mais de 48 horas
  • Falta de ar
  • Dor forte no peito ou no rosto
  • Tosse com sangue
  • Crianças pequenas com piora rápida dos sintomas
  • Pessoas com doenças crônicas que não melhoram com MIPs 

A especialista reforça que a automedicação responsável deve ser baseada em orientação, informação e atenção aos sinais do corpo. “Medicamentos isentos de prescrição são seguros quando usados da maneira correta. Ler a bula, respeitar horários e evitar combinações indevidas são passos fundamentais para um uso responsável”, conclui Mariana Castro.


Julho Verde alerta para o câncer de cabeça e pescoço e reforça o papel da Fonoaudiologia na recuperação de funções essenciais

Campanha chama atenção para sinais persistentes, diagnóstico precoce e acompanhamento fonoaudiológico antes, durante e após o tratamento

 

Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dor ou dificuldade para engolir, alterações na voz, caroços no pescoço e perda de peso sem causa aparente são sinais que merecem atenção. Durante o Julho Verde, campanha nacional de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, o alerta não se restringe ao diagnóstico precoce. Também chama a atenção para um aspecto muitas vezes pouco conhecido: a necessidade de preservar e reabilitar funções essenciais, como comunicação, alimentação e respiração.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de cabeça e pescoço compreende tumores que acometem a cavidade oral, língua, faringe, laringe, tireóide, seios paranasais, tendo o tabagismo e o consumo de álcool como principais fatores de risco. Nos últimos anos, a infecção pelo HPV também passou a ter papel importante, especialmente nos tumores de orofaringe.

Em Santa Catarina, o INCA estima para 2026 1.010 novos casos de câncer de cavidade oral e 450 novos casos de câncer de laringe. Entre os subgrupos, são projetados 720 casos de câncer de lábios e cavidade oral, 50 de glândulas salivares e 240 de orofaringe. Somadas as estimativas de cavidade oral e laringe, o estado chega a 1.460 novos casos em áreas que podem comprometer diretamente a comunicação, a alimentação segura e a respiração. 

Para a fonoaudióloga Camila Ferreira Molento (CRFa 3-8304), especialista em reabilitação oncológica, o tratamento não termina quando o tumor é controlado.

“O câncer de cabeça e pescoço pode comprometer funções que fazem parte da vida diária e da identidade da pessoa. Falar, comer, engolir e respirar com segurança são capacidades que precisam ser preservadas sempre que possível e reabilitadas quando afetadas. Esse cuidado começa antes mesmo do tratamento oncológico.”

A evidência científica recomenda que o acompanhamento fonoaudiológico seja iniciado antes do tratamento, permitindo identificar alterações pré-existentes, orientar exercícios preventivos e estabelecer parâmetros funcionais para o acompanhamento. Essa abordagem, conhecida como pré-habilitação, está associada à melhor preservação da deglutição, menor dependência de alimentação por sonda e melhores resultados funcionais ao longo do tratamento.

Durante e após cirurgias, radioterapia ou quimioterapia, a Fonoaudiologia atua na avaliação e reabilitação da deglutição, voz, fala, mastigação e comunicação, reduzindo complicações, favorecendo o retorno à alimentação por via oral e contribuindo para a recuperação funcional.

A orientação permanece a mesma: sintomas persistentes por mais de duas semanas devem ser investigados. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as possibilidades de tratamentos menos agressivos e de preservação das funções que garantem independência e participação social.

“Salvar vidas é fundamental. Preservar a capacidade de falar, comer e se comunicar também faz parte do tratamento. É nesse espaço que a Fonoaudiologia exerce um papel essencial dentro da equipe multiprofissional”, finaliza a fonoaudióloga.

 

Conselho Regional de Fonoaudiologia - 3ª Região- CREFONO 3

 

Por que o excesso de telas e informações mantém o cérebro em estado permanente de alerta e ensina como criar pequenos rituais de desaceleração


Nunca tivemos acesso a tanta informação. Antes mesmo de sair da cama, muita gente já conferiu mensagens, respondeu e-mails, assistiu a vídeos curtos, leu notícias e percorreu as redes sociais. Ao longo do dia, notificações, reuniões, sons, luzes e múltiplas telas disputam a atenção do cérebro. O problema é que, para ele, essa enxurrada de estímulos quase nunca termina.

No Dia Mundial do Cérebro, celebrado em 22 de julho, a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry faz um alerta: a sensação constante de cansaço pode não estar relacionada apenas ao excesso de trabalho, mas também à hiperestimulação a que estamos submetidos diariamente.

"O cérebro foi feito para receber estímulos, mas também precisa de momentos de pausa para organizar informações, consolidar memórias e regular emoções. Hoje, muitas pessoas passam o dia inteiro consumindo conteúdo sem oferecer à mente qualquer intervalo para respirar", explica.

Segundo a especialista, o descanso cerebral não significa ficar sem fazer nada. O que faz diferença é reduzir, ainda que por alguns minutos, a quantidade de informações que chegam ao sistema nervoso.

"O problema não é apenas trabalhar muito. Muitas pessoas terminam o expediente e continuam alimentando o cérebro com vídeos, mensagens, notícias e notificações. A mente muda de assunto, mas não muda de ritmo."

Os sinais de um cérebro sobrecarregado costumam aparecer de forma silenciosa: dificuldade de concentração, sensação de cansaço ao acordar, irritabilidade, esquecimentos frequentes, ansiedade, dificuldade para relaxar e a impressão de que o pensamento nunca desacelera.
 

O olfato pode ajudar o cérebro a desacelerar

Entre os caminhos para criar momentos de pausa, a aromaterapia vem despertando interesse da ciência por sua relação direta com o sistema límbico, região cerebral envolvida no processamento das emoções, da memória e das respostas ao estresse.

"O olfato é o único sentido que possui uma conexão direta com áreas cerebrais ligadas às emoções. Por isso, determinados aromas conseguem despertar sensações de acolhimento, tranquilidade e conforto quase instantaneamente", afirma Daiana.

Ela ressalta que os óleos essenciais não substituem tratamentos médicos ou psicológicos, mas podem integrar práticas de autocuidado voltadas ao bem-estar e ao relaxamento.

Entre os aromas mais utilizados para criar um ambiente de desaceleração estão:

  • Lavanda: tradicionalmente associada ao relaxamento e à redução da tensão.
  • Bergamota: conhecida por proporcionar sensação de leveza e equilíbrio emocional.
  • Laranja-doce: frequentemente relacionada ao conforto, acolhimento e bem-estar.

Cinco minutos podem fazer diferença

A especialista explica que não é necessário fazer grandes mudanças na rotina para oferecer uma pausa ao cérebro. Pequenos rituais ao longo do dia podem funcionar como um sinal de transição entre momentos de alta demanda e descanso.

Ela sugere reservar cinco minutos para diminuir a iluminação, afastar o celular, respirar lentamente e utilizar um aroma agradável no ambiente. O objetivo não é "esvaziar a mente", mas reduzir temporariamente a entrada de novos estímulos.

"Vivemos tentando aproveitar cada segundo com mais informações, quando talvez o cérebro esteja justamente precisando do contrário: alguns minutos de silêncio, presença e menos estímulos. Cuidar do cérebro também é aprender a desacelerar."

O Dia Mundial do Cérebro é um convite para olhar além da produtividade. Assim como o corpo precisa de descanso para recuperar suas funções, a mente também depende de pausas para manter o equilíbrio, a criatividade e a saúde emocional. 



Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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@daianagpetry


O paradoxo do emagrecimento: por que preservar músculos é o verdadeiro segredo da longevidade


Vivemos uma revolução no tratamento da obesidade. Medicamentos como a tirzepatida mudaram radicalmente o cenário do emagrecimento, oferecendo resultados que, até poucos anos atrás, pareciam inalcançáveis sem cirurgia bariátrica. Pela primeira vez, a medicina dispõe de uma ferramenta capaz de promover perdas de peso expressivas de forma relativamente simples e segura.

 

Mas, como costuma acontecer na medicina, existe uma pergunta mais importante do que “quanto peso foi perdido”: o que exatamente foi perdido? A resposta para essa pergunta pode determinar não apenas o sucesso do tratamento, mas também a qualidade de vida e a longevidade do paciente.

 

Durante o congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA), os resultados do estudo SURMOUNT-1 chamaram atenção ao demonstrar o potencial da tirzepatida no tratamento da obesidade. Conforme relatado pelos pesquisadores, pacientes tratados com a dose de 15 mg apresentaram perda média de peso de 20,9% em 72 semanas, resultado considerado um marco na história do tratamento clínico da obesidade.

 

No entanto, uma análise mais profunda dos dados trouxe um alerta importante. O estudo de composição corporal derivado do SURMOUNT-1 mostrou que, embora aproximadamente 75% da perda de peso tenha ocorrido às custas da gordura corporal, cerca de 25% corresponderam à perda de massa magra, incluindo tecido muscular.

 

Esse dado é frequentemente tratado como aceitável na literatura médica. Eu discordo.

 

A medicina da longevidade nos ensina que o músculo não é apenas uma estrutura responsável por movimentos ou aparência física. O músculo é um dos tecidos mais importantes do organismo humano. É um órgão metabólico, hormonal e funcional.

 

Existe uma frase frequentemente citada pelos especialistas em envelhecimento saudável: “envelhecemos pelos músculos”.

 

Não é exagero.

 

Diversos estudos mostram que a massa muscular é um dos mais fortes preditores independentes de mortalidade. Em muitos casos, ela é mais relevante para prever expectativa de vida do que o próprio Índice de Massa Corporal (IMC). Pessoas com mais massa muscular tendem a sobreviver melhor a doenças graves, manter independência funcional por mais tempo e apresentar menor risco de hospitalizações e fragilidade física.

 

O problema é que a perda muscular já acontece naturalmente com o envelhecimento. A partir da meia-idade, ocorre uma redução gradual da massa muscular, fenômeno conhecido como sarcopenia. Quando um paciente perde vários quilos de músculo durante um processo de emagrecimento acelerado, ele pode estar antecipando um processo que normalmente levaria anos para acontecer.

 

É aí que surge o paradoxo.

 

Ao mesmo tempo em que reduz gordura, melhora exames laboratoriais e diminui riscos associados à obesidade, o paciente pode estar renunciando a um dos seus maiores patrimônios biológicos: a musculatura.

 

Felizmente, isso não precisa acontecer.

 

Um dos aspectos mais importantes da nova geração de tratamentos para obesidade é compreender que a medicação não pode ser encarada como protagonista única do processo. Ela é uma ferramenta. O resultado depende da estratégia utilizada.

 

Um estudo recente citado na literatura sobre agonistas de GLP-1 e GIP demonstrou que é possível preservar — e até aumentar — a massa muscular durante o emagrecimento quando o tratamento é acompanhado por protocolos adequados de exercício e nutrição.

 

Na prática clínica, três pilares são fundamentais.

 

O primeiro é o treinamento de força. Caminhadas e atividades aeróbicas trazem inúmeros benefícios cardiovasculares, mas não são suficientes para sinalizar ao organismo que o músculo deve ser preservado. A musculação continua sendo a intervenção mais eficiente para proteger a massa muscular durante a perda de peso.

 

O segundo é a ingestão adequada de proteínas. Com a redução importante do apetite promovida pela tirzepatida, muitos pacientes passam a comer muito menos do que precisam. Isso inclui proteínas, nutriente essencial para manutenção da musculatura.

 

O terceiro pilar é a personalização do tratamento. Avaliações periódicas de composição corporal, suplementação quando necessária e ajustes individuais são medidas que fazem diferença significativa nos resultados de longo prazo.

O futuro do tratamento da obesidade não será medido apenas pela quantidade de gordura eliminada.

 

Será medido pela capacidade de reduzir gordura enquanto preservamos força, mobilidade, independência funcional e saúde metabólica.

 

A balança mostra quantos quilos foram embora.

 

A composição corporal mostra o que realmente importa.

 

Por isso, acredito que o verdadeiro sucesso do emagrecimento não está em criar pessoas mais leves, mas em construir pessoas metabolicamente mais fortes. Porque, no final das contas, a longevidade não depende apenas de viver mais anos.

 

Depende de chegar a esses anos com autonomia, energia e qualidade de vida.

E, para isso, preservar músculos pode ser tão importante quanto perder gordura.

 

  


Dr. Joaquim Menezes - Médico especialista em Emagrecimento definitivo, longevidade, performance física e mental. Após transformar sua própria saúde emagrecendo mais de 30 kgs, transformou a vida de mais de 12000 mil pessoas a recuperarem vitalidade, composição corporal, energia e presença. Já tratou e acompanhou mais de 2.000 pacientes com emagrecimento definitivo que utilizaram como estratégia medicamentosa o uso do Mounjaro, a tirzepatida. Atua a partir de uma visão integral — metabolismo, performance e longevidade trabalhando em sinergia — para resultados que ultrapassam o físico e devolvem energia, clareza, autoestima e presença. Sua atuação ao lado de atletas, executivos e pessoas que buscavam reencontrar vitalidade consolidou uma filosofia de cuidado profundo, preciso e humano.


Instituto Evollution


O mofo dentro da sua casa pode ser o inimigo invisível que está te deixando doente

Apesar de ter uma função biológica específica e necessária, o mofo que habita dentro de casa pode ser um perigo silencioso para crianças, idosos, asmáticos e pessoas com rinite ou imunidade baixa

 

Tempo frio sob uma chuva calma, porém contínua. Você está debaixo da coberta, deitado no sofá vendo televisão, mas algo te chama atenção na parede: o mofo está tomando conta. Quando o calor vai embora, o mofo volta a assombrar os lares brasileiros. Mais do que uma questão estética que compromete paredes e armários, a presença de fungos nos ambientes fechados é um gatilho crítico para crises respiratórias e alergias graves.

A pneumologista Karla Curado, que atende no centro clínico do Órion Complex, explica que o mofo é uma colônia de fungos que se desenvolve em ambientes úmidos, quentes e sem ventilação. “Eles fazem mal à saúde porque liberam partículas microscópicas no ar, chamadas esporos. Quando essas partículas são inaladas, podem irritar as vias respiratórias e desencadear reações inflamatórias e alérgicas, principalmente em pessoas mais sensíveis, como crianças, idosos, asmáticos e pessoas com rinite ou imunidade baixa”, explica a especialista.

Apesar dos fungos serem decompositores de matéria orgânica, sendo fundamentais para a reciclagem de nutrientes no ecossistema, quando estão proliferados em quantidade excessiva são prejudiciais para a nossa saúde. “Os esporos entram pelo nariz, que, em primeiro momento, gera tosse e espirro. Quanto mais partículas de mofo, a obstrução nasal vai ser mais intensa. Se os esporos conseguirem passar do nariz, eles podem percorrer a laringe e depois o pulmão. No fim, podem gerar complicações mais graves, como a pneumonite de hipersensibilidade, que é uma inflamação dos pulmões causada pela inalação de poeira e mofo”, conta a médica.

Além deste problema de saúde, a exposição prolongada a ambientes com bolor pode também ocasionar em ataques de rinite alérgica, crises de asma, sinusite, bronquite, tosse crônica, irritação nos olhos e na garganta. Também, é possível desenvolver condições como dermatites e alergias de pele, fibrose pulmonar e pneumonia de hipersensibilidade.

Segundo a doutora Karla Curado, muitas pessoas só percebem que os sintomas pioram quando ficam em determinados ambientes da casa, especialmente quartos, banheiros ou locais fechados com infiltração e pouca ventilação. Nesse sentido, torna-se preocupante quando o primeiro instinto é tratar somente os problemas respiratórios quando, na verdade, a causa está no ambiente.


A solução pode ir além das paredes

Não adianta apenas limpar a superfície com produtos químicos se a causa do mofo for em função da estrutura do imóvel. A umidade excessiva geralmente é fruto de infiltrações, falta de impermeabilização adequada ou baixa ventilação. Glênio Forte, proprietário da Rede da Construção Fortecon, afirma que “uma das regras de ouro na construção civil é que a impermeabilização preventiva custa uma fração minúscula da obra, enquanto consertar o estrago depois custa caro e dá dor de cabeça”.

Antes de tudo, é preciso dar atenção ao solo, explica Glênio. “O solo em que a casa será construída deve ser impermeabilizado de forma rigorosa, porque se a umidade subir pelas paredes, o mofo será um problema crônico e difícil de resolver depois que o projeto estiver pronto. Antes do assentamento dos revestimentos e pisos, as chamadas ‘áreas molhadas’ como banheiro, cozinha, lavanderia e sacadas devem receber uma camada de impermeabilizante”.

Glênio afirma que planejar ambientes ventilados e bem iluminados é essencial, como também garantir que o caimento do telhado e das lajes estejam corretos e não acumulem água da chuva. Além disso, as calhas e rufos devem ser dimensionados para afastar a água das paredes externas.

“Agora, se a casa está pronta e tem mofo, alguns itens ajudam a conter o problema, como seladores e tintas antimofo, que possuem aditivos fungicidas e bactericidas. Estes são ideais para tetos de banheiros, cozinhas e paredes internas que sofrem com condensação”, explica o empresário. Para áreas externas e lajes, ele indica mantas líquidas ou asfálticas. Por fim, ele aponta que hidrofugantes e silicones são ideais para tijolos e pedras aparentes, que impedem a água da chuva de penetrar na estrutura externa e causar manchas e mofo no lado de dentro.


Sinais de que você é vítima do mofo

A médica Karla Curado pontua uma lista de sintomas que, se observados, provavelmente é necessário tomar providências para a manutenção do ambiente e da saúde respiratória com acompanhamento profissional:

  • Espirros frequentes;
  • Nariz entupido ou escorrendo;
  • Coceira no nariz, olhos e garganta;
  • Tosse persistente;
  • Chiado no peito;
  • Falta de ar;
  • Sensação de aperto no peito;
  • Dor de cabeça;
  • Irritação nos olhos;
  • Cansaço excessivo;
  • Falta de ar e fadiga aos mínimos esforços.

Mortes por câncer de orofaringe são cinco vezes mais frequentes em homens e quase 11% ocorrem antes dos 50 anos

Levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, mostra que 83,7% das mortes por câncer de orofaringe ocorreram em homens e que 10,8% dos óbitos atingiram pessoas com menos de 50 anos. A divulgação coincide com a repercussão da morte do ator Edward Boggiss, aos 49 anos, que revelou em 2024 o diagnóstico da doença

 

Entre 2020 e 2024, o Brasil registrou 11.239 mortes por câncer de orofaringe, das quais 9.408 ocorreram em homens, o equivalente a 83,7% do total. O levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), elaborado com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, é divulgado na semana da morte do ator Edward Boggiss, aos 49 anos e traz um alerta sobre a doença. Boggiss havia revelado, em 2024, o diagnóstico de câncer de orofaringe. 

Os dados mostram que o câncer de orofaringe também afeta uma parcela expressiva de adultos antes da terceira idade. Entre todos os óbitos registrados no período, 1.210 ocorreram em pessoas com menos de 50 anos, o equivalente a 10,8% do total. Considerando a população com menos de 60 anos, foram 4.231 mortes, correspondendo a 37,6% dos registros. Embora o maior número absoluto de óbitos permaneça concentrado entre 60 e 69 anos, com 3.863 mortes, especialistas observam que o perfil epidemiológico desses tumores vem mudando nas últimas décadas.

"Os tumores de orofaringe, amígdala e base da língua associados ao HPV são os que mais crescem, atingindo homens mais jovens, entre 40 e 60 anos, muitos deles sem qualquer histórico de tabagismo", afirma Carlos Eduardo Santa Ritta Barreira, coordenador das Comissões de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

O levantamento da SBCO mostra que a mortalidade masculina supera a feminina em praticamente todas as faixas etárias. No conjunto do período, morreram 5,1 homens para cada mulher. A diferença é ainda mais expressiva entre adultos de meia-idade. Na faixa de 40 a 49 anos, foram 930 mortes entre homens e 122 entre mulheres, uma razão de 7,6 para um. Entre 50 e 59 anos, a relação foi de 7,3 homens para cada mulher (2.655 contra 366 mortes). Já entre 60 e 69 anos, foram registrados 3.356 óbitos masculinos e 507 femininos, mantendo uma razão de 6,6 para um.

Até poucas décadas atrás, a maioria dos tumores de orofaringe estava relacionada principalmente ao tabagismo e ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Hoje, entretanto, especialistas observam um aumento consistente dos tumores associados ao HPV, sobretudo ao subtipo HPV-16. A orofaringe compreende estruturas como as amígdalas e a base da língua, regiões onde esse perfil de tumor tem apresentado crescimento em diversos países.

O levantamento da SBCO também evidencia a influência das desigualdades sociais na mortalidade pela doença. Entre os 11.239 óbitos, 61,2% ocorreram entre pessoas com até sete anos de estudo. A maior concentração foi registrada entre indivíduos com 4 a 7 anos de escolaridade, responsáveis por 2.986 mortes (26,6%), seguidos pelas pessoas com 1 a 3 anos de estudo (2.481 mortes; 22,1%) e sem escolaridade (1.409 mortes; 12,5%). Apenas 490 mortes (4,4%) ocorreram entre indivíduos com 12 anos ou mais de escolaridade. "Sem dúvida, os mais vulneráveis são os pacientes com menos acesso aos serviços de saúde, que chegam mais tarde ao diagnóstico e adoecem de forma mais grave", afirma Santa Ritta.

Além do diagnóstico precoce, uma das principais estratégias para reduzir a incidência dos tumores relacionados ao HPV é a vacinação. Embora seja amplamente conhecida pela prevenção do câncer do colo do útero, a vacina também reduz o risco de outros tumores associados ao vírus, como os cânceres de orofaringe, ânus, pênis, vulva e vagina.

No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos e também para paciente oncológico. O imunizante também está disponível para grupos com condições específicas definidas pelo Programa Nacional de Imunizações, como pessoas vivendo com HIV, transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea e pacientes oncológicos.

Especialistas destacam que os benefícios da vacinação sobre os cânceres de orofaringe serão observados principalmente nas próximas décadas, devido ao longo intervalo entre a infecção pelo HPV e o desenvolvimento da doença. Enquanto isso, reforçam a importância de reconhecer sintomas persistentes, como dor de garganta que não melhora, dificuldade para engolir, rouquidão, lesões na boca e caroços no pescoço, especialmente quando permanecem por mais de duas semanas.

 

Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica - SBCO


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