Especialista explica as diferenças e orienta o uso
seguro dos medicamentos mais procurados no inverno e no período de vírus
respiratórios
Com
a mudança de clima, aumento das alergias e circulação de vírus respiratórios,
cresce a busca por medicamentos para alívio rápido de sintomas como dor, febre,
congestão e excesso de secreção. Entre os mais procurados estão acetilcisteína,
ibuprofeno, analgésicos simples e antigripais
combinados. Embora muitos sejam de venda livre, cada um tem
indicação específica, e usá-los de forma inadequada pode trazer riscos.
“A
maior dúvida do consumidor é entender qual medicamento atua em qual sintoma.
Conhecer a função de cada substância ajuda a evitar combinações excessivas e a
utilizar a medicação de forma realmente eficaz”, explica a Mariana Marques de
Castro, Gerente de Qualidade da MedQuímica.
A seguir, um guia objetivo para saber quando usar cada tipo de produto.
1. Acetilcisteína: para secreção espessa e congestão com catarro
A
acetilcisteína é um mucolítico, ou seja, ela atua diretamente na fluidez do
muco, tornando a secreção menos densa e mais fácil de eliminar.
Quando usar
- Tosse produtiva (com catarro)
- Congestão associada à secreção espessa
- Bronquites, sinusites e doenças respiratórias com muco denso
- Após infecções respiratórias, quando há “muco residual”
Quando NÃO usar
- Tosse seca
- Em pessoas com histórico de alergia à substância
- Em combinação com antitussígenos (medicamentos que “cortam a
tosse”), pois um estimula a eliminação do muco e o outro bloqueia a tosse
Segundo
Mariana Castro, “A acetilcisteína não trata a causa da infecção, mas melhora o
conforto respiratório e evita complicações decorrentes do muco acumulado.”
2. Ibuprofeno: para dor e inflamação
O
ibuprofeno pertence à classe dos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs).
Age reduzindo dor, febre e inflamação.
Quando usar
- Dor de garganta inflamatória
- Dor muscular
- Febre
- Dor de cabeça
- Sinusites com dor facial
- Cólicas
Atenção redobrada
- Pode irritar o estômago
- Deve ser evitado por pessoas com gastrite severa, insuficiência
renal, alergia a AINEs ou uso de anticoagulantes
- Não deve ser usado junto com outros anti-inflamatórios
3. Analgésicos simples: para dor e febre leves
Paracetamol
e dipirona são os analgésicos/antitérmicos mais usados no Brasil.
Quando usar
- Dor de cabeça
- Febre
- Dor no corpo
- Dor leve a moderada que não tem causa inflamatória
Diferenças rápidas
- Paracetamol: seguro quando respeitada a dose; cuidado com o fígado.
- Dipirona: eficaz para febre alta; pode causar alergias em casos
raros.
4. Antigripais: combinação para múltiplos sintomas
Antigripais
geralmente combinam analgésico + descongestionante + antihistamínico + cafeína,
dependendo da fórmula. Por isso, atuam no alívio simultâneo de vários sintomas.
Quando usar
- Congestão nasal
- Dor de cabeça
- Mal-estar
- Coriza
- Febre
- Sintomas típicos da gripe ou resfriado
Cuidados
- Nunca combinar com outros analgésicos (risco de duplicar a dose).
- Pessoas hipertensas devem evitar fórmulas com descongestionantes
orais.
- Podem causar sonolência ou agitação, dependendo do tipo de anti-histamínico.
Mariana
Castro alerta: “O maior erro com antigripais é usá-los sem ler o rótulo e
combiná-los com outros remédios que contêm as mesmas substâncias. Isso aumenta
o risco de sobredose inadvertida.”
Quando procurar ajuda médica?
- Febre que dura mais de 48 horas
- Falta de ar
- Dor forte no peito ou no rosto
- Tosse com sangue
- Crianças pequenas com piora rápida dos sintomas
- Pessoas com doenças crônicas que não melhoram com MIPs
A
especialista reforça que a automedicação responsável deve ser baseada em
orientação, informação e atenção aos sinais do corpo. “Medicamentos isentos de
prescrição são seguros quando usados da maneira correta. Ler a bula, respeitar
horários e evitar combinações indevidas são passos fundamentais para um uso
responsável”, conclui Mariana Castro.
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